sábado, 28 de fevereiro de 2009

CRÔNICAS DO IGLU

Bom, descobri no sítio da Helga.

Achei muito bom.

Por isso, a partir de hoje, Vancouver, BC entra na relação de sítios que valem a pena.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

SURPRESA

Só quem viveu os primeiros anos da década de 80 como eu dará valor a este presente.

Darei apenas uma dica: Blinky, Pinky, Inkey e, claro, Clyde.

Para descobrir do que se trata, clique aqui.

CANDONGUEIRO - DE JOANESBURGO AO CAIRO, SOBRE RODAS.

O João foi embora.

Partiu hoje numa viagem daquelas de causar inveja.

Inveja por uma razão simples: sabe de onde vai sair e onde quer chegar. Tem uma idéia de quando pretende chegar.

Entre uma coisa e outra, vai ver o que rola.

Fico aqui imaginando uma candonga azul, com rodas cromadas, vidros fumê, kuduru a todo volume e uma mensagem colada no vidro traseiro.

Fico aqui imaginando o João na direção dessa candonga, rolando pelas estradas poeirentas de África.

O João criou um blog para narrar a aventura.

Um blog que já nasce com cara de livro.

A partir de hoje, Candongueiro - De Joanesburgo ao Cairo, sobre rodas entra na relação de sítios que valem a pena.

Abaixo, a carta de despedida do João.



Queridos amigos,

Depois de um ano em Angola, chegou a hora de ir embora.

Antes de voltar ao Brasil, porém, armei uma viagenzinha pela África. Ao longo dos próximos cinco meses, pretendo atravessar o continente de sul a norte (da África do Sul ao Egito), por terra. Começo o roteiro amanhã, a partir de Joanesburgo. Se tudo der certo, no fim de julho chegarei ao Cairo, de onde volto para o Brasil.

Para quem quiser me acompanhar durante a viagem, criei um blog:
Candongueiro.

Ainda não tá pronto – meu amigo designer Zé Maia ficou de montar um layout bacaninha –, mas já comecei a postar.

Abraços!

João

GUERRA COLONIAL

Um sítio sensacional para quem se interessa pelas guerras coloniais portuguesas na África.

É só conferir: Guerra Colonial.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O DIA EM QUE REVELEI A VERDADE SOBRE OS PREÇOS EM LUANDA

Foi agora.

Muita gente não acredita quando comento sobre o alto custo de vida em Luanda. Vários não acreditam que Luanda é a capital mais cara do mundo para expatriados. Mais cara que Nova York, Londres, Paris, Estocolmo, Moscou, Genebra.

Não acreditem em mim. Pesquisem. Ou venham passar uma temporada em Luanda.

Outros tantos não acreditam quando digo que o aluguel aqui de casa é de US$ 7,5 mil mensais. E que em Angola os aluguéis são pagos um ano adiantados.

Uma casa simples. Com vazamentos. Vários. Secretos.

No térreo, garagem (com um gerador por causa da constante falta de energia), sala grande, cozinha, um lavabo clandestino feito embaixo da escada, quintal com banheiro e uma pequena lavanderia.

No andar de cima, um banheiro e dois quartos, sendo uma suíte feita sem muito critério que, desconfiamos, seja a origem de todos os vazamentos da casa.

Não são apenas os aluguéis que custam caro. Tudo é caríssimo.

Um quilo de tomate pode sair por US$ 20. Uma bandeja de uvas pode custar US$ 30 o quilo. Um bife com fritas pode custar, facilmente, US$ 50. Um cano furado pode sair por US$ 1.000,00.

Tapar um pequeno furo na tubulação de ar-condicionado do carro e colocar o gás para enfrentarmos o calor luandense custa US$ 200.

Precisa de eletricista? Ele não vai sair da sua casa sem ter tirado pelo menos US$ 100 de você. Mesmo que só tenha trocado uma lâmpada.

Por que é tudo tão caro?

A explicação é simples.

O atabalhoado processo de independência e a guerra acabaram com tudo. Primeiro, a independência. Em 1975, pelo menos 300 mil portugueses abandonaram Angola. Médicos, dentistas, advogados, empresários, encanadores, mecânicos, burocratas, professores.

Imagine uma profissão qualquer e todos os profissionais terão ido embora.

Em questão de meses, Angola ficou sem quadros. Não havia quem soubesse gerenciar as finanças do país. Não havia quem soubesse pilotar uma turbina de geração de energia.

Depois, a guerra. O esforço de guerra sugou o dinheiro que deveria ser investido na saúde, na educação, na infra-estrutura do país.

Agora, multiplique essa situação por 27 anos.

O resultado chama-se Luanda.

O país não tem indústrias. Tudo é importado. Vem de navio. No porto, não há espaço. Os navios ficam dois, três meses atracados em alto-mar, aguardando autorização para descarregar.

Só agora é que a agricultura começa a dar os primeiros passos. Mas só nas áreas em que não há minas terrestres. O último número que ouvi era de que mais da metade das terras cultiváveis do país estava cheia de minas. Enquanto o terreno não estiver limpo, nada feito. Portanto, até comida precisa ser importada.

Com a alta no preço do petróleo nos últimos anos, os fretes subiram e, por tabela, o de todos os produtos. Chegou-se a uma situação tal que mesmo os itens produzidos em Angola podiam custar mais que os importados.

Por quê?

Os economistas que me corrijam, mas parece ter algo a ver com a tal lei da oferta e da procura. Quem quer agora tem de pagar mais.

Torça para o seu carro não dar defeito. Encontrar um mecânico de confiança é uma dureza. Um mecânico de confiança que entenda de mecânica, mais difícil ainda.

Se for algo mais sério e o carro tiver de ficar na oficina, prepare um plano logístico. Em Luanda, como todos sabem, não há táxi.

Acenda uma vela. Use aquelas fotos comprometedoras que você tem escondidas em casa para chantagear alguém com algum poder.

Ou você tem um carro reserva, ou amigos ou muito dinheiro para alugar um carro.

Se houver algum disponível nas locadoras. Nem sempre há. E raramente fazem reserva. Já tentei. O rapaz me disse, uma vez, por telefone:

RAPAZ DA LOCADORA - O senhor tem de ligar todos os dias.

EU – Mas não tem uma previsão, não posso fazer uma reserva?

RAPAZ DA LOCADORA – Não. Às vezes o cliente resolve ficar mais tempo com o carro. Tem mesmo de ligar.

Amanhã vou pegar o carro na oficina. Por sorte, a oficina é aqui perto de casa. Dá para ir a pé. E hoje não precisei fazer nada que exigisse carro. Trocaram duas peças: uma no freio, que fazia barulho. E o rolamento de uma das rodas. US$ 580.

E depois tem o fator estrangeiro.

Sou estrangeiro e branco. Logo, sou rico.

É branco, é rico.

Faz sentido que se pense assim. Em geral, os brancos aqui são os que têm dinheiro.

Nossa casa de US$ 7,5 mil é uma pechincha. Já não se encontra nada parecido para alugar pelo mesmo preço. Não por menos de US$ 10 mil.

Em Luanda Sul, novo bairro a 20km do centro de Luanda, em construção pela Odebrecht, há vários prédios prestes a serem inaugurados. Apartamentos de um, dois, três, quatro quartos. Os aluguéis começam em US$ 10 mil.

Quem mora nesses lugares são funcionários de multinacionais que vêm para Angola num pacote. Depende, claro, do nível dentro da empresa.

Mas, em geral, já chegam com o aluguel, carro (às vezes com motorista) e colégio para os filhos. Não sei o valor exato das mensalidades, mas as escolas internacionais custam entre US$ 3 mil e US$ 4 mil por mês. E paga-se uma determinada – e elevada – quantia no ato da matrícula. Uma espécie de jóia.

Algumas empresas estão começando a mudar o perfil dos funcionários que trazem para cá. A preferência agora é por solteiros ou casais sem filhos.

Com a crise internacional e a queda no preço do petróleo, não se sabe ao certo como a economia angolana será afetada.

Pode ser que o governo diminua o ritmo das obras, o que terá um impacto forte num país que precisa criar emprego e aumentar a renda da população.

Em janeiro do ano que vem Angola sediará a Copa Africana. Há estádios e hotéis em construção em todo o país. A construção civil continuará, portanto, como um dos indutores do crescimento econômico. Mas vamos ver até onde o governo terá fôlego para manter o ritmo das obras.

Em Angola, é assim.

SEU CORRÊA E GEGÊ

Seu Corrêa é o dono de uma empresa de canalização (como chamam encanamento por aqui).

Pela terceira vez em sete meses fomos obrigados a recorrer aos serviços dele.

Em geral, quem vem executar o trabalho é o Gegê.

Gegê chega, em geral, sem nenhum equipamento.

Na semana passada, para descobrir a origem de um vazamento no chão da garagem, me perguntou:

GEGÊ – Tem que partir o chão. O chefe não tem uma pá ou uma picareta?

EU (olhando para o vazio) - ...

Gegê, claro, teve de voltar no outro dia para fazer o serviço.

Depois de três horas cavando e trocando canos, o trabalho parecia estar pronto.

Quando chego na garagem, o cano que traz água da rua está com três vazamentos.

EU – Gegê, tem que consertar esses vazamentos.

GEGÊ – Chefe, não posso, chefe. Este cano é da Epal (a empresa de água de Luanda). Eles têm de vir aqui e trocar esse cano e esse relógio, que já não está a funcionar.

EU – Mas antes de você mexer aí não havia vazamento.

GEGÊ- Vou explicar. Este cano é da Epal. Eles têm de vir aqui e trocar esse cano e esse relógio, que já não está a funcionar. Não posso mexer no cano da Epal.

