quarta-feira, 29 de abril de 2009

A GRIPE SUÍNA E A ÁFRICA

O governo da África do Sul informou que duas mulheres são suspeitas de estar contaminadas com a febre suína.

Elas chegaram das férias no México na sexta-feira passada com os sintomas da doença.

Foram medicadas e reagiram bem ao tratamento. Ainda não há certeza se é a gripe suína. O governo sul-africano não conseguiu isolar o vírus para fazer os testes definitivos.

Se for mesmo a febre suína, espera-se uma tragédia na África.

A doença poderá se alastrar rapidamente e matar milhões de pessoas no continente mais pobre do mundo.

As autoridades sul-africanas vão instalar nos aeroportos equipamentos térmicos capazes de identificar pessoas com febre.

domingo, 26 de abril de 2009

DO CNA, DA CORRUPÇÃO E DA GRATIDÃO DOS SUL-AFRICANOS


Passei a semana de lá para cá em e entre Joanesburgo e Pretória.

Longas jornadas de trabalho, começando entre 7h e 8h da manhã e avançando até meia-noite, duas da manhã.

O Congresso Nacional Africano (CNA) venceu com 65,9% dos votos. Faltaram três assentos no parlamento para obterem a maioria qualificada, que lhes permitiria fazer alterações na constituição sem precisar dos votos da oposição. Foi um recuo em relação à eleição anterior, quando conseguiu 70% dos votos.

A Aliança Democrática, partido de brancos e segunda maior força política do país, ficou em segundo lugar, com 16,68% dos votos. Avançou em relação aos 10% que tinha.

E o Congresso do Povo, a grande surpresa das eleições, em terceiro lugar, com 7,42% dos votos.

O Congresso do Povo, COPE, na sigla em inglês, é uma dissidência do CNA. Foi formado no final do ano passado, depois que Jacob Zuma venceu as eleições para presidir o CNA e forçou a demissão do presidente da República, Thabo Mbeki, que terminava o segundo mandato.

Os dois se tornaram inimigos quando Mbeki demitiu Zuma do cargo de vice-presidente. Zuma era suspeito de receber propina numa operação de compra de armas para reaparelhar as forças armadas sul-africanas. Mbeki pediu que ele saísse. Zuma não saiu. Sustentou que era inocente. Foi demitido.

Zuma, que passou 10 anos (dos 21 aos 31) preso em Robben Island, acusado de conspirar para derrubar o governo, conviveu com Mbeki no exterior. Era chefe da contra-inteligência e montou guerrilhas nos países vizinhos para, um dia, tomar o poder na África do Sul.

A minoria branca sul-africana nunca foi derrotada militarmente, e sim politicamente. A pressão internacional cada vez maior contra um regime surreal começava a afetar os negócios dos brancos. A economia do país começou a afundar. Não conseguia financiamentos internacionais, empresas deixavam de investir no país, a seleção sul-africana era banida das competições internacionais.

Diante da insustentabilidade política do apartheid, os brancos libertaram Nelson Mandela, enterraram o apartheid e realizaram as eleições multirraciais que tornaram Mandela o primeiro presidente negro do país.

Com a vitória de Mandela, o CNA toma conta da estrutura do Estado. A corrupção (que certamente já existia) passa a ser administrada por outros.

Durante a semana, entrevistei pessoas todos os dias nas ruas de Joanesburgo. Fiz questão de fazer a mesma pergunta para todos elas.
Qual o maior problema da África do Sul hoje?
Todos, sem exceção, apontavam a corrupção, a criminalidade, a falência do estado administrado pelo CNA, incapaz de garantir serviços públicos de qualidade, a baixa qualidade da saúde e da educação.

Se todos sabem que o partido é corrupto, por que continuar a votar no CNA?

Os sul-africanos negros sentem-se em dívida com o CNA e com os que morreram na luta contra o apartheid.
Várias pessoas que entrevistei disseram não acreditar em corrupção no governo/partido. Mas uma boa parte afirmou ter conhecimento de corrupção, mas que continuariam a votar no CNA até morrer porque, graças ao partido, hoje eram pessoas livres.

Podem andar livremente pelo próprio país. Não precisam mais de passes nem de autorizações.

A foto no início do post é de mulheres que vivem num alojamento feminino no bairro de Alexandria, um dos mais violentos de Joanesburgo. Foi construído na época do apartheid como hospedagem provisória até que elas recebessem casas do governo. As casas nunca chegaram. Há mulheres que vivem ali desde a década de 70.

São vários blocos de cinco andares. Em cada andar, 16 quartos. Em cada quarto, quatro pessoas. No total, mais de três mil mulheres vivem ali. O dobro da capacidade do lugar.

As condições de higiene são péssimas. Um banheiro para 800 pessoas. Apesar de todos os anos haver dinheiro no orçamento do governo para reparos e reformas, os recursos parecem nunca ser suficientes.
O local virou uma mina de ouro. Se os problemas acabarem, o dinheiro não acaba. É melhor fazer pela metade. Mais um capítulo da corrupção sul-africana.

