Passei a semana de lá para cá em e entre Joanesburgo e Pretória.
Longas jornadas de trabalho, começando entre 7h e 8h da manhã e avançando até meia-noite, duas da manhã.
O Congresso Nacional Africano (CNA) venceu com 65,9% dos votos. Faltaram três assentos no parlamento para obterem a maioria qualificada, que lhes permitiria fazer alterações na constituição sem precisar dos votos da oposição. Foi um recuo em relação à eleição anterior, quando conseguiu 70% dos votos.
A Aliança Democrática, partido de brancos e segunda maior força política do país, ficou em segundo lugar, com 16,68% dos votos. Avançou em relação aos 10% que tinha.
E o Congresso do Povo, a grande surpresa das eleições, em terceiro lugar, com 7,42% dos votos.
O Congresso do Povo, COPE, na sigla em inglês, é uma dissidência do CNA. Foi formado no final do ano passado, depois que Jacob Zuma venceu as eleições para presidir o CNA e forçou a demissão do presidente da República, Thabo Mbeki, que terminava o segundo mandato.
Os dois se tornaram inimigos quando Mbeki demitiu Zuma do cargo de vice-presidente. Zuma era suspeito de receber propina numa operação de compra de armas para reaparelhar as forças armadas sul-africanas. Mbeki pediu que ele saísse. Zuma não saiu. Sustentou que era inocente. Foi demitido.
Zuma, que passou 10 anos (dos 21 aos 31) preso em Robben Island, acusado de conspirar para derrubar o governo, conviveu com Mbeki no exterior. Era chefe da contra-inteligência e montou guerrilhas nos países vizinhos para, um dia, tomar o poder na África do Sul.
A minoria branca sul-africana nunca foi derrotada militarmente, e sim politicamente. A pressão internacional cada vez maior contra um regime surreal começava a afetar os negócios dos brancos. A economia do país começou a afundar. Não conseguia financiamentos internacionais, empresas deixavam de investir no país, a seleção sul-africana era banida das competições internacionais.
Longas jornadas de trabalho, começando entre 7h e 8h da manhã e avançando até meia-noite, duas da manhã.
O Congresso Nacional Africano (CNA) venceu com 65,9% dos votos. Faltaram três assentos no parlamento para obterem a maioria qualificada, que lhes permitiria fazer alterações na constituição sem precisar dos votos da oposição. Foi um recuo em relação à eleição anterior, quando conseguiu 70% dos votos.
A Aliança Democrática, partido de brancos e segunda maior força política do país, ficou em segundo lugar, com 16,68% dos votos. Avançou em relação aos 10% que tinha.
E o Congresso do Povo, a grande surpresa das eleições, em terceiro lugar, com 7,42% dos votos.
O Congresso do Povo, COPE, na sigla em inglês, é uma dissidência do CNA. Foi formado no final do ano passado, depois que Jacob Zuma venceu as eleições para presidir o CNA e forçou a demissão do presidente da República, Thabo Mbeki, que terminava o segundo mandato.
Os dois se tornaram inimigos quando Mbeki demitiu Zuma do cargo de vice-presidente. Zuma era suspeito de receber propina numa operação de compra de armas para reaparelhar as forças armadas sul-africanas. Mbeki pediu que ele saísse. Zuma não saiu. Sustentou que era inocente. Foi demitido.
Zuma, que passou 10 anos (dos 21 aos 31) preso em Robben Island, acusado de conspirar para derrubar o governo, conviveu com Mbeki no exterior. Era chefe da contra-inteligência e montou guerrilhas nos países vizinhos para, um dia, tomar o poder na África do Sul.
A minoria branca sul-africana nunca foi derrotada militarmente, e sim politicamente. A pressão internacional cada vez maior contra um regime surreal começava a afetar os negócios dos brancos. A economia do país começou a afundar. Não conseguia financiamentos internacionais, empresas deixavam de investir no país, a seleção sul-africana era banida das competições internacionais.
Diante da insustentabilidade política do apartheid, os brancos libertaram Nelson Mandela, enterraram o apartheid e realizaram as eleições multirraciais que tornaram Mandela o primeiro presidente negro do país.
Com a vitória de Mandela, o CNA toma conta da estrutura do Estado. A corrupção (que certamente já existia) passa a ser administrada por outros.
Durante a semana, entrevistei pessoas todos os dias nas ruas de Joanesburgo. Fiz questão de fazer a mesma pergunta para todos elas.
Com a vitória de Mandela, o CNA toma conta da estrutura do Estado. A corrupção (que certamente já existia) passa a ser administrada por outros.
Durante a semana, entrevistei pessoas todos os dias nas ruas de Joanesburgo. Fiz questão de fazer a mesma pergunta para todos elas.
Qual o maior problema da África do Sul hoje?
Todos, sem exceção, apontavam a corrupção, a criminalidade, a falência do estado administrado pelo CNA, incapaz de garantir serviços públicos de qualidade, a baixa qualidade da saúde e da educação.
Se todos sabem que o partido é corrupto, por que continuar a votar no CNA?
Os sul-africanos negros sentem-se em dívida com o CNA e com os que morreram na luta contra o apartheid.
Se todos sabem que o partido é corrupto, por que continuar a votar no CNA?
Os sul-africanos negros sentem-se em dívida com o CNA e com os que morreram na luta contra o apartheid.
Várias pessoas que entrevistei disseram não acreditar em corrupção no governo/partido. Mas uma boa parte afirmou ter conhecimento de corrupção, mas que continuariam a votar no CNA até morrer porque, graças ao partido, hoje eram pessoas livres.
Podem andar livremente pelo próprio país. Não precisam mais de passes nem de autorizações.
A foto no início do post é de mulheres que vivem num alojamento feminino no bairro de Alexandria, um dos mais violentos de Joanesburgo. Foi construído na época do apartheid como hospedagem provisória até que elas recebessem casas do governo. As casas nunca chegaram. Há mulheres que vivem ali desde a década de 70.
São vários blocos de cinco andares. Em cada andar, 16 quartos. Em cada quarto, quatro pessoas. No total, mais de três mil mulheres vivem ali. O dobro da capacidade do lugar.
As condições de higiene são péssimas. Um banheiro para 800 pessoas. Apesar de todos os anos haver dinheiro no orçamento do governo para reparos e reformas, os recursos parecem nunca ser suficientes.
Podem andar livremente pelo próprio país. Não precisam mais de passes nem de autorizações.
A foto no início do post é de mulheres que vivem num alojamento feminino no bairro de Alexandria, um dos mais violentos de Joanesburgo. Foi construído na época do apartheid como hospedagem provisória até que elas recebessem casas do governo. As casas nunca chegaram. Há mulheres que vivem ali desde a década de 70.
São vários blocos de cinco andares. Em cada andar, 16 quartos. Em cada quarto, quatro pessoas. No total, mais de três mil mulheres vivem ali. O dobro da capacidade do lugar.
As condições de higiene são péssimas. Um banheiro para 800 pessoas. Apesar de todos os anos haver dinheiro no orçamento do governo para reparos e reformas, os recursos parecem nunca ser suficientes.
O local virou uma mina de ouro. Se os problemas acabarem, o dinheiro não acaba. É melhor fazer pela metade. Mais um capítulo da corrupção sul-africana.

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