domingo, 5 de abril de 2009

AS DICAS DA EDINALDA*

Salve, queridos diqueiros!

Mergulhados no espírito tão fraterno de Páscoa, cá estamos nós, também de olho nos chocolates , na canjica e... no feriado! Que delícia, né gente?

Mas, não podemos nos esquecer de que, até para escrever em um ( ou NUM?) cartão desejando votos de Boa Páscoa, precisamos conhecer os bons caminhos da Língua Portuguesa. Assim, envio para vcs com votos pascoalinos de muito coelho ( ihhhhh!), chocolate e descanso, a dica de hoje.

Já faz algum tempo (lá pelo início das dicas) um dos 'diqueiros' me fez a pergunta: afinal, pode-se ou não usar NUM/? Ou terá que ser sempre EM UM? Vamos lá!

Não há nada na gramática e tampouco nas obras de literatura contra o uso da contração da prep. EM com os artigos indefinidos [um, uns, uma, umas]. A aproximação dos dois elementos conduz naturalmente, pela ressonância nasal, à contração: num, numa, nuns, numa.

O professor Evanildo Bechara sintetiza a questão: “Sabemos desde os primeiros bancos escolares que, quando se encontra na cadeia da frase a preposição de com o artigo definido ou pronome iniciado por vogal, se dá a contração: O livro de o menino / O livro do menino. A casa de ele / A casa dele. Já com os artigos indefinidos e certos pronomes iniciados por vogal esta contração é facultativa: O livro de um menino / O livro dum menino. é revista de outros tempos / é revista doutros tempos” (Na Ponta da Língua, v.2, RJ: Lucerna, 2002, p.177).

A observação a fazer é que no Brasil o uso de DUM é menos freqüente do que em Portugal. Posso dizer VOTOS DUMA FELIZ PÁSCOA, como em Portugal, mas resisto e opto por VOTOS DE UMA FELIZ PÁSCOA Entretanto, NUM é tão usual aqui quanto lá.
O único caso em que se recomenda usar EM UM é quando se trata do numeral. Exemplo: Ele estará de volta em um ou dois dias.

Observem este emprego no grande escritor brasileiro Machado de Assis. Em duas páginas seguidas de “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Abril Cultural, 1978, p. 22 e 23) existem três ocorrências:

1. “Como tocássemos, casualmente, nuns amores ilegítimos, meio secretos, meio divulgados, vi-a falar com desdém”.
2. “Com efeito, abri os olhos e vi que o meu animal galopava numa planície branca de neve”.
3. “Logo depois, senti-me transformado na Suma Teológica de Santo Tomás, impressa num volume, e encadernada em marroquim, com fechos de prata e estampas”.

Anote: embora se tratasse de UM volume, o autor usou a contração.

Então, não é questão de bom ou mau uso, certamente. Apenas de estilo e gosto, ok?
forte abraço,
Edinalda

*Edinalda é professora em Campos dos Goytacazes (RJ) e publica dicas de português aqui no diário uma vez por semana.

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