sexta-feira, 31 de julho de 2009

AS FOCAS E OS CHACAIS

A Namíbia tem uma das maiores colônias de focas do mundo.

Fica na Costa do Esqueleto, a caminho de Swakopmund.

Cerca de 200 mil animais vivem e se reproduzem na região.

A visão é impressionante.

O cheiro não é dos mais agradáveis.

As focas fazem um barulho enorme.

Lembra o balido de ovelhas.

Mas a vida de foca não é só moleza.

Veja abaixo.

O chacal parte para mais uma refeição.

A colônia de focas é praticamente um supermercado.

A preferência é pelos filhotes.

Os chacais caminham tranquilamente entre as focas.

Não são ameaçados por ninguém.

Escolhem a presa e se esbaldam.

Não cheguei a registrar nenhum ataque.

Na foto abaixo (é melhor clicar na foto para vê-la ampliada), podem identificar o chacal lá na frente, em meio aos animais.

Vida de foca não é fácil.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

VALEU, GABRIEL BUCHMANN!

Eu escutei falar em Gabriel Buchmann pela primeira vez na semana passada.

Uma nota coberta rápida no Jornal Hoje, que aqui em Angola passa às 17h15.

Falava de um brasileiro desaparecido no sul da África.

Não dizia o nome do país e nem entendi bem as circunstâncias do desaparecimento.

Depois entrava uma entrevista com a mãe do rapaz.

Um ou dois dias depois, li no Pé na África, do Zanini, a transcrição do último e-mail que ele havia enviado para a família e a namorada antes de perder contato.

Fiquei fascinado com o relato.

Em poucas linhas, o Gabriel conseguiu expor as mazelas africanas, a falência de alguns programas de transferência de renda idealizados por organismos internacionais e, o mais importante, as pequenas vitórias pessoais dos africanos.

Fiquei fascinado também pela maneira simples e direta do texto.

Eram evidentes a felicidade e a satisfação do Gabriel em cada momento vivido na África.

Um ser em completa harmonia com o ambiente.

É emocionante o relato do momento em que ele decide pagar a mensalidade de uma criança numa escola no Quênia.

É a constatação de que cada um de nós pode fazer a diferença.

Com apenas US$ 40 ele garantiu um ano inteiro de educação para uma criança numa boa escola.

E certamente fez a diferença para o resto da vida daquela criança e sua família.

Em outro trecho, ele menciona como a transferência de recursos diretamente para quem precisa do dinheiro, sem governos corruptos, sem líderes comunitários espertalhões como intermediários funciona.

A história do Gabriel parece um daqueles romances de aventura, me lembram os relatos de conquistadores e desbravadores do continente. Com a diferença de que ele veio apenas aprender, tentar entender o que acontece com as pessoas.

A viagem do Gabriel me remeteu imediatamente para a história do Christopher McCandless, que virou livro do Jon Krakauer e depois um filme perturbador do Sean Penn (se você clicou no link do filme, deixe a página aberta e curta a trilha sonora não menos perturbadora do Eddie Vedder).

As histórias não têm nada a ver, mas, ao mesmo tempo, têm tudo a ver.

De uma forma ou de outra, os dois se libertaram.

E deixaram um vácuo arrebatador pelo caminho.

Torço para que o Gabriel esteja apenas impedido de se comunicar pelas dificuldades da viagem.

Valeu, Gabriel!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

AS QUEDAS DE EPUPA

Na fronteira da Namíbia com Angola.
Os governos dos dois países estudam a construção de uma hidrelétrica na área.
Se o plano for adiante, toda a região será alagada, com a expulsão de diversas comunidades Himbas e a destruição de sítios arqueológicos.
Clique na foto para ver em tamanho gigante e com detalhes.
Vale a pena.
É uma belezura só!

terça-feira, 28 de julho de 2009

HIPPOPOTAMUS AMPHIBIUS


Esqueça os desenhos de Walt Disney.

