segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PRETÓRIA

Cheguei.

Fiquei quatro horas em pé na fila da South African no aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda.

Mais de duzentas pessoas para fazer o check-in e apenas dois guichês abertos para o atendimento.

Consegui entrar no avião às 15h20. O vôo deveria ter saído às 14h05.

Na fila, milhares de chineses e uma centena de angolanos furadores de fila.

Um angolano na minha frente sai da fila. Fala com um sujeito engravatado funcionário do aeroporto. Volta, pega a mala e passa na frente de todo mundo.

Atrás de mim, um sul-africano branco comenta com outro.

SUL-AFRICANO BRANCO – That´s the guy you have to pay to get in...

Às 14h30, consigo chegar à fila do pré-check-in.

Quatro angolanas passam na minha frente. Um funcionário da imigração sai lá de dentro e reclama com elas.

FUNCIONÁRIO DA IMIGRAÇÃO – Vocês deveriam estar aqui, fora da fila.

Entenderam? Era um esquema para entrar sem enfrentar fila. Elas bobearam e só conseguiram furar a fila.

O funcionário da imigração que confere os passaportes pega o meu bilhete e o passaporte. Folheia.

FUNCIONÁRIO DA IMIGRAÇÃO - Onde está o cartão de estrangeiro preenchido?

Tiro do bolso e entrego pra ele.

FUNCIONÁRIO DA IMIGRAÇÃO (colocando o cartão dentro do passaporte) – O cartão tem de ficar aqui dentro do passaporte, junto com a passagem, entendeu?

Entendi.

Entro na fila da imigração.

É uma fila sui-generis. Em vez de andar para a frente, anda para trás.

Os angolanos furadores de fila surgem do nada.

Passo pelo aparelho de raios-X. Somos encaminhados para a sala da alfândega para dizer quanto estamos levando de dólares e se estamos levando kwanzas.

Entramos no avião. O avião decola.

O campo magnético que existe embaixo de Luanda e dificulta a vida de qualquer pessoa que tente se afastar dali começa a ficar para trás.

Vou ao lado de um chinês que mora no Namibe. É o responsável pela logística da chegada do material importado da China para construção de prédios, estradas e tudo o mais que os chineses estão fazendo em Angola e no resto da África.

Não lembro o nome dele, mas deixo meu cartão e ele diz que vai me mandar uma mensagem. De Joanesburgo, ele vai para Dubai. De lá, pega outro vôo para a China.

Cheguei à noite a Pretória. Não deu para ver nada.

Amanhã conto mais.

3 comentários:

Helga disse...

Aeeee, há quem diga que o importante é chegar. :D

Gringo besta esse, mal sabe que em Roma como os romanos! :P Heheheh "Educação?" "bons modos?" que isso?

Fotos, fotos. :)

Anônimo disse...

"É uma fila sui-generis. Em vez de andar para a frente, anda para trás."

HUHAUHAUHUAHUHAUHUAUAHUA

m.Jo. disse...

Fila que anda prá trás... Eu também vi esse filme. Com a diferença de que os furadores de fila falavam inglês. Era a fila de acesso à fila da imigração. Não havia - ao que me lembre - angolanos nessa fila. Deviam ter entrado por outra porta.
Já as filas defronte dos guichês da imigração andavam prá frente. Menos a minha, que não andava. Contei: o oficial atendia 1pessoa, enquanto o do lado atendia 3, às vezes 4.
Ti Paciência!