Segunda-feira, primeiro dia de trabalho em Angola. Na verdade, tentativa de trabalho. Passo a manhã tentando alugar um carro. As poucas locadoras que atendem as ligações não têm veículos. Também não têm previsão de quando haverá carros disponíveis. “O senhor tem de ligar todo dia. Se tiver algum, alugamos”, é a resposta padrão.
Por meio de uma indicação acabo chegando ao Lipa. Carlos Lipa. O escritório do Lipa funciona na esquina da casa da mãe dele. Sim, na esquina. O cliente chega e diz o que precisa. Ele liga do celular, aqui chamado telemóvel, e consegue a mercadoria. Quer alugar um carro? Ele aluga.
Quer comprar? Ele vende. Quanto custa a locação? US$ 130. “Em consideração a mim, US$ 120” é a resposta padrão do Lipa. Quando é a entrega? Depende do cliente.
Lipa não é branco nem preto. É quase um e quase outro. É o aquele sujeito que transita. Um pé lá e outro cá.
Os carros vêm de onde ele consegue comprar. China, Cingapura, Dubai, Estados Unidos, Europa. Em Angola não há montadoras. Importa-se tudo. Os carros chegam todos os dias. Novos e usados. O último número dava conta que os navios desembarcam 22 mil veículos por mês no Porto de Luanda. De todos os tipos, cores, tamanhos e preços. Na verdade, quase todos os tipos.
Luanda é o paraíso dos 4X4. Uma cidade engarrafada por 4X4.
Egypt: Life Imprisonment for Mubarak
50 minutos atrás

2 comentários:
nossa júnior, isso é um espelho ou mera semelhança!!!Não sei como as pessoas no geral não conseguem vê-las!!!Espero que vc esteja gostando daí, porque eu adorei seu blog...suas histórias estão me fazendo analisar e rir sózinha, são ótimas.De hj em diante vou acessá-lo sempre. Um abraço, Hilda Adami (Radiobrás)
Pensamento automático: hmm, é pra lá que devem ir muitos carros roubados..
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