Os hipopótamos não são gente boa.

São os animais que mais matam pessoas na África.



Se encontrar com algum deles no caminho, não corra.

Caminhe para trás devagar, afastando-se do bicho.

A menos que ele avance em sua direção.




Nesse caso, salve-se quem puder.

Não estive em nenhuma situação de perigo, mas vi alguns hipopótamos de perto em Botswana e na Namíbia.

São, realmente, grandes.

E irritadiços.


E territorialistas.

Partem para o ataque ao menor pressentimento de que alguém invadiu a área deles.

As populações ribeirinhas da África são as vítimas mais comuns.

Como têm a pele muito fina e sensível, sangram se ficarem expostos ao sol.

Por isso passam o dia na água.

Conseguem ficar cerca de sete minutos sem respirar.


Quando o sol se esconde, eles saem da água e passam a noite se alimentando.

São completamente herbívoros.

Leio no “The Mammal Guide of Southern Africa” que um hipopótamo macho adulto pode pesar até duas toneladas. As fêmeas, até 1.675kg.


O tamanho médio dos caninos é de 60 centímetros.

Cada hipopótamo chega a comer mais de 130kg de capim por noite.

Eles vivem em média 39 anos e os leões são os principais inimigos. Incrível!



O tamanho da pata de um hipopótamo tem cerca de 24 centímetros.

A cor mais comum é o cinza escuro, mas a barriga é geralmente rosa. O hipopótamo tem pernas curtas e é bem constituído.

A boca é enorme e os olhos situam-se no topo da cabeça. Costumam ficar submersos apenas com os olhos, nariz e ouvidos para fora.

Os hipopótamos são animais gregários e formam grupos de seis a 15 integrantes, com uma fêmea como líder. Alimentam-se à noite e passam o dia na água, submersos, ou em bancos de areia.

No fim da tarde, começam a sair da água para se alimentar. Podem caminhar vários quilômetros para longe da água, especialmente nos períodos de seca.

Usam, em geral, as mesmas rotas.

Como alertei no início, apesar de aparentarem tranquilidade, são muito agressivos e perigosos.

Enfim, o hipopótamo é o bicho.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE GABRIEL BUCHMANN

Recebi o e-mail abaixo agora há pouco.

A história toda é incrível!

É um pedido de ajuda para o brasileiro Gabriel Buchmann, desaparecido no monte Mulanje, em Malawi, desde a semana passada.

Como sei que as comunicações na África são complicadas, torço para que ele esteja bem e apenas com dificuldades para fazer contato.

Abaixo, a mensagem que resume o acontecido.

“Essa é a história de Gabriel Buchmann. Gabriel é um economista brasileiro de 28 anos que está perdido desde sexta da semana passada no Monte Mulanje, no país Centro-Africano do Malawi, um dos países mais pobres do mundo. Precisamos de ajuda para manter o assunto na mídia e garantir a continuidade do apoio governamental. Explicamos como no final do e-mail.

Ao longo do último ano, Gabriel Buchmann viajou por dezenas de países na Ásia, Oriente Médio e África. Sempre com poucos recursos, a base de carona e com a ajuda de pessoas locais. Sua intenção era conhecer o mundo, suas belezas, suas dores, seus erros, a pobreza, a injustiça dos homens contra a natureza e contra seus semelhantes.

Gabriel é um economista brilhante. No vestibular, foi primeiro lugar geral na PUC-Rio. Na faculdade, fez duas graduações: em Economia e Relações Internacionais. Ao longo da faculdade ganhou duas bolsas para estudar na Europa, na Science-Po francesa e depois na Universidade de Madri.

Voltou ao Brasil para completar sua monografia, em reforma agrária. Depois, iniciou o mestrado na própria PUC-Rio, defendendo a dissertação sobre a interação entre educação, fertilidade, e o sistema político do país.