ZUMA É O PRESIDENTE DA ÁFRICA DO SUL

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Reportagem da TV Brasil sobre o resultado das eleições na África do Sul.

O Congresso Nacional Africano venceu com 65,9% dos votos (11.650.748), mas não conquistou a maioria absoluta no parlamento. O partido precisava ter elegido mais três deputados.

Em segundo lugar ficou a Aliança Democrática, partido da minoria branca, com 16,68%.

A grande surpresa da eleição foi o Congresso do Povo. Criado no fim do ano passado, ficou em terceiro lugar, com 7,42% dos votos. O partido foi o principal responsável pelo Congresso Nacional Africano não conseguir a maioria absoluta no parlamento.

Jacob Zuma será empossado presidente no dia 9 de maio. O presidente Lula vai participar.

sábado, 25 de abril de 2009

UM EXTRATO DA POSSE DE MANDELA

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Na foto acima, Nelson Mandela participa, ao lado de Jacob Zuma, do último comício do Congresso Nacional Africano, num estádio em Joanesburgo.

No áudio, pequeno trecho do discurso de posse de Mandela, 15 anos atrás.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

FOTO HISTÓRICA


Os três primeiros correspondentes da TV brasileira na África: Carlos Alberto Jr. (TV Brasil - Angola), Renato Ribeiro (TV Globo - África do Sul) e Luiz Fara Monteiro (TV Record - África do Sul) durante cobertura das eleições na África do Sul.

ZUMA E LULA

O Congresso Nacional Africano (CNA) lidera as eleições desde o início. Com pouco mais de 40% das urnas apuradas, tinha 67% dos votos.

A grande dúvida é se o CNA conseguirá manter a maioria qualificada no parlamento para poder mudar a Constituição sem os votos da oposição.

Agora há pouco, Jacob Zuma, futuro presidente, já comemorava a vitória num comício no centro de Joanesburgo.

Parece que o presidente Lula vem para a posse de Zuma.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CADA FOTO TEM UMA HISTÓRIA

Mas não contarei hoje, pois são quase duas da manhã e o trabalho recém-terminou.

Amanhã tem mais África do Sul.

Hoje, tem essa que capturei nas fotos aí abaixo.












terça-feira, 21 de abril de 2009

O DIA EM QUE FUI INTÉRPRETE DO JOEL SANTANA

Foi hoje cedo.

Consegui fazer umas oito das 13 perguntas previstas porque o assessor da Safa, a sigla em inglês para a Federação Sul-Africana de Futebol, marcou com outras duas equipes de televisão em sequência.

Éramos a segunda equipe.

Só que a primeira, do canal local E, aqui de Joanesburgo, se atrasou alguns minutos. Além disso, os caras não tinham intérprete de português.

Joel Santana fala um inglês sofrível.

O assessor da Safa, que se chama Sifiso, propôs que fôssemos primeiro.

Em seguida, disse Sifiso, eu, único a falar português, seria o intérpreto da entrevista do Joel Santana para a tv sul-africana.

Achei que fosse piada.

Entramos para a entrevista.

Uma sala pequena com dois banners dos patrocinadores da seleção sul-africana atrás. Um corte de energia no prédio havia deixado o local um pouco escuro. Só havia uma luz de emergência na sala.

Zee, o cinegrafista sul-africano com quem estou trabalhando, pede para puxarmos a mesa para mais perto da luz, para iluminar melhor o rosto do Joel Santana.

Uma das pernas da mesa se solta e cai no meu pé.

Antes de começarmos a entrevista, Sifiso volta para a sala e diz que Joel Santana não quer responder nenhuma pergunta sobre política.

Reforço que farei apenas as perguntas que eu havia enviado previamente por e-mail.

Sifiso havia exigido as perguntas por escrito.

Em português e em inglês.

O argumento era que, dessa forma, tanto o técnico quanto eu poderíamos nos preparar adequadamente para a entrevista.

Começamos a entrevista.

Só consegui fazer umas oito das 13 perguntas previstas porque, depois da quinta ou sexta pergunta, Sifiso, que estava atrás da câmera, ficou apontando para o relógio, numa pressão para encerrar a entrevista por causa das outras duas equipes de TV na fila.

Achei que a história da tradução fosse brincadeira.

Quando terminamos, a equipe da TV E está na porta.

Sifiso me pede para ficar e traduzir.

O repórter sul-africano me pede para ficar.

O cinegrafista, a produtora e o auxiliar me pedem para ficar.

Dou um sorriso constrangido e começo a me levantar da cadeira ao lado da em que Joel está sentado.

Joel Santana segura no braço e diz:

JOEL SANTANA - Não, não vai. Fica aqui...fica...

Eu fico.

Querem que eu fique ao lado do Joel Santana e apareça no vídeo como o intérprete dele.

