quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ALGUMAS INFORMAÇÕES SOLTAS, GENÉRICAS E ALEATÓRIAS SOBRE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

A cena acima é algo de impressionante.

A caminho de uma das roças de São Tomé, encontramos centenas de mulheres lavando roupa nos rios que cortam a ilha e desaguam no Atlântico.

Roupas estendidas sobre pedras, no chão.

Mulheres e crianças, a maioria meninas, com bacias na cabeça levam a roupa de volta para casa.

São Tomé e Príncipe é um país pobre.

O programa de alfabetização de adultos que o Brasil mantém em parceria com o governo santomense vai completar 15 mil alunos com o curso concluído daqui a dois anos.

A inflação este ano deve ser de 19%.

A dobra, nome da moeda local, vale quase nada.

Para comprar um dólar são necessários 16 mil dobras.

Um pão custa cinco mil dobras.

O câmbio é feito em bancos e na rua.

No centro da cidade, santomenses fazem o sinal de dinheiro esfregando o indicador no polegar sempre que avistam um branco.

As estradas são ruins, esburacadas.

Qualquer viagem para o interior do país é feita devagar.

Nos lugarejos, a velocidade precisa ser reduzida.

Quando crianças e adolescentes veem um branco no carro, estendem a mão e pedem doces.

Ao longo da viagem, são centenas de pedidos: “doce, doce, doce”.

Quando dizemos que não temos doce, pedem caderno, livro, lapiseira, esferográfica, bola, pasta.

O pedido vem, geralmente, precedido da palavra branco pronunciada de diversas formas: “branco, blanco, banco, brranco (como se tivessem um sotaque francês).

O desemprego é alto.

Como em toda a África, há muitos vendedores de rua.

Cerca de 80% do orçamento de São Tomé e Príncipe é resultado de ajuda internacional.

O calendário eleitoral do país prevê eleições praticamente todos os anos.

As legislativas estão previstas para 2010.

As presidenciais para 2011.

A cada eleição, o país tem que passar o chapéu entre a comunidade internacional para conseguir organizar as eleições.

Começa uma pressão para que o país reveja seu sistema e faça coincidir as eleições no mesmo ano.

Parece que há muito petróleo no mar territorial de São Tomé, mas a população não tem detalhes.

Não sabem o tamanho das reservas e nem como o processo está sendo conduzido.

Angola e Nigéria disputam influência geopolítica sobre São Tomé.

A Sonangol, empresa angolana de petróleo, comprou 35% da Empresa Nacional de Combustíveis e Óleos de São Tomé.

Dizem que é proibido filmar e fotografar o palácio do governo.

Pois aí está ele.

Talvez eu ainda seja pego no aeroporto acusado de tirar fotos do palácio.

Em Angola também há dessas coisas.

É proibido tirar fotos do Palácio do Governo, do Banco Nacional de Angola, dos ministérios.

Dizem que os sul-africanos iam a Angola como turistas, tiravam fotos e depois bombardeavam a cidade.

Luanda nunca foi bombardeada.

Criou-se o mito e nele se vive.

É um mito cansativo.

O governo angolano está construindo uma embaixada enorme em São Tomé.

Vários andares, de frente para o mar.

Um português que tem negócios aqui me disse que figuras importantes do governo angolano estão comprando bares, restaurantes e construindo hotéis em São Tomé.

PORTUGUÊS COM NEGÓCIOS EM SÃO TOMÉ – Perguntou-me o preço. Disse que era 3,5 milhões de euros. Ele perguntou-me quanto era em dólares. Os angolanos só pensam em dólar. A mulher dele gostou do lugar. É bonito mesmo. Custou-me uns 600 mil euros para construir. Vai render-me um bom dinheiro.

Pois.

São Tomé e Príncipe tem cerca de 160 mil habitantes.

O PIB é de aproximadamente US$ 197 milhões e deve recuar 4,2% este ano por causa da crise internacional. O PIB tem a seguinte composição: agricultura (16%), indústria (14%) e serviços (69,9%).

O país importa tudo o que consome.

A balança comercial é deficitária: importou US$ 88 milhões e exportou US$ 8 milhões no ano passado.

O país chegou a ser o maior produtor mundial de cacau. A falta de investimento em pesquisa e melhoria da produção acabou com o setor. As exportações de cacau hoje são de US$ 3 milhões.

A expectativa de vida do santomense ao nascer é de 68 anos. Cada mulher tem em média 5,3 filhos. 73% do país se diz católico.

Fora de São Tomé, quase não há iluminação pública.

Candeeiros e velas iluminam a noite de quem não tem dinheiro.

Pequenos geradores garantem aos mais abastados um pouco de luz e um ventilador ou ar-condicionado para os ilhéus que vivem em plena linha do Equador.