Ao terminar o mestrado, ingressou no centro de políticas sociais da FGV onde trabalhou na avaliação de diversos programas do governo. Essa seria sua preparação para o seu doutorado em economia da pobreza, na Universidade da Califórnia.

Antes do doutorado, Gabriel falou que precisava entender a pobreza mais de perto, e essa foi uma das suas razões para sua viagem à Ásia, Oriente Médio e África. Não que ele não a conhecesse. Ainda na faculdade, embarcou num avião do correio aéreo nacional para a Amazônia, onde subiu o pico da neblina e conviveu nas comunidades pobres locais.

Abandonou o verão do seu Rio de Janeiro para passar meses em cidades do sertão nordestino, onde fazia questão de ir às cidades mais pobres e se hospedar na casa das pessoas humildes da região. O seu interesse era a vida deles, os problemas deles.

Para Gabriel, a estrada é conhecer e viver. Esse é o e-mail que ele escreveu para a mãe dele no dia primeiro de junho (veja mais no blog):

“Caríssimas mamãe, namorada e João, meus grandes parceiros de mochilagem desta fantástica trip,

e querida irmãzinha,

depois de mais de uma semana mergulhado de cabeça no coração da África, encontrei este cyber café aqui em Jinja, interior de Uganda e em frente à foz do rio Nilo

...e vos escrevo pra dizer que estou maravilhosamente bem...meus dias aqui na África estão sendo absolutamente fantásticos ! ! !

... depois de passar uns dias na casa de um refugiado congolês nos subúrbios pobres de Nairóbi, fui parar nem sei direito como na remota tribo dos massais no kenya, onde passei dias correndo atrás de girafas, zebras e antílopes, com lanças e espadas e vivendo a vida tribal dos caras, dormindo em ocas, etc.

...e entre outras aventuras pelo kenya, terminei em grande estilo, fazendo um safári de bike com um amigo meu massai num parque nacional lindíssimo...
tô muito roots, andando há uma semana enrolado em cangas coloridas e carregando um cajado e uma espada de aço...e só sei que desde que cheguei na África, não vi NENHUM muzumgo (white man) além de mim...

ah, e hoje no meio de tudo coloquei uma criança na escola...É uma longa estória, mas, resumidamente, depois de passar o dia passeando por um vilarejo aqui de Uganda com um menino que, entre outras coisas me apresentou a sua família paupérrima, e de por acaso visitar uma escola publica e falar com o diretor, acabei que paguei pela matriculas, mensalidades e todas as despesas do menino ate o fim do ano, e me comprometi a, se ele me mandar o boletim dele, continuar pagando pelos próximos anos...

mas o melhor de tudo é que aqui na África to conseguindo por em pratica a viagem que sempre idealizei...

hoje ficarei em hostel pela segunda vez desde que pisei no continente, todos os outros dias dormi e comi na casa de locais, gastando uns 2-3 dólares por dia, o que me permitiu a cada dia distribuir meu daily budget entre as pessoas que me hospedaram, alimentaram, etc...

to muito feliz com isso, de conseguir estar vivendo grandes aventuras e realizando uma viagem de profunda imersão no continente africano, absolutamente não turística, e de forma totalmente sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres...

e aqui com quase nada vc faz uma substancial diferença na vida das pessoas...esse amigo meu congolês, por exemplo, com 12 dólares paguei o aluguel mensal da casa da família dele, esse menino com 40 dólares garanti um ano escolar pra ele numa escola super legal, hoje dei 2 dólares pra uma mulher que me convidou pra conhecer a casa dela e ela se ajoelhou e quase chorou...

podia escrever horas sobre essa minha primeira semana aqui na áfrica, to realmente muito contente por tudo aqui estar superando minhas melhores expectativas...mas to escrevendo mesmo pra dar um sinal de vida, pois essa noite passei fazendo 4 baldeações pra atravessar do kenia pra Uganda durante a madrugada e andei o dia inteiro visitando dezenas de casas de agricultores, missões, escolas, etc., numa vila aleatória aqui no interior de Uganda...