Digo que não posso, que tenho contrato de exclusividade com a minha empresa.

Todos me prometem que não aparecerei nas imagens.

O repórter faz as perguntas.

Joel Santana responde longas respostas. Me perco na tradução.

Peço para ele repetir algumas respostas.

Tento anotar o que ele fala para depois traduzir, como já vi alguns intérpretes fazerem.

As perguntas e as respostas são aquelas maravilhas futebolísticas.

O repórter sul-africano quer uma avaliação das seleções que a África do Sul vai enfrentar na Copa das Confederações e uma previsão do desempenho do time.

Joel dá aquela resposta tradicional.

Olha para a câmera e diz, em português:

JOEL SANTANA - Em futebol não há passado nem futuro. Apenas o presente. E você tem que mostrar o que sabe em campo.

O repórter me encara, esperando tradução.

Lá vou eu:

EU - You know: football has no past and no future. Only the present. You have to show what you know during the match...

Joel vai se empolgando.

Daqui a pouco, começa a responder as perguntas em inglês.

Depois, se toca, pede desculpas e retoma o português.

Uma delas, no entanto, Joel se esquece completamente e a responde integralmente em inglês.

Relaxo.

Beleza, não terei de traduzir.

Quando Joel termina, espero a próxima pergunta do repórter sul-africano.

Mas ele olha para mim e diz:

REPÓRTER SUL-AFRICANO BRANCO – Won´t you translate this one?

Sacanagem com o Joel Santana, que tem sofrido muito com as críticas da imprensa sul-africana.

Joel Santana diz que não gosta de dar muitas entrevistas por causa do idioma. Soube que ele tinha um intérprete de Moçambique. Mas o português do Brasil é diferente dos demais. Como sabem, o português que nos une é o mesmo que nos separa.

Segundo me contaram, Joel Santana ficou em apuros porque a tradução do moçambicano não era precisa. E a imprensa sul-africana caía em cima.

Na entrevista para os sul-africanos, Joel Santana diz que existe a possibilidade de um amistoso com o Brasil.

Quem nunca viu o Joel Santana falando inglês, veja agora:




E veja como o inglês do Joel já está inspirando os artistas:

segunda-feira, 20 de abril de 2009

UM MURO EM SOWETO


Estive hoje em Soweto.

Passei na frente da antiga casa do Mandela, que hoje é um museu. Mas não tive tempo de entrar. Também passei na frente da antiga casa do Desmond Tutu, que é casa mesmo e não tem como entrar.

As duas casas ficam na mesma rua, Vilacazi. A única rua do mundo onde moraram dois prêmios Nobel da Paz.

Estive na praça em que morreu Hector Pieterson, garoto de 12 anos baleado pela polícia no dia 16 de junho de 1976 durante os protestos dos estudantes contra a decisão do governo sul-africano de adotar o africâner (língua derivada do holandês) como idioma oficial nas escolas.

Muitas informações para amarrar as pontas. Ainda nem falei do comício de domingo. Amanhã é pré-eleição.

Problemas e mais problemas técnicos com o equipamento para transmitir as imagens para o Brasil me atrapalham a vida e aumentam minhas jornadas de trabalho até a madrugada.

Amanhã tem mais. A foto é de um grafite num muro em Soweto, onde vivem cerca de 3,5 milhões de pessoas.

Aos poucos vou contando o que vejo. É quase nada, mas já é bastante.

O ÚLTIMO COMÍCIO DE JACOB ZUMA

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Reportagem da TV Brasil sobre o último comício de Jacob Zuma, antes das eleições de quarta-feira na África do Sul. A grande expectativa era se Nelson Mandela participaria do comício. Mandela foi.

domingo, 19 de abril de 2009

UM DIA EM JOANESBURGO

O dia foi caótico.

Não consegui escrever nada hoje. Só amanhã. Ou depois.

Mas consegui fazer algumas fotos das pessoas do último comício do Jacob Zuma, em Joanesburgo, antes das eleições.








sexta-feira, 17 de abril de 2009

A INTERNET NO HOTEL EM JOANESBURGO

Sim, tem.

Funciona.

É rápida.

Consegui fazer em cinco minutos coisas que em Angola levo entre uma e duas horas por causa da conexão lenta.

JOANESBURGO

Acabei de chegar.

Em breve conto a desgraça que foi a saída do aeroporto 4 de Fevereiro em Luanda - o pior aeroporto do mundo. Perde até para a rodoviária Novo Rio.

Daqui a pouco vou tomar uma cerveja com o Fábio Zanini, da Folha de S.Paulo e do Pé na África.

Au revoir!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

JOANESBURGO E CIDADE DO CABO

Embarco amanhã para a África do Sul: Joanesburgo e Cidade do Cabo.

Duas semanas de trabalho. Não terei folga, mas voltarei mais sabido.

E isso, como todos sabem, não tem preço.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

PYTU E A ARTE DE CONQUISTAR AS MULHERES

Pytu é um conquistador inveterado.