EU – Eu entendi, mas antes de você mexer aí não havia vazamento.

GEGÊ – Chefe, este cano é da Epal. Eles...

EU – OK, Gegê. Eu já havia entendido da primeira vez. Só que aí não estava vazando antes de você mexer.

GEGÊ – Este...

Ok, ok, vou poupá-los.

Gegê repetiria essa frase até o fim dos tempos. Ele jamais admitiria que foi o responsável pelo novo vazamento.

EU – Você precisa, pelo menos, fazer esse vazamento parar. Não tem aquela fita siliconada para isolar?

GEGÊ – Não, não tenho. O chefe não tem uma câmara de pneu velha pá cortá e meter em volta do cano?

Não, Gegê, não tenho câmara de ar velha, nem pá, nem picareta em casa.

E seu Corrêa me mandou a fatura de US$ 1.500.

P.S. Para quem se assustou com o preço, sugiro a leitura do post Os aluguéis em Luanda, que escrevi no ano passado, pouco depois de nos mudarmos para Angola.

O PAPA E AS OBRAS

O papa Bento XVI vem a Angola em março.

Vai celebrar uma missão na igreja do bairro do São Paulo.

Obras frenéticas se desenrolam nas adjacências.

O papa deveria vir mais vezes a Angola.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CENAS ARGELINAS


Argel

EU ABRAÇAVA TU E O HOLANDÊS

Mais duas brasileiras pelo mundo.

Mais dois olhares brasileiros pelo mundo.

A partir de hoje, Eu abraçava tu e o holandês entra na relação de sítios que valem a pena.

COMO OS ÁRABES VEEM OS JUDEUS

Recebi o texto por e-mail e achei interessante.

Foi escrito pelo rei Abdállah I, em 1947, na edição de novembro da "The American Magazine".

Também está disponível na internet.

Abdállah foi avô do rei Hussein, da Jordânia.

Foi publicado nos Estados Unidos seis meses antes do início da Guerra de 1948, entre israelenses e palestinenses.

Vamos ao texto:

"É prazer especial dirigir-me ao público norte-americano, porque o trágico problema da Palestina não será jamais resolvido sem a simpatia dos norte-americanos, sem seu apoio, sem que compreendam.

Já se escreveram contudo tantas palavras sobre a Palestina – é talvez o assunto sobre o qual mais se escreveu em toda a história –, que hesito. Mas tenho de falar, porque acabei por concluir que o mundo em geral, e os EUA em especial, sabem praticamente nada sobre a causa pela qual os árabes realmente lutam.

Nós, árabes, acompanhamos a imprensa dos EUA, talvez muito mais do que os senhores pensem. E nos perturba muito constatar que, para cada palavra impressa a favor dos árabes, imprimem-se mil a favor dos sionistas. Há muitas razões para que isto aconteça.

Vivem nos EUA milhões de cidadãos judeus interessados nesta questão. Eles têm vozes fortes, falam muito e conhecem bem os recursos da divulgação de notícias. E há poucos cidadãos árabes nos EUA, e ainda não conhecemos bem as técnicas da propaganda moderna.

Os resultados disto têm sido alarmantes. Vemos na imprensa dos senhores uma horrível caricatura de nós mesmos e lemos que aquele seria nosso verdadeiro retrato. Para que haja justiça, não podemos deixar que esta caricatura seja tomada por nosso retrato verdadeiro.

Nosso argumento é bem simples: por quase 2.000 anos, a Palestina foi quase 100% árabe. Ainda é preponderantemente árabe, apesar do enorme número de judeus imigrantes. Mas se continuar a imigração em massa, em pouco tempo seremos minoria em nossa própria casa.

A Palestina é país pequeno e muito pobre, quase do tamanho do estado de Vermont. A população árabe é de apenas 1,2 milhão de pessoas. E fomos obrigados a receber, contra nossa vontade, cerca de 600 mil judeus sionistas. E nos ameaçam com muitos mais centenas de milhares. Nossa posição é tão simples e natural, que surpreende que tenha sido questionada. É exatamente a mesma posição que os EUA adotaram em relação aos infelizes judeus europeus. Os senhores lamentam que eles sofram o que sofrem hoje, mas não os querem em seu país.

Tampouco nós os queremos em nosso país. Não porque sejam judeus, mas porque são estrangeiros. Não queremos centenas de milhares de estrangeiros em nosso país, sejam ingleses, noruegueses, brasileiros, o que sejam.

Pensem um pouco: nos últimos 25 anos, fomos obrigados a receber população equivalente a um terço do total de habitantes nativos. Nos EUA, seria o mesmo que o país ser obrigado a receber 45 milhões de estrangeiros, contra a vontade dos norte-americanos, desde 1921. Como os senhores reagiriam a isto?

Por nossa reação perfeitamente natural, contra sermos convertidos em minoria em nossa terra, somos chamados de nacionalistas cegos e anti-semitas impiedosos. A acusação seria cômica, se não fosse tão perigosa.

Nenhum povo da Terra jamais foi menos anti-semita que os árabes. Os judeus sempre foram perseguidos quase exclusivamente por nações ocidentais e cristãs. Os próprios judeus têm de admitir que nunca, desde a Grande Diáspora, os judeus desenvolveram-se com tanta liberdade e alcançaram tanta importância quanto na Espanha enquanto a Espanha foi possessão árabe. Com pequenas exceções, os judeus viveram durante séculos no Oriente Médio, em completa paz e amizade com seus vizinhos árabes.

Damasco, Bághdade, Beirute e outros centros árabes sempre incluíram grandes e prósperas comunidades de judeus. Até o início da invasão sionista na Palestina, estes judeus receberam tratamento mais generoso – muito, muito mais generoso - do que o que receberam na Europa cristã.

Hoje, infelizmente, pela primeira vez na história, aqueles judeus começam a sentir os efeitos da resistência árabe ao assalto sionista. Muitos judeus estão tão ansiosos quanto os árabes e querem o fim do conflito. Muitos destes judeus que encontram lar acolhedor entre nós ressentem-se, como nós, com a chegada de tantos estrangeiros.

Por muito tempo intrigou-me muito a estranha crença, que aparentemente persiste nos EUA, segundo a qual a Palestina sempre teria sido, de algum modo, “terra dos judeus”. Recentemente, conversando com um norte-americano, desfez-se o mistério. Disse-me ele que a maioria dos norte-americanos só sabem, sobre a Palestina, o que lêem na Bíblia. Dado que havia uma terra dos judeus no tempo de que a Bíblia fala, pensam eles, concluem que nada tenha mudado desde então.

Nada poderia ser mais distante da verdade. E, perdoem-me, é absurdo recorrer ao alvorecer da história, para concluir sobre quem ‘mereceria’ ser dono da Palestina de hoje. Contudo, os judeus fazem exatamente isto, e tenho de responder a este “clamor histórico”. Pergunto-me se algum dia houve no mundo fenômeno mais estranho do que um grupo de pessoas pretenderem, seriamente, reclamar direitos sobre uma terra, sob a alegação de que seus ancestrais ali teriam vivido há 2.000 anos!

Se lhes parecer que argumento em causa própria, convido-os a ler a história documentada do período e verificar os fatos.

Registros fragmentados, que são os que há, indicam que os judeus viviam como nômades e chegaram do sul do Iraque ao sul da Palestina, onde permaneceram por pouco tempo; e então moveram-se para o Egito, onde permaneceram por cerca de 400 anos. À altura do ano 1300 a.C. (pelo calendário ocidental), deixaram o Egito e gradualmente dominaram alguns – mas não todos – os habitantes da Palestina.

É significativo que os Filistinos – não os judeus – tenham dado nome ao país. “Palestina” é, simplesmente, a forma grega equivalente a “Philistia”.

Só uma vez, durante o império de David e Salomão, os judeus chegaram a controlar quase toda – mas não toda – a terra que hoje corresponde à Palestina. Este império durou apenas 70 anos e terminou em 926 a.C. Apenas 250 anos depois, o Reino de Judá já estava reduzido a uma pequena província em torno de Jerusalém, com território equivalente a 1/4 da Palestina de hoje.

Em 63 a.C., os judeus foram conquistados pelo romano Pompeu, e nunca mais voltaram a ter nem vestígio de independência. O imperador Adriano, romano, finalmente os subjugou em circa 135 d.C. Adriano destruiu Jerusalém, reconstruiu-a sob outro nome e, por centenas de anos, nenhum judeu foi autorizado a entrar na cidade. Poucos judeus permaneceram na Palestina; a enorme maioria deles foram assassinados ou fugiram para outros países, na Diáspora, ou Grande Dispersão.

Desde então, a Palestina deixou de ser terra dos judeus, por qualquer critério racional admissível.Isto aconteceu há 1.815 anos. E os judeus ainda aspiram solenemente à propriedade da Palestina! Se se admitir este tipo de fantasia, far-se-á dançar o mapa do mundo!

Os italianos reclamarão a propriedade da Inglaterra, que os romanos dominaram por tanto tempo. A Inglaterra poderá reclamar a propriedade da França, “pátria” dos normandos conquistadores. Os normandos franceses poderão reclamar a propriedade da Noruega, “pátria” de seus ancestrais. Os árabes, além disto, poderemos reclamar a propriedade da Espanha, que dominamos por 700 anos.

Muitos mexicanos reclamarão a propriedade da Espanha, “pátria” de seus pais ancestrais. Poderão exigir a propriedade também do Texas, que pertenceu aos mexicanos até há 100 anos. E imaginem se os índios norte-americanos reclamarem a propriedade da terra da qual foram os únicos, nativos, ancestrais donos, até há apenas 450 anos!

