terça-feira, 30 de junho de 2009

CENAS DE TRÍPOLI

Ainda tem tempo para contar os detalhes da Líbia.

Mas há vários, que virão no tempo certo.

Por enquanto, alguns lugares.









segunda-feira, 29 de junho de 2009

O DIA EM QUE FIQUEI AMIGO DE UM MOTORISTA DE TAXI EM TRIPOLI


Foi agora hah pouco (escrevo de um computador sem acentos).

Foi assim: eu e o William saimos para almocar.

Pegamos um taxi na esquina do hotel.

O motorista soh fala arabe. Alias, coisa dificil eh achar alguem em Tripoli que fale outra lingua alem do arabe.

No hotel em que estamos, soh falam arabe.

Minto: hah uma arrumadeira e um outro funcionario que falam frances.

Tento me comunicar com o motorista usando a linguagem dos sinais.

Digo que o restaurante eh para o lado da praca central da cidade, perto do museu onde hah um outdoor gigante do Kadafi.

Sei que fica perto de um local chamado Medina.

EU – Medina.

MOTORISTA – الدولية التي أصبحت أينما كانت تؤثر في الجميع .

EU – Restaurant.

MOTORISTA – فهناك قضايا بعيدة عن الأماكن التي نحن نسكن فيها أينما كنا نحن.أو من نحن, ولكنها تؤثر في حياتنا

EU(fazendo com as maos o formato de um outdoor) – Kadafi.

MOTORISTA (apontando para a direcao oposta de onde estamos indo)– Aaahhh! وفعلًا العالم بدأ يتحول كما يقولون إلى قرية واحدة وهذه القرية يجب أن تهتم بنفسها وتنظم نفسها وأن تعيش في سلام ووئام ويتعارف أفرادها وأن يتعاونوا لا أن يتحاربوا ويدمروا هذه القرية الوحيدة التي هي موجودة في الكون .

Ele faz uma manobra radical para pegar o sentido oposto numa rua de mao dupla. Mataria qualquer candongueiro angolano de inveja.

As ruas de Tripoli estao sempre cheias de carro. E de gente. Nao necessariamente nessa ordem.

Os motoristas buzinam o tempo todo. As pessoas se jogam na frente dos carros.

O comercio de rua eh fortissimo.

Vendem de tudo em pequenas lojas e em bancas espalhadas pelas calcadas que avancam para as ruas.

Pode-se comprar camisetas, CDs, DVDs, cigarros, telefones celulares, chapeus, bones, calccas etc., etc.

Seguimos para a praca central. Passamos em frente ao museu onde fica o outdoor gigante do Kadafi.

EU (apontando para a direita) – Restaurant.

MOTORISTA – فهناك قضايا بعيدة عن الأماكن التي نحن نسكن فيها أينما كنا نحن.أو من نحن, ولكنها تؤثر في حياتنا

Ele nos deixa na porta do restaurante, na avenida litoranea, uma das mais movimentadas de Tripoli.

Cobra 5 dinares libios. Mais ou menos quatro euros.

Por meio de sinais, entendo que o motorista quer nos buscar depois do almoco.

Digo que sim. Marcamos aas 15h.

Na saida, a caminho do hotel, ele entabula uma conversa em arabe.

MOTORISTA – أولا مساء الخير أيها الأساتذة الأجلاء وأبنائي الطلبة من جامعة كامبريدج

EU (numa tentativa de me vingar em portugues) – Nao entendo.

O motorista continua a falar e chegamos a conclusao de que ele esta nos ensinando alguns cumprimentos em arabe, coisa do tipo salamaleiko, salam.

Ele enfim se apresenta.

MOTORISTA – Hassan.

No meio do caminho ele comeca a dizer que a corrida vai custar 10 dinares libios.

EU – Five.

MOTORISTA – (desenhando os numeros no painel do carro) Ten.

Na hora da conta, todo mundo sabe falar ingles.

EU – Why? We paid five before.

MOTORISTA (desenhando os numeros no painel do carro) – Ten.

EU – Cinco.

MOTORISTA (gesticulando e fazendo sinal de ida e volta) - أولا مساء الخير أيها الأساتذة الأجلاء وأبنائي الطلبة من جامعة كامبريدج

Finalmente entendo que, como ele teve de voltar ao restaurante para nos buscar, ia cobrar dois trechos.

Chegamos ao hotel.

EU – Five.

MOTORISTA (gesticulando e fazendo sinal de ida e volta) - أولا مساء الخير أيها الأساتذة الأجلاء وأبنائي الطلبة من جامعة كامبريدج

Chegamos ao momento em que tenho de fazer minha escolha:

1) Entrar numa discussao, em arabe, com um motorista libio no centro de Tripoli por causa de 5 dinares libios e arranjar meu primeiro inimigo no mundo arabe;
2) Deixar-me ser aliviado em 5 dinares libios e ficar amigo de um motorista de taxi libio no centro de Tripoli.

Fico com a segunda opcao.

Entrego uma nota de 10 dinares libios.