Hoje saímos para mais um trabalho. A caminho do lugar onde instalaríamos a câmera para uma filmagem, o aguçado e saliente Pytu percebeu logo uma moça, cerca de 20 anos, que passava ao nosso lado.

PYTU – Moras por aqui?

MOÇA QUE PASSAVA AO NOSSO LADO – Ali, mais pra cima.

PYTU – Dá o seu telefone. Vou te ligar.

MOÇA QUE PASSAVA AO NOSSO LADO – 923 XXX XXX.

PYTU (registrando o número no telemóvel dele) – Vou te ligar. Como se chama?

MOÇA QUE PASSAVA AO NOSSO LADO – Lola.

Quando a moça se vai, pego meu telefone.

EU – Alô, é a mulher do Pytu? Minha senhora, mais tarde precisamos conversar. Eu ligo.

PYTU cai na gargalhada.

Pego o telefone outra vez.

EU – Alô, é a segunda mulher do Pytu? Minha senhora, mais tarde precisamos conversar. Eu ligo.

Pytu continua na gargalhada.

EU – Pytu, você faz isso tempo todo?

PYTU – Não, ela é minha amiga.

EU – Se é sua amiga, por que você estava perguntando o nome dela?

PYTU – É que conheci ela hoje...

AS MULHERES DE PYTU

A poligamia é comum na África. E em Angola não seria diferente.

O provável futuro presidente da África do Sul, Jacob Zuma, tem várias esposas e filhos. Numa entrevista, ele disse que, ao contrário de muitos políticos que mantêm amantes e escondem os filhos ilegítimos para passar uma imagem de que são monogâmicos, ele, Zuma, se considerava diferente.

Ele disse: “Prefiro jogar aberto. Amo todas as minhas mulheres e tenho muito orgulho dos meus filhos.”

Em Angola, dependendo da situação, não se deve perguntar quantos filhos um homem tem. Principalmente se ele estiver acompanhado da mulher.

Recentemente, cometi uma gafe (já escrevi sobre isso) com uma pessoa de renome na sociedade angolana. Eu o havia encontrado numa recepção com a esposa. Semanas depois, em outro evento, ele estava com uma moça. Eu disse que a garota, uma adolescente, parecia com a mãe. E ouvi o seguinte, de maneira bem gentil.

PESSOA DE RENOME – Não, não, estás a confundir. Esta não é filha daquela. É do meu outro casamento.

Pois Pytu, com quem tenho trabalhado ultimamente, também é assim.

Ele vive com a primeira mulher, com quem tem um filho. Não se casaram. Fizeram a cerimônia do alembamento (o noivado tradicional de Angola) mas não casaram. Apenas vivem juntos.

Pytu tem dois filhos gêmeos com uma segunda mulher, com quem se encontra regularmente.

As duas mulheres sabem uma da outra.

Quando estamos trabalhando, Pytu passa boa parte do tempo ao telefone, ligando ou recebendo ligações de namoradas.

PYTU – Essa gaja está a me ligar. Diz que quer me encontrar.

EU – Mas ela não sabe que você é casado?

PYTU – Sabe, mas fica a me ligar. Sei que ela mora lá pelos lados da Cuca. Diz que quer me ver...

No outro dia, escuto Pytu ao telefone (sim, eles falam desse jeito, com as palavras emendadas):

PYTU – Tásaonde? Eh quê? Ahh! Quero tencontrá, tásaver?

No dia em que o papa Bento XVI se reuniu com jovens no estádio dos Coqueiros, Pytu me apresentou uma namorada. Na época, eu não sabia que ele era casado e tinha duas mulheres.

Meia hora depois, quando tivemos de nos movimentar para perto do palco onde estava o papa, Pytu engatou uma conversa com uma jovem jornalista de uma publicação local. Trocaram telefones. Essa é a gaja que mencionei lá em cima, que está a ligar para o Pytu.

Depois, Pytu reencontrou a namorada (que não era nenhuma das duas esposas), que havia ficado tomando conta do tripé da câmera.

Aqui, é assim.

terça-feira, 14 de abril de 2009

OS PIRATAS DA SOMÁLIA

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Reportagem da TV Brasil sobre os piratas da Somália.

PYTU E CRISTOVAM

Tenho feito alguns trabalhos com o cinegrafista Pytu.

Pytu é apelido. O nome dele é Antonio Vítor.

EU – Por que você tem esse apelido?

PYTU – Não sei. Meus pais me chamam assim desde pequeno.

EU – Mas deve ter um significado.

PYTU – Não, não tem.

EU – No Brasil, pitu é um tipo de camarão.

PYTU –Não, é só como meus pais me chamam.

EU – E você nunca perguntou para eles o significado?

PYTU – Não.

Ontem tínhamos um trabalho. No final da manhã, Pytu e Cristovam, o motorista, saíram para fazer algumas imagens da cidade.