tenho encontrado pessoas incríveis e fascinantes a cada dia que me apresentam a outras e de conexão em conexão vou penetrando aos poucos na alma da África...

tenho arranjado contatos incríveis e, semana que vem, depois de prestar minhas homenagens às vitimas do genocídio de Ruanda e de sei-la-o-que-me-espera no Burundi, vou visitar um garimpo de diamantes e os pigmeus nas selvas do congo com o irmão de um amigo, um campo de refugiados na Tanzânia onde mora o tio de outro amigo que fiz aqui, tentar arrumar uma forma afordable de subir o kilimanjaro e então espero minha linda cris chegar em Dar Es Salaam pra mais uma lua-de-mel em grande estilo...

ta bom, um parágrafo sobre os dois melhores amigos que fiz no Kenya...

Alex Alembe. Tava no ultimo ano de engenharia em Uvira, sua cidade no Congo. Certa noite uma milícia invadiu sua casa. Mataram sua mãe e sua irmã mais nova, mas ele conseguiu fugir pela janela. Foi parar num campo de refugiados na Tanzânia, onde ficou por 4 anos, se casou com uma tanzaniana e teve 3 filhos. Se mudou pra um subúrbio de Nairóbi e passou os últimos anos trazendo ouro e diamantes de garimpos no Congo e revendo em outros países da East Africa. Conseguiu construir uma casa confortável, e nela alojar sua família e vários órfãos. Voltando de uma de suas viagens, assaltaram o ônibus onde estava e levaram suas maletas com tudo seu, dinheiro, diamantes e passaporte. Perdeu tudo. Se mudou com toda a família pra um casebre de 12m2. Mesmo assim, continua levando a cabo 3 projetos sociais, dando café da manha pra 20 crianças, amparando viúvas de vitimas de Aids e organizando um futebol todas as tardes. Ta juntando tudo o que pode pra se candidatar pra deputado provincial no congo nas próximas eleições.

TIA. This is Africa.

Leonard. Massai cuja mãe me hospedou em sua casa em Iwatso Ogindong. Tava no ultimo ano de administração na universidade de Nairóbi. Depois de 3 anos de seca na terra dos massais, teve que largar a faculdade pra levar o gado que sobrou de sua família pra melhores pastagens. Andou 8 dias por 500 km levando 100 cabeças atravessando cidades, inclusive passando pelo aeroporto de Nairóbi. Luta pra preservação da cultura massai e sonha em casar com uma americana, de preferência gorda. Me batizou com um nome massai, Lemaya. Seu irmão, Brain, tem 20 anos e é respeitado na tribo. Aos 14 matou um leão e assim atingiu a maturidade. Aos 15 se casou com uma menina de 12 e outra de 13, que seus pais escolheram. Me deu sua espada de presente.

TIA. This is Africa. Fui.Mamãe, desculpa não te ligar ha tanto tempo, farei o máximo pra fazê-lo amanha de Kampala, capital do pais...

Cris, te escrevo em seguida...

Johnny, boa Rússia pra ti, irmão!

Russia Haracho!

Russia Kracivaia!

beijos,Gabriel”

Malawi era o último país que ele iria visitar. Dia 28, estaria (está!) com viagem marcada de volta ao Rio. Gabriel já está desaparecido há uma semana, mas em 1994 um Malawiano passou 3 semanas sozinho no monte, sendo encontrado numa trilha após ter desmaiado de fome.

Houve ainda outros casos de resgate.

NOS AJUDE A MANTER A CHAMA ACESA! COMO AJUDAR:

É preciso manter o assunto na mídia!