No ranking da corrupção elaborado pela ONG Transparência Internacional, São Tomé ficou na posição 121 num total de 180 países.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O DIA EM QUE VI UM DIA NA VIDA DOS PESCADORES DA PRAIA DA GAMBOA NO LITORAL DE SÃO TOMÉ


Estive na praia da Gamboa, a 10 minutos do centro de São Tomé.

A praia é suja.

Porcos e cães circulam entre crianças e adultos.

Nunca vi porco tomando banho de mar.


Pois este toma.

Acho que ele sonha em ser surfista.



A pesca em São Tomé e Príncipe é artesanal.

Os pescadores saem para o mar em várias levas.

Pode ser à noite, de madrugada ou no início da manhã.




Cada bote leva entre seis e 12 pescadores.



Rumam para os arredores do Ilhéu das Cabras.



Um deles é escolhido para mergulhar e identificar os cardumes.



Depois, ele volta à superfície e avisa aos companheiros.



A agitação é grande.



O piloto aciona o motor e começa a fazer um movimento circular em volta do cardume, enquanto os outros pescadores lançam a rede ao mar.



Cercado o cardume, a rede é retirada.



Às vezes vem muito peixe.



Outras vezes quase nada.



Os pescadores reclamam da falta de apoio do governo.



Pergunto por que não criam uma cooperativa.

Dizem que é difícil, que precisariam de ajuda e que o governo não faz o que deveria fazer.

Um deles se mostra interessado pela idéia da cooperativa.

Em cinco minutos de conversa,bolei um projeto inteiro.

Acho que acordei pensando em salvar o mundo.

Peixes de qualidade para exportação.

Digo que devem procurar algum deputado em quem confiem e que possa levar o projeto adiante.
Como montar uma cooperativa?

Falo sobre a ONG Marapa, que funciona atrás da Embaixada do Brasil, e que ensina vendedoras de peixe a ganhar dinheiro com o que antes era jogado no lixo.

As peixeiras se inscrevem no curso e recebem aulas de nutricionistas.

Aprendem a fazer salsicha de peixe, pudim de peixe.

Tudo com a cabeça, rabo e outras partes que eram desprezadas.

Produto com valor agregado.

Mais dinheiro no bolso.

Falo delas para os pescadores.

Sugiro que apareçam lá e peçam ajuda.

Imagino a criação de uma marca no estilo: “Peixes selecionados das águas quentes da Praia da Gamboa de São Tomé e Príncipe”.

Imagino todo um esquema de transporte, com os peixes abastecendo mercados europeus e americanos.

Os pescadores olham para mim com aquele olhar de que apareceu mais um branco louco para resolver os problemas de São Tomé.

Vou-me embora.

E assim segue a vida dos pescadores nas águas do mar de São Tomé e Príncipe.

sábado, 26 de setembro de 2009

NOVA ÁFRICA



Reportagem da TV Brasil sobre a estreia do programa Nova África.

ALGUMAS GENTES DE SÃO TOMÉ

Nem todo são-tomense gosta de tirar fotos.

Alguns tapam o rosto quando percebem que há uma câmera apontada para eles.

Todos para quem pedi aceitaram.

Esses três garotos em frente a essa casa de frente para o mar na avenida Marginal.


Esses garotos na porta de um mercadinho.


A vendedora me pediu para tirar uma foto dela com as frutas. Depois nos reencontramos no mercado de São Tomé.


Essa moça vendendo bichos pelúcia.


Essa aí também pediu.



Todos ficavam enlouquecidos quando viam suas imagens no visor da câmera.

Isto é África.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Chegamos.

Primeira impressão 1: muito quente.

Primeira impressão 2: povo muito simpático.

A foto acima é de um trecho da avenida Marginal.

A de baixo é do Arlindo, nosso guia, motorista e intérprete.

Até mais.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

OS ANGOLANOS TAMBÉM SOFREM NO GLORIOSO 4 DE FEVEREIRO

Meia hora de atraso na decolagem de Luanda para Lisboa.

Mas o piloto tira o atraso e chegamos no horário.

Já no saguão do aeroporto de Lisboa, à espera da bagagem, uma angolana conversa com outra ao meu lado.

ANGOLANA 1 - Pois foi isso. Queriam ficar com US$ 1.200.

ANGOLANA 2 - Aié? Mas como isso?

ANGOLANA 1 - Tive que ligar para o ministro. Queriam pegar o dinheiro. E eu tinha uma carta do Banco Nacional de Angola falando que estava a levar US$ 16.200. Estava tudo certo.

ANGOLANA 2 - Mas então?

ANGOLANA 1- Queriam o dinheiro! Liguei para o ministro e ele falou com os policiais. "Vocês devolvam o dinheiro agora para a senhora. E se estiver faltando um tostão, estão todos na rua".

ANGOLANA 2 - E o que eles fizeram?