Nada há de caricato, aí. Todas estas aspirações e demandas são tão válidas e justas – ou tão fantasiosas – quanto a “ligação histórica” que os judeus alegam ter com a Palestina. Muitas outras ligações históricas são muito mais válidas do que esta.De qualquer modo, a grande expansão muçulmana, dos anos 650 d.C., definiu tudo e dominou completamente a Palestina. Daquele tempo em diante, a Palestina tornou-se completamente árabe, em termos de população, de língua e de religião. Quando os exércitos britânicos chegaram à Palestina, durante a última guerra, encontraram 500 mil árabes e apenas 65 mil judeus.

Se uma sólida e ininterrupta ocupação árabe, por 1.300 anos, não torna árabe um país... o que mais seria preciso?

Os judeus dizem, com razão, que a Palestina é a terra de sua religião. Parece ser o berço da cristandade. Mas, que outra nação cristã faz semelhante reivindicação? Quanto a isto, permitam-me lembrar que os cristãos árabes – e há muitas centenas de milhares de cristãos árabes no mundo árabe – concordam absolutamente com todos os árabes, e opõem-se, também, à invasão sionista da Palestina.

Permitam-me acrescentar também que Jerusalém, depois de Meca e Medina, é a cidade mais sagrada no Islam. De fato, nos primórdios de nossa religião, os muçulmanos rezávamos voltados para Jerusalém, não para Meca.

As “exigências religiosas” que os judeus fazem, em relação à Palestina, são tão absurdas quanto as “exigências históricas”. Os Lugares Santos, sagrados, para três grandes religiões, devem ser abertos a todos, não monopólio de qualquer delas. E não confundamos religião e política.

Tomam-nos por desumanos e sem coração, porque não aceitamos de braços abertos talvez 200 mil judeus europeus, que sofreram tão terrivelmente a crueldade nazista e que ainda hoje – quase três anos depois do fim da guerra – ainda definham em campos gelados, deprimentes. Permitam-me destacar alguns fatos.

A inimaginável perseguição aos judeus não foi obra dos árabes: foi obra de uma nação cristã e ocidental. A guerra que arruinou a Europa e tornou impossível que estes judeus se recuperassem foi guerreada exclusivamente entre nações cristãs e ocidentais. As mais ricas e mais vazias porções do planeta pertencem, não aos árabes, mas a nações cristãs e ocidentais.

Mesmo assim, para acalmar a consciência, estas nações cristãs e ocidentais pedem à Palestina – país muçulmano e oriental muito pequeno e muito pobre – que aceite toda a carga. “Ferimos terrivelmente esta gente”, grita o Ocidente para o Oriente. “Será que vocês podem tomar conta deles, por nós?”

Não vemos aí nem lógica nem justiça. Não somos, os árabes, “nacionalistas cruéis e sem coração”?

Os árabes somos povo generoso: nos orgulhamos de “a hospitalidade árabe” ser expressão conhecida em todo o mundo. Somos solidários: a ninguém chocou mais o terror hitlerista do que aos árabes.

Ninguém lastima mais do que os árabes o suplício pelo qual passam hoje os judeus europeus.

Mas a Palestina já acolheu 600 mil refugiados. Entendemos que ninguém pode esperar mais de nós – nem poderia esperar tanto. Entendemos que é chegada a vez de o resto do mundo acolher refugiados, alguns deles, pelo menos.

Serei completamente franco. Há algo que o mundo árabe simplesmente não entende. Dentre todos os países, os EUA são os que mais pedem que se faça algo pelos judeus europeus sofredores. Este pedido honra a humanidade pela qual os EUA são famosos e honra a gloriosa inscrição que se lê na Estátua da Liberdade.

Contudo, os mesmos EUA – a nação mais rica, maior, mais poderosa que o mundo jamais conheceu – recusa-se a receber mais do que um pequeníssimo grupo daqueles mesmos judeus!Espero que os senhores não vejam amargura no que digo.

Tentei arduamente entender este misterioso paradoxo. Mas confesso que não entendo. Nem eu nem nenhum árabe. Talvez tenham ouvido dizer que “os judeus europeus querem ir para a Palestina e nenhum outro lugar lhes interessa.”

Este mito é um dos maiores triunfos de propaganda, da Agência Judaica para a Palestina, a organização que promove com zelo fanático a emigração para a Palestina. É sutil meia-verdade; portanto, é duplamente perigosa.

A estarrecedora verdade é que ninguém no mundo realmente sabe para onde estes infelizes judeus realmente querem ir!Imaginar-se-ia que, tratando-se de questão tão grave, os americanos, ingleses e demais autoridades responsáveis pelos judeus europeus teriam pesquisado acurada e cuidadosamente – talvez por votos –, para saber para onde cada judeu realmente deseja ir.

Surpreendentemente, jamais se fez qualquer levantamento ou pesquisa! A Agência Judaica para a Palestina impediu-o.

Há pouco tempo, numa conferência de imprensa, alguém perguntou ao Comandante Militar norte-americano na Alemanha o que lhe dava tanta certeza de que todos os judeus quisessem ir para a Palestina. Sua resposta foi simples: "Fui informado por meus assessores judeus.”

Admitiu que não houvera qualquer votação ou levantamento. Houve preparativos para uma pesquisa, mas a Agência Judaica para a Palestina fez parar tudo.

A verdade é que os judeus, nos campos de concentração alemães, estão hoje sob intensa pressão de uma campanha sionista, por métodos aprendidos do terror nazista.

É perigoso, para qualquer judeu, declarar que prefere outro destino que não seja a Palestina. Estas vozes dissonantes têm sofrido espancamentos severos e castigos ainda piores.

Também há pouco tempo, na Palestina, cerca de 1.000 judeus austríacos informaram à organização internacional de refugiados que gostariam de voltar à Áustria e já se planejava o seu repatriamento.

Mas a Agência Judaica para a Palestina soube destes planos e aplicou forte pressão política para que o repatriamento não acontecesse. Seria má propaganda, contrária aos interesses sionistas, que houvesse judeus interessados em deixar a Palestina. Os cerca de 1.000 austríacos ainda estão lá, contra a vontade deles.

O fato é que a maioria dos judeus europeus são ocidentais, em termos de cultura e práticas de vida, com experiência e hábitos urbanos. Não são pessoas das quais se deva esperar que assumam o trabalho de pioneiros, na terra dura, seca, árida da Palestina.

Mas é verdade, sim, pelo menos um fato. Como estão postas hoje as opções, a maioria dos judeus europeus refugiados, sim, votarão por serem mandados para a Palestina, simplesmente porque sabem que nenhum outro país os acolherá.

Se os senhores ou eu tivermos de escolher o campo de prisioneiros mais próximo, para ali vivermos a vida que nos reste, ou a Palestina, sem dúvida também escolheríamos a Palestina.

Mas dêem alternativas aos judeus, qualquer outra possibilidade, e vejam o que acontece!

Contudo, nenhuma pesquisa ou escolha terá alguma utilidade, se as nações do mundo não se mostrarem dispostas a abrir suas portas – um pouco, que seja – aos judeus.

Em outras palavras, se, consultado, algum judeu disser que deseja viver na Suécia, a Suécia deverá estar disposta a recebê-lo. Se escolher os EUA, os senhores terão de permitir que venha para cá.

Qualquer outro tipo de consulta ou pesquisa será farsa. Para os judeus desesperados, não se trata de pesquisa de opinião: para eles, é questão de vida ou morte.

A menos que tenham certeza de que sua escolha significará alguma coisa, os judeus continuarão a escolher a Palestina, para não arriscarem o único pássaro que já têm em mãos, por tantos que voam tão longe.

Seja como for, a Palestina já não pode aceitar mais judeus. Os 65 mil que havia na Palestina em 1918, saltaram hoje para 600 mil. Nós árabes também crescemos, em número, e não por imigração.

Os judeus eram apenas 11% da população, naquele território. Hoje, são um terço.

A taxa de crescimento tem sido assustadora.

Em poucos anos – a menos que o crescimento seja detido agora – haverá mais judeus que árabes, e seremos significativa minoria em nossa própria terra.

Não há dúvida de que o planeta é rico e generoso o bastante para alocar 200 mil judeus – menos de um terço da população que a Palestina, minúscula e pobre – já abriga.

Para o resto do mundo, serão mais alguns. Para nós, será suicídio nacional.

Dizem-nos, às vezes, que o padrão de vida árabe melhorou, depois de os judeus chegarem à Palestina. É questão complicada, dificílima de avaliar.

Mas, apenas para argumentar, assumamos que seja verdade. Neste caso, talvez fôssemos um pouco mais pobres, mas seríamos donos de nossa casa. Não é anormal preferirmos que assim seja.

A triste história da chamada Declaração de Balfour, que deu início à imigração dos sionistas para a Palestina, é complicada demais para repeti-la aqui, em detalhes.

Baseia-se em promessas feitas aos árabes e não cumpridas – promessas feitas por escrito e que não se podem cancelar.

Declaramos que aquela declaração não é válida. Declaradamente negamos o direito que teria a Grã-Bretanha de ceder terra árabe para ser “lar nacional” de um povo que nos é completamente estranho.

Nem a sanção da Liga das Nações altera nossa posição.

Àquela altura, nenhum país árabe era membro da Liga. Não pudemos dizer sequer uma palavra em nossa defesa.

Devo dizer – e, repito, em termos de franqueza fraterna –, que os EUA são quase tão responsáveis quanto a Grã-Bretanha, por esta Declaração de Balfour. O presidente Wilson aprovou o texto antes de ser dado a público, e o Congresso dos EUA aprovou-o, palavra por palavra, numa resolução conjunta de 30 de junho de 1922.

