sexta-feira, 16 de maio de 2014

BRICS - A NOVA CLASSE MÉDIA

Mais uma produção da Cine Group prestes a ser lançada.





"A série “BRICS – a nova classe média” conta o impacto das mudanças econômicas e sociais na vida de famílias de classe média em cada um dos cinco países do grupo.
 
Com 42% da população mundial, 20% do Produto Interno Bruto global e uma força de trabalho com 1,5 bilhão de pessoas, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul modernizaram suas economias, aumentaram o comércio, o emprego e a renda de suas populações.
 
Durante uma semana, acompanhamos a rotina de cinco famílias para contar as transformações em suas vidas.
 
Entrevistas com especialistas de diversas áreas ajudam a explicar o fenômeno da globalização e o surgimento de uma nova classe média mundial."

Para assistir na página da Cine Group, clique aqui.

domingo, 4 de maio de 2014

THE BANG-BANG CLUB RESISTE


video
Para acompanhar os bastidores da produção do documentário Democracia em Família, da Cine Group, clique aqui.Por Carlos Alberto Jr.

Conheci o João Silva em 2008, no estádio dos Coqueiros, em Luanda. Eu era o correspondente da TV Brasil na África. João era fotógrafo do The New York Times baseado em Joanesburgo.
Ambos cobríamos a visita do papa Bento XVI a Angola.
Foi um encontro breve. Alguém nos apresentou pelo fato de eu ser brasileiro e ele português.
Foi a primeira vez que ouvi falar em João Silva.
Meses depois, nos encontramos novamente. Também por acaso. Desta vez, num estádio em Joanesburgo, na cobertura do último comício de campanha de Jacob Zuma, dias antes da eleição que o elegeu presidente.
Enquanto líderes do movimento de libertação - entre eles Nelson Mandela - acompanhavam o discurso de Zuma no palco das autoridades, tive tempo de dar um rápido "oi" a João e lembrar que havíamos nos conhecido em Luanda.
Ao longo da cobertura, alguém me contou que João era um dos integrantes do “The bang-bang club”, o grupo de quatro fotógrafos especializado em cobrir os conflitos entre negros e brancos e entre negros e negros nos bairros pobres de Joanesburgo entre o final dos anos 80 e o início da democracia sul-africana, em 1994.
A incrível história dos quatro virou o livro “The bang-bang club”, escrito por João e por Greg Marinovich, e um filme com o mesmo nome.
Nunca mais ouvi falar de João Silva.
Em 2010, quando eu morava nos Estados Unidos, recebi chocado a notícia de que João havia perdido as duas pernas ao pisar numa mina terrestre no Afeganistão, quando acompanhava uma patrulha do exército americano.
Levado para os Estados Unidos, João passou meses em tratamento, foi submetido a 70 cirurgias - fará mais uma em breve – e recebeu duas próteses.
Nunca mais ouvi falar de João Silva.
Há uma semana, pouco antes de a equipe embarcar para a África do Sul, dei de presente ao Bernardo Rebello, diretor do Democracia em Família, o meu exemplar do “The bang-bang club” para que ele conhecesse mais sobre o país por meio de uma narrativa fascinante sobre os últimos anos do apartheid.
No começo da semana, almoçávamos todos num restaurante em Joanesburgo quando o Bernardo viu dois fotógrafos saindo do local.
Como uma das câmeras que estávamos usando nas filmagens estava com defeito, Bernardo foi até os dois perguntar se conheciam um lugar para consertar o equipamento.
Quase não acreditei quando percebi que um dos fotógrafos com quem Bernardo conversava era o João. Fui até lá e me apresentei novamente, dizendo que havíamos nos encontrado duas vezes antes, em Luanda e aqui na África do Sul.
Ele disse que se lembrava dos dois breves momentos. Me arrependi na hora de ter dado o livro de presente para o Bernardo e de não tê-lo ali para pedir um autógrafo.
João foi muito simpático neste outro breve encontro. Nos deu dicas de locais de filmagem, falou um pouco sobre o cenário político, a expectativa para as eleições e nos passou seu telefone.
É claro que tivemos um momento “selfie”, ao qual se juntou o diretor de fotografia André Miranda.
Ainda à mesa do restaurante, surge a ideia de entrevistar João para o documentário, para que ele dê seu depoimento sobre a passagem do apartheid para a democracia, transição que ele registrou com suas câmeras. Ligo e ele aceita. Peço permissão para que ele nos deixe filmá-lo trabalhando em algum ponto da cidade, para termos imagens de cobertura que possam ser usadas no documentário. Ele também aceita e nos convida para acompanhá-lo a Alexandra, um dos bairros mais pobres e violentos de Joanesburgo. Para facilitar a movimentação no local, ele sugere o uso de um único carro.
Às 6h40 da manhã de hoje, a equipe do Democracia em Família estava na porta da casa do João.
Pelas quatro horas seguintes, tivemos a honra de acompanhar o trabalho de João Silva pelas ruas de Alexandra.
Aos 48 anos, João ainda está se adaptando às próteses. Mas a visão de um andar por vezes cambaleante pode passar a falsa impressão de fragilidade a quem não o conhece.
João mantém o vigor e a paixão de um jovem fotojornalista. Foi generoso ao compartilhar informações conosco e se deixar filmar enquanto buscava os melhores ângulos. Não reclamou nem quando deixou de clicar algumas cenas que não mais se repetirão por conta da movimentação da nossa equipe.
João é um exemplo de profissional. Depois de integrar o “The Bang-bang club”, participar das principais coberturas de guerra no mundo, sofrer um acidente terrível que o deixou mutilado, estava hoje cedo nas ruas de Alexandra registrando a vida.
Dos quatro integrantes do “The Bang-bang club”, há apenas dois sobreviventes: João e Greg. Kevin Carter cometeu suicídio em 1994, meses depois de receber um prêmio Pulitzer pela foto de um abutre ao lado de uma criança famélica no Sudão. Ken Oosterbroek morreu baleado no bairro de Thokoza durante a cobertura da onda de violência que atingiu várias regiões do país nas semanas anteriores às eleições de 1994. Naquele mesmo dia, Greg foi baleado – e seria outras vezes em diferentes coberturas -, mas sobreviveu. Em 2010, João sofreu o acidente que lhe amputou as duas pernas.
No vídeo abaixo, André Miranda registra uma rápida conversa minha com o João. E nos posts a seguir, algumas fotos mostrando o nosso trabalho e o do João.