Para isso, use sua imaginação e esteja livre para ajudar da forma como achar melhor. Aqui vão algumas sugestões:

a) Dê forward desse e-mail para o maior número de pessoas que puder. Essa é uma corrente do bem.

b) Mande e-mails para jornalistas e bloggers. Temos que divulgar na imprensa e nos meios digitais. Em vários jornais, colunistas colocam seu e-mail ao final da coluna, peçam para eles para falar do assunto!

c) Coloquem o link em seu twitter, facebook, MSN. Nosso Twitter é ajudegabriel.

d) Comentem as notícias que aparecem na mídia! É fácil achar na uol, no globo.com, em vários portais.

RECEBA UPDATES DA SITUAÇÃO DE GABRIEL: Mande um e-mail para ajudegb@hotmail.com".

Boa sorte, Gabriel!

UM ENCONTRO INTERPLANETÁRIO?

A foto foi feita em Epupa Falls, às margens do Rio Cunene.

De um lado da margem, a Namíbia.

Do outro, Angola.

No meio, um encontro improvável.

Quem você acha que destoa da paisagem?

domingo, 26 de julho de 2009

MUSSULO

Estive hoje na ilha do Mussulo pela primeira vez.

O assédio aos visitantes que chegam à marina para pegar os barcos e cruzar o mar em direção à ilha é algo de insuportável.

Farei um post em breve sobre o assunto.

Hoje ficam algumas imagens da garotada que mora na ilha.

São filhos dos pescadores.



Crianças sorridentes como em qualquer lugar do mundo.
Ali, naqueles poucos momentos, me convenço de que há mesmo esperança.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

UMAS CERTAS FLORES EM BOTSWANA

No Rio Chobe, na fronteira de Botswana com a Namíbia.

ESTÓRIAS DE MELGAS

Nos Cus de Judas está desde o início do diário na relação de sítios que valem a pena.

É de autoria do Roberto Ivens, escriba de nobre estirpe.

Como sabem, não resisto ao glorioso Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.

É mais do que uma fixação da minha parte.

É praticamente um desvio de conduta.

Divirto-me com os comentários dos que se irritam com os relatos verídicos do que se passa no glorioso.

Em geral, os que se irritam são os que nunca pisaram o glorioso.

E os que possuem uma imagem romântica da África sem nunca cá terem estado.

Navegando Nos Cus de Judas, deparei-me com esta pérola de relato sobre a chegada ao glorioso 4 de Fevereiro.

Antes da inauguração do novo terminal internacional, diga-se.

Com vocês, Estórias de Melgas, by Robert Ivens.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

BUSHMEN

Encontrei o grupo perto do lugarejo de Kanovlei, região de Grootfontein, oeste da Namíbia.

Segundo os livros, não há outro grupo social ou linguístico que tenho sido mais estudado, filmado, pesquisado e escrito do que o povo San. Ou Bushmen. Ou Kalahari.

Os bushmen representam apenas 3% da população da Namíbia.

Ficaram mundialmente (no sentido de popular) famosos com o filme “Os deuses devem estar loucos”.

Na Namíbia, há três grupos importantes: os Haixom, no norte das regiões de Otavi, Tsumeb e Grootfontein; os !Kung, em Bushmanland; e os Mbarankwengo, no oeste da faixa de Caprivi.

Os bushmen são caçadores e coletores de alimentos.

A expansão agrícola e a ocupação de terras pelos brancos reduziram sensivelmente as áreas em que os bushmen vivem.

Muitos ainda preferem viver nas aldeias, cujas áreas são protegidas por leis federais na Namíbia.

Há ONGs e fundações que captam recursos para manter a terra e garantir alimento, roupas e remédio para os bushmen.

Apesar de as fotos retratarem os bushmen como eles viviam, todos eles moram em casebres pobres na área da reserva perto de Grootfontein.

Recebem turistas e encenam o estilo de vida que levavam.

Alguns falam inglês.
São os que conseguiram ir à escola e são a ponte entre os mais velhos, os que não conseguiram estudar, e o resto do mundo.

Uma tabela de preços mostra quanto custa a simulação completa.