Acho que o Hassan farah melhor proveito das 5 dinares libios do que eu.

Antes de sairmos do taxi, ainda peco um cartao com o telefone dele.

Em troca, recebo um largo sorriso e um aperto de mao caloroso.

O mundo arabe eh muito interessante.

sábado, 27 de junho de 2009

UMA JANELA PARA TRÍPOLI

Cheguei agora há pouco.

Esta é a vista da janela do hotel.

Os canais são quase todos em árabe.

Agora começo a ouvir pelo alto-falante de uma mesquita próxima o chamado para a oração dos muçulmanos.

Parece cena de filme de espionagem.

Da janela, o pôr-do-sol ao som de orações em árabe.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O DIA EM QUE FINALMENTE COMECEI A ENTENDER AS COISAS

Foi ontem.

Em Lisboa.

COISAS PARA CONTAR

Há várias.

Mas tem faltado tempo.

Vou mencionar algumas para depois ser cobrado:

1) Tako, o japonês que canta fado;

2) Chico, o dono da Tasca onde cantam fado;

3) Os taxistas de Lisboa e sua lógica lusitana;

4) A quantidade de idosos nas ruas lisboetas;

5) O canal de filme pornô do quarto do hotel.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

LISBOA E A TASCA DO CHICO

Sim, estou aqui há dois dias.

Mas ainda não tive tempo de atualizar nada.

O visto para a Líbia deve sair hoje.

A foto acima é do Bairro Alto. Ou arredores. Nunca sei onde termina uma região e começa outra.

Hoje à noite faremos um trabalho na Tasca do Chico.

Tasca quer dizer boteco.

Estivemos lá ontem.

É mesmo um boteco.

Só não vende ovo colorido, mas não deixa de ser um boteco lusitano.

Vamos contar a história do Fado Vadio.

Funciona assim: dois músicos ficam lá. Quem quiser cantar um fado levanta a mão e diz: "Quero cantar um fado".

E canta.

O lugar é minúsculo.

Amanhã conto mais.

domingo, 21 de junho de 2009

O QUE DEVE ACONTECER

A previsão é a seguinte:

Segunda-feira: Luanda – Lisboa.

Sábado: Lisboa- Trípoli.

Quinta: Trípoli-Lisboa-Luanda.

Domingo: Luanda-Joanesburgo.

Dezoito dias depois, Windhoeck-Luanda.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

NÃO TEM MADAGASCAR, MAS TEM LÍBIA

Não será desta vez que conhecerei os lemures em Madagascar.

Mas devo ir à África do Sul, Botswana e Namíbia.

Só que antes disso vou passar na Líbia.

Coisa rápida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

OS ANGOLANOS VOLTARÃO?

Leio e ouço com frequência sobre a realização de uma espécie de feiras de recrutamento.

Acontecem com certa regularidade em Lisboa. Não sei se também em outras cidades.

As feiras são realizadas pelas multinacionais com negócios em Angola.

O objetivo é recrutar angolanos expatriados.

Aqueles que foram embora com os pais, no período pós-independência.

E também aqueles que continuam a deixar Angola para cursar faculdades ainda inexistentes no país.

Os estrangeiros em Angola, em especial os brancos, recebem críticas das mais diversas de setores da sociedade angolana.

Uns dizem que estão aqui apenas para continuar a exploração dos angolanos.

Outros, que o colonialismo continua.

Os brancos continuam com os melhores empregos, deixando apenas os restos para os angolanos.

Resumindo: vieram só pelo dinheiro.

É uma meia verdade.

Que acaba se tornando uma mentira, como sempre acontece com as generalizações.

Quem deixa seu país quer, sim, ganhar dinheiro.

Vai atrás de oportunidades melhores.

Ou é um profissional bem qualificado e vai para ganhar mais.

Ou é uma pessoa sem qualificação, que vai atrás de subempregos, em geral, na Europa e nos Estados Unidos porque a situação no seu país de origem é tão ruim que essa é a única maneira de sobreviver.

Imagino que quase a totalidade dos estrangeiros que trabalham em Angola encaixam-se na primeira categoria.

São profissionais qualificados, importados pelas empresas a custos altíssimos porque em Angola não há quem faça o serviço.

Em geral, ninguém (ou quase ninguém, para nunca generalizar) vem fazer turismo em Angola.

Não que o país não mereça. Angola é belíssima, mas ainda não tem condições de receber turistas.

Se tirar um visto para Angola começa com o desafio de tentar um contato nos consulados angolanos, imagine o resto.

O aeroporto 4 de Fevereiro não oferece nenhuma estrutura.

Não há táxis no país.

Os hotéis, quando confirmam as reservas, têm o hábito de expulsar os hóspedes no meio da estada.

Sem falar na questão das fotografias.

Turismo e fotografia estão diretamente relacionados.

Mas aqui, basta exibir uma máquina fotográfica para ser ameaçado de prisão.

A polícia exige documentos.

Seguranças privados querem dinheiro.

As pessoas reclamam.