Nos anos 1920, os árabes foram perturbados e insultados pela imigração dos sionistas, mas ela não nos alarmou. Era constante, mas limitada, como até os sionistas pensavam que continuaria a ser.

De fato, durante alguns anos, mais judeus deixaram a Palestina, do que chegaram – em 1927, os que partiram foram o dobro dos que chegaram.

Mas dois novos fatores, que nem os britânicos nem a Liga nem os EUA e nem o mais fervoroso sionista considerou, começaram a pesar neste movimento, no início dos anos 30, e fizeram a imigração subir a patamares jamais imaginados.

Um, foi a Grande Depressão mundial; o outro, a ascensão de Hitler.Em 1932, um ano antes de Hitler tomar o poder, só 9.500 judeus chegaram à Palestina.

Não os consideramos bem-vindos, mas não tememos que, àquele ritmo, ameaçassem nossa sólida maioria árabe.

Mas no ano seguinte – o ano de Hitler –, o número saltou para 30 mil. Em 1934, foram 42 mil! Em 1935, 61 mil!Já não era a chegada ordeira de idealistas sionistas.

Em vez disto, a Europa jorrava sobre nós levas de judeus assustados. Então, sim, afinal, nos preocupamos.

Sabíamos que, a menos que se detivesse aquele fluxo gigantesco, seria a catástrofe para nós, os árabes, em nossa pátria palestina. Ainda pensamos assim.

Parece-me que muitos norte-americanos crêem que os problemas da Palestina são remotos, que estão muito distantes deles, que os EUA nada têm a ver com o que lá acontece, que o único interesse dos EUA é oferecer apoio humanitário.

Creio que os norte-americanos ainda não viram o quanto, como nação, são responsáveis em geral por todo o movimento sionista e, especificamente, pelo terrorismo de hoje.

Chamo-lhes a atenção para isto, porque tenho certeza de que, se se aperceberem da responsabilidade que lhes cabe, agirão com justiça e saberão admiti-la e assumi-la.

Sem o apoio oficial dos EUA ao Lar Nacional preconizado por Lorde Balfour, as colônias sionistas seriam impossíveis na Palestina, como seria impossível qualquer empreitada deste tipo e nesta escala, sem o dinheiro norte-americano.

Este dinheiro é resultado da contribuição dos judeus norte-americanos, num esforço pleno de ideais, para ajudar outros judeus.

O motivo foi digno: o resultado foi desastroso.

As contribuições foram oferecidas por indivíduos, entidades privadas, mas foram praticamente, na totalidade, contribuições de norte-americanos, e, como nação, só os EUA podem responder por elas.

A catástrofe que estamos vivendo pode ser deposta inteira, ou quase inteira, à porta de suas casas. Só o governo norte-americano, voz quase única em todo o mundo, insiste que a Palestina admita mais 100 mil judeus – depois dos quais incontáveis outros virão.

Isto terá as mais gravíssimas conseqüências e gerará caos e sangue como jamais houve na Palestina.

Quem clama por esta catástrofe – voz quase única no mundo – são a imprensa dos EUA e os líderes políticos dos EUA.

É o dinheiro dos EUA, quase exclusivamente, que aluga ou compra os “navios de refugiados” que zarpam ilegalmente para a Palestina: as tripulações são pagas com dinheiro dos EUA.

A imigração ilegal da Europa é montada pela Agência Judeus Americanos, que é mantida quase exclusivamente por fundos norte-americanos. São dólares norte-americanos que mantêm os terroristas, que compram as balas e as pistolas que matam soldados ingleses – aliados dos EUA – e cidadãos árabes – amigos dos EUA.

Surpreendeu-nos muito, no mundo árabe, saber que os norte-americanos admitem que se publiquem abertamente nos jornais anúncios à procura de dinheiro para financiar aqueles terroristas, para armá-los aberta e deliberadamente para assassinarem árabes.

Não acreditamos que realmente estivesse acontecendo no mundo moderno.

Agora, somos obrigados a acreditar: já vimos estes anúncios com nossos próprios olhos.

Falo sobre tudo isto, porque só a franqueza mais completa pode ser-nos útil.

A crise é grave demais para que nos deixemos deter por alguma polidez vaga, que nada significa.

Tenho a mais completa confiança na integridade de consciência e na generosidade do povo norte-americano.

Nós, árabes, não lhes pedimos qualquer favor.

Pedimos apenas que ouçam, para conhecer a verdade inteira, não apenas metade dela.

Pedimos apenas que, ao julgarem a questão palestina, ponham-se, todos, no lugar em que estamos, nós, os palestinos.

Que resposta dariam os norte-americanos, se alguma agência estrangeira lhes dissesse que teriam de aceitar nos EUA muitos milhões de estrangeiros – em número bastante para dominar seu país – meramente porque eles insistem em vir para os EUA e porque seus ancestrais viveram aqui há 2.000 anos?

Nossa resposta é a mesma.

E o que farão os norte-americanos se, apesar de terem-se recusado a receber esta invasão, uma agência estrangeira começar a empurrá-los para dentro dos EUA?

Nossa resposta será a mesma."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

HIMBAS


Tivemos contato com os Himbas na Namíbia.

Vivem do mesmo jeito que sempre viveram.

Em aldeias, de plantações de subsistência e de doações de turistas que por lá aparecem para conhecê-los.

A palavra Himba, segundo historiadores, teria origem no nome “ovaHimba”.

Uns dizem que se refere aos que moram na margem do rio, aqueles que cantam.

A himba da foto acima é a mulher mais velha da aldeia.

Já quase não saía da cabana, onde uma pequena fogueira permanecia acessa o tempo todo.

Estava doente e pediu remédios para dor.

Na cidade em que nos hospedamos, os himbas caminham pelas ruas com as roupas tradicionais.

Homens com saiotes (a foto deles foi tirada em filme, ainda não revelado) e mulheres com os seios de fora.

Tirei a foto de um casal num supermercado.

Absolutamente inusitados, um contraste total entre o moderno e o tradicional.

Quando o filme for revelado, postarei a foto.

Assim como virão mais informações.

Decidi postar a foto acima porque estava revendo algumas imagens antigas e acabei encontrando esta nos arquivos.

HUMAN RIGHTS WATCH X MPLA

Matéria publicada hoje pela BBC África mostra relatório da organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) sobre o processo eleitoral angolano. Leia abaixo ou no sítio da agência inglesa.

E, aqui, o relatório original da HRW.


Organização critica eleições angolanas

Quando se espera a realização de eleições presidenciais em Angola antes do fim do ano, a Organização dos Direitos Humanos Human Rights Watch veio a público apelar ao governo de Luanda que proceda a reformas na Comissão Nacional de Eleições.

Num relatório de 45 páginas a Human Rights Watch afirma que as reformas são necessárias para garantir uma monitorização credível e independente de eleições futuras.

No documento intitulado de "Democracia ou Monopólio, o Regresso Relutante de Angola a Eleições", a organização insiste que a avaliação às alegadas irregularidades nas eleições gerais do ano passado continua por publicar.

Insiste igualmente que a incerteza quanto à realização das eleições presidenciais, ainda sem data marcada, não deve ser usada como justificação para que os problemas apontados no pleito de 2008 não sejam remediados.

Campanha
A falar à BBC, o secretário para a informação do MPLA, partido no poder, Norberto dos Santos Kwata Kanawa acusou a organização de fazer campanha contra o MPLA.

“Antes das eleições esta organização andou a fazer campanhas contra o MPLA e contra o governo. Realizamos as eleições e como estas não produziram o resultado que eles esperavam começaram a criar outros fantasmas”.

“Nós no MPLA consideramos que uma organização não-governamental não deve interferir com a vida dos povos”, afirmou o porta-voz do MPLA, Norberto dos Santos Kwata Kanawa.

Falta de acesso
O relatório denuncia desequilíbrios entre os partidos no acesso a fundos estatais para campanha eleitoral e no acesso aos órgãos de comunicação públicos mas o representante do MPLA assegura que o governo não recebeu quaisquer queixas por parte dos partidos da oposição.

“Eu não sei se eles (Human Rights Watch) têm alguma procuração para falarem em nome dos partidos mas aqui não recebemos no MPLA e no Parlamento sei que ainda não deu entrada nenhuma petição de qualquer partido político sobre estas questões que estão a ser colocadas”, defendeu Norberto dos Santos Kwata Kanawa.

BLOG DA JU

Comecei a ler. Quando vi, tinha lido tudo.

A partir de hoje, o Blog da Ju integra a relação de sítios que valem a pena.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

BRUCE LEE - A COLEÇÃO DO MESTRE

Coisas que pretendo fazer durante o carnaval em Luanda.

Exato.

Assistirei aos cinco DVDs do box:

BRUCE LEE - A COLEÇÃO DO MESTRE

Compõem o dito box os seguintes clássicos:

1) O Dragão Chinês;

2) A Fúria do Dragão;

3) O Vôo do Dragão;

4) O Jogo da Morte;

5) A Lenda (este um documentário sobre o mestre).

INTO THE WILD II

Acabei de assistir ao DVD com os extras.

Quero ir into the wild.

AS DICAS DA EDINALDA

As dicas são publicadas no blog semanalmente.

A dica de hoje, também, foi “encomendada”: minha amiga, Márcia Póvoa, quer saber se o correto é FRIENTA ou FRIORENTA.

Ela tem razão, porque em Campos (como em outras regiões), somos criativos e, de vez em sempre, inventamos uma ou outra palavra.

Este é o caso de FRIENTA, que não existe!

O correto é FRIORENTA, que, percebe-se, tem oriente em FRIO, não é?

Apenas para lembrar algumas dessas criações, selecionei estas.

Tenho o Dicionário de Campistês e é pequeno.

Se quiserem, envio, OK?