Lá pelas 14h30, vinham me buscar em casa para outras gravações. Antes de chegar, Pytu me liga.

PYTU – Já estamos quase lá. Kota, estamos cheios de fome.

EU – Então comam alguma coisa antes de vir pra cá.

PYTU – Não, estamos sem dinheiro. O kota não tem nada aí em casa para a gente comer?

EU – Não, Pytu. Não tenho nada em casa para vocês comerem.

PYTU – Mas estamos cheios de fome.

EU – Mas como é que você sai de casa sem dinheiro?

PYTU – Não, eu tinha dinheiro, mas meti mil kwanzas de gasolina no carro.

EU – Sim, e o que eu tenho com isso.

PYTU – Yá, tá bem. Já estamos a chegar. Traz água pra gente. Fresca.

Os angolanos adoram uma água fresca. Água fresca signifca água gelada, de preferência com cubos de gelo. Encanadores, eletricistas, motoristas, empregadas domésticas. Qualquer um. Adoram água gelada. Não tomamos água gelada em casa. Tomamos água natural. Nem garrafa na geladeira colocamos. Quando dizemos que não temos água fresca, é como se tivéssemos feito uma ofensa.

Quando Pytu e Cristovam chegam, levo a única garrafa com água gelada, usada pela Nely. Apesar de não ser angolana, e sim de São Tomé e Príncipe, Nely também só toma água fresca.

Levo a garrafa e dois copos.

PYTU – Não, não precisa de copos. Tomamos mesmo na garrafa.

Entrego a garrafa.

PYTU – Êh! Não tá fresca!? Não tem água fresca?

EU – Pytu, o que mais você quer? Almoço, água fresca...

PYTU – Não, está bem kota. Está bem. Obrigado.

No carro, retomo o assunto.

EU – Como é que vocês saem de casa sem dinheiro para comer? E você, Pytu, está ganhando um bom dinheiro.

PYTU – Só meto dinheiro no banco. Não tiro.

EU – E por isso eu é que tenho de pagar a sua comida? Você tem de sacar dinheiro do banco para as suas despesas.

PYTU – O cartão está quebrado. Não tenho como sacar.

EU – Então você tem de se programar.

Nisso, Cristovam entra na conversa.

CRISTOVAM – E eu, que não tenho nada? O que faço?

EU – Como assim?

CRISTOVAM – Não tenho comida e nem dinheiro para comprar.

EU – Hoje é dia 13. O seu salário já acabou?

CRISTOVAM – O salário não dá para nada.

EU – E por que você não traz comida de casa.

CRISTOVAM – Às vezes trago. Mas aí esqueço. Quando chega a fome e vou comer, a comida já estragou.

EU – Meu caro, então você tem de lembrar de trazer algo e que seja algo que não estrague.

Estes são Pytu e Cristovam.

Está cheio de gente como eles por aqui e por aí.

P.S. - No fim do trabalho, ainda paguei um trio cheese burguer do Bob´s na Ilha de Luanda para cada um.

P.S. 1 - Está cheio de mané como eu por aí.

domingo, 12 de abril de 2009

TAAG

Finalmente descoberto o que significa a sigla da companhia aérea angolana, campeã no desrespeito aos direitos dos passageiros:

TAAG: TAí, Agora AGuenta.

AS DICAS DA EDINALDA*

Queridos 'diqueiros'!
Que possamos " quebrar a casca da superficialidade para viver o essencial".

Nesse sentimento de Páscoa, partilho com vcs uma 'angústia' de um consulente ( gostaram?) que quer saber sobre a regência do verbo avisar.

Vamos à velha e segura Gramática:o verbo não é dos mais difíceis e tem dupla regência. O que quer dizer isso?

Nas construções em que o empregamos, precisamos ter objeto direto e objeto indireto, isto é, sempre AVISAMOS alguém de alguma coisa.

Vejam!

É bom avisá-la do perigo.

Avisamos os clientes da mudança de endereço.

Ninguém me avisou disso. ( aluno quando não entrega trabalho...he,he,he)

O chefe avisou os funcionários de que os documentos estavam prontos.

Também são usadas as preposições para e sobre:

Avisei os amigos sobre os problemas pendentes.

O médico avisou o menino para largar o cigarro.

Grande abraço, retorno na QUARTA!

Edinalda

*Edinalda é professora em Campos dos Goytacazes (RJ) e publica dicas de português aqui no diário uma vez por semana.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A SIMONE NÃO SABE SE VEM

A cantora Simone vem/vinha fazer um show em Luanda.

Casa 70 é o nome do lugar.

Conferência de imprensa para anunciar a atração, anúncios nos jornais.

De repente, o show foi adiado/cancelado (aqui, nunca se sabe).

Ouvi duas versões sobre o adiamento/cancelamento (aqui, nunca se sabe):

Versão 1: os promotores do evento queriam/querem cobrar US$ 300 pelo ingresso. O povo achou caro e desistiram de trazer a moça.

