Foi hoje, literalmente, o inferno na terra. Mas ainda não acabou.
Explico.
Depois do vaivém de cartas, formulários e fotos para o credenciamento (clique aqui para se inteirar antes de prosseguir no texto), hoje à tarde liguei para alguém do centro de imprensa.
EU – As credenciais já estão liberadas?
ALGUÉM DO CENTRO DE IMPRENSA – Parece que nem todos terão credenciais...
EU – Como assim?
ALGUÉM DO CENTRO DE IMPRENSA – Não temos certeza. Tens de ir lá no Seminário Maior, ali, perto do largo dos colégios, para saber como está.
EU – Mas não são vocês que vão nos entregar as credenciais?
ALGUÉM DO CENTRO DE IMPRENSA – Sim, mas não vão chegar. Tens mesmo de ir lá para ver se consegues pegar a sua.
Como já sei que não adianta argumentar, fui ao Seminário Maior.
É um seminário, como diz o nome. Na cantina, montaram uma estrutura para tirar fotos digitais das pessoas que trabalharão no evento. Olha-se para aquelas minúsculas câmeras redondas e a foto é impressa num papel especial da credencial, com todas as informações.
Tudo certo? Não. Apesar de a credencial ficar pronta na hora, ela não poderia ser entregue ao proprietário.
Todas seriam devolvidas para o centro de imprensa, este sim encarregado de fazer a distribuição aos jornalistas.
Mas não é só isso. Para conseguir entrar na sala e fazer a foto, era preciso disputar espaço com outros 200 angolanos, voluntários na visita do papa, que também precisam ser credenciados. Fila, como se sabe, ainda é um conceito abstrato por aqui.
De repente, chegam 50 soldados. Furam a fila para fazer foto.
Chegam autoridades engravatadas, com anelões nos dedos e bottons do MPLA na lapela. Também furam a fila.
Encontro um fotógrafo português radicado em Angola há muitos e muitos anos.
EU - Já tirou foto?
FOTÓGRAFO PORTUGUÊS RADICADO AQUI HÁ MUITOS ANOS - Já estou com a credencial.
EU - Como conseguiu?
FOTÓGRAFO PORTUGUÊS RADICADO AQUI HÁ MUITOS ANOS - Dei um dinheiro para um gajo lá na presidência...
Uma jornalista inglesa baseada em Angola me contou, ao sair da sala da foto.
JORNALISTA INGLESA – The guy asked me if I speak English. I said yes. He asked me if I was British. I said yes. He said: “você é muito bonita”. I tried to get the badge that was done there, but he didn´t allow me.
EU – Imagine if you were not “muito bonita”...
Bom, a surrealidade angolana se impõe mais uma vez.
A menos de 24 horas da chegada do papa, exige-se um novo credenciamento.
Até agora, 19h15, o centro de imprensa não consegue informar se entregará as credenciais ainda hoje.
Será que os jornalistas conseguirão cobrir a visita do papa a Angola?
Vou para lá descobrir.
Uganda: Netizens Show Support for National Team on Twitter, Facebook
20 minutos atrás

3 comentários:
Já deve ser tarde para isso, mas eu não posso deixar de desejar boa sorte para todos os jornalistas em Luanda: Boa sorte! :-)
Surreal. :D
Bom trabalho.
:)
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