ANGOLANA 1 - Ficaram até sem voz. Um deles ainda veio dizer que não era preciso me fazer passar por aquilo.

ANGOLANA 2 - Estão todos juntos. Essa corrupção tem que acabar.

ANGOLANA 1 - Pois. Queriam uma gasosa. E eu disse: "Pois não vou dar é nada. Eu fui do J (referindo-se ao Jovem MPLA) e agora estou no M. Sou mais angolana que vocês". Tinha aquele do Zaire, da Enana. Pelo menos esse vai ser demitido. Quando eu voltar para Luanda, vou ter com o ministro dos Transportes, com o ministro das Finanças. Isso não é possível.

As malas chegaram e elas foram embora.

Gostaria de saber a opinião dos anônimos furiosos diante de um relato feito por uma angolana após uma tentativa de achaque no glorioso aeroporto 4 de fevereiro.

FUGA DE LUANDA

É a sensação de quem deixa Angola pelo glorioso aeroporto 4 de Fevereiro.

As obras de melhoria avançam.

A área de embarque também melhorou.

Mas ainda somos obrigados a mostrar o passaporte sete vezes para entrar na área de embarque.

E uma oitava vez para conseguir entrar no avião.

Na fila do aparelho de raios-x, funcionários com olheiras de vampiro nos indagam se estamos a levar kwanzas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ROBERTO CARLOS EM ANGOLA


A reportagem do Fantástico foi feita em 2003.

Roberto Carlos veio a Luanda fazer um show para comemorar o primeiro ano do fim da guerra.

Vi primeiro na Casa de Luanda.

GUINÉ-BISSAU

Na busca de informações sobre o país, encontrei um blog excelente.

Chama-se AFRIC-ANA e, a partir de hoje, entra na relação de sítios que valem a pena.

sábado, 19 de setembro de 2009

A DIÁSPORA ANGOLANA

O que fazem os angolanos no exterior?

Estudam medicina, engenharia, administração, ciência da computação?

Outro dia alguém escreveu num comentário de um post que todos hão de voltar.

Tenho curiosidade de saber se a comunidade de angolanos no exterior está unida.

Estão em contato uns com os outros?

Elaboram planos, estratégias, pensam em que áreas vão trabalhar quando voltarem?

O que pensam os angolanos no exterior?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A PÓLIO VOLTOU FORTE EM ANGOLA

A luta contra a poliomielite tem apresentado excelentes resultados em vários países.

Em muitos, a doença é considerada erradicada.

Em 2004, Angola não registrou nenhum caso.

No ano seguinte, a doença voltou.

No ano passado, foram VINTE E NOVE registros.

Apesar das campanhas, dos agentes comunitários de saúde e das vacinações de rotina, este ano já se contabilizam 19 casos de pólio em todo o país.

Há várias explicações:

1) crianças que não foram vacinadas;

2) crianças que deixaram de tomar uma das doses da vacina;

3) crianças que moram em áreas ainda sem cobertura das campanhas de vacinação. Apenas 75% do território é atendido. Os organismos internacionais consideram que um país está livre da doença quando mais de 90% das pessoas são atendidas;

4) crianças que, mesmo tendo tomado a vacina, desenvolvem a doença. Explicação: crianças mal-nutridas, com vermes e fragilizadas por outros tipos de doença não conseguem absorver adequadamente a vacina a ponto de ficarem imunizadas;

5) vírus importado de outros países, principalmente nas regiões de fronteira.

Será uma luta longa para vencer a doença.

CABO VERDE, SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E GUINÉ-BISSAU

Sim, embarco para lá na semana que vem.

O BATUQUE DE CABO VERDE

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OS MALAS

Não imaginei que o post anterior fosse provocar tantos comentários e tanta polêmica.

O texto a seguir foi publicado originalmente como uma resposta aos comentários que o post sobre o esporte favorito dos angolanos provocaram.

Resolvi transformá-lo num novo post.

Vamos às considerações:

1) Digo que os angolanos gostam de parar na garagem dos outros pelo fato de estar em Angola. Se estivesse em Minas Gerais, diria que eram os mineiros. Se estivesse em Portugal, diria que eram os portugueses. Digo que são angolanos por uma simples razão: eles são angolanos. Não há nada de pejorativo nisso. São, de fato, angolanos.

