segunda-feira, 11 de maio de 2009

A REVOLTA DAS MÁQUINAS E A VITÓRIA DAS VOZES NA MINHA CABEÇA

No momento, sou vítima delas. Da revolta das máquinas e das vozes na minha cabeça que me mandam fazer coisas.

Primeiro, a revolta das máquinas.

O programa que uso para capturar as imagens da câmera, transformá-las em um formato mais leve para serem transmitidas ao Brasil não reconhece a câmera.

Em Angola seria impossível resolver o problema.

Tive de adiar o retorno para quinta-feira, única data com vôo disponível.

Estou convencido de que filmes como o “Exterminador do Futuro” e “Matrix” cada vez mais se afastam da categoria de ficção científica e se aproximam da de documentário.

Assim como dizem que a maior vitória do demônio é fazer as pessoas acreditarem que ele não existe, a das máquinas é nos fazer crer que elas não estão no controle.

Se conseguir resolver o problema do computador, tentarei produzir algo em Johanesburgo até quarta à noite.

No meio de madrugadas insones, terminei Disgrace, do J. M. Coetzee (que recomendo fortemente a leitura).

Agora, as vozes na minha cabeça que me mandam fazer coisas.

Como sabem, quanto mais tempo passo na África do Sul, mais as vozes que me mandam comprar livros se manifestam na minha cabeça.

Ontem, por exemplo, fui almoçar num dos restaurantes da Mandela Square. Fica a cerca de 500 metros do hotel. Eu caminhava pelos corredores do shopping quando, ao dobrar uma esquina, dou de cara com a Exclusive Books.

As vozes se manifestam.

Foi tudo muito rápido e não me lembro de muita coisa. Apenas flashes rápidos.

Imagens borradas, desfocadas, como se eu estivesse fora do meu corpo, vendo a mim mesmo lendo os títulos nas lombadas dos livros. Mas isso eu só estou lembrando agora, no momento em que escrevo sobre o assunto.

Ontem, posso dizer que tive de fato uma ausência. Tenho apenas duas lembranças nítidas: quando avistei a fachada da Exclusive Books e quando deixei a livraria. Não tenho idéia de quanto tempo passou entre um momento e outro.

Sei que, quando me dei conta, estava com uma sacola cheia de livros numa das mãos e uma fatura do cartão de crédito na outra...

Na sacola, encontrei “The conservationist”, da Nadime Gordimer; “Cry, the beloved country”, do Alan Paton; “19 with a bullet”, do Granger Korff (imagino que as vozes tenham me mandado comprar este por causa da relação com Angola); um guia de viagens da Namíbia; e “Q&A”, do Vikas Swarup, que originou o Slumdog Millionaire e que comecei a ler ontem.

As máquinas e as vozes venceram mais uma vez.

7 comentários:

zé maia disse...

Há! Eu tentei comprar um livro qualquer esses dias aqui em Maputo. Fui recebido com um "o que você quer aqui" e a resposta para o "gostaria de um livro" foi "porque que os brasileiros estão infestando o nosso mercado". O debate corrosivo de dois ou três minutos terminou com uma gargalhada do gajo acompanhada de um "vou mandar uns escravos pro Brasil de novo pra ver se eles trabalham de designers por lá". Aí ele se desculpou e disse que na loja fora do shopping talvez eu achasse um livro legal, mas que nem adiantava ir porque tava sem luz... Vou acabar desistindo de ler e começar um livro.

Helga disse...

Hahhahahah adorei. :) Quando li:

"Como sabem, quanto mais tempo passo na África do Sul, mais as vozes que me mandam comprar livros se manifestam na minha cabeça."

Logo respondi: Ouça as vozes!!! Ouça as vozes!! :)

Muito bons os títulos que você comprou.

Anônimo disse...

When the cat is away the mice will play

Lara Maria disse...

Are you crazy?
hauhauhauhaua
Muitos têm seus momentos de loucura, principalmente em relação a livros de capas intocadas, com cheiro de coisa nova e cujo tema é irresistível...

Lorena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

As vozes, sempre elas, levando a culpa pela rebeldia. Ainda bem que, além delas demonstrarem bom gosto na escolha dos livros, elas não são perdulárias, sim, porque papo vai papo vem, mas a verdade é que não são elas que pagam a conta, não é?
Hehehe...

Anônimo disse...

Comprei de uma vez só:

28 livro na estante virtual,
12 na livraria cultura
9 na Amazon.

Jamais beberei de novo quando estiver conectado.

Senão, vou acabar falindo.