sábado, 14 de fevereiro de 2009

PEQUENOS PESADELOS ANGOLANOS

Esta noite vivi a primeira tempestade em Luanda.

Acordei de madrugada com o barulho da chuva.

De manhã, o chão do quarto estava todo molhado.

Como estamos com vazamentos diversos em casa, a primeira hipótese era a de que o cano furado finalmente vencera.

Na verdade, a água no chão do quarto entrou, aparentemente, pelas frestas da janela durante a noite chuvosa.

Há duas semanas, um vazamento no banheiro da suíte, no andar de cima, provocou o surgimento de três cachoeiras no teto da sala.

Chamamos a equipe do seu Corrêa.

O cano que leva água quente do aquecedor para o banheiro da suíte estava furado. A água se infiltrou pelas paredes e pelo chão do andar superior, provocando as cachoeiras no teto da sala.

A água também brotava pelo chão dos dois banheiros no andar de cima.

Trocado o cano, tivemos dois dias de alívio.

Até que, chegando em casa, ouço a eletrobomba funcionando.

A pior coisa que pode acontecer com alguém em Luanda é chegar em casa e escutar a eletrobomba funcionando quando todas as torneiras da casa estão fechadas.

Como sabem, em Angola não se usa a gravidade. As caixas d´água não ficam nos telhados, mas enterradas no chão.

É necessário uma eletrobomba para jogar a água no encanamento.

Funciona assim: quando abrimos uma torneira ou damos descarga, a pressão nos canos diminui. Quando chega a determinado ponto, a eletrobomba é acionada, puxa água da caixa e joga no encanamento.

Quando todas as torneiras estão fechadas, a bomba não funciona.

Por isso, o ruído de uma eletrobomba funcionando quando não há nada aberto é o pior som que se pode ouvir.

Continua a brotar água da junção do chão com a parede do banheiro principal, embaixo do aquecedor.

Mesmo com todas as torneiras fechadas, a eletrobomba é acionada a cada seis minutos.

Agora temos de desligar a eletrobomba quando não estamos usando água. Se a deixarmos ligada, a água da caixa não será suficiente para todo o dia.

Do teto da sala começam a cair pequenas lascas de reboco. O mesmo acontece no teto do quarto.

Seu Corrêa diz que não vale a pena continuar a quebrar paredes para descobrir onde está o novo vazamento.

O melhor é isolar o antigo encanamento e fazer uma nova ligação.

Agora, só falta aparecer o sujeito com a serra elétrica.

6 comentários:

Helga disse...

Na hora que você falou que acordou com a chuva já pensei na sua cachoeira particular. :D Não creio que a caixa dágua não fica acima da casa. :D heheheh. Sabe se funciona nos prédios assim também? Imagina uma bomba que jogue água lá pra cima!!

Anônimo disse...

haja senso de humor...

João Marcelo disse...

Meus pêsames pela morte do seu encanamento :)

Aqui em Cabo Verde também tem essa estranha cultura da caixa d´agua enterrada... deve ser coisa de português...

Helga disse...

Quando comentei sobre este post hoje com o Cris ele disse algo interessante: seria a melhor maneira de se obter água fresca o dia todo. :P O que, no caso, faz algum sentido. :)

m.Jo. disse...

Eu já desisti de compreender essa tecnologia da caixa dágua enterrada. Quando falta luz, falta água também. Deve ter sido inventada por algum fabricante de geradores.

Anônimo disse...

engraçado...vcs no Brasil têm os tanques de água nos telhados??ehehehe
então isso por cá e por outros países lusófonos, deve ser mesmo coisa de português...mas convenhamos que estéticamente, fica melhor enterrado que no tecto.