Nely esteve na tal Organização da Mulher Angolana (OMA).
Ao contrário do que imaginávamos, a tal entidade não estava interessada em tomar providências contra o agressor.
O que a OMA fez foi promover um encontro entre os dois, em que o ex-marido espancador se debulhou em lágrimas dizendo que se arrependeu, que quer voltar, que quer outra chance, que todo mundo tem direito a outra chance e que ela TEM de lhe dar outra chance. Ele pediu um mês de prazo para provar que mudou.
Pelo relato que recebi, os funcionários da OMA a pressionaram para que aceite o espancador de volta. Disseram que, como ela o teria atacado com uma faca (o espancador disse que Nely o atacou com uma faca, algo que Nely nega), também havia cometido um crime passível de prisão.
Deram uma semana para que ele possa voltar a viver com Nely e mostrar que mudou, que agora é outra pessoa.
Nely não quer.
Segundo me contou, os funcionários da OMA disseram que, como ela entrou em Angola com visto de turista (ordinário), ainda era menor de idade e veio sob a responsabilidade do ex-marido, só pode continuar no país se o espancador assim o permitir.
Como ela está, aparentemente, de maneira irregular em Angola, se não aceitar o ex-marido de volta, terá de retornar a São Tomé e Príncipe, tirar novos documentos e, só então, viajar de novo a Angola. Desta vez por conta própria, sem a tutela do espancador.
A história toda me parece um tanto surreal.
É preciso recapitular.
Nely é espancada pelo ex-marido ciumento com um pedaço de madeira.
Vai à polícia. Lá, encontra o ex-marido que foi registrar queixa contra ela, acusando-a de tê-lo atacado com uma faca (fato que ela nega. Conhecendo o histórico do sujeito, acredito na Nely).
Nada acontece a ele, que só devolve o celular e a chave da casa dela depois de receber ordem dos policiais.
Na entidade supostamente encarregada de defender os direitos da mulher, Nely é pressionada a aceitar o espancador em casa para provar que ele agora “é outra pessoa” sob risco de ser expulsa de Angola.
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3 comentários:
Devem existir várias explicações absurdas para um absurdo desses.
Vai ver que é porque a organização é da mulher angolana, e Neli é estrangeira. Ela procurou a organização errada.
Acho bom ela tentar a Ordem dos Advogados de Angola.
"Pelo relato que recebi, os funcionários da OMA a pressionaram para que aceite o espancador de volta."
Inacreditável!!
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