Versão 2: Simone e a banda/ou só Simone/ou só a banda/ou só alguns integrantes da banda não conseguiram os vistos para Angola.

MANDE UMA CARTA, POR FAVOR

Já ouvi dezenas de relatos sobre as burocracias dos países comunistas.

Correspondentes na China e na Rússia contam as dificuldades para se conseguir entrevistas. Em geral, são obrigados a fazer pedidos formais, por escrito, para entrevistas que nunca acontecem.

Em Angola também há um apreço por correspondências oficiais.

Qualquer pedido de entrevista vem sempre seguido da frase: “Tens de mandar uma carta oficial com o pedido para o senhor ministro. Como trata-se de algo dessa natureza, é preciso que ele nos autorize a dar as informações...”

Mesmo que seja informação de domínio público. Por exemplo: quantos hotéis estão em construção em Angola.

Quando o interlocutor quem cortar a conversa ainda mais depressa, em vez da frase acima, vem a pergunta: “Já mandou a carta...?”

RUANDA: 15 ANOS DO GENOCÍDIO

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Reportagem da TV Brasil sobre os 15 anos do genocídio em Ruanda.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

ZUMA AVANÇA

Os promotores sul-africanos decidiram hoje retirar as acusações de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e extorsão contra Jacob Zuma, presidente do Congresso Nacional Africano (CNA) e provável futuro presidente da África do Sul.

A poucos dias das eleições gerais, marcadas para o próximo dia 22, a decisão torna a vida de Zuma ainda mais fácil. Não havia dúvidas de que o CNA venceria as eleições – na África do Sul, vota-se nos partidos. O partido com mais votos forma o governo e indica o presidente. Mas sem o peso de uma acusação formal do ministério público, a vitória terá sabor especial.

Zuma se enrolou no caso quando era vice-presidente do país. Ele recebeu dinheiro durante vários anos de um amigo-empresário, que tinha muitos interesses na venda de armas para o reaparelhamento das forças armadas sul-africanas. Segundo as acusações, Zuma teria recebido uma mesada para defender os interesses da empresa do amigo e dos aliados dele nas negociações.

O tal amigo, que foi condenado a 15 anos de prisão e foi solto há poucos meses, depois de cumprir dois anos de cadeia, pagava as contas de Zuma e da família: carros, mensalidade escolar, viagens, roupas etc.

Uma das razões para o ministério público sul-africano desistir de avançar no caso é que teria havido interferência política no processo. Dois dos principais investigadores teriam fechado um acordo com o governo para acusar Zuma de envolvimento no escândalo com o objetivo de prejudicá-lo politicamente. A divulgação das acusações aconteciam sempre em momentos estratégicos, de forma a causar o máximo de dano possível à imagem de Zuma.

Zuma, que era vice-presidente da África do Sul, estava em guerra aberta contra Thabo Mbeki, então presidente do país. Quando as investigações relacionadas ao pagamento de propina chegaram a Zuma, Mbeki enviou emissários com o pedido para que Zuma renunciasse. Zuma não renunciou e Mbeki o demitiu.

Os dois, amigos e companheiros de exílio de mais de 30 anos, viraram adversários. Dois anos depois, Zuma venceu as eleições do CNA e, como presidente do partido, forçou a saída de Mbeki da presidência da República.

E agora, como tudo indica, será o novo presidente do país.

ONDE ESTÁ ANGOLA?

Com exceção de notícias relacionadas a petróleo e ao papa, praticamente nada se lê na imprensa internacional sobre Angola.

domingo, 5 de abril de 2009

AS DICAS DA EDINALDA*

Salve, queridos diqueiros!

Mergulhados no espírito tão fraterno de Páscoa, cá estamos nós, também de olho nos chocolates , na canjica e... no feriado! Que delícia, né gente?

Mas, não podemos nos esquecer de que, até para escrever em um ( ou NUM?) cartão desejando votos de Boa Páscoa, precisamos conhecer os bons caminhos da Língua Portuguesa. Assim, envio para vcs com votos pascoalinos de muito coelho ( ihhhhh!), chocolate e descanso, a dica de hoje.

Já faz algum tempo (lá pelo início das dicas) um dos 'diqueiros' me fez a pergunta: afinal, pode-se ou não usar NUM/? Ou terá que ser sempre EM UM? Vamos lá!

Não há nada na gramática e tampouco nas obras de literatura contra o uso da contração da prep. EM com os artigos indefinidos [um, uns, uma, umas]. A aproximação dos dois elementos conduz naturalmente, pela ressonância nasal, à contração: num, numa, nuns, numa.

O professor Evanildo Bechara sintetiza a questão: “Sabemos desde os primeiros bancos escolares que, quando se encontra na cadeia da frase a preposição de com o artigo definido ou pronome iniciado por vogal, se dá a contração: O livro de o menino / O livro do menino. A casa de ele / A casa dele. Já com os artigos indefinidos e certos pronomes iniciados por vogal esta contração é facultativa: O livro de um menino / O livro dum menino. é revista de outros tempos / é revista doutros tempos” (Na Ponta da Língua, v.2, RJ: Lucerna, 2002, p.177).