Mas voltando aos expatriados e aos retornados angolanos.

Os expatriados, imigrantes modernos, estão aqui em geral por causa do dinheiro.

É legítimo.

Em relação aos angolanos expatriados, já ouvi várias histórias sobre a situação deles no exterior.

Tudo o que uma empresa estrangeira baseada em Angola gostaria é de não ter de importar trabalhadores.

É caro, dá trabalho e causa uma série de problemas e dificuldades.

O ideal é que o país tivesse mão-de-obra qualificada para atender à demanda.

Sairia mais barato para todo mundo.

Para o governo que contrata as empresas, para as empresas que contratam os trabalhadores e para o país, que terá mais dinheiro circulando na economia, pois as remessas para o exterior praticamente não existiriam.

Infelizmente, a situação de Angola ainda não permite isso. Serão necessários pelo menos 50 anos até haver profissionais disponíveis na quantidade necessária.

Enquanto isso, os expatriados continuarão a desembarcar por aqui.

Já escutei alguns relatos sobre as dificuldades das empresas em contratar os angolanos que moram no exterior para voltar para cá.

Em geral, os angolanos querem ser contratados e voltar para Angola com os mesmos benefícios dos expatriados, como se também fossem estrangeiros.

E aí acabam não sendo contratados.

E aí continuam a vir expatriados.

É uma questão complexa.

Os angolanos querem ganhar mais e ter os mesmos direitos dos estrangeiros.

Só que isso não acontece em nenhum lugar do mundo.

Se um americano que mora na Suíça for contratado por uma empresa para trabalhar nos Estados Unidos, certamente não receberá os mesmos benefícios que um profissional suíço receberia se fosse convidado pela mesma companhia para trabalhar nos EUA.

Os salários, claro, para as mesmas funções, devem ser iguais.

Mas exigir os mesmos benefícios me parece uma luta fadada ao fracasso.

E aí pergunto aos angolanos expatriados: vocês voltarão para cá quando terminarem seus cursos na Europa e nos Estados Unidos?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

ALGUÉM SE LEMBRA?



Recebi a dica do FlipMarks.

Zé,

...falta luz, falta água, o trânsito está cada vez pior (hoje levei uma hora e meia para andar menos de cinco quilômetros).

Devo voltar à África do Sul em breve. Desta vez, também devo passar por Swazilândia e Botswana.

...

Ainda não tenho planos de voltar ao Brasil, mas nosso encontro será certo.

Vamos embora em abril ou maio do ano que vem (já se passou um ano, incrível - quanta coisa...).

Aos poucos vamos administrando melhor as ansiedades de África.

O tempo aqui é outro e precisamos exercitar diariamente nossa paciência.

E não cair na armadilha de tentar entender o país e o povo a partir da vivência brasileira e da nossa realidade aí.

Há lugares piores, claro, mas aqui as coisas estão como estavam no Brasil há 60, 70 anos.

Uma população altamente armada. Resquícios da guerra.

Mais de 60% são analfabetos. Entre 60% e 70% dos partos acontecem foram dos hospitais: em casas, no mato, na rua.

Há entre 25 e 30 novos casos de Aids por dia. Casos novos, comprovados.

O abismo entre ricos e pobres está cada dia maior.

Uma coisa terrível.

Miseráveis pelas ruas congestionadas por carros 4X4 importados pela classe média emergente.

Motoristas, pedestres e motociclistas desrespeitam os sinais de trânsito.

O país está naquela fase que Marx chamaria de acumulação primitiva de capital.

Vai levar tempo. E o tempo deles é outro.

Para nós, é tudo um aprendizado. Já estamos diferentes.

Abraço fraterno,

NINGUÉM SABE, NÃO TEM TINTA, VOLTE AMANHÃ

Preciso ir ao centro de imprensa renovar a credencial.

Enfrento 1h40 de trânsito para percorrer uma distância em torno de 5km.

Quando chego, a pessoa não está.

O telefone está desligado.

Recebo a informação de que a pessoa está resolvendo renovações de vistos de outras pessoas.

E que o telemóvel está sem bateria.

Pergunto se não posso preencher a ficha e deixar a foto.

Não, não posso.

Das outras duas pessoas que trabalham no mesmo setor, uma está de férias e a outra, com quem converso, diz que não sabe como fazer a credencial.

Trabalham na mesma sala há 10 anos. Já me entregou a credencial, já ficou com meus documentos, mas hoje, especificamente, não sabe como fazer.

EU - Mas não é só preencher a ficha e deixar a foto?

PESSOA COM QUEM CONVERSO - Não, não sei. É melhor esperar mesmo por ele.

EU - Ele volta?

PESSOA COM QUEM CONVERSO - Sim, volta. Mas não sabemos a que horas. Está na Defa, vendo uns passaportes. Volte amanhã.

EU - Mas enfrentei mais de uma hora e meia de trânsito. Não é só preencher a ficha e deixar a foto?

PESSOA COM QUEM CONVERSO - Não, não sei. É melhor mesmo voltares amanhã.

