segunda-feira, 29 de junho de 2009

O DIA EM QUE FIQUEI AMIGO DE UM MOTORISTA DE TAXI EM TRIPOLI


Foi agora hah pouco (escrevo de um computador sem acentos).

Foi assim: eu e o William saimos para almocar.

Pegamos um taxi na esquina do hotel.

O motorista soh fala arabe. Alias, coisa dificil eh achar alguem em Tripoli que fale outra lingua alem do arabe.

No hotel em que estamos, soh falam arabe.

Minto: hah uma arrumadeira e um outro funcionario que falam frances.

Tento me comunicar com o motorista usando a linguagem dos sinais.

Digo que o restaurante eh para o lado da praca central da cidade, perto do museu onde hah um outdoor gigante do Kadafi.

Sei que fica perto de um local chamado Medina.

EU – Medina.

MOTORISTA – الدولية التي أصبحت أينما كانت تؤثر في الجميع .

EU – Restaurant.

MOTORISTA – فهناك قضايا بعيدة عن الأماكن التي نحن نسكن فيها أينما كنا نحن.أو من نحن, ولكنها تؤثر في حياتنا

EU(fazendo com as maos o formato de um outdoor) – Kadafi.

MOTORISTA (apontando para a direcao oposta de onde estamos indo)– Aaahhh! وفعلًا العالم بدأ يتحول كما يقولون إلى قرية واحدة وهذه القرية يجب أن تهتم بنفسها وتنظم نفسها وأن تعيش في سلام ووئام ويتعارف أفرادها وأن يتعاونوا لا أن يتحاربوا ويدمروا هذه القرية الوحيدة التي هي موجودة في الكون .

Ele faz uma manobra radical para pegar o sentido oposto numa rua de mao dupla. Mataria qualquer candongueiro angolano de inveja.

As ruas de Tripoli estao sempre cheias de carro. E de gente. Nao necessariamente nessa ordem.

Os motoristas buzinam o tempo todo. As pessoas se jogam na frente dos carros.

O comercio de rua eh fortissimo.

Vendem de tudo em pequenas lojas e em bancas espalhadas pelas calcadas que avancam para as ruas.

Pode-se comprar camisetas, CDs, DVDs, cigarros, telefones celulares, chapeus, bones, calccas etc., etc.

Seguimos para a praca central. Passamos em frente ao museu onde fica o outdoor gigante do Kadafi.

EU (apontando para a direita) – Restaurant.

MOTORISTA – فهناك قضايا بعيدة عن الأماكن التي نحن نسكن فيها أينما كنا نحن.أو من نحن, ولكنها تؤثر في حياتنا

Ele nos deixa na porta do restaurante, na avenida litoranea, uma das mais movimentadas de Tripoli.

Cobra 5 dinares libios. Mais ou menos quatro euros.

Por meio de sinais, entendo que o motorista quer nos buscar depois do almoco.

Digo que sim. Marcamos aas 15h.

Na saida, a caminho do hotel, ele entabula uma conversa em arabe.

MOTORISTA – أولا مساء الخير أيها الأساتذة الأجلاء وأبنائي الطلبة من جامعة كامبريدج

EU (numa tentativa de me vingar em portugues) – Nao entendo.

O motorista continua a falar e chegamos a conclusao de que ele esta nos ensinando alguns cumprimentos em arabe, coisa do tipo salamaleiko, salam.

Ele enfim se apresenta.

MOTORISTA – Hassan.

No meio do caminho ele comeca a dizer que a corrida vai custar 10 dinares libios.

EU – Five.

MOTORISTA – (desenhando os numeros no painel do carro) Ten.

Na hora da conta, todo mundo sabe falar ingles.

EU – Why? We paid five before.

MOTORISTA (desenhando os numeros no painel do carro) – Ten.

EU – Cinco.

MOTORISTA (gesticulando e fazendo sinal de ida e volta) - أولا مساء الخير أيها الأساتذة الأجلاء وأبنائي الطلبة من جامعة كامبريدج

Finalmente entendo que, como ele teve de voltar ao restaurante para nos buscar, ia cobrar dois trechos.

Chegamos ao hotel.

EU – Five.

MOTORISTA (gesticulando e fazendo sinal de ida e volta) - أولا مساء الخير أيها الأساتذة الأجلاء وأبنائي الطلبة من جامعة كامبريدج

Chegamos ao momento em que tenho de fazer minha escolha:

1) Entrar numa discussao, em arabe, com um motorista libio no centro de Tripoli por causa de 5 dinares libios e arranjar meu primeiro inimigo no mundo arabe;
2) Deixar-me ser aliviado em 5 dinares libios e ficar amigo de um motorista de taxi libio no centro de Tripoli.

Fico com a segunda opcao.

Entrego uma nota de 10 dinares libios.

Acho que o Hassan farah melhor proveito das 5 dinares libios do que eu.

Antes de sairmos do taxi, ainda peco um cartao com o telefone dele.

Em troca, recebo um largo sorriso e um aperto de mao caloroso.

O mundo arabe eh muito interessante.

5 comentários:

Anônimo disse...

Que enrascada. Mas jornalista, na hora decidir eu também pagaria as tais 10 liras líbias, mas só de vingança não pediria o cartão dele.

Gisela Scheinpflug disse...

Pois aqui em Tete me aconteceu a mesma coisa no aeroporto... fui até lá me despedir de um colega e tentei ser amiga do motorista do taxi, ofereci a ele que aguardasse um pouco lá e assim ele ganharia a corrida de volta até a cidade. E ele então queria me cobrar mais que o dobro do preço!! a lógica desse povo é muito engraçada... eles ficam o dia inteiro sem ganhar nenhum dinheiro, a gente se oferece pra ajudar e eles querem cobrar pelo "tempo de espera".

Imagina eles em Sampa huahuahua

Helga disse...

"Ele faz uma manobra radical para pegar o sentido oposto numa rua de mao dupla. Mataria qualquer candongueiro angolano de inveja."

heheheheh adorei esta parte.

Já passei por extorções parecidas.

Luís Rochinha disse...

Fantástica a descrição do diálogo com o taxista líbio. :D

Alfredo disse...

Fantastico o texto e a historia. Melhor ainda deve ser William sem ingles e frances tentando te ajudar entender o arabe. Maravilhoso. São experiencias fantasticas.