A observação a fazer é que no Brasil o uso de DUM é menos freqüente do que em Portugal. Posso dizer VOTOS DUMA FELIZ PÁSCOA, como em Portugal, mas resisto e opto por VOTOS DE UMA FELIZ PÁSCOA Entretanto, NUM é tão usual aqui quanto lá.
O único caso em que se recomenda usar EM UM é quando se trata do numeral. Exemplo: Ele estará de volta em um ou dois dias.

Observem este emprego no grande escritor brasileiro Machado de Assis. Em duas páginas seguidas de “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Abril Cultural, 1978, p. 22 e 23) existem três ocorrências:

1. “Como tocássemos, casualmente, nuns amores ilegítimos, meio secretos, meio divulgados, vi-a falar com desdém”.
2. “Com efeito, abri os olhos e vi que o meu animal galopava numa planície branca de neve”.
3. “Logo depois, senti-me transformado na Suma Teológica de Santo Tomás, impressa num volume, e encadernada em marroquim, com fechos de prata e estampas”.

Anote: embora se tratasse de UM volume, o autor usou a contração.

Então, não é questão de bom ou mau uso, certamente. Apenas de estilo e gosto, ok?
forte abraço,
Edinalda

*Edinalda é professora em Campos dos Goytacazes (RJ) e publica dicas de português aqui no diário uma vez por semana.

SEMANA AFROMAN

"Vai e vem" é a faixa 5 do CD Mentalidade, do Yannick, líder do Afroman.

CASA DA GAROA

Depois de lançar olhares singulares sobre Angola em geral e Luanda em particular, Ferdi, nosso companheiro de terras africanas voltou ao Brasil.

A Casa de Luanda foi uma iniciativa sensacional do Ferdi e da P. para alargar a visão e a percepção de muita gente sobre esse pedaço do mundo.

Agora, em Sampa, Ferdi retorna à blogosfera com a Casa da Garoa, que a partir de hoje entra na relação de sítios que valem a pena.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ZUMA, MAHARAJ, MANDELA E AS ELEIÇÕES NA ÁFRICA DO SUL

Terminei de ler a biografia do Jacob Zuma, provável futuro presidente da África do Sul.

Não há como negar a popularidade dele, apesar de todas as encrencas em que já se meteu.

Zuma ficou 10 anos preso em Robben Island, dos 21 aos 31 anos. Foi acusado pelo regime racista da África do Sul de tramar a derrubada do governo.

O fim do apartheid, em 1994, permitiu a realização de eleições livres e multirraciais, vencidas por Nelson Mandela.

Quando Mandela terminou o mandato, Thabo Mbeki foi eleito presidente. Zuma, que atuou durante vários anos na inteligência e contra-inteligência do Congresso Nacional Africano (CNA) – dentro e fora da África do Sul –, foi eleito vice-presidente do partido e, em consequência, tornou-se o vice-presidente de Mbeki.

Zuma continua totalmente enrolado com a Justiça. Foi inocentado de uma acusação de estupro contra uma jovem de 31 anos portadora do vírus HIV. Zuma a conhecia desde criança. Ela é filha de um amigo dos tempos das operações clandestinas do CNA em outros países africanos.

Ao longo do processo, informações de que a moça teria sofrido abuso sexual na infância e feito falsas acusações de estupros contra outras pessoas pesaram a favor de Zuma. Segundo ele, os dois fizeram sexo com o consentimento dela. A moça estava hospedada na casa dele e apareceu na frente de Zuma com uma tanga.

Quando terminou de trabalhar no escritório, Zuma foi ao quarto onde a jovem dormia e se ofereceu para fazer uma massagem. Ela diz que recusou. Ele diz que ela não pediu para parar. Zuma não usou preservativo, apesar de saber que ela é portadora do vírus da Aids. Ele diz que, quando terminaram, ele se lavou para impedir a contaminação. No dia seguinte, ela o acusou de estupro.

Zuma, no entanto, foi inocentado e o caso está encerrado.

Mas ele ainda está enrolado em outra história de corrupção relacionada à compra de armas para o reaparelhamento das forças armadas sul-africanas quando era vice-presidente da República.

Um dos empresários envolvidos pagou, durante anos, despesas pessoais de Zuma e da família dele. Por causa do episódio, Mbeki demitiu Zuma do cargo de vice-presidente do país.

O empesário foi condenado. O processo contra Zuma ainda está em andamento. Foi adiado algumas vezes e só deve ter prosseguimento depois das eleições marcadas para o próximo dia 22.

Devo ir à África do Sul cobrir as eleições.

Quarenta partidos estão inscritos. Na África do Sul, vota-se nos partidos, que têm uma lista de candidatos. O partido com maior número de votos monta o governo e indica o presidente. Zuma, como presidente do favorito Congresso Nacional Africano, deve se tornar o líder da nação.

