sábado, 12 de julho de 2008

BIDON

Outro dia jantamos no apartamento de alguém que mora num prédio com elevador que funciona. Depois da independência, as casas e apartamentos dos portugueses que aqui viviam foram ocupadas por angolanos. O colapso econômico enfrentado pelo país cuidou do resto. Sem fornecimento de energia garantido, os elevadores foram desligados. Os fossos viraram lixeiras.

Ainda hoje são poucos os prédios com elevadores que funcionam. Só os mais recentes ou os habitados por gente com dinheiro suficiente para manter um gerador ligado 24 horas por dia. Em vários ministérios tem-se de subir aos andares superiores pelas escadas. As casas precisam de gerador. Além do barulho, as paredes tremem. E haja gasóleo, o combustível para alimentar os geradores.

Casa com gerador também precisa de bidon (como são chamados os galões) sempre cheio. Nunca se sabe quando – nem por quanto tempo – ficaremos sem luz. Temos dois em casa. O problema é mantê-los cheios. Precisa-se ir a um posto de combustível (aqui conhecidos como bombas). Sempre há fila. Apesar de Angola ser o maior produtor de petróleo da África, a rede de abastecimento é pequena. E muitas vezes a Sonangol, a estatal petroleira, por motivos que a população desconhece, não envia combustível aos postos. É comum ficarmos dois, três dias sem ter onde abastecer o carro.

Nem todos os postos aceitam encher o bidon. Alegam que a prioridade são os carros. E lá vai o consumidor atrás de outro posto que aceite encher o bidon. Quando encontra-se um lugar ainda temos de pagar uma taxa acrescida ao preço do litro do gasóleo.

A gasolina é barata. Um litro custa 40 kwanzas, o equivalente a US$ 0,53. R$ 0,93. Uma passagem de candonga para o trecho mais curto custa 50 kwanzas.

1 comentários:

Fátima disse...
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