segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O DIA EM QUE VI UM DIA NA VIDA DOS PESCADORES DA PRAIA DA GAMBOA NO LITORAL DE SÃO TOMÉ


Estive na praia da Gamboa, a 10 minutos do centro de São Tomé.

A praia é suja.

Porcos e cães circulam entre crianças e adultos.

Nunca vi porco tomando banho de mar.


Pois este toma.

Acho que ele sonha em ser surfista.



A pesca em São Tomé e Príncipe é artesanal.

Os pescadores saem para o mar em várias levas.

Pode ser à noite, de madrugada ou no início da manhã.




Cada bote leva entre seis e 12 pescadores.



Rumam para os arredores do Ilhéu das Cabras.



Um deles é escolhido para mergulhar e identificar os cardumes.



Depois, ele volta à superfície e avisa aos companheiros.



A agitação é grande.



O piloto aciona o motor e começa a fazer um movimento circular em volta do cardume, enquanto os outros pescadores lançam a rede ao mar.



Cercado o cardume, a rede é retirada.



Às vezes vem muito peixe.



Outras vezes quase nada.



Os pescadores reclamam da falta de apoio do governo.



Pergunto por que não criam uma cooperativa.

Dizem que é difícil, que precisariam de ajuda e que o governo não faz o que deveria fazer.

Um deles se mostra interessado pela idéia da cooperativa.

Em cinco minutos de conversa,bolei um projeto inteiro.

Acho que acordei pensando em salvar o mundo.

Peixes de qualidade para exportação.

Digo que devem procurar algum deputado em quem confiem e que possa levar o projeto adiante.
Como montar uma cooperativa?

Falo sobre a ONG Marapa, que funciona atrás da Embaixada do Brasil, e que ensina vendedoras de peixe a ganhar dinheiro com o que antes era jogado no lixo.

As peixeiras se inscrevem no curso e recebem aulas de nutricionistas.

Aprendem a fazer salsicha de peixe, pudim de peixe.

Tudo com a cabeça, rabo e outras partes que eram desprezadas.

Produto com valor agregado.

Mais dinheiro no bolso.

Falo delas para os pescadores.

Sugiro que apareçam lá e peçam ajuda.

Imagino a criação de uma marca no estilo: “Peixes selecionados das águas quentes da Praia da Gamboa de São Tomé e Príncipe”.

Imagino todo um esquema de transporte, com os peixes abastecendo mercados europeus e americanos.

Os pescadores olham para mim com aquele olhar de que apareceu mais um branco louco para resolver os problemas de São Tomé.

Vou-me embora.

E assim segue a vida dos pescadores nas águas do mar de São Tomé e Príncipe.

9 comentários:

Alexandre Correia disse...

Olá África,

Tenho viajado muito para São Tomé, ao longo dos anos. É uma daquelas terras onde volto sempre que posso. Muito tranquila, preguiçosa, linda, mas mesmo linda. É um dos países do mundo com maior taxa de diabetes, precisamente porque a dieta da população é tão desiquilibrada que acaba sendo demasiado rica em açúcares, tanta a fruta que comem a toda a hora. Para mim, é o paraíso na terra, ainda é, mesmo hoje, que já tem dois voos semanais directos à Europa — e outros dois para Angola — e que incrementam o fluxo de turistas, que com o seu deslumbro acabam sempre por deixar algumas marcas, nem sempre as desejáveis, nem sempre as melhores. Vi porcos a refrescarem-se no mar em muitas praias. Não vi nenhum a surfar, mas vi, isso sim, os jovens a surfar com pranchas improvisadas com grandes tábuas de madeira, nas ondas frente a Porto Alegre, que, tal como no Brasil, fica bem lá no sul, onde acaba a estrada. As melhores praias, sem porcos, mas com tartarugas, são as que se escondem depois dessa última vila. Não deixe de lá ir, se é que não foi já...

Um abraço,

Alexandre Correia

Anônimo disse...

O pior que podia acontecer aos Sãotomenses, alem d receberem muitos conselhos de tudo quanto é "cooperante", é o facto de se considerarem ilhas rodeadas de petróleo em vez de mar!

Amílcar Tavares disse...

Adorei o artigo e as suas ideias. Que tenham despertado alguma curiosidade e espírito empreendedor nesses pescadores, oxalá!

Helga disse...

:)

Desiste não. Vai plantando a ideia. Mantém o contato com um mais empolgado por cartas (através de alguma das crianças que leia). Investe.

:)

Adorei a do porquinho na água. Também nunca tinha visto. Só cuidado pro caso de ele ficar muito na água e acabar pegando uma gripe. ;)

P.S.: Anônimo, antes o pessoal se empolgasse em saber mais (tentar entender mesmo) pelo menos uma das boas ideias que fosse.

Ju Borges disse...

eu já vi porco nadando no mar. Lá em Luanda, em algum quilômetro, pouco depois do museu da escravatura. Achei bué estranho tb.

Fátima disse...

Ai, ai... Este meu amigo distante está cada dia com o coração mais amolecido... Particularmente eu gosto desta sua versão. Bjs. Cuide-se! Ah,que tal entre uma pescaria e outra responder meu e-mail? (rs)

Smilius disse...

Tambem nunca vi porcos na praia. Muito que eu ri com isso. Achei lindas as fotografias.
Obrigada.

Susana

F. disse...

Companheiro, gostei do palmeirense tomando sol na praia! hahaha
abs e boa sorte aí,

Lara Maria disse...

Porco na praia é novidade kkk