2) Conheço os meus vizinhos e tenho boas relações com eles. A vizinha da direita, que vem a ser dona da casa, tem família grande. Uma típica família africana. Filhos, filhas e muitos netos que fazem visitas frequentes. Eles são alguns dos que com mais frequência estacionam na minha garagem. Uma das filhas vem almoçar com ela duas ou três vezes por semana. E todas as vezes que ela vem, estaciona na porta da nossa garagem, e não na porta da garagem da mãe dela, que fica livre. Isso faz algum sentido? Não faz. Então duas ou três vezes por semana tenha eu que ir lá tocar a campainha e pedir para a moça tirar o carro. E lá vem ela com um sorriso amarelo no rosto. "Desculpa lá" é a resposta preferida. Isso faz sentido? Não faz. Por que ela continua a estacionar na nossa garagem e não na dela? Não tenho resposta. Se eu me convidasse para tomar um fino na casa deles o problema estaria resolvido? Se eu os convidasse para tomar um café e comer um bolo aqui em casa o problema estaria resolvido? Acho que não.

3) O mesmo acontece com as visitas dos vizinhos. Estacionam na nossa garagem. E lá vou eu ter de descobrir quem são, onde estão. Abro o portão para sair de casa e me deparo com um 4X4. Esses são os que se sentem mais no direito de desrespeitar os mais básicos códigos de conduta.

O episódio relatado no post é diferente.

O sujeito que me disse duas vezes que o carro não era dele (ou não era da casa, dá no mesmo) deu uma de malandro.

Ele sabe que eu moro aqui. Ele me vê todos os dias.

Ele já parou na porta da minha garagem várias vezes.

Eu já tive que pedir para ele tirar o carro várias vezes.

Estacionar o carro em Luanda é difícil.

Todos sabemos disso.

Não há vagas.

O trânsito é caótico (apesar de ter melhorado nos últimos dias, pelo menos nas regiões em que circulo).

Eu nem me incomodaria muito de chegar em casa e encontrar um carro estacionado na porta da garagem.

Desde que o motorista estivesse próximo, fácil de ser localizado para retirar o veículo.

Tampouco acharia ruim abrir o portão da garagem e encontrar um carro bloqueando a saída.

Desde que o motorista estivesse próximo, fácil de ser localizado para retirar o veículo.

O caso é que o tal vizinho mentiu.

Ele simplesmente mentiu.

Disse que o carro não era dele (ou não era da casa, dá no mesmo).

Só que neste caso a velha máxima de que mentira tem perna curta funcionou.

Ele foi desmascarado imediatamente.

Não fico irritado pelo fato de as pessoas que fazem coisas erradas serem angolanas.

Não fico irritado pelo fato de serem negros.

Não estou nem aí se são angolanos, americanos, belgas, suecos ou suíços, amarelos ou lilases, marcianos ou o que sejam.

Sei bem o que eles são: uns malas.

E como estou em Angola e 96% ou 97% dos angolanos são negros, sempre surge alguém para dizer que os comentários são racistas, que não tenho respeito pelo país, que sou um gringo filho da mãe e todas essas outras coisas.

Como há malas em qualquer lugar e quase 100% dos angolanos são negros, a chance de o sujeito mala ser negro aumenta consideravelmente.

Não tenho culpa se alguns querem projetar em mim os preconceitos que identificam em si mesmos.

Apenas lamento.

Só gostaria que não estacionassem mais na porta da minha garagem.

Não acho que seja pedir muito.

Se você for loiro de olhos azuis e estacionar na porta da minha garagem, vou te achar um mala do mesmo jeito.

domingo, 13 de setembro de 2009

O ESPORTE FAVORITO DOS ANGOLANOS

Como todos sabem, é estacionar o carro na porta da garagem dos outros.

Ontem chegamos das compras.

Como de costume, havia um carro na porta da nossa garagem.

Não podíamos estacionar para descarregar as compras.

Duas casas abaixo funciona uma oficina informal que instala aparelho de som em carros.

Há sempre três ou quatro carros na garagem e aquela batida infernal de som tecno.

Além desses carros, é comum estacionarem outro carro na porta da nossa garagem para fazer o serviço na rua.

Tive de parar mais à frente, também na porta da garagem de alguém.

Falei com os seguranças que ia procurar quem havia estacionado na porta da minha garagem.

SEGURANÇAS - É ali daquela casa.

Eu já imaginava.

Fui falar com os caras que montavam o som.

EU - Esse carro aqui na porta da minha garagem é de vocês.

ANGOLANO - Não, não é.

Achei estranho.

Nisso, surge um outro sujeito de dentro da casa.

Repito a pergunta.

EU - Esse carro é de vocês.

ANGOLANO - Não, não é nosso.

Saio então à procura do dono.

Bato na porta do vizinho do lado esquerdo.

Não é deles.

Bato na porta do vizinho da direita.

Também não é deles.

Quando volto para a frente da minha garagem, 10 minutos depois, um terceiro angolano sai da casa que funciona como oficina de som improvisada.

Ele se dirige aos outros angolanos que estão na calçada.

ANGOLANO - Ei, tira o carro da porta da garagem dos outros.

É inacreditável.

Ousaria dizer que é surreal.

Volto, pois, para o angolano que me disse que o carro não era deles.