E entabula uma conversa com um colega. Pede para o colega de outro setor ficar na sala porque ela tem de descer para resolver um assunto.

Desço para tomar um café enquanto espero o Cláudio, que está dando voltas no quarteirão porque não há onde estacionar.

Lá embaixo, encontro a pessoa que não sabia me ajudar e tinha de descer para resolver um assunto.

Está tomando um café e comendo uma sandes mista.

Peço um café.
Tento falar de novo com o encarregado do recredenciamento.

Consigo finalmente.

Ele me orienta a deixar uma carta e a foto.

EU - Só?

ELE - Só.

Subo ao primeiro andar de novo para escrever a carta num dos computadores do cyber café que ali funciona.

EU - Preciso escrever uma carta aqui no computador.

MOÇA DO CYBER CAFÉ - Não estamos a imprimir.

Vou embora.

Na escada, encontro a pessoa que havia pedido para um colega ficar no lugar dela.

PESSOA COM QUEM CONVERSO – Conseguiu falar com ele?

EU – Sim, ele disse para deixar a carta aqui. Mas o cyber café está sem impressora. Posso imprimir a carta na sua sala?


PESSOA - A impressora não tem tinta.


Vou embora.

Terei de voltar amanhã.

Em Angola é assim.

Por que resolver hoje se podemos resolver amanhã?

domingo, 14 de junho de 2009

AS DICAS DA EDINALDA*

Salve queridos diqueiros!

Recebi esta dúvida de Thiago, nosso bom diqueiro e , como a questão é recorrente, lá vão a dúvida e a resposta:

Como a senhora mesma diz: Salve, querida professora! rsrs.

Estou com uma dúvida sobre concordância.

Visto sua prontidão e boa vontade em nos(nós diqueiros) ajudar, creio que não será incômodo me auxiliar.

Eis os exemplo:

O correto seria : ''Utilize-se das palavras que você julga ser corretas " ou '' Utilize-se das palavras que você julga serem corretas'' ?

Ou ambas são aceitáveis ?

E estando corretas, isto se deve à concordância atrativa?

Obrigado pela atenção.

Um grande abraço.

A alternativa correta é a segunda, Thiago: " ''Utilize-se das palavras que você julga serem corretas."

Se expandirmos a oração teremos: Utilize-se das palavras. Palavras ( no lugar do 'que') você julga serem corretas.

Percebe-se, então que a forma verbal 'serem' concorda com 'palavras' ( sujeito representado pelo 'que').

A força do sujeito é tão expressiva que também o predicativo 'corretas' concorda com 'palavras'.

Ficou claro? Mande email se ainda estiver em dúvida, sim?

Grande abraço, meu bom aluno!

Edinalda

*Profª. Edinalda Maria Almeida da Silva é coordenadora da Pós-Graduação em Literatura em Campos dos Goytacazes (RJ)

BRASILEIROS OU ANGOLANOS?

Teve festa junina em Luanda.

Com noiva chorosa, noivo fujão, sogro zangado e dança tradicional.

Você saberia dizer quais dos jovens abaixo são brasileiros e quais são angolanos?







sexta-feira, 12 de junho de 2009

DE QUANDO KAFKA MOROU EM ANGOLA

Sim, é verdade.

Quem descobriu foi o Afonso.

O Afonso diz ter alma de engenheiro, mas desconfio mesmo que seja a reencarnação do Joseph K.

No post Kafkiano, publicado hoje no Aerograma, temos a prova de que Angola é uma invenção do Kafka.

terça-feira, 9 de junho de 2009

E A COPA AFRICANA?

Angola vai sediar a copa africana das nações em janeiro.

Mas engenheiros que têm percorrido os locais onde os estádios estão sendo construídos relatam que as obras estão paradas.

Já estavam atrasadas.

Agora estão paradas.

Entre os rumores ouvidos aqui e ali, diz-se que o governo vai diminuir o ritmo de obras em outras áreas e concentrar os esforços na finalização dos estádios.

Afinal, Angola tem de fazer bonito.

A CRISE ACERTOU ANGOLA

O preço do barril do petróleo subiu, mas ainda não se sabe quando os efeitos da recente alta voltarão a ser sentidos em Angola.

O governo aumentou o compulsório dos bancos.

Trinta por cento dos depósitos à vista devem ser recolhidos ao banco central.

As remessas para o exterior continuam restritas e o dono do dinheiro só consegue mandar o dinheiro para fora depois de ir ao banco pessoalmente várias vezes. E muitas vezes não consegue.

Estrangeiros que recebem salário em Angola não conseguem mandar o dinheiro para as famílias nos países de origem.

Saques elevados mesmo em kwanzas também estão restritos. Resultado do enxugamento provocado pelo aumento dos compulsórios.

O último boato é que o governo angolano poderia congelar as contas bancárias e transformar todos os depósitos em dólar em kwanzas.

O governo angolano continua a atrasar o pagamento de contratos.

Notícias alvissareiras para os investidores estrangeiros.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

SOBRE UM CERTO EVENTO BENEFICENTE

No sábado fomos a um jantar beneficente.

