Não, não se trata de reforma física. Isso é com os arquitetos e engenheiros.
Meu projeto é mais amplo.
Trata de uma reforma moral no glorioso aeroporto 4 de fevereiro.
Quem já esteve em Angola sabe o drama que é desembarcar aqui.
O drama, aliás, começa antes, no embarque.
Especialmente se o vôo for da TAAG.
A empresa aérea angolana, como sabem, é proibida de voar para a Europa por causa do desrespeito às normas internacionais de aviação.
Isso na parte técnica.
Tem também o desrespeito aos passageiros. Vôos atrasados, vôos cancelados, a exigência de se confirmar o embarque com 72 horas de antecedência.
Depois de tudo isso, não se tem garantia de que vai viajar.
Em Angola, gente do governo, do partido, amigos de gente do governo e de gente do partido têm assento garantido nos vôos da estatal da aviação.
Não importa se a passagem foi comprada de última hora.
A TAAG sempre dá um jeito de arranjar um lugar. Lugar de alguém, que fica para permitir o embarque das autoridades.
Mas a história da TAAG é outra história.
Quero me concentrar no aeroporto 4 de fevereiro.
O aeroporto é a principal porta de entrada do país.
Por causa da situação especial de Angola, país que ainda vive um pós-guerra complicado, está em reconstrução e em amplo crescimento (se a crise econômica internacional e os preços do petróleo deixarem), exige mão-de-obra qualificada. Mão-de-obra essa inexistente no mercado local.
Por isso as quantidades de gente de tudo quanto é lugar desembarca aqui todos os dias.
Estrangeiros que levam a imagem de Angola pelo mundo.
Como começam a ser maltratados ainda nos consulados de Angola ao redor do mundo, projetam uma imagem sempre negativa do país.
Mas a história dos consulados também é outra história. Exige outros posts.
E também tenho cá minhas idéias mirabolantes, meus planos perfeitos para resolver os problemas dos consulados, da guerra no Oriente Médio e da crise financeira internacional.
Mas, por ora, vou me concentrar apenas no aeroporto 4 de Fevereiro, cujo se refere ao dia que marca o início do levante contra o domínio colonial português. Em 4 de fevereiro de 1961, angolanos invadiram uma cadeia para soltar os presos. Mataram soldados portugueses. Em represália, os portugueses mataram um número desproporcional de angolanos.
Mas isso também é outra história.
Eis minhas propostas para o 4 de fevereiro:
1) Que os formulários de imigração sejam distribuídos durante os vôos, para acabar com a quase luta campal no desembarque para se conseguir a ficha. Não faz sentido criar uma outra fila (que nunca é respeitada) para se conseguir o formulário mediante a apresentação do cartão de vacina comprovando que o estrangeiro está imunizado contra a febre amarela. Em qualquer país, o funcionário da imigração verifica o cartão de vacina antes de carimbar o visto de entrada. Já seria uma fila a menos.
2) Colocar na imigração funcionários que conheçam os vários tipos de passaporte: ordinários, de serviço, diplomáticos, de organismos internacionais etc. E que conheçam os vários tipos de visto. E colocar na imigração funcionários que não sejam corruptos nem peçam dinheiro dos passageiros antes de dar o visto. Sim, isso acontece diariamente. E sim, há milhões de angolanos honestos e trabalhadores. A pergunta é: por que o governo angolano permite que funcionários corruptos fiquem em lugares tão importantes, ajudando a denegrir a imagem do país. Todo mundo está sujeito a golpes, mas deixe pelo menos o gringo chegar em paz no país, ter um desembarque tranquilo e depois se meter nas roubadas que quiser. O que acontece no aeroporto é a corrupção institucionalizada na mais pura essência.
3) Retirar o funcionário ou policial que fica atrás da imigração exigindo que os passageiros mostrem o visto no passaporte que acabou de ser carimbado pelo oficial da imigração. Por que é preciso um funcionário para conferir o passaporte que acabou de ser carimbado? Por que os passageiros precisam mostrar de novo o passaporte carimbado cinco segundos depois de sair da imigração? É mais uma forma de permitir a pequena corrupção.
4) Acabar com os pedidos de gasosa que malandros travestidos de funcionários do aeroporto fazem aos passageiros que aguardam a bagagem. Usando jalecos, esses sujeitos abordam os passageiros que têm mais bagagem e pedem dinheiro para facilitar a saída e os eventuais embaraços aduaneiros.
5) Praticamente não adianta entrar na saída de “nada a declarar”. Policiais sebosos bloqueiam a saída de todos os passageiros com mais de uma mala que se atrevem a sair pelo canal verde.
6) Retirar os malandros que ficam na parte de fora do desembarque e perseguem os passageiros até os carros querendo dinheiro e/ou de olho numa oportunidade para furtar.
São medidas simples que ofereço graciosamente ao governo angolano.
Uganda: Netizens Show Support for National Team on Twitter, Facebook
34 minutos atrás

4 comentários:
impressionante.. os 3 primeiros itens deveriam ser default
Sugiro também dispensar os funcionários que abrem ou tentam abrir as malas dos passageiros durante o trajeto avião / esteira de bagagens, para descolar algum souvenir.
Há,
O meu primeiro desembarque em Angola, o meu primeiro contacto com um angolano, o guarda da imigração:
— Veio trabalhar?
— Não
— É consultor?
— Sou
— Veio fazer turismo?
— Sim
— E o cafezinho?
...Aí eu desembolsei USD 20, o gajo carimbou ou passaporte e entrei no país de mala e cuia. Medo.
Não existe como vc enviar uma carta para alguma autoridade comunicando isso? Só para, pelo menos, vc poder dizer que tentou...?
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