EU - Perguntei duas vezes se o carro era seu e você me disse que não. E o carro é de vocês. Por favor, não parem mais na porta da minha garagem.

ANGOLANO - Sim, sim, desculpe.

EU - É desagradável. Todo dia é a mesma coisa. Todo dia vocês param o carro na porta da minha garagem. E agora eu vim aqui e pergunto duas vezes se o carro é seu e você diz que não.

ANGOLANO - Sim, sim, desculpe.

Fico imaginando o que terá levado o meu vizinho angolano a dizer que o carro não era dele.

Terá pensado que, se dissesse que o carro não era dele, eu iria embora e ele poderia deixar o carro onde estava?

Terá meu vizinho angolano não entendido a pergunta? Afinal, o português que nos une é o mesmo que nos separa.

A sensação desagradável de se chegar em casa quase todos os dias e encontrar um carro bloqueando a entrada da sua garagem repete-se há quase dois anos.

O curioso é que os angolanos não estacionam na porta das próprias garagens.

Estacionam na porta dos outros.

Existiria alguma razão para isso?

sábado, 12 de setembro de 2009

NOVA ÁFRICA


Nova África é a série jornalística da TV Brasil que estreia dia 25/09/2009, às 22h.

A seguir, o texto de divulgação do programa:

"A série tem como objetivo retratar o continente africano da perspectiva dos africanos. Como escreveu o autor Mia Couto, a África vive uma tripla condição restritiva: prisioneira de um passado inventado por outros, amarrada a um presente imposto pelo exterior e, ainda, refém de metas que lhe foram construídas por instituições internacionais que comandam a economia.

Nesta série os africanos narram seus problemas e soluções: trabalhadores, políticos, assim como intelectuais, artistas e ativistas sociais africanos, cujas vozes e idéias estão quase ausentes no cotidiano dos brasileiros são nossos entrevistados.

Vários países africanos foram e estão sendo visitados e priorizamos os países com os quais o Brasil - pelas relações históricas estabelecidas ao longo de séculos - tem maiores afinidades culturais e econômicas, além dos acordos de cooperação firmados na atualidade

Assista, divulgue!"

Ficha Técnica

Direção Geral: Henry Daniel Ajl e Luiz Carlos Azenha

Direção de Fotografia: Markus Bruno

Projeto editorial: Luiz Carlos Azenha e Conceição Oliveira

Coordenação de Produção: Tatiana Barbosa

Reportagem: Aline Midlej

Produção: Paulo Eduardo Palmério

Assistentes de produção: Erica Teodoro, Yuri Gonzaga

Montagem: Marco Korodi, Augusto Simões

Roteiro programa estréia: Eduardo Prestes Diefenbach

Roteiro: Angela Canguçu

Consultoria Histórica: Conceição Oliveira

Finalização Gráfica: Fernando Clauzet

Trilha Original e Mixagem: Rafael Gallo

Coordenação de Pós-produção: Eduardo Prestes Diefenbach

Narração: Phil Miler

Narração "Os Lusíadas" de Luiz Vaz de Camões: Gero Camilo

Agradecimentos a Carlos Serrano, Rita Chaves e Adelto Gonçalves.

BURAKA SOM SISTEMA - YAH - FEAT. PETTY

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

LUANDA É UM LUXO PARA POUCOS

O texto é do Bruno Garschagen, jornalista brasileiro e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IEP/UC.

Descobri ao entrar no Seguindo Adiante.

Lá, vi um link para o África Minha (que a partir de hoje entra na relação de sítios que valem a pena).

O texto estava lá.

Apresenta uma outra visão sobre Luanda.

"VISTO DE FORA

A revista Foreign Policy saudava Angola por seu “espectacular crescimento econômico. Estive em Luanda no final da semana passada e o que vi foi um estado policial e muita miséria.

Você reconhece essa nação? O título da publicidade em formato de reportagem que a revista "Foreign Policy" publicou em sua edição de Maio/Junho saudava Angola por seu "espectacular crescimento económico". Por sua segurança e estabilidade política. Por seu poder regional para promover a paz. Quem pode duvidar de um país turbinado pela indústria petrolífera?

Estive em Luanda no fim da semana passada para uma série de encontros pelo OrdemLivre.org, o programa lusófono da Atlas Economic Research Foundation em parceria com o Cato Institute. É a cidade mais cara em que já pus meus pés. Não há calçadas para pôr os pés. Não há espaços nas ruas para tantos carros. Os veículos novos e importados driblam o tráfego intenso e a miséria que bate nos vidros em busca de clientes para produtos chineses de marcas famosas. Ou de uma mera esmola que drible a fome. Luanda parece recém-saída de um terramoto.