Houve concurso de dança.

A dama do casal vencedor em cada um dos estilos (lembro-me de kizomba e rock) ganhava um relógio no valor de dois mil, quatrocentos e cinquenta euros, como o jovem apresentador enchia a boca para anunciar.

Houve sorteio de passagens aéreas doadas pela TAAG, Air France, Lufthansa e TAP. A TAAG, sempre generosa, doou dois trechos: um internacional e outro doméstico.

Houve leilão de um quadro pintado especialmente para o evento pelo artista angolano António Ole.

O lance inicial da pintura “A erradicação da Fome em Angola” (talvez o nome seja "A erradicação da Pobreza em Angola, agora já não estou bem certo) começou em US$ 5 mil.

Na sequência, os apresentadores começaram o assédio aos empresários, executivos de multinacionais.

O jovem apresentador ia até as mesas, postava-se diante da vítima e começava o ritual:

JOVEM APRESENTADOR – Não é possível que o senhor, com essa gravata bonita, não vai oferecer US$ 15 mil pelo quadro. Veja bem a figura de um dos nossos maiores artistas angolanos.

O jovem apresentador também falava em inglês, para que a audiência estrangeira pudesse acompanhar o show.

Obtido o lance desejado, o jovem apresentador partia para outra mesa.

O sujeito era bom. Não sei se teria conseguido o mesmo resultado se estivesse empunhando uma AK-47.

No final, o quadro foi arrematado por um constrangedor presidente de um banco português sediado em Luanda. US$ 18 mil.

Imagino que o banco vá pagar. Afinal, trata-se de doação para um projeto importante.

Tudo bem que o evento era beneficente. Mas poderiam ter combinado antes com algumas pessoas para que houvesse um ou outro lance, simulando uma disputa saudável, em vez de enfiar a faca no pescoço dos convidados. E, no final, a instituição que fosse fazer a doação daria o lance mais alto e pronto.

domingo, 7 de junho de 2009

UM HELICÓPTERO PARA O ZÉDU

Na sexta-feira, levei 1h20 para percorrer um trajeto inferior a 5km.

Em Luanda é assim. Nunca se sabe se os trajetos de 10 minutos serão feitos em 10 minutos ou em uma hora e meia.

E nunca há uma explicação.

Pode ser uma candonga quebrada ou uma autoridade que parou em fila dupla para conversar com alguém, diminuindo uma faixa de rolamento e provocando engarrafamentos em toda a cidade.

Aí o trânsito começa a andar e não há nada que justifique o engarrafamento.

Nesse caso, havia uma explicação.

O presidente Zédu havia saído do palácio presidencial.

E toda vez que ele sai do palácio presidencial, cinco mil soldados são colocados nas ruas.

Perfilados nas ruas e esquinas de todo o trajeto a ser percorrido pelo presidente.

O trânsito é interrompido horas antes de o presidente passar. E fica interrompido até o presidente voltar.

Mas já presenciei várias situações surreais como a da autoridade que pára em fila dupla para conversar e dane-se o mundo.

Já vi funcionários de empresas pararem o carro no meio de uma rua apertada de mão-dupla, ligarem o pisca-alerta (são bem atenciosos com o resto do mundo) e irem resolver seus problemas, engarrafando completamente o trânsito.

Na semana passada fui ao banco. Enquanto esperava o carro, presenciei um angolano parando em fila dupla a poucos metros de um prédio da esquadra policial.

Um 4X4 importado, diga-se.

A 50 metros, policiais de trânsito tentavam administar o trânsito.

Uma policial foi até o sujeito que havia estacionado em fila dupla. Caminhou em direção a ele e pediu que ele tirasse o carro porque estava em fila dupla e, com isso, havia uma faixa a menos para os carros passarem.

O sujeito começou a reclamar com a policial. Apontou para um carro que também estava estacionado na frente dele, em fila dupla.

SUJEITO DO 4X4 IMPORTADO – Se ele está parado aqui na rua, por que eu também não posso?

Não escutei o que a policial disse porque ela falava baixo. Escutei o que o angolano disse porque ele berrava no meio da rua com a autoridade policial.

O carro ao qual ele se referiu estava parado em fila dupla, sem ninguém, com o pisca-alerta ligado.

A policial falou mais alguma coisa.

O angolano no 4X4 gritou de novo e a policial foi embora.

E o angolano ficou lá, em pé, do lado de fora do carro, em fila dupla, provocando um engarrafamento.

Como se tudo estivesse normal.

Afinal, estava tudo normal.

Para ele.

O que importa se Luanda está engarrafada se ele conseguiu estacionar em fila dupla e ainda espantar a policial com um simples rosnado enquanto cofiava os bigodes por trás de um par de óculos escuros?

Agora me pergunto: por que a policial não multou o cidadão e exigiu que ele retirasse o carro dali?

Provavelmente ele deve ter dito que o carro era de alguma autoridade, que ele tinha diamantes e alguns barris de petróleo em casa, por isso podia fazer o que quisesse.