Abcs, ótimo domingo,

Edinalda


Anoze - noz

Aqui! - interjeição com sentido de "preste atenção" ( às vezes, usamos 'psiu')

Bocalmente - verbalmente. Ex: nosso acordo foi feito bocalmente...

Caiau - Pedaço de telha

Coisar - verbo usado para substituir outro, esquecido momentaneamente. Ex: Você tem que coisar o documento (autenticar, por exemplo).

Crébi - Cléber ( já ouvi de uma aluna que "O professor Paulo Crébio é um espetáculo!")

Lamparona - feminino de lamparão ( já ouvi também "lampeta", que deve ser um ser híbrido, mistura de lamparão com capeta, não é?kkkkkkkkkk)

Queimar no golpe - ficar danado da vida com algúem, morrendo de raiva. Ex: Eu queimo no golpe quando caçoam (ou mangam - no interior de Campos) de nosso falar.

Romper - passar por determinado lugar, mesmo que não seja estreito.

Sambambaia - samambaia

Separ - jogar com força, arremessar (ex: Separ uma pedra em ...)

Válti - Válter

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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Recebi fotos antigas de Campos dos Goytacazes.

Enviadas pela tia Regina.

Coloquei Brasileirinho, do Waldir Azevedo, ao fundo.

Pronto.

Fiz um filme.

O que é a tecnologia.

FILMES QUE NÃO VEREI TÃO EM BREVE

Filmes que não assistirei por motivo de força maior:

1) The Curious Case of Benjamin Button:

2) The Dark Knight (vi, mas como não foi numa sala 3D em São Paulo, não vale. Ainda estou pensando numa vingança...);

3) Milk, com Sean Penn;

4) Frost/Nixon;

5) The Reader;

6) Slumdog Millionaire.

GALA DO AMOR

Tentei reproduzir no scanner, mas não deu certo.

Portanto, farei a transcrição do texto de um anúncio publicado nos classificados do Jornal de Angola, na quarta-feira.

Muito bom!

GALA DO AMOR

"Wladimiro Cardoso apresenta, esta quarta-feira, a partir das 18h30, na sala nobre da LAASP (Liga Africana), o livro VIAGEM DOMÉSTICA; Vamos falar de namoro, sexo e relacionamento. Condições de entrada: Basta comprar o livro na porta a Kz: 1.500,00 com direito a chocolate + self-service: telefone 912314020 e 924191538."

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

CENAS MARROQUINAS

Farol em Casablanca

AS DICAS DA EDINALDA

Há muitos falantes com dificuldades no uso de algumas palavras muito semelhantes na escrita e na pronúncia e totalmente diferentes no sentido.

São conhecidas como parônimas e, pasmem, NÃO SÃO ACEITAS como tal pela "senhora" NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira).

A NGB somente aceita as nobres homônimas, homógrafas, homófonas, sinônimas e antônimas.

Eis algumas parônimas:

1 - emergir (vir à tona)
imergir (mergulhar)

2 - dilatar (expandir)
delatar (acusar)

3 - flagrante (evidente)
fragrante (perfumado)

4 - arrear (pôr arreios)
arriar (baixar) - Vamos arriar as cartas no jogo de 'buraco'!

5 - eminente (importante, com cargo elevado)
iminente (prestes a acontecer)

6 - inflação (alta de preços)
infração (violação)

7 - mandado (ordem judicial )
mandato (procuração)

8 - acento - (sinal gráfico)
assento (lugar para se sentar)

9 - ária (peça musical)
área (espaço, dimensão)

10 - cavaleiro (o que anda a cavalo)
cavalheiro (homem gentil)

NELY, O GATO E O RATO

Há alguns meses, eu e Nely havíamos conversado sobre a importância de ela voltar a estudar.

Em São Tomé, ela havia feito até a sexta classe (não sei o equivalente no Brasil, mas deve ser algo como quarta ou quinta série).

Há algumas semanas, ela me pediu um dos blocos que uso para anotações no trabalho.

Perguntei para quê. Nely não respondeu, apenas riu.

Hoje de manhã, ela bateu na porta do escritório e pediu permissão para entrar.

Com um riso maroto, pediu-me uma esferográfica emprestada.

Meia hora depois, veio de novo ao escritório.

Perguntou se eu podia ajudá-la com o dever de casa.

Enfim, revelava-se o segredo.

Nely se matriculou numa escola noturna.

Estava com dúvidas no texto e nos exercícios de interpretação que o professor de português havia passado.

Nely estuda de segunda à sexta, das 18h às 23h, numa escola no bairro de Sambizanga.

Na turma dela, há 50 alunos.

Nely ainda tem vergonha de fazer perguntas ao professor.

Senta-se mais ou menos no meio da sala, para não ficar “nas vistas” do professor, como ela costuma dizer.

Pedi para Nely ler o texto em voz alta.

E gravei.

É o primeiro registro do grande esforço que Nely está fazendo para mudar a própria vida.

Quem acompanha o blog e já se emocionou com as histórias da Nely vai gostar de escutá-la, com seu sotaque são-tomense, lendo o texto “O Gato e o Rato”, primeiro capítulo do livro de português da sétima classe.

Quem não sabe nada sobre a Nely, coloque o nome dela na janela de busca do blog e verá como essa garota já é uma vencedora.

Com vocês, Nely em “O Gato e o Rato”:

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O RECONHECIMENTO DE ANGOLA PELO BRASIL

Pesquisando na internet, descobri o artigo de José Francisco dos Santos para obtenção do título de Especialista em História.

Muito interessante.

Trata das razões pelas quais o Brasil reconheceu a independência de Angola.

Para ler, clique aqui.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

INTO THE WILD

Acabei de assistir.

Perturbador.

Aljazeera

Faz tempo que não leio nada que não esteja relacionado à África.

Desde a primeira sinalização de que viríamos para Angola, comecei a ler tudo o que conseguia sobre o continente.

Literatura, história, política, economia.

Não dá para entender o presente sem conhecer o passado.

Só que é coisa demais para recuperar.

E, nos meus tempos de colégio, nada se estudava sobre África.

Simplesmente não aprendi coisa alguma.

Provavelmente por falha minha.

E na imprensa brasileira, pouco ou nada se vê ou se lê que não esteja relacionada a estereótipos ou reproduções de agências internacionais.

Desde abril do ano passado, já estive em 11 países africanos.

Procuro ler o que posso sobre cada um deles antes de cada viagem.

A formação histórica, aspectos religiosos, a economia, a política, a literatura. Tento comprar pelo menos um CD em cada país.

Leio o sítio da CIA, os relatórios de inteligência da The Economist.

Mas é sempre muito pouco.

Estou sempre atrasado, chegando depois.

Também tento, em cada país, trazer algo da literatura e da história. Nem sempre consigo.

Tenho assistido muito à CNN.

E mais ainda à Aljazeera.

O canal árabe está arrebentando.

Tem muito dinheiro e, com isso, consegue fazer uma televisão de altíssima qualidade, com correspondentes no mundo todo.

Estão, claro, no Oriente Médio, nas principais capitais americanas, Canadá, América Central, do Sul, Ásia, Europa e África.

Muita notícia da África.

O show de tecnologia é outra coisa fascinante.

A programação é, cada vez mais, ao vivo.

O âncora no estúdio chama um correspondente em Washington, depois pula para Beijing, vai para Gaza, de lá para Londres, desce para a Itália, Darfur e por aí vai.

Imagino a fortuna que custa uma operação dessas.

As abordagens também são interessantíssimas.

Reportagens que não assistiremos em nenhum outro canal.

Antes do último bombardeio israelense na Faixa de Gaza, por exemplo, o repórter que cobre a região entrou ao vivo em frente a um caixa eletrônico.

A história era a seguinte: segundo a reportagem, Israel não permitia, havia semanas, que nenhum carro-forte entrasse na Faixa de Gaza para abastecer os caixas automáticos. As pessoas não conseguiam sacar dinheiro havia mais de mês. Não tinham dinheiro para comprar comida, pagar as despesas, nada.

O repórter tenta fazer um saque e não consegue. Mostra, ao vivo, a mensagem de falta de dinheiro exibida pela tela do terminal.

Uma história sensacional.

Outro dia vi uma reportagem sobre a luta dos muçulmanos na Itália para construírem uma mesquita no país e a resistência de católicos radicais.

Ontem assisti a outra história sobre uma garota muçulmana de 12 anos que lidera um movimento num dos países muçulmanos do norte da África (não me lembro qual agora) contra a mutilação sexual feminina, aquela operação para retirada do clitóris.

Outra matéria foi sobre mulheres presas na Jordânia apenas pelo fato de terem sido flagradas namorando escondidas. São mantidas em presídios, sem julgamento, e só conseguem sair se a família arranjar um marido. Elas casam na cadeia e são entregues sob a custódia do novo marido.

Um canal árabe mostrando o mundo árabe.

P.S. Como bem me lembra a Mariana, faltou dizer que dá para assistir a Aljazeera na net. Clique aqui.

AS DICAS DA EDINALDA

Edinalda Almeida foi minha professora de português durante três dos quatro anos do curso de Jornalismo na Faculdade de Filosofia de Campos.

Campos dos Goytacazes, norte fluminense, a bem dizer.

Teve papel decisivo na minha formação e paixão pelos livros.

Lembro até hoje do primeiro dia de aula, em 1988.

Ela dividiu a turma em grupos e pediu para escrevermos palavras.

Palavras diferentes, estranhas, novas, antigas, mofadas, que já haviam caído em desuso.

Depois, cada grupo deveria dizer para a turma as palavras surgidas em cada uma das nossas pequenas “tempestades cerebrais”, termo em português bem mais legal do que o inglês “brain storm”.