Construções decadentes são a moldura trágica para os poucos prédios novos e para as construções em curso. O lixo espalha-se no chão como folhas da relva. A cidade cheira mal. O transporte público é precário. Autocarro é um luxo reduzido e irregular. Não há táxi. Quem tem dinheiro aluga um carro com motorista. Quem não tem anda espremido em carrinhas lotadas. Ou a pé. Foi o que fiz.

Os pobres de Luanda vagam pelas esquinas. Grupos de homens concentram-se em vários pontos da capital. Os trabalhos disponíveis exigem qualificação. Muitos deles nem sequer sabem ler ou escrever. A taxa de iliteracia é de 32,6%, segundo o CIA World Factbook.

Luanda é um estado policial. É mais simples obter um visto de entrada para a China comunista. Quase mediram meu crânio e contaram meus dentes. No aeroporto, os sempre gentis funcionários da imigração olham com aquele semblante de vampiro esfomeado. No hotel, um formulário do governo solicita-me informações pessoais e objectivo da visita. Um gesto de boas-vindas um tanto excêntrico. A despedida? Guardas no aeroporto confiscaram todas as notas da moeda local. Não, não deram factura.

Estabilidade política? Como não? O presidente José Eduardo dos Santos está no poder desde 1979. Não vejo outra forma de garantir a estabilidade do que se manter no poder durante 30 anos. E daí? Vendo fotos de Luanda na década de 1970 e lembrando o que vi pessoalmente há alguns dias é impossível não pensar nas virtudes da estabilidade adquirida naquele país por aquela elite política.

Parte do país vai muito bem, obrigado. Mora em condomínios fechados afastados da miséria do centro. São os beneficiários do "espectacular crescimento económico" que perverte a ideia de um desenvolvimento cuja riqueza permite que grande parte da população saia da miséria.

O estado angolano exerce o monopólio da actividade económica e decide quem poderá desfrutar das benesses do sector petrolífero. O mercado, lá, não existe. Na lista de 141 países do Índice de Liberdade Económica do Fraser Institute, Angola aparece na penúltima posição. Notável.

As riquezas naturais de um país sob um governo autocrático funcionam como um muro perverso entre o Estado e a sociedade. Se o orçamento do governo não advém da riqueza produzida pela sociedade, a população perde o poder de pressão sobre a elite política. É convertida num estorvo que deve ser controlado.

A população ainda carrega no espírito e no corpo a desolação da guerra civil, encerrada há apenas sete anos. A riqueza exibida pelos poucos é um apelo muito forte entre os jovens desafortunados. É natural que prefiram integrar a elite a lutar por mudanças políticas que beneficiem os indivíduos e não apenas um grupo protegido pelo Estado.

Mas há uma minoria que nos permite alimentar a esperança, mesmo que a longo prazo, de reforma do statu quo. São estudantes, professores, jornalistas, advogados, intelectuais, que trabalham de forma isolada ou articulada para "desprivatizar" o governo angolano. São indivíduos que, no futuro, poderão repetir a mesma pergunta sem qualquer ponta de ironia:
"Você reconhece essa nação?"

CENAS NAMIBIANAS

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

EU NÃO SOU EU

Precisei enviar procurações para o Brasil.

Hoje recebo a seguinte mensagem:

"Informamos que nenhum dos dois Cartórios que nos indicou reconheceu sua firma, alegando que as assinaturas não conferem. Favor enviar novas procurações com assinaturas iguais às constantes nos Cartórios."

EM LUANDA, A ÚNICA SAÍDA PÓS-LÊNIN É À DIREITA

Conheci o Ondjaki outro dia.

Por alguma razão qualquer, surgiu o assunto nomes de rua.

Em Luanda, muitas ruas não têm nome.

Quer dizer: têm nome, só que que não há placas.

Outras têm dois (um do tempo dos portugueses, outro do período pós independência).

Uma rua que tem apenas um nome é a Lênin. Ou Lenine, no português lusitano.

O assunto descamba para o trânsito.

Menciono a lenda urbana que já se formou entre os expatriados.

EU - Em Luanda é proibido virar à esquerda.

Sempre que alguém vira à esquerda, materializa-se um guarda a pedir gasosa.

Ondjaki concorda com a história de que em Luanda é proibido virar à esquerda (não conversamos sobre as gasosas).

Ele cita uma frase de alguém famoso em Angola (mas que não me recordo o nome agora) sobre a rua Lênin.

ONDJAKI - Pois ... dizia que Luanda é a única cidade no mundo em que, quando acaba a rua Lênin, a única saída é à direita.

De fato, quem segue pela rua Lênin em direção à praça do Kinaxixi só pode virar a direita.

À esquerda é proibido.

AS ESTRANHAS CONEXÕES ENTRE DEUS, A INTERNET E UMA TEMPORADA EM ANGOLA

Internet lenta sempre foi um problema em Angola.

Navegar pela rede mundial de computadores é um exercício diário de paciência.

