segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

MONÓLOGOS LUSITANOS

Escutei a frase ontem, às 7h30 da manhã, quando desembarcava do vôo Lisboa-Luanda.

Eu aguardava autorização para descer a escada do avião e pegar um dos ônibus no aeroporto 4 de Fevereiro rumo à sala da imigração.

Um português atrás de mim comenta, em voz baixa, com alguns integrantes da tripulação que se despediam dos passageiros:

PORTUGUÊS: Bem-vindo ao inferno!

Silêncio da tripulação.

PORTUGUÊS: Isto aqui é um inferno!

Silêncio da tripulação.

PORTUGUÊS: Se Portugal não estivesse em crise, eu não precisaria estar cá a trabalhar.

Silêncio da tripulação.

Desembarcamos.

Entramos no caos da sala de imigração do aeroporto 4 de Fevereiro.

Seguimos nossas vidas.

5 comentários:

Lorena disse...

O "intrigante" nesse episódio foi o silêncio da tripulação. Eu ficaria desconfiada, afinal aqui a gente costuma dizer que quem cala, consente... Hehehe

septuagenário disse...

Sair de um inferno sem trabalho para um inferno com trabalho?
Desejo que esse infeliz não seja filho de nenhum retornado, que o pai não merece tamanho castigo!

João Marcelo disse...

Engraçado.... Aqui em CV, se a gente encontra algum branco reclamando na rua, é brasileiro :) Os portugueses encaram a vida aqui bem melhor que nós, de maneira geral... Também, tirando a população, CV não é TÃO diferente assim de uma aldeiazinha perdida no interior de Portugal...

Quarentão disse...

Ahhh, sem hipocrisia septuagenário. Que isto aqui não é nem de longe um lugar aprazível para se viver, até os mais burros dos angolanos sabem. Viva a civilização. Sim, estamos recolonizando Africa, that's the true... e eles precisam SIM de nós, por isso encaramos o purgatório, um dia retornaremos aos nossos paraísos.

septuagenário disse...

Quarentão, Deus o oiça, em companhias agradáveis, já que no meu tempo estávamos "orgulhosamente sós".
Que isolameto divinal!