É curioso como alguns angolanos não respeitam Angola.

Lamento pelos angolanos que não têm diamantes nem barris de petróleo em casa.

Pelos angolanos que não têm 4X4 e nem podem estacionar os carros em fila dupla.

Pelos que são obrigados a usar as candongas e, no meio do percurso, serem surpreendidos com os candongueiros exigindo outra passagem para continuar o trajeto.

Antes que eu me esqueça: o preço do barril do petróleo voltou a subir. Sugiro que o presidente passe a se deslocar de helicóptero pela cidade.

CENAS NAMIBIANAS


AS DICAS DA EDINALDA*

Salve, queridos diqueiros!

A semana foi sombria, não é, com o acidente do avião.

A bordo estava uma das mais promissoras vozes do país: a brasileira Luciana de Aquino que, infelizmente, o Brasil não conhecia.

Era tímida e deixou apenas algumas gravações no You Tube.

Disponibilizo para vcs no endereço abaixo para quem quiser ouvir, ok?

Juliana Aquino.


A DICA DE QUARTA QUE VCS NÃO RECEBERAM

A dica vem por sugestão do prof. Douglas, Coordenador do Centro de Línguas da UCAM. 'Caminhando contra o vento' encontrou um panfleto ( outra vez, de restaurante!) que transcrevo a seguir:

"ESTÁ COM FOME?
____( nome do restaurante_____. Buffet à kilo com churrasco na brasa e frutos do mar."

Pois é, gente: que sinal de crase é esse antes de palavra masculina???????

E que mistura infeliz e provinviana de idiomas, não é?

Explico: KILO ( deveria ser QUILO, forma abreviada de quilograma) é cópia servil do inglês ou confusão da palavra com o símbolo KG; BUFFET é francês e ainda não tem uma correspondente em português, mas o panfletinho poderia registrar "comida a quilo", não é?

O ideal seria nos servirmos, com fartura, de uma Língua à Portuguesa!

A DICA DE HOJE, HOMENAGEIA OS ENAMORADOS, NUMA LEMBRANÇA AO "DIA DOS NAMORADOS"- 12 de junho.

Tudo leva a crer que a comemoração do Dia dos Namorados seja uma lembrança dos antigos festivais de fertilidade das religiões pagãs, chamados Lupercália, comemorados na Roma Antiga em honra ao Deus Lupercus, protetor dos rebanhos e pastores, juntamente com a Deusa Juno.

O amor romântico e consciente começou a se manifestar no início do Renascimento, quando as pessoas começaram a pontuar o significado maior de uma vida a dois.

Uma das primeiras expressões de histórias românticas que contrariaram o desejo dos pais foi a de Romeu e Julieta.

No Brasil, o dia dos namorados surgiu com uma campanha publicitária de João Dória da agência Standard Propaganda para a antiga Loja Clipper, a fim de melhorar as vendas de junho que estavam fracas, criando o slogan:

"Não é só com beijos que se prova o amor".

A moda pegou.

O Dia dos Namorados é comemorado na véspera do dia de Santo Antonio, tradicional Santo Casamenteiro.

Parece apenas informação, mas, a partir desse histórico, repasso para vcs uma aula perfeita de figuras de linguagem, observem!

Aprendi, esta semana, com Dr. Marcus Vinícius Filgueiras, meu colega da UCAM e homem de inteligência incomum ( ele interpreta a letra de Fito Páez- colei abaixo, ok?) que “O amor quando não morre, mata, porque amores que matam nunca morrem. Por isso todos queremos corações covardes que morram de amor por nós.”

Como não tenho "Nada a declarar", sugiro que reflitam e tenham um prazeroso Dia dos Namorados!

abçs apertados da
Edinalda

Eis a letra da música "Contigo" , de Fito Páez:

CONTIGO (Fito Páez)

Yo no quiero un amor civilizado,
Con recibos y escena del sofá;
Yo no quiero que viajes al pasado
Y vuelvas del mercado
Con ganas de llorar.

Yo no quiero vecínas con pucheros;
Yo no quiero sembrar ni compartir;
Yo no quiero catorce de febrero
Ni cumpleaños feliz.

Yo no quiero cargar con tus maletas;
Yo no quiero que elijas mi champú;
Yo no quiero mudarme de planeta,
Cortarme la coleta,
Brindar a tu salud.

Yo no quiero domingos por la tarde;
Yo no quiero columpio en el jardin;
Lo que yo quiero, corazón cobarde,
Es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas
Y matarme contigo si te mueres
Porque el amor cuando no muere mata
Porque amores que matan nunca mueren.

Yo no quiero juntar para mañana,
No me pidas llegar a fin de mes;
Yo no quiero comerme una manzana
Dos veces por semana
Sin ganas de comer.

Yo no quiero calor de invernadero;
Yo no quiero besar tu cicatriz;
Yo no quiero parís con aguacero
Ni venecia sin tí.