domingo, 27 de abril de 2014

DEMOCRACIA EM FAMÍLIA

Vinte anos após o fim do apartheid e da eleição de Nelson Mandela como o primeiro presidente negro de uma África do Sul livre e multirracial, o país volta às urnas no próximo dia 7 de maio para escolher um novo líder. Entre os cerca de 32 milhões de eleitores, destacam-se os “Born Frees”, a geração nascida depois de 1994 e que vai votar pela primeira vez.

Para contar essa história, a Cine Group chega hoje à África do Sul para começar as filmagens do documentário “Democracia em Família”.

Com produção-executiva de Mônica Monteiro, o documentário tem Bernardo Rebello na direção, André Miranda na direção de fotografia, Amilson Vieira no som direto, Tracey-Lee Dearham-Rainers na produção de campo na África do Sul, Camila Torres na produção de base e Carlos Alberto Jr. na direção de conteúdo.

Democracia em Família - o documentário
O documentário “Democracia em Família” vai focar três gerações de duas famílias de sul-africanos negros que sofreram sob o apartheid: os Pooe e os Sibeko.

As histórias das duas famílias refletem a luta pela liberdade no país: os avós, que passaram a maior parte da vida sem direitos e votam desde 1994; os filhos, que nasceram e cresceram sob o regime racista da minoria branca; e os netos, nascidos numa África do Sul livre.

Assim como os demais integrantes de sua família, o primeiro voto da vida de Thami Pooe, 20 anos, será no CNA. O jovem universitário acompanha a situação política do país e está ciente das críticas ao partido do governo, mas compartilha com milhões de sul-africanos a gratidão ao CNA pela luta contra o apartheid.

Na família Sibeko, o neto Mpho, de 19 anos, decidiu não votar. Estudante de Artes Cênicas, ele acredita que os partidos políticos existem apenas para seus interesses, e não os da população.

No ano em que o fim do apartheid completa 20 anos, vamos acompanhar a rotina das duas famílias que fizeram parte de uma das maiores transições para o regime democrático da história moderna.

O conflito
Avós na luta histórica de um partido que libertou a África do Sul de uma opressão brutal aos negros e mestiços; pais que viveram um momento de revolução e democratização; e filhos “nascidos livres” com o direito de ecoar os gritos de "um homem, um voto”.

A democracia e o legado de Nelson Mandela são o cenário em que se estabelece o conflito, permitindo a exposição de ideias sem engajamento político e destacando os avanços alcançados com o fim do apartheid.

O eixo dramático do documentário está centrado na relação desses personagens com participação política distinta e visões bastante diferentes da importância de se exercer a cidadania com o voto. Entrevistas com sociólogos, cientistas políticos, militantes, acadêmicos e cidadãos ajudarão a explicar o momento político da África do Sul.

As gravações serão feitas em Joanesburgo, Pretória, Soweto e Randfontein.

Cine Group
Produção-Executiva: Mônica Monteiro
Direção: Bernardo Rebello
Direção de Fotografia: André Miranda
Direção de Conteúdo: Carlos Alberto Jr.
Produção: Tracey-Lee Dearham-Rainers
Produção de base: Camila Torres
Som Direto: Amilson Lessa Vieira

Na foto acima (da esquerda para a direita): Carlos Alberto Jr., André Miranda, Camila Torres, Bernardo Rebello e Amilson Vieira.