Sorry, Shakespeare, mas estou com o Machado e não abro!

Pois bem, Edinalda adorou uma palavra que escolhi e que ela não escutava havia anos: anágua.

Naquele momento estabelecemos um elo.

Edinalda também teve papel importante quando fui embora de Campos.

No último ano da faculdade, 1991, fui selecionado com outros 29 jovens jornalistas para um curso de três meses em O Estado de S.Paulo.

Com um semestre ainda pela frente, precisava fazer o trabalho de conclusão de curso, várias aulas de disciplinas com a carga horária ainda não cumprida e provas.

Edinalda fez um lobby a meu favor na direção da faculdade.

Eu voltava a Campos para fazer provas nos fins de semana.

Enfim, terminei o curso e não voltei mais para Campos.

Depois de 1991, devo ter encontrado Edinalda umas duas ou três vezes, quando retornava a Campos para visitar a famílila.

Trocamos algumas cartas quando eu ainda morava numa pensão em São Paulo.

Após 1995, quando me mudei para Brasília, nunca mais nos vimos nem nos falamos e nem nos correspondemos.

Eis que, no fim do ano passado, encontro em Luanda um grupo de professores do Cefet, antiga Escola Técnica Federal de Campos, onde estudei Eletrotécnica entre 1985 e 1987.

Liderada pelo professor Roberto Moraes, a comitiva do Cefet está em Angola para ajudar o governo a criar cursos técnicos e capacitar professores.

Conversa vai, conversa vem, descubro que Edinalda deixou a Filosofia e agora é professora no Cefet.

Pronto.

Edinalda me mandou um e-mail e a conexão foi refeita.

Apesar de quase 20 anos depois do nosso primeiro encontro e uns 15 depois do último, a sensação é de que havíamos nos encontrado ontem.

Escrevi tudo isso para dizer que Edinalda envia toda semana, para alguns poucos privilegiados, dicas de português.

Ontem, tive a idéia de consultá-la se ela autorizaria a divulgação das dicas aqui no Diário.

Ela adorou e autorizou.

Pois, a partir de hoje, As Dicas da Edinalda estarão semanalmente aqui.

Quem sabe ela não se anima e também cria um blog para reunir todas as dicas e revolucionar a língua portuguesa e abalar corações e mentes?

Como toda boa professora, a Edinalda fica muito feliz quando os alunos têm dúvidas.

Quem tiver dúvidas e sugestões, deixe uma mensagem na parte destinada aos comentários em cada post.

Depois, se ela quiser, divulga o e-mail para ter contato direto com vocês.

As dicas são enviadas aos domingos.

Publicarei algumas entre hoje e sexta.

As seguintes entrarão no blog assim que eu as receber.

Postarei também os curtos textos de introdução que ela faz para cada dica.

Com vocês, as dicas da Edinalda.

Aproveitem!


AS DICAS DA EDINALDA


"Muitas pessoas têm me perguntado como se faz a concordância do verbo em expressões como 'a maioria dos alunos', 'metade dos professores', etc.

Vamos lá! Trabalharemos com o rigor e com a facilidade, ok?

Rigorosamente o verbo deve concordar no singular:

“Grande parte dos alunos já SAIU”;

“A maioria dos problemas ainda não FOI RESOLVIDA”;

“Metade dos convocados já ESTÁ em Teresópolis”.

A concordância (atrativa) no plural com o especificador é aceitável:

“Grande parte dos alunos já SAÍRAM”;

“A maioria dos problemas ainda não FORAM RESOLVIDOS”;

“Metade dos convocados já ESTÃO em Teresópolis”.

Afinal, perguntarão, o que fazer?

É, como acabamos de provar, uma questão de estilo, gente.

Pessoalmente, prefiro e uso o rigor, ou seja, o singular.

Acho pavoroso o plural, mas é apenas um 'achismo', não é?

Façam a escolha e pronto!

Grande abraço bem preguiçoso de férias, até domingo,

Edinalda"

MINHA PEQUENA BIBLIOTECA ANGOLANA

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Seria isso um podcast?


Não sei bem. Fiquem à vontade para dar dicas, sugestões e fazer críticas.


Gravei em frente à estante de livros da sala, onde literatura angolana e africana ocupam quase duas prateleiras.


Resolvi fazer isso depois que, numa troca de e-mails com amigos, o Maurício me disse que nunca havia lido nada do Pepetela nem de qualquer autor angolano ou moçambicano.


E o Ricardo me respondeu dizendo que nunca havia ouvido falar em Papatela.


Aí achei demais.


Comentem.


E leiam.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

40, 40 E TAL...

Por razões profissionais, tive de almoçar hoje no Belas Shopping, o shopping em Luanda Sul.

Enquanto faço hora para o compromisso seguinte, tomo um expresso.

Sou abordado por um jovem na faixa dos 20 anos.

Ele pede para eu ler um pequeno pedaço de papel que me entrega.

Ali diz que ele está fazendo uma pesquisa com os freqüentadores do shopping.

Se eu participar, não preciso pagar o estacionamento.

Beleza! Vou economizar 200 kwanzas.

EU - É rápido?

PESQUISADOR - Sim.

Ele se senta. Me entrega o cartão que me dará o desconto no estacionamento.

PESQUISADOR - Antes de começar preciso saber se o senhor trabalha com pesquisa de mercado ou publicidade.

EU - Não.

PESQUISADOR (puxando uma folha de dentro de uma pasta) - Posso perguntar a sua idade?

EU - 39.

PESQUISADOR (me mostrando a folha) - Desculpa lá. Então não vai dar. A faixa etária que preciso pesquisar é outra.

EU - Sou muito novo?

PESQUISADOR - A minha faixa é de 40 anos, 40 e tal...

EU - Só faço 40 em outubro.

PESQUISADOR (levantando-se) - Sinto muito. Obrigado.

Quer dizer: ele acha que tenho 40, 40 e tal, apesar do meu corpinho de 39.

E leva com ele o cartão que me isenta de pagar o estacionamento...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O DIA EM QUE CONVERSEI COM O PEPETELA NO QUINTAL DA CASA DELE

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Acabei de conversar com o Pepetela.

Foi no quintal da casa dele.

Visitas haviam chegado do estrangeiro e, segundo ele, a casa estava uma bagunça só, com um vaivém de gente que atrapalharia a entrevista.

Ele sugeriu fazer do lado de fora.
Depois da entrevista, gravei nossa conversa absolutamente informal e despretensiosa.
O cinegrafista Wilson também participa do bate-papo.
A gravação começou cortada, quando ele estava falando da falta de dinheiro para transformar os livros dele em filme.
Depois ele conta um pouco do seu processo criativo, as navegadas na internet, os autores preferidos (brasileiros e estrangeiros).
O Pepetela é uma simpatia.

E ainda autografou o meu exemplar de Mayombe.

CENAS ARGELINAS

Uma rua em Argel.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

SAID CHRAIB


Said Chraib é músico marroquino. A música é Souleimane.

MANDELA ANUNCIA APOIO A JACOB ZUMA

Acabo de assistir na Aljazeera que Nelson Mandela declarou apoio público a Jacob Zuma.

Zuma, presidente do Congresso Nacional Africano (CNA), deve ser escolhido o próximo presidente da África do Sul, nas eleições de abril.

As eleições na África do Sul são indiretas. Vota-se num partido. O partido com mais votos monta o governo e indica o presidente.

No começo da ano, a Suprema Corte decidiu que Zuma pode ser investigado por envolvimento num escândalo de venda de armas para as forças armadas sul-africanas. Ele é suspeito de levar propina na operação.

Apesar de já ter sido acusado de estupro (disse que a moça queria transar com ele pelo fato de estar usando uma bermuda...), Zuma é popularíssimo na África do Sul.

Era vice-presidente quando se envolveu no escândalo das armas. O então presidente Thabo Mkebi o demitiu.

Meses depois, Zuma assumiu a presidência do Congresso Nacional Africano e forçou a renúncia de Mbeki, no ano passado.

Joanesburgo e Pretória estão abarrotadas de cartazes com a face de Zuma.

Serão eleições interessantes de acompanhar, principalmente depois do surgimento do Congresso do Povo (COPE, na sigla em inglês), partido formado no fim do ano basicamente por dissidentes do Congresso Nacional Africano.

Quando estive em Joanesburgo, em janeiro, o cinegrafista que contratei esqueceu o telefone celular numa cadeira na sede do Congresso Nacional Africano, onde tive uma entrevista.

Quando voltou para o carro, ficou exibindo o celular como troféu. Ficou bem uma meia hora contando que todos a quem dizia, dentro do prédio, que havia encontrado o celular só falavam uma coisa:

TODOS NO PRÉDIO DO CNA: Lucky man! Lucky man!

Que maldade!

SHIVA EM GURGAON

Brasileiros estão por toda parte.

Há algumas semanas, os amigos da Casa de Luanda partiram em missão meditativa para a terra de Ghandi.

Começaram a postar pequenos relatos do país.

Depois, incluíram um sítio de brasileiros na lista de favoritos.

Fui dar uma olhada e gostei.

E, quando gosto, incluo sítios de brasileiros no exterior na minha relação de favoritos.

Nada de CNN, BBC, New York Times, Washington Post, The Times, The Economist.

Nada melhor do que um olhar brasileiro sobre o mundo.

Por isso, a partir de hoje Shiva em Gurgaon entra na relação de sítios que valem a pena.

UMA MANHÃ CHUVOSA EM CASABLANCA

sábado, 14 de fevereiro de 2009

PEQUENOS PESADELOS ANGOLANOS

Esta noite vivi a primeira tempestade em Luanda.

Acordei de madrugada com o barulho da chuva.