Pode-se contratar apenas a simulação de caça, de dança, de preparação de comida. Ou um pacote completo, com tudo incluído.

Assim que o acerto é feito, as pessoas são encaminhadas ao local onde entrarão na mata com os bushmen.

Em poucos minutos, eles aparecem caracterizados com as roupas tradicionais.
Aos poucos chegam mulheres e jovens que colocam à mostra artesanatos que vendem aos turistas.

Pode-se comprar antes ou depois da encenação.

Quando o ritual acaba, eles voltam para suas casas e vestem as roupas ocidentais.

Poderiam estar em qualquer lugarejo pobre em qualquer lugar do mundo.

Quando estavam na mata, com as vestes tradicionais, pareciam em completa harmonia com a natureza.

Ocidentalizados, provocaram estranhas sensações.

São um museu vivo.

Os bushmen estão entre os homens mais antigos do planeta.
Os primeiros registros de fósseis de ancestrais humanos foram encontrados há cerca de 60 mil anos no leste da África.

Na região do Kalahari, que engloba parte da Namíbia e Botswana, há registros de seres humanos há 40 mil anos.
Segundo os antropólogos, esses seres seriam os ancestrais dos atuais povos Khoi e Bushmen.

Os linguistas agruparam todas as línguas faladas no mundo em cerca de 20 famílias.
Desse total, quatro são muito diferentes das demais e fazem parte das famílias africanas, que incluem as línguas Khoisan e Niger-Congo, também conhecidas como Bantu.

As línguas khoisan se distinguem pelo vasto repertório de estalidos durante a fala.
Apesar de estranho, são consideradas línguas bastante sofisticadas. Do ponto de vista fonético, são as línguas mais complexas do mundo. Falar um delas fluentemente significa explorar completamente a habilidade fonética do ser humano.
Os bushmen são baixos.
Atribiu-se o fato à ausência de carne na dieta.


Os bushmen não caçam mais.
Os animais são protegidos por lei. Os alimentos agora são comprados nos mercados de beira de estrada e nas cidades próximas, com o dinheiro que recebem dos turistas, das ONGs e do governo.

Apesar de não viverem mais nas cabanas, os bushmen ainda se reúnem como na foto abaixo para as encenações turísticas e para mostrar aos mais jovens como era a vida dos antepassados.
Os mais velhos da aldeia não falam inglês.
Alguns dos mais jovens falam inglês, mas ainda são poucos os que conseguem autorização dos pais para estudar na cidade.
Muitos preferem que os filhos fiquem na aldeia (ou no vilarejo) na tentativa de preservar a cultura.
Este abaixo fala inglês e também trabalha como guia.
Para a maioria, não faz sentido ir para a cidade. Não há emprego.
Abaixo, a simulação de uma dança da chuva.
Homens e mulheres dançam com as pernas entrelaçadas.
Um dos guias da aldeia.

A venda de artesanato é contabilizada em detalhes.
Cada bushman produz suas peças, que possuem uma etiqueta com o nome do autor e o preço.
Depois, tudo é anotado no caderno e o dinheiro entregue ao dono.

Bushman volta para casa depois da encenação.

Na aldeia, os bushmen nas roupas ocidentais.

Meninas bushmen brincam.

Crianças bushmen no quintal de casa.

O NOVO TERMINAL DE DESEMBARQUE INTERNACIONAL DO 4 DE FEVEREIRO

Usei ontem.

Placas indicativas para as filas de nacionais, estrangeiros, o povo da CPLP, passaportes diplomáticos e de serviço.

Funcionou.

As bagagens demoraram uma hora. Normal em qualquer lugar do mundo.

Não fui abordado por nenhum malandro.

Será que agora vai?

terça-feira, 21 de julho de 2009

UMA AVE EM BOTSWANA

Ainda não sei o nome do bicho.

Ele mora no Parque Nacional de Chobe, em Botswana, na fronteira com a Namíbia.

É só olhar.

Não carece de explicação.