terça-feira, 4 de novembro de 2008

NELY NÃO FOI PRESA. ESTÁ EM CASA, MAS BASTANTE MACHUCADA

Falei com ela há pouco, por telefone.

A prima dela, com quem conversei pela manhã, me deu a informação errada de que Nely estaria presa na esquadra.

O que aconteceu, segundo Nely me relatou, foi o seguinte:

Às 6h da manhã, um amigo de Nely, que trabalha aqui perto e sempre lhe oferece carona, ligou para saber se ela iria com ele.

O ex-marido-espancador, que havia dormido no cômodo que Nely aluga nos fundos de uma casa em Sambizanga (um dos musseques mais carentes da cidade), atendeu o telefone e, num acesso de fúria e ciúmes, começou a espancá-la.

Foi por isso que ele nos disse, mais cedo, ao telefone, como era possível um angolano ligar às 6h da manhã para oferecer carona.

A arma de Amâncio, o ex-marido-espancador, foi um pedaço de pau. Ele trancou a porta do quarto para impedir a entrada dos vizinhos, que chegavam alarmados pelos gritos.

Ele deu uma paulada num dos joelhos de Nely, que inchou imediatamente. Suas pernas estão tomadas de manchas roxas por causa das pancadas. Ela caminha com dificuldade.

Perguntei se ela deu uma facada no ex-marido.

NELY – Juro por Deus que minha mão não pegou em nenhuma faca. Não vi faca nenhuma. Se tinha faca foi ele quem levou.

Pelo que entendi da explicação de Nely, o ex-marido se feriu com uma faca que ele mesmo havia levado para o quarto. Segundo Nely, ele levou um corte na testa durante a confusão, quando ela pegou algo para se defender das pauladas que ele tentava dar-lhe no rosto.

Quando a pancadaria terminou, Amâncio, o ex-marido-espancador, foi à delegacia prestar queixa contra Nely. Acusou-a de tê-lo atacado com uma faca.

Nely chegou à polícia pouco depois.

Relatou o histórico de espancamentos. A polícia obrigou o ex-marido-espancador a devolver o celular e a chave do quarto, que ele havia tomado. Amâncio diz que vai voltar ao quarto de Nely para levar as coisas dele e a filha. As coisas que ele diz possuir são uma televisão e uma cama, compradas para Nely e a garota de um ano e oito meses.

Depois de tudo, os dois foram liberados. Nely ficou lá de 9h às 15h. Saiu com as pernas inchadas e com a orientação de ir amanhã à delegacia da mulher tirar fotos das seqüelas do espancamento e registrar queixa contra o ex-marido-espancador.

Nada aconteceu ao ex-marido. Foi embora, tranqüilamente, depois de ter dado uma surra com um pedaço de madeira em Nely. E ainda ameaça voltar.

Agora é torcer para que esta delegacia da mulher funcione. Que abra um processo contra esse sujeito, que a Justiça o puna pelas sessões de espancamento e ele cumpra sua pena na cadeia.

A evolução do caso é que preocupa. Começou com uns gritos dele contra Nely, depois uns safanões, depois surras de ela não conseguir se levantar do chão. Hoje apareceram um pedaço de pau e uma faca. O que virá a seguir?

O futuro de Nely só depende de uma pessoa: da própria Nely.

É ela quem tem de dar um basta nessa situação e escolher a vida que quer para ela e a filha.

Tomara que Nely tome a decisão correta.

2 comentários:

Anônimo disse...

dramático, chocante, indignante!
Se vc quiser mandar emails pro consulado de São Tomé, conte comigo!

Helga disse...

:(