De manhã, o chão do quarto estava todo molhado.

Como estamos com vazamentos diversos em casa, a primeira hipótese era a de que o cano furado finalmente vencera.

Na verdade, a água no chão do quarto entrou, aparentemente, pelas frestas da janela durante a noite chuvosa.

Há duas semanas, um vazamento no banheiro da suíte, no andar de cima, provocou o surgimento de três cachoeiras no teto da sala.

Chamamos a equipe do seu Corrêa.

O cano que leva água quente do aquecedor para o banheiro da suíte estava furado. A água se infiltrou pelas paredes e pelo chão do andar superior, provocando as cachoeiras no teto da sala.

A água também brotava pelo chão dos dois banheiros no andar de cima.

Trocado o cano, tivemos dois dias de alívio.

Até que, chegando em casa, ouço a eletrobomba funcionando.

A pior coisa que pode acontecer com alguém em Luanda é chegar em casa e escutar a eletrobomba funcionando quando todas as torneiras da casa estão fechadas.

Como sabem, em Angola não se usa a gravidade. As caixas d´água não ficam nos telhados, mas enterradas no chão.

É necessário uma eletrobomba para jogar a água no encanamento.

Funciona assim: quando abrimos uma torneira ou damos descarga, a pressão nos canos diminui. Quando chega a determinado ponto, a eletrobomba é acionada, puxa água da caixa e joga no encanamento.

Quando todas as torneiras estão fechadas, a bomba não funciona.

Por isso, o ruído de uma eletrobomba funcionando quando não há nada aberto é o pior som que se pode ouvir.

Continua a brotar água da junção do chão com a parede do banheiro principal, embaixo do aquecedor.

Mesmo com todas as torneiras fechadas, a eletrobomba é acionada a cada seis minutos.

Agora temos de desligar a eletrobomba quando não estamos usando água. Se a deixarmos ligada, a água da caixa não será suficiente para todo o dia.

Do teto da sala começam a cair pequenas lascas de reboco. O mesmo acontece no teto do quarto.

Seu Corrêa diz que não vale a pena continuar a quebrar paredes para descobrir onde está o novo vazamento.

O melhor é isolar o antigo encanamento e fazer uma nova ligação.

Agora, só falta aparecer o sujeito com a serra elétrica.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O DIA EM QUE QUASE ME ENVOLVI COM EXTRA-TERRESTRES NA TUNÍSIA OU SEIF EL-SLAM E MR. AKAICHI, OS OLHOS E OUVIDOS DO ESTADO

Sim, os olhos e ouvidos do Estado existem.

Mas não apenas vêem e escutam.

Também têm uma face.

Tive a oportunidade de conhecer dois deles na viagem ao Norte da África.

Na Líbia e na Tunísia, a bem dizer.

Países em que a liberdade de imprensa ainda precisa avançar.

Na Líbia, nosso guia foi Seif El-Slam.

Menos de 30 anos, me procurou no saguão do hotel onde eu estava.

Falava um inglês rudimentar e, num primeiro momento, entendi que ele era jornalista líbio e havia me confundido com alguém da organização do seminário empresarial que eu cobria.

Depois, ele me passou o telefone. Do outro lado da linha, alguém que falava inglês disse que Seif era do governo e facilitaria nosso trabalho nas ruas de Trípoli.

E colocou um carro à nossa disposição para filmarmos e entrevistarmos quem quiséssemos nas ruas da capital líbia.

Seif ficou na nossa cola o tempo todo.

Mas ajudou em tudo.

Como falava e entendia muito pouco de inglês, nossas conversas mantinham aquele tom rudimentar de homens da idade da pedra.

EU – Seif. Film here. Police. OK?

SEIF – OK. No problem.

E filmávamos sem que a polícia nos incomodasse.

EU – Seif, film the museum.

SEIF – Museum? Now? Go.

EU – No. Not go. Film.

SEIF – Go. OK.

E Seif nos abandonava na rua e ia em direção ao museu.

Nossa comunicação era complicada.

Seif volta minutos depois.

SEIF – Museum close. Open 7. Close 1.

E ficamos nessa o dia e meio que Seif nos ciceroneou.

Caminhamos pelo mercado Al Muchir, com Seif na nossa cola.

Fomos ao arco romano. Seif à tiracolo.

No dia de ir embora, tínhamos almoço com a comitiva brasileira num restaurante no centro histórico de Trípoli.

Tentei me despedir de Seif.

EU – Seif. Thank you. We will stay here. We will have lunch with the Brazilian delegation. After that, we are going to the airport.

SEIF – Airport. Now?

EU – No, later. You can go. We finished here. We will have lunch and go to the airport in the Brazilian bus. Thank you very much. Bye, my friend.

SEIF – OK. Bus? Airport. Now.

EU – No. We are not going now. We will have lunch.

SEIF – Yes. Ok. Lunch. Stay.

E ficou. Seif almoçou conosco. Ficou alheio o tempo todo na mesa em que se falava apenas português.

Alguém da comitiva disse:

ALGUÉM DA COMITIVA – Vocês é que acham que ele não fala inglês.

Aí começam as teorias da conspiração.

O governo líbio teria colocado um agente para acompanhar os jornalistas que, de fato, domina o inglês, mas finge ter conhecimentos apenas rudimentares do idioma.

Seif seria um artista, pois várias vezes ligou para alguém em árabe e depois colocou o sujeito para falar comigo em inglês, para que eu explicasse o que gostaríamos de fazer. Aí eu retornava o telefone para o Seif, que nos levava onde queríamos.

Acho que ele não sabia mesmo inglês.

Ou era um grande artista e não saberia falar apenas inglês, mas seriam também fluente em português.

Durante o almoço, um grupo de brasileiros da comitiva entra no restaurante fazendo algazarra, com aqueles típicos chapéus árabes.

Seif acha engraçado.

SEIF – Hahahaha. Saudi. Not Libya. Saudi.

Pelo que entendi, Seif diz que os chapéus não são típicos da Líbia, mas usados pelos sauditas.

Depois do almoço, Seif continua a nos acompanhar. Entramos no ônibus brasileiro. Seif não aparece.

Mas quando desembarcamos no aeroporto, já está lá, sorridente, a nossa espera.

Pega os passaportes dos jornalistas, nos separa da comitiva e ficamos andando de um lado para o outro no aeroporto.

Na prática, acabamos tendo um tratamento VIP na terra do coronel Qadhafi. Não pegamos fila, tivemos nossos passaportes carimbados.

Pago um café e um doce líbio para o Seif.

Digo que gostaria de comprar um CD de música líbia. Ele me leva a duas lojas no aeroporto, mas não havia um único disco com música local.

EU – Seif, where can I get some Libyan music?

SEIF – Internet.

EU – What is the name of the singer?

SEIF – Google.

EU – No, the name of the singer. Singer.

SEIF – Yes, google. Libyan music. Google.

EU – OK.

Seif nos acompanha até o finger do avião.

Na Tunísia (abaixo), também temos dificuldades para filmar.

Antes de ir às ruas, precisamos passar num órgão do governo para obter a autorização de filmagem.

Chegamos ao prédio. Me identifico. Pedem para aguardar.

Aparece Mr. Akaichi.

Pergunto se ele virá conosco no carro.

MR. AKAICHI (num inglês perfeito) – No. Everything is close here. We can walk. Here we have the main avenue.

De fato, é um dos principais pontos turísticos de Túnis. Arquitetura francesa, roupas totalmente ocidentalizadas.

Um policial aparece. Mr. Akaichi entrega uma autorização e o policial se afasta. Somos orientados a não filmar determinado prédio do governo.

Pergunto se posso entrevistar pessoas na rua.

MR. AKAICHI – No. You need a different authorization. This one is only for filming.

Ok. Apenas filmamos.

Puxo conversa com Mr. Akaichi. Digo que gostaria de comprar um CD de música tunisiana tradicional.

Ele me leva a uma loja numa rua transversal e escolhe o CD de Hedi Jouni (uma das músicas está disponível seis posts abaixo).

O equivalente a US$ 2. Não tenho dinheiro. Ele compra. Faço câmbio e devolvo.

Caminhamos. Ele pede um cigarro ao fotógrafo que nos acompanha.

Seguimos pela avenida até um monumento histórico.

Mr. Akaichi pede que eu aguarde.

MR. AKAICHI – I haven´t had lunch. I will buy a sandwich. Wait here. Five minutes.

Nesse meio tempo, nessa praça aí abaixo, sou abordado por três turistas, atraídos pela câmera e por eu estar com o microfone da TV. Um negro com cabelo rastafári, um calvo com brinco na orelha e outro com chapéu arabe.
Falam em francês e perguntam de onde sou e o que faço ali. Explico.

O rastafári me entrega, disfarçadamente, um folheto em inglês e em árabe.

Dizem que é perigoso me passar aquele papel na Tunísia, pois envolve religião e eles poderiam ser presos.

Coloco o papel no bolso. Depois, leio que é mesmo sobre alguma religião que envolve a presença de seres extra-terrestres e discos voadores no planeta.

É mesmo estranho.

Imagino a situação em que sou preso num país árabe sob a acusação de tentar introduzir na Tunísia uma seita extra-terrestre.

Mr. Akaichi retorna mastigando um sanduíche.

Fazemos o caminho de volta.

Oferece um cigarro ao fotógrafo.

MR. AKAICHI – Tunisian.

Mr. Akaichi pergunta se pretendo filmar algo mais.

MR. AKAICHI – I am here just for you.

Entendo que ele, como funcionário público, já deve ter passado a hora de deixar o trabalho e quer ir embora.

EU: No, no. We just need the stand up and we will leave.

