domingo, 22 de março de 2009

BENTO É POP

O papa adora um discurso. Faz de dois a três por dia.
O estilo é sempre o mesmo: passagens bíblicas, a igreja é o lar, o amor.
Depois, entre o meio e o fim, vem a tal porrada.

Em Angola, o papa falou de corrupção, da ganância que leva à corrupção e rouba o futuro dos países, condenou o aborto, defendeu o casamento, pediu reconciliação às nações africanas, defendeu os direitos da mulher.

E qualquer passagem de Bento XVI é um espetáculo.

O Vaticano entende de coreografia.

4 comentários:

Mari Ceratti disse...

Espetáculo ultraconservador por espetáculo ultraconservador, preferia o do João Paulo II, que beijava o solo de todos os lugares que visitava. Achei isso incrível desde a primeira vez que vi. Está na minha lista de grandes imagens do século 20. :-)

RMM disse...

Que pelo menos o que ele fale de bom tenha algum impacto.
Agora é impressionante como nós (e me incluo) nos deslumbramos pela visão do espetáculo. Acho que grande parte da mente dos humanos é ocupada pela fantasia. Nem sei se os símios, de quem nos acreditamos ser “upgrades”, são tão impressionáveis assim.

Lembro da cena de um filme que retrata bem o que quero dizer: é “La Nuit de Varennes”do Ettore Scola. Hanna Schygulla interpreta uma aia em viagem, seguindo a carruagem de Luiz XVI que está em fuga para pedir ajuda aos austríacos na luta contra o governo revolucionário. A aia leva, em segredo, um traje imponente para ser usado pelo rei neste encontro.

Entretanto, o rei é preso antes de chegar a Áustria e a personagem de Hanna Schygulla, hospedada numa casa da cidade onde ocorreu a prisão, coloca a roupa em um manequim enquanto aguarda o desenrolar dos acontecimentos.

A roupa é tão imponente que a aia, depois de vestir o manequim, não se contêm, e, faz uma solene reverência como se aquela armação de madeira vestida com as roupas reais fosse em verdade o rei.

“Teatro è il mondo e l’uomo è marionetta” diz um provérbio latino.

Bom trabalho.

Jorgea disse...

não gosto desse papa, ele me lembra o mestre dos magos da caverna do dragão e como todo mundo sabe que ele era o vingador que era o mau, logo mau = vingador, vingador = mestre dos magos, mestre dos magos = papa, logo papa é mau.... hahaha
beijos

Helga disse...

Sim, acrobacias, mestre de cerimônias, marketing. Teve tudo, só faltou o ilusionismo. Não se faz mais ilusionistas no catolicismo como antigamente (way antigamente).