Mas a situação piorou muito nas duas últimas semanas.

Hotmail e Gmail estão constantemente fora do ar.

É um suplício para quem depende dos e-mails para trabalhar.

Além da internet da TV Cabo, também tenho o tal Movinet.

É aquele aparelhinho com entrada USB que permite acessar a internet via celular.

Renovei ontem o serviço por três meses porque a TV Cabo não funciona.

Quando conecto o Movinet, sou direcionado para uma página da Movicel, a segunda empresa de telefonia do país, informando que desde o dia 6/9/09 o serviço está indisponível, mas que todos os clientes serão compensados.

Eu prefiro a minha parte em acesso garantido à internet.

Quase US$ 500 gastos num serviço que não funciona.

E os funcionários da gloriosa Movicel são incapazes de avisar que o serviço está indisponível.

Começo a imaginar como seria meu retorno à Movicel para pedir o dinheiro de volta.

Talvez os US$ 500 sejam um preço barato para eu não ter de me desgastar com os funcionários da Movicel.

É por essas e outras que não se deve dizer: "Deus, dai-me paciência".

Ele vai te atender.

Momentos depois de você proferir tal frase, conexões inusitadas acontecerão e você receberá um convite para trabalhar e morar em Angola.

E você se verá transportado no tempo e no espaço.

Quando der por si, estará em Luanda, na frente de um computador, tentando acessar a internet.

Como estou fazendo agora.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A PROPOSTA DO MPLA PARA AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS EM ANGOLA

Depois de votar para o Parlamento, no ano passado, os angolanos esperavam que agora em setembro, um ano depois das eleições legislativas, pudessem escolher o novo presidente.

Seria a segunda eleição para presidente da República desde a independência, em 1975.

A primeira aconteceu em 1992 e o resultado foi a retomada da guerra civil.

Naquele ano, José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi disputaram a presidência.

Zédu ficou com quase 50% dos votos.

Haveria segundo turno.

Savimbi não aceitou.

Alegou fraude e reiniciou a guerra.

Zédu continuou, pois, como presidente.

Eleito o novo parlamento, no ano passado, criou-se a expectativa de que o presidente da República convocaria eleições para este mês.

Mas no começo do ano começaram boatos diversos de que a eleição para presidente seria indireta.

Com 82% dos votos obtidos na eleição, o MPLA elegeria com facilidade qualquer candidato.

Mas Angola quer parecer bem frente ao mundo.

Surgiu o argumento de que o modelo de eleição no país seria definido pela nova Constituição, a ser elaborada pelos parlamentares eleitos no ano passado.

As eleições presidenciais, comenta-se, agora talvez só ocorram no ano que vem.

Hoje, a direção do MPLA explicou o modelo que considera o mais adequado.

Modelo este que será adotado, pois o partido do governo tem maioria qualificada no Congresso.

Não precisa dos votos da oposição para aprovar qualquer projeto.

Leia abaixo ou no sítio da Angop.

Constituição
MPLA propõe modelo de eleição directa com presidente da República à cabeça de lista

Luanda - O MPLA propõe o modelo de eleição do Presidente da República por sufrágio universal, directo e secreto, no quadro da lista concorrente mais votada para as eleições parlamentares, em que o candidato a chefe de Estado aparece como o cabeça-de-lista.

Esta posição foi manifestada hoje (quarta-feira) pelo líder parlamentar do MPLA, Bornito de Sousa, numa conferência de imprensa que se destinou a tecer comentários e esclarecimentos sobre as declarações do presidente da República, José Eduardo dos Santos, aquando da recente visita do seu homólogo sul-africano, Jacob Zuma, a respeito da eleição presidencial e do modelo constitucional que o partido no poder propõe.

De acordo com o deputado Bornito de Sousa, o MPLA propõe um modelo que, em geral, privilegie a mediação partidária para a representação política e a escolha dos titulares dos órgãos de soberania, sem prejuizo, por esta via, de candidaturas independentes.

"Concretamente em relação ao presidente da República, o MPLA propõe um modelo de governação não bicéfalo na direcção do poder executivo e que reserva ao presidente da República eleito por sufrágio universal, directo e secreto, no quadro da lista concorrente mais votada para o Parlamento, de que é o cabeça- de-lista, um papel activo e actuante, sendo coadjuvado no exercício da função executiva por um vice-presidente e por ministros e secretários de Estado por si nomeados", explicou.

Bornito de Sousa disse tratar-se de um modelo em que se elege, no quadro da eleição parlamentar, o chefe do Governo, tal como acontece nas democracias parlamentares da Grã-Bretanha, Portugal, Alemanha, Índia, Itália, Israel, Gécia e outros.