Gravo a passagem. Mr. Akaichi faz a gentileza de segurar minha mochila.

MR. AKAICHI – That´s it?

EU – YES.

Assim funciona o controle de alguns estados árabes sobre a mídia.

Mr. Akaichi se despede e vai embora, nos deixa ali sozinhos para pegar um táxi que nos levará ao aeroporto.

Por um momento penso se poderia arriscar e entrevistar alguém na rua.

Desisto.

Não teria como negar o envolvimento com extra-terrestres.

HELGA COM H

A partir de hoje, Helga com H entra na relação de sítios que valem a pena.

SEXTA-FEIRA 13

É hoje.

Vai durar 24 horas.

Só acaba amanhã!!!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

UM FOGUETE NA BEIRA DO MAR

O mausoléu do ex-presidente de Angola, Agostinho Neto, é uma obra inacabada nos arredores da Praia do Bispo, em Luanda.

Foi construído pelos russos, mas, segundo consta, nunca foi terminado.

O corpo do primeiro presidente angolano, pelo que contam, também já não está lá. Foi levado para a província onde nasceu.

O monumento, chamado por alguns de foguetão, permanece fechado à visitação pública.

Destoa da paisagem.

Está cercado por musseques.

Musseques que se interpõem e atrapalham a visão do mar dos proprietários de mansões e prédios de luxo em construção na orla da Praia do Bispo.

Musseques que em breve serão removidos.

Onde já se viu pobre com casa de frente para o mar?

E SE EU FOSSE PRETO EM LUANDA?

Pagaria o mesmo preço que os angolanos?

Os seguranças da rua deixariam de me olhar fixamente toda vez que abro o portão de casa?

Deixariam de estacionar na entrada da garagem?

Seria mais difícil ser parado pela polícia?

E se eu fosse preto em Luanda?

Sempre lembro da frase do Chico César: "Deve ser legal ser negão no Senegal".

Será que é legal ser negão em Luanda?

VAMPIRO


Tem dias em que eu me sinto assim, um Bela Lugosi mangolê.

O nome da música é Vampiro.

O compositor é o Jorge Mautner.

O cantor é o Caetano Veloso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O DIA EM QUE O PEPETELA LIGOU PARA O MEU TELEMÓVEL

Acabou de acontecer.

Toca o telefone.

Vejo o nome do Pepetela no visor do telemóvel.

Fico nervoso.

Atendo.

EU: Alô!

PEPETELA: É o senhor Diário da África?

EU: Sim.

PEPETELA: Veja bem. Afinal eu já havia marcado um compromisso para a terça-feira.

EU: É mesmo?

PEPETELA: Podemos fazer na segunda?

EU: Sim. No mesmo horário?

PEPETELA: Sim.

EU: Segunda-feira, às 16h.

PEPETELA: Pois. Segunda, às 16h.

EU: Até segunda. Obrigado

PEPETELA: Obrigado. Até segunda.

O Pepetela não sabe, mas até agora não consegui contratar um cinegrafista em Luanda...

O DIA EM QUE FALEI POR TELEFONE COM O PEPETELA

Foi hoje.

Agora há pouco.

Na verdade, acabei de desligar o telefone.

Liguei para a casa dele.

Atendeu uma voz masculina.

VOZ MASCULINA: Alô!

EU: Boa tarde, é da residência do senhor Pepetela?

VOZ MASCULINA: Sim.

EU: Eu poderia falar com ele?

VOZ MASCULINA (no momento em que ganha uma identidade e se transmuta em Pepetela): Sim, sou eu.

EU: Estou fazendo uma reportagem sobre a presença brasileira em Angola e gostaria de entrevistá-lo.

PEPETELA: Esta semana é impossível.

EU: Pode ser na próxima semana.

PEPETELA: Não tem pressa? Esta semana está difícil.

EU: É uma reportagem grande, podemos marcar para a próxima semana. Que dia o senhor pode?

PEPETELA: Deixe-me ver. Terça-feira é que dia?

EU (verificando no calendário do computador): Já digo...17.

PEPETELA: Pode ser.

EU: Que horas?

PEPETELA: Às 16h.

EU: OK. Qual o seu endereço?

Anoto o endereço.

EU: O senhor gostaria do número do meu telemóvel, caso haja algum imprevisto?

PEPETELA: Sim, pode dizer.

Digo.

EU: Obrigado. Até terça.

PEPETELA: Até terça.

Terça-feira, às 16h, vou entrevistar o Pepetela.

E ele nem imagina que terá de autografar todos os livros que tenho dele.

CENAS TUNISIANAS

Um dia frio em Túnis

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

MAIS UM POUCO DE LÍBIA

Leio que os italianos derrotaram os turcos otomanos na região de Trípoli em 1911 e permaneceram na Líbia até 1943, quando se deram mal na II Guerra Mundial.

A Líbia, então, foi administrada pela Organização das Nações Unidas até 1951, quando se tornou independente.

Em 1969, o coronel Muammar Abu Minyar al-Qadhafi assume o poder depois de um golpe de estado que derrubou o rei Idris I. Torna-se presidente do Conselho Revolucionário, comandante do Exército e este ano completa 40 anos no poder.

Qadhafi implanta um sistema político próprio. Em “O Livro Verde”, escrito em 1973, descreve a Terceira Teoria Universal, uma combinação do socialismo com o islamismo, derivado em parte de práticas tribais. Para o coronel, tal sistema político deve ser implementado pelo próprio povo líbio, numa forma única de “democracia direta”.

Há poucos dias, ao assumir a presidência da União Africana, Qadhafi disse que o melhor sistema político é o da Líbia, onde não são permitidos os partidos de oposição.

Na década de 80, Qadhafi usa o dinheiro do petróleo (95% das receitas do país vêm das exportações do petróleo) para promover sua ideologia ao redor do mundo, dando apoio a grupos terroristas.

No dia 14 de abril de 1986, o presidente americano Ronald Reagan determina o bombardeio de Trípoli. No total, 35 bombas atingiram os sistemas de defesa aérea da Líbia, campos de treinamento militar, aeroportos e bases aéreas.
A residência em que Qadhafi estava é bombardeada.
Ele e os dois filhos mais velhos sofrem ferimentos.
Uma filha adotada, de 15 meses, morre no dos ataques.

Em represália, a Líbia reage com ataques de mísseis a duas bases da marinha americana na ilha italiana de Lampedusa.
Em Beirute, Líbano, dois britânicos e um americano mantidos reféns por grupos islâmicos são mortos a tiros.
Um jornalista americano foi seqüestrado e um turista americano foi assassinado a tiros em Jerusalém.

O envolvimento com atos terroristas isola a Líbia da comunidade internacional.
Embargos comerciais impostos pela ONU e pelos Estados Unidos em 1992 tiveram forte impacto econômico e social no país.

Qadhafi passou a década de 90 tentando reconstruir as relações com a Europa e os Estados Unidos.

A ONU suspendeu o embargo em 1999 e o cancelou definitivamente em 2003, depois que a Líbia assumiu a responsabilidade pela queda do avião do vôo 103 da PAN AM em Lockerbie, Escócia.

Também em 2003, a Líbia decidiu encerrar o programa de construção de armas de destruição em massa e renuncia ao terrorismo.
Em 2006, os EUA retiram a Líbia da lista de países que patrocinam o terrorismo.

Com 6,2 milhões de habitantes, a Líbia começa a se abrir para o mundo, pelo menos na parte econômica.
O petróleo representa mais da metade do PIB e 60% dos salários do serviço público, o que garante ao país uma das rendas per capita mais altas da África.

O país, no entanto, enfrenta sérios problemas de distribuição de renda.

O solo pobre (mais de 90% de seus 1,7 milhão de quilômetros quadrados é deserto ou semi-deserto) faz com que o país importe 75% de toda a comida que consome.
O Produto Interno Bruto (PIB) tem crescido a taxas de 6% nos últimos anos. Mas o desemprego continua elevado: 30%.
Saif Al-Islam, um dos filhos de Qadhafi, é apontado como o provável sucessor do pai, apesar de ter feito declarações de que pretende abandonar a vida pública.

No ano passado, o governo lançou um programa para distribuir os lucros do petróleo entre a população.

Há também esforços para privatizar o setor bancário e garantir mais transparência nas finanças públicas para atrair investimentos estrangeiros.

O país quer expandir no setor de hidrocarbonetos e procura investimentos de US$ 40 bilhões para desenvolver a indústria.

Os hotéis internacionais em Trípoli estão abarrotados de estrangeiros atrás de contratos.
A Europa, por exemplo, negocia a construção de oleodutos e gasodutos pelo Mar Mediterrâneo até o continente.

Os europeus querem se livrar da dependência do gás da Rússia, cada vez mais usado como instrumento de política externa por Wladimir Putin.

A Líbia quer se globalizar.

Muitos obras estão em andamento pela país.

As empresas estrangeiras que atuam na Líbia precisam importar mão-de-obra.
O cidadão líbio médio não se sujeita ao trabalho braçal.
Quer um cargo de chefia, mas não possui qualificação.
Trabalhadores vêm da Ásia e de outros países africanos.
Algumas empresas chegam a administrar empregados de mais de 20 nacionalidades em seus canteiros de obras.

Ocidentais não-muçulmanos que trabalham nas obras locais lamentam a proibição de consumir bebidas alcoólicas.
Também sofrem com as barreiras culturais.


Olhar para uma mulher líbia na rua é praticamente pedir para ser degolado a golpes de cimitarra.
Pornografia também é proibido no país.
Contrabandear uma Playboy dá expulsão por justa causa.

Apesar das proibições, consegue-se comprar cerveja, uísque e outras coisas no mercado negro.

Mas aí o cidadão está por sua própria conta e risco.