terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

MAIS UM POUCO DE LÍBIA

Leio que os italianos derrotaram os turcos otomanos na região de Trípoli em 1911 e permaneceram na Líbia até 1943, quando se deram mal na II Guerra Mundial.

A Líbia, então, foi administrada pela Organização das Nações Unidas até 1951, quando se tornou independente.

Em 1969, o coronel Muammar Abu Minyar al-Qadhafi assume o poder depois de um golpe de estado que derrubou o rei Idris I. Torna-se presidente do Conselho Revolucionário, comandante do Exército e este ano completa 40 anos no poder.

Qadhafi implanta um sistema político próprio. Em “O Livro Verde”, escrito em 1973, descreve a Terceira Teoria Universal, uma combinação do socialismo com o islamismo, derivado em parte de práticas tribais. Para o coronel, tal sistema político deve ser implementado pelo próprio povo líbio, numa forma única de “democracia direta”.

Há poucos dias, ao assumir a presidência da União Africana, Qadhafi disse que o melhor sistema político é o da Líbia, onde não são permitidos os partidos de oposição.

Na década de 80, Qadhafi usa o dinheiro do petróleo (95% das receitas do país vêm das exportações do petróleo) para promover sua ideologia ao redor do mundo, dando apoio a grupos terroristas.

No dia 14 de abril de 1986, o presidente americano Ronald Reagan determina o bombardeio de Trípoli. No total, 35 bombas atingiram os sistemas de defesa aérea da Líbia, campos de treinamento militar, aeroportos e bases aéreas.
A residência em que Qadhafi estava é bombardeada.
Ele e os dois filhos mais velhos sofrem ferimentos.
Uma filha adotada, de 15 meses, morre no dos ataques.

Em represália, a Líbia reage com ataques de mísseis a duas bases da marinha americana na ilha italiana de Lampedusa.
Em Beirute, Líbano, dois britânicos e um americano mantidos reféns por grupos islâmicos são mortos a tiros.
Um jornalista americano foi seqüestrado e um turista americano foi assassinado a tiros em Jerusalém.

O envolvimento com atos terroristas isola a Líbia da comunidade internacional.
Embargos comerciais impostos pela ONU e pelos Estados Unidos em 1992 tiveram forte impacto econômico e social no país.

Qadhafi passou a década de 90 tentando reconstruir as relações com a Europa e os Estados Unidos.

A ONU suspendeu o embargo em 1999 e o cancelou definitivamente em 2003, depois que a Líbia assumiu a responsabilidade pela queda do avião do vôo 103 da PAN AM em Lockerbie, Escócia.

Também em 2003, a Líbia decidiu encerrar o programa de construção de armas de destruição em massa e renuncia ao terrorismo.
Em 2006, os EUA retiram a Líbia da lista de países que patrocinam o terrorismo.

Com 6,2 milhões de habitantes, a Líbia começa a se abrir para o mundo, pelo menos na parte econômica.
O petróleo representa mais da metade do PIB e 60% dos salários do serviço público, o que garante ao país uma das rendas per capita mais altas da África.

O país, no entanto, enfrenta sérios problemas de distribuição de renda.

O solo pobre (mais de 90% de seus 1,7 milhão de quilômetros quadrados é deserto ou semi-deserto) faz com que o país importe 75% de toda a comida que consome.
O Produto Interno Bruto (PIB) tem crescido a taxas de 6% nos últimos anos. Mas o desemprego continua elevado: 30%.
Saif Al-Islam, um dos filhos de Qadhafi, é apontado como o provável sucessor do pai, apesar de ter feito declarações de que pretende abandonar a vida pública.

No ano passado, o governo lançou um programa para distribuir os lucros do petróleo entre a população.

Há também esforços para privatizar o setor bancário e garantir mais transparência nas finanças públicas para atrair investimentos estrangeiros.

O país quer expandir no setor de hidrocarbonetos e procura investimentos de US$ 40 bilhões para desenvolver a indústria.

Os hotéis internacionais em Trípoli estão abarrotados de estrangeiros atrás de contratos.
A Europa, por exemplo, negocia a construção de oleodutos e gasodutos pelo Mar Mediterrâneo até o continente.

Os europeus querem se livrar da dependência do gás da Rússia, cada vez mais usado como instrumento de política externa por Wladimir Putin.

A Líbia quer se globalizar.

Muitos obras estão em andamento pela país.

As empresas estrangeiras que atuam na Líbia precisam importar mão-de-obra.
O cidadão líbio médio não se sujeita ao trabalho braçal.
Quer um cargo de chefia, mas não possui qualificação.
Trabalhadores vêm da Ásia e de outros países africanos.
Algumas empresas chegam a administrar empregados de mais de 20 nacionalidades em seus canteiros de obras.

Ocidentais não-muçulmanos que trabalham nas obras locais lamentam a proibição de consumir bebidas alcoólicas.
Também sofrem com as barreiras culturais.


Olhar para uma mulher líbia na rua é praticamente pedir para ser degolado a golpes de cimitarra.
Pornografia também é proibido no país.
Contrabandear uma Playboy dá expulsão por justa causa.

Apesar das proibições, consegue-se comprar cerveja, uísque e outras coisas no mercado negro.

Mas aí o cidadão está por sua própria conta e risco.

8 comentários:

Lara Maria disse...

Essas proibições me lembraram a Arábia Saudita, cuja família real consome bebidas alcoólicas e "playboys" e ninguém, ironicamente, diz nada.
Na Líbia tem muita mulher de burca?

Mari Ceratti disse...

Amei as fotos. Que viagem! :-)

João Marcelo disse...

Minha tia esteve na Libia ano passado... congresso internacional das mulheres de esquerda ou alguma maluquice dessas... voltou falando maravilhas do pais, livre, democrático e onde não tinha pobre... as vezes eu me espanto como o pessoal das esquerdas consegue ser cego :P

Helga disse...

Fantástica a matéria. Ótimas informações e fotos.

O que é cimitarra?

Lorena disse...

É mesmo. Muito bom o post e lindíssimas as fotos.

João Marcelo disse...

Helga, Cimitarra é aquela espada curta dos árabes...

Anônimo disse...

As fotos retratam apenas os lugares "bonitinhos" do país. Moro na Libia há 1 anoe já presenciei muitas coisas absurdas por aqui. A tia d Joao Marcelo disse que o país é live e democratico... completamente errado!!! Todos os cidadaos sao repreendidos a gostar do governo, todos os que vao contra o governo sao perseguidos, há sim muita pobresa, principalmente entre as familias que vieram de paises vizinhos, e estes sao completamente descriminados. Infelizmente a populaçao é bem alienada e ainda vivem com a mente fechada pra o resto do mundo. Nao se iludam apenas com fotos!

Anônimo disse...

Os estrangeiros que vão morar na Líbia, necessariamente, têm que se vertir como eles? Sei que é proibido consumir bebida alcóolica, mas até nas suas próprias casas? Meu esposo recebeu uma proposta para ir trabalhar lá e agora fiquei apreensiva.