No me esperes a las doce en el juzgado;
No me digas volvamos a empezar;
Yo no quiero ni libre ni ocupado,
Ni carne ni pecado,
Ni orgullo ni piedad.

Yo no quiero saber por qué lo hiciste;
Yo no quiero contigo ni sin ti;
Lo que yo quiero, muchacha de ojos tristes,
Es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas
Y matarme contigo si te mueres
Porque el amor cuando no muere mata
Porque amores que matan nunca mueren

*Profª. Edinalda Maria Almeida da Silva é coordenadora da Pós-Graduação em Literatura em Campos dos Goytacazes (RJ)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

EXÉRCITO MATA CANDIDATO A PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU

Mais um capítulo da carnificina na Guiné-Bissau.

Três meses depois do assassinato de Nino Vieira, militares do serviço de inteligência das Forças Armadas da Guiné-Bissau mataram hoje Baciro Dabo (ministro da Administração Territorial), Hélder Proença (ex-ministro da Defes) e Faustino Embali (ex-primeiro-ministro).

Os militares dizem ter provas de que eles planejavam um golpe de Estado. Queriam matar o chefe das Forças Armadas e dissolver a Assembléia Nacional.

Baciro Dabo era candidato a presidente da República, nas eleições marcadas para o próximo dia 28. A campanha eleitoral estava prevista para começar amanhã.

Baciro Dabo também era ligado a Nino Vieira. Segundo as agências internacionais, os militares temiam que, se fosse eleito, ele mandaria prender os oficiais e soldados envolvidos no assassinato de Nino.

Nino Vieira foi morto a tiros e golpes de catana horas depois que o então chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau Batista Tagme Na Wai morreu vítima de um atentado.

Vieira e Batista eram inimigos antigos e viviam tentando se matar.

Conseguiram.

A Guiné-Bissau fica na costa oeste da ÁFrica.

Desde que se tornou independente de Portugal, em 1974, passou por vários golpes de Estado.

É um dos cinco países mais pobres do mundo.

Tem um milhão e meio de habitantes e, nos últimos anos, tem se tornado um dos principais pontos de passagem de drogas contrabandeadas da América do Sul para a Europa.

O que será da Guiné-Bissau?

O QUÊ?

O que pessoas do Japão, Índia, Paquistão, Nova Zelândia, Estados Unidos, Cracóvia, daqueles países nórdicos que nunca consegui decorar as capitais (no estilo daquelas confusões que fazem com as capitais sul-americanas), Canadá procuram nas páginas deste diário?

Será que todos moram por aqui, tem amigos e parentes morando por aqui, gostariam de morar aqui?

Mistério misterioso...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

NELY E DOMINGOS NÃO MORAM MAIS AQUI

Pois é.

Os dois foram embora.

Final triste depois de tantas histórias e tanto aprendizado.

Domingos foi primeiro. Disse que tinha de fazer um tratamento médico em Benguela e precisava de 15 dias de folga.

Saiu na metade do mês. Quando o mês venceu, Domingos ligou dizendo que a mulher passaria para receber o salário.

Perguntei quando ele voltaria, já que as duas semanas de folga já haviam terminado. Ele disse que precisaria de mais uma semana.

A mulher dele veio no dia seguinte, recebeu o dinheiro e Domingos nunca mais apareceu.

Depois foi a Nely.

Nely começou a faltar ao trabalho. Pedia uma folga e não voltava no dia combinado.

Um dia, eu disse que não almoçaria em casa. Só voltaria no fim da tarde.

Mas esqueci um material em casa e precisei voltar. Eram 11h30 da manhã.

Nely havia ido embora.

Liguei para ela para saber o que havia acontecido. Ela disse que havia terminado tudo o que tinha para fazer e precisava estudar para as provas na escola.

Era uma quinta-feira.

Na sexta era feriado.

Pedi que ela viesse no sábado porque tínhamos visita.

No sábado ela não apareceu.

Ligamos.

Ela disse que estava doente e que não havia ligado para avisar porque não tinha saldo.

Decidimos transformar Nely em diarista.

Ela receberia por dia trabalhado.

Depois de trabalhar dois dias nesse sistema, Nely não voltou mais.

NÃO EXISTEM INOCENTES

Leio na Angop que a polícia de trânsito em Benguela aplicou "mais de 300 multas" nos últimos oito dias.

Faz muito tempo que não sou parado pela polícia.

Mas conheço muita gente que continua sendo parada.

E continuam a pagar gasosa.

Alguns policiais, segundo me contam, gostam de fazer cálculos.

Dizem de quanto será a multa e quanto eles ganham de comissão em cima de cada multa aplicada, numa tentativa de fazer o suposto infrator chegar à conclusão de que é melhor pagar a gasosa.

Quanto?

Ah, um valor qualquer.

Algo que se situe entre o "um pouco mais" do que o agente policial receberia pela multa aplicada e o "bem menos" do que o suposto infrator teria de recolher aos supostos cofres públicos.

Sem falar que, ao pagar a gasosa, evita-se o aborrecimento de ter a carteira de motorista apreendida pelo policial.