No total, há 23 milhões de eleitores aptos a votar e 40 partidos inscritos. O parlamento tem 400 assentos, que são preenchidos de acordo com uma média ponderada do resultado nacional e das nove províncias. O CNA detém hoje 280 cadeiras no parlamento (70%).

Há um ou dois meses, Mandela anunciou apoio público a Jacob Zuma. Alguns me perguntaram como era possível que Mandela ficasse ao lado de Zuma. Não sei. Talvez Mandela encare Zuma como a única alternativa contra o esfacelamento do CNA. O tempo dirá.

Antes de embarcar para Joanesburgo, tenho a pretensão de terminar dois livros para melhorar o entendimento sobre o país. Um deles comecei a ler ontem. Chama-se Shades of Difference – Mac Maharaj and the Struggle for South Africa. Ao escrever a biografia de Maharaj, Padraig O´Malley conta a história da luta contra o apartheid.

De origem indiana, Maharaj também esteve preso em Robben Island e foi o responsável por contrabandear para fora da prisão os manuscritos da biografia de Nelson Mandela, também encacerado na ilha. Mandela, aliás, faz um prefácio bastante emocionante sobre Maharaj e seu papel na luta contra o regime racista.

O outro livro é a biografia do próprio Mandela (Long Walk to Freedom). Não sei se conseguirei. São dois tijolos que, juntos, ultrapassam a mil páginas. Mas vou tentar.

Afinal, não vim de tão longe para sentir medo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

SEMANA AFROMAN

É a faixa 9 do CD "Mentalidade". Yannick capturou o caos do trânsito em Luanda nessa música. Uma homenagem ao novo Código de Estradas de Angola.

E AS REGRAS, ONDE ESTÃO?

Pode ser que já tenha sido publicado e eu não percebi.

Se foi, perdoem a vergonha que passei.

Mas o governo angolano precisa publicar a íntegra do novo Código de Estradas de Angola nos principais jornais do país.

E mais de uma vez, para que todos tenham acesso e conheçam as regras.

Sem informação, os cidadãos continuarão vítimas dos policiais corruptos, criminosos fardados que usam o distintivo para extorquir a população.

O TRÂNSITO ANGOLANO E O NOVO CÓDIGO DE ESTRADAS

Entrou em vigor ontem o novo Código de Estradas de Angola, o equivalente ao código de trânsito brasileiro.

Entre as medidas, a proibição de conduzir falando ao telefone. Os motociclistas devem respeitar os sinais de trânsito. Incrível, não? Pois é. Aqui, moto não para no sinal vermelho. Os motoqueiros conduzem as motos como se fossem bicicleta. Entram na contramão, sobem nas calçadas e contribuem enormemente com o caos nos cruzamentos. Como não respeitam sinais, se enfiam na frente dos carros cuja faixa tem prioridade.

Fazem tudo isso na frente da polícia. E o que a polícia faz? Nada.

Os motoqueiros avançam os sinais vermelhos na frente dos policiais e eles nada fazem.

Outra obrigatoriedade é a do cinto de segurança. Nos bancos da frente e de trás.

As candongas são o alvo preferencial. Nenhuma tem cinto de segurança. A capacidade máxima de passageiros também não é respeitada. Só poderiam transportar nove passageiros. Algumas chegam a levar 15.

Ontem, primeiro dia do novo código, várias candongas foram impedidas de transitar por não estarem de acordo com as normas.

O que aconteceu? O caos. Como não há ônibus suficientes para as pessoas nem ruas largas o suficiente para permitir a passagem deles, as pessoas ficaram a pé. Muita gente não foi trabalhar.

O governo toma medidas sem oferecer alternativas à população. A frase não é minha, mas do Cláudio, um angolano. Segundo ele, o país ainda não está preparado para algumas mudanças...

As candongas, principais responsáveis pelo caos urbano, empregam milhares de pessoas. Proibir vai apenas criar outro problema. As pessoas ficarão sem emprego.

A solução foi “adiar” por um mês a aplicação de alguns itens do novo código. Até maio, os policiais terão a missão de “orientar” e “sensibilizar” os motoristas sobre a importância de cumprir a lei.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ENQUANTO ISSO, NO PORTO DE LUANDA...

Faço contato com alguém no Porto de Luanda para uma reportagem.

ALGUÉM DO PORTO DE LUANDA - Tens de mandar uma carta para o presidente do Conselho de Administração, com o visto do Centro de Imprensa Aníbal de Melo.

Ligo para o centro de imprensa.

ALGUÉM DO CENTRO DE IMPRENSA - Traga uma carta com o pedido que enviaremos outra carta ao Porto de Luanda com a sua solicitação.

SEMANA AFROMAN

1, 2, 3 é a primeira faixa do CD Mentalidade, do Afroman, que será destrinchado aqui ao longo dos próximos dias.