Para acessar a página do documentário no facebook, clique aqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

HOW WE FIGHT HUNGER

O vídeo abaixo foi roteirizado e dirigido por mim para o Centro de Excelência contra a Fome. 
Mostra como o Centro, uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos, ajuda países em desenvolvimento a melhorar seus programas de alimentação escolar.
As filmagens aconteceram em outubro do ano passado no Malawi, em Moçambique e no Brasil. O trabalho, que teve co-direção de Alexandre Jordão, responsável pela parte brasileira, é
 o registro de uma experiência brasileira que tem provocado uma pequena revolução nos países em desenvolvimento.

domingo, 22 de setembro de 2013

PRESIDENTES AFRICANOS

Estreia na próxima quarta-feira, dia 25 de setembro, no Discovery Channel, a série Presidentes Africanos.

A produção é da Cine Group.

Além de editor executivo da série, escrevi e dirigi alguns dos 15 episódios.

Compartilhem!

segunda-feira, 25 de março de 2013

MEMÓRIAS DA ÁFRICA E DO ORIENTE

História Geral de Cabo Verde. III
Coordenação de Maria Emília Madeira Santos , III, 2002 - 540 pags.


Para quem quer conhecer mais sobre a ocupação portuguesa na África, recomendo o sítio "Memórias da África e do Oriente".

A seguir, trecho do texto de apresentação do portal:


"O Portal das Memórias de África e do Oriente é um projecto da Fundação Portugal-África desenvolvido e mantido pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento desde 1997. É um instrumento fundamental e pioneiro na tentativa de potenciar a memória histórica dos laços que unem Portugal e a Lusofonia, sendo deste modo uma ponte com o nosso passado comum na construção de um identidade colectiva aos povos de todos esses países."

terça-feira, 12 de março de 2013

MULHERES AFRICANAS NA DEUTSCHE WELLE

Abaixo, reportagem da rádio Deutsche Welle sobre o documentário "Mulheres Africanas - A Rede Invisível", que estreou no dia 8 de março em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.



Duas mulheres com o realizador Carlos Nascimbeni (dir.)

Assinala-se nesta sexta-feira (08.03.) o dia internacional da mulher. Um documentário de Carlos Nascimbeni (dir.) fala sobre cinco mulheres africanas que deixaram a sua impressão digital na história do continente.
"O subterrâneo funcionamento deste continente está nas mãos da mulher. É exatamente aquele ditado que diz: 'A mulher sustenta metade do céu'. No dia em que ela larga, tudo rui", diz Luísa Diogo no trailer do documentário "Mulheres Africanas – A Rede Invisível".
Sentada numa cadeira, com o "penteado da rainha" em forma de coroa e vestido típico africano de cor verde, a antiga primeira-ministra de Moçambique descreve, no filme, a importância das mulheres no seu país e em África: a mulher, conta Luísa Diogo, é alguém que consegue unir toda a gente à sua volta.
Essa é justamente uma das grandes mensagens do documentário, explica o realizador brasileiro Carlos Nascimbeni: "A teia de ação das mulheres em África é uma que é feita no dia-a-dia, que não aparece, mas é a teia que, na verdade, sustenta o tecido social e determina muitas das relações."
Luísa Diogo, ex-primeira ministra de Moçambique e quadro sénior do partido FRELIMOLuísa Diogo, ex-primeira ministra de Moçambique e quadro sénior do partido FRELIMO
Mulher, a pacificadora
O realizador dá um exemplo – o que aconteceu depois da guerra civil em Moçambique: "Uma família, cada um contra o outro. Você tem um irmão que está de um lado e um irmão que está do outro. Quando a guerra acabou, quem foi que unificou essas pessoas? Foi a mulher, a mãe. Ela trouxe os seus filhos para dentro de casa, o seu marido, e disse: 'olha, aqui não há guerra'."
Outra das pessoas que Nascimbeni entrevistou foi Graça Machel, antiga esposa do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, e atual mulher de Nelson Mandela e também ex-ministra da Educação em Moçambique.
Além dela, outras três mulheres contam as suas histórias: a Nobel da Literatura sul-africana Nadine Gordimer, a Prémio Nobel da Paz liberiana Leymah Gbowee e a empresária da Tanzânia, Sara Masasi.
O documentário de 80 minutos já passou pelo festival Dockanema, em Moçambique, e também pelo Festival de cinema do Rio.
Agora, vai poder ser visto pelo grande público nas salas de cinema de cinco cidades brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.
Graça Machel lidera projetos de desenvolvimento comunitário em MoçambiqueGraça Machel lidera projetos de desenvolvimento comunitário em Moçambique
O documentário será exibido em África
Depois, o realizador diz que as histórias das cinco mulheres africanas vão continuar a ser contadas nas televisões de África: "Nós fechámos um contrato com uma empresa que vai distribuir o filme em África. Acho que principalmente para a televisão."
Carlos Nascimbeni planeia também levar o documentário a outros lugares: "Agora, depois desta exibição que vai ficar, provavelmente, um mês em cartaz aqui, nós vamos verificar a possibilidade de exibir em outros países. Eu acho que Portugal deve ter muito interesse. Provavelmente a Alemanha também… ou a China."
Autor: Guilherme Correia da Silva
Edição: Nádia Issufo / Renate Krieger