Como sabem, em Angola é assim.

A multa não chega em casa.

O polícia apreende a carteira e tem um prazo para entregá-la na esquadra, onde o cidadão pode reavê-la depois de comprovar o pagamento da multa.

O que costuma acontecer é a carteira de motorista jamais ser encontrada.

Por isso, também, tanta gente prefere pagar gasosa.

Ou seja, não há inocentes.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

RETALIAÇÃO?

O assunto em Luanda na semana passada foi a devolução de 22 angolanos que tentavam entrar no Brasil pelo aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Dezenove mulheres e três homens.

Num primeiro momento, circulou a informação de que os vistos seriam falsos.

Aos poucos, chegou-se à informação de que os agentes da polícia federal no aeroporto de Guarulhos consideraram inconsistentes as informações prestadas pelos angolanos.

Os angolanos estariam com visto de turista e iriam fazer compras em São Paulo para revender a mercadoria em Luanda.

Os policiais federais teriam constatado que alguns dos angolanos estavam no Brasil para, de fato, fazer tratamento de saúde.

Como o visto para tratamento de saúde é outro, os angolanos foram impedidos de entrar no país.

Os que alegaram que teriam ido fazer compras não teriam conseguido comprovar renda suficiente. Não tinham cartão de crédito para provar que dispunham dos recursos necessários para as compras e nem mostraram dinheiro vivo.

Seguiu-se bate-boca.

Ofensas de lá e de cá.

Discussão inglória. Afinal, polícia é polícia no mundo todo. E os policiais, investidos da autoridade que lhes foi conferida pelo Estado, decidiram devolver todo o grupo para Angola.

Ao chegarem a Luanda, os angolanos continuaram sofrendo.

Teriam sido obrigados a passar a noite numa sala no aeroporto 4 de Fevereiro, até serem ouvidos pela polícia daqui.

Destratados no próprio país.

No dia seguinte, o grupo de angolanos fez uma manifestação em frente à embaixada do Brasil em Luanda e tentou forçar a entrada. A polícia foi chamada para conter os exaltados. Exigiam o dinheiro da passagem e do hotel de volta.

Dias depois, o Itamaraty recebe reclamações de brasileiros sendo destratados por oficiais de imigração e policiais no aeroporto 4 de Fevereiro e na rua.

Contam-me que, no sábado passado, cerca de 20 estrangeiros (não se sabe se havia brasileiros entre eles) foram presos pela polícia de imigração quando almoçavam num restaurante árabe nas imediações da igreja Sagrada Família.

Os oficiais chegaram, exigiram documentos, alegaram que estavam todos irregulares e colocaram todos no camburão.

E assim a vida segue.

AS DICAS DA EDINALDA*

Olá, amigos diqueiros!

Tenho, hoje, 3 especiais agradecimentos:

1 - aos nossos diqueiros Algeniro, Fifica, Wagner, Beth e Fátima ( respeitei a ordem, sim?) pela delicadeza de enviarem parabéns no 'aniversário das dicas'. Obrigadíssima!

2 - pela chegada, ao nosso grupo, de meu confrade JORGE RENATO PEREIRA PINTO, imortal
companheiro da Academia Campista de Letras que ocupará a cadeira 82! Seja bem- vindo, meu bom amigo!

3 - pela publicação das dicas no blog " Oficina das letras" do também diqueiro prof. Douglas.

Muito obrigada!

AGORA, FINALMENTE, AS DICAS:

a de quarta:

Essa 'coisa' foi lida em um cardápio de um de nossos bares:

"Todos os pratos acompanham arroz, salada e pão”. Ah, gente, deve ser algum modelo de prato com pezinhos que sai , brincando de pique atrás do arroz, da salada e do pão.

Ora, é só construir a frase com passividade!

"Todos os pratos são acompanhados por arroz, salada e pão."

Juro a vcs: dá uma vontade de pegar uma caneta e corrigir! Ainda bem que tenho a quem contar e com quem discutir: meus diqueiros!

a de hoje:

Dois diqueiros, durante a semana que se finda, tiveram dúvidas diferentes, mas muito importantes:

a 1ª sobre o substantivo óculos que só pode ser usado assim, no plural.Além disso, todas as palavras que se referem ao substantivo irão para o plural também. Ex: MEUS óculos, óculos ESCUROS,os óculos ESTÃO na caixa, etc, etc...

a 2ª sobre o emprego de sic , expressão latina que quer dizer 'assim mesmo'. Deve ser usada quando , por exemplo, transcrevemos a fala de alguém com erro gramatical, de prosódia,ou qualquer outro, para que o leitor entenda que o erro não é nosso, mas de quem produziu a fala.
Ex:" Ela disse : _ perdi meu ( sic) óculos."

Até domingo, gente, quando enviarei duas dicas pq na quarta sei que não terei tempo.

Grande abraço,

Edinalda

*Profª. Edinalda Maria Almeida da Silva é coordenadora da Pós-Graduação em Literatura em Campos dos Goytacazes (RJ)