quinta-feira, 5 de março de 2009

ANGOLAGATE

Reportagem da BBC ÁFRICA sobre o escândalo de venda de armas a Angola nos anos 90. Leia abaixo ou no sítio da BBC.


Angolagate: sentença conhecida em Outubro

Um tribunal de Paris marcou para o dia 27 de Outubro a leitura da sentença do caso de venda de armas a Angola nos anos 90, conhecido como Angolagate.

Iniciado a 6 de Outubro, o processo terminou com as alegações finais da defesa de um dos principais réus, o negociante de armas franco-brasileiro Pierre Falcone, acusado de envolvimento com o israelo-russo Arkadi Gaydamak num negócio de armas avaliado em 790 milhões de dólares.

Entre outras personalidades acusadas, está Jean-Christophe Mitterrand, filho do antigo Presidente Mitterrand, o ex-ministro do Interior Charles Pasqua, ou o antigo governador civil Jean-Charles Marchiani, acusados de terem recebido comissões dos negócios, o que todos negam.
O Governo angolano tentou travar o processo logo no seu início em Setembro, mas não conseguiu.

Nenhum angolano foi julgado, mas vários responsáveis de Angola, incluindo o Presidente José Eduardo dos Santos, são citados no processo como tendo recebido elevadas comissões destes negócios de armas.

Pressões
As últimas sessões do Angolagate foram marcadas por acusações por parte do Ministério Público de pressões governamentais sobre o processo.

Segundo a jornalista Ana Navarro Pedro, radicada em Paris, “uma carta escrita pelo ministro francês da Defesa, Hervé Morin, dirigida aos adviogados de Pierre Falcone, considera que a compra das armas por parte de Angola não necessitava da autorização da França”.

Acrescenta a jornalista, que “esta carta faria cair toda a acusação”, algo que os dois principais arguidos, Falcone e Gaydamak, assim como o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, “vêm defendendo ao longo do processo”.

“Os juízes vão precisar destes meses todos para pesarem cuidadosamente cada palavra que vão escrever na sentença, porque a França precisa de Angola em termos económicos.

“Para salvar a face, muito provavelmente vão ser acentuadas as penas contra cidadãos franceses e vão ser atenuados todos os factores que possam irritar Angola e Eduardo dos Santos”, conclui Ana Navarro Pedro.

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