Entretanto, esclareceu, no modelo que se está a propor, e tal como o da África do Sul, o chefe do Governo é, simultaneamente, o chefe de Estado ou presidente da República, em vez do que ocorre nos países acima apontados, que possuem ou um monarca ou elegem por via parlamentar um presidente meramente cerimonial.

O parlamentar explicou também que neste modelo, tal como ocorre na África do Sul, "o MPLA defende a inserção da fotografia do candidato a chefe do Governo e Presidente da República no boletim de voto, o que confere a sua eleição um carácter directo".

"Mas, no caso angolano, não se exige, necessariamente, uma nova eleição ou confirmação parlamentar, como fazem os sul-africanos. Do nosso ponto de vista, esse formalismo é dispensável, bastando apenas a tomada de posse do candidato eleito", concluiu Bornito de Sousa, que descartou haver dissintonia entre o ante-projecto de Constituição do MPLA e o presidente do partido.

UMA ENTREVISTA COM UM LADRÃO DE CARROS

Recebi do José.

São supostos trechos de uma entrevista que um ladrão de carros deu para policiais da delegacia em que está preso no Brasil.


PERÍODO PREFERIDO
'Prefiro furtar de manhã.
É quando todo mundo está com menos cuidado com as coisas'.

TRAVAS
'Travas segredos e alarmes são ridículos. Antigamente, alugava um carro para estudar como funcionava. Hoje nem faço isso'..

DESMANCHE
'Nunca desmontei carro. Odeio sujar a mão. Sempre trabalhei sozinho, por encomenda. Já entrei em Concessionária, de terno, para ver o endereço e para onde iria o carro, ficava de campana (vigiando) e roubava.
Já roubei muito carro que o pessoal da Concessionária me entregou'.

BUSCA
'Para quem tem o carro furtado, o ideal é procurar num raio de três quilômetros da vizinhança, pelas ruas menores, menos movimentadas'.

DESTINO DOS CARROS
'Este negócio de Paraguai é lenda. Ninguém vai levar carro roubado para lá. No Paraguai, o máximo que acontece é gente que entrega a uma pessoa, ela leva o carro até lá, vende no mercado negro e manda chave e documento de volta para ele dar a queixa de roubo. E são poucos.
O mais comum é o carro ir para o interior, onde não há fiscalização. Boa parte dos carros é cortada por ferros velhos. Aqui no Rio são todos na Dutra. Mas hoje em dia 50% das comunicações são falsas. Quase tudo é golpe na seguradora'.

ENCOMENDAS
'Eu tinha encomenda para o resto da vida. Mas se disser quem é me complico.
É melhor ser um preso vivo, que um morto em liberdade'.

TRÁFICO
'Esses roubos armados estão sendo feitos por pessoas que estavam no tráfico de drogas ou em quadrilhas que, por algum motivo, foram para o roubo de carro. Acho que foi porque a Polícia está dando em cima nestes crimes, porque não está fácil passar carro roubado. O mercado está concorrido'.

CARRO ROUBADO
'Já tive carro roubado. Nem procurei. Roubei outro e fiz um duble na hora'.

CONSELHOS
'Se a pessoa não quiser ter o carro furtado, não deixe nada dentro visível.
Na minha mente doente, sempre acho que tem dinheiro, ouro, jóia, ali.
Não equipe muito o carro, porque assim se ganha mais dinheiro. Além de vender o carro, ainda vendo os acessórios. Não coloque em rua calma demais'.

PREÇO
'Numa Blazer do ano, paga-se R$ 10.000,00, se você vender no interior.
Se você passar para um atravessador, fica com uns R$ 4.000,00 ou R$ 5.000,00.
Quando não dá para passar, algumas pessoas fazem o golpe com a Recuperadora.
O ladrão fica com 3,5%, o recuperador com 3,5%, a Empresa com 3%, dos 10%, que a Seguradora paga.'

JUSTIÇA
'Meu crime é igual a roubar uma carteira de uma bolsa. Vou ficar preso por um tempo, uns dois anos, mas vou sair. Infelizmente a justiça é assim'.

PROFISSIONAIS
'No Rio só existe uns dez profissionais no furto. São pessoas comuns, que vivem disso. Hoje sou mais uma lenda, mas já furtei seis carros por dia'.

DOM
'O furto é cara de pau. A pessoa não pode vacilar. Levo dez segundos para entrar no carro e ninguém percebe. Tenho dom'.

DESAFIO
'Se um fabricante quiser, coloca um carro aqui no pátio (da Delegacia) e, se eu não abrir, faço propaganda da Empresa dele, dizendo que a trava de segurança funciona. As montadoras fazem códigos para vender carros mais caros, mas os delas são os mais fáceis de furtar. A melhor coisa a fazer é ter Seguro'.

AUTOCONFIANÇA
'Não existe carro que eu não roube. Motor não tem vontade própria e não ama o dono. Se você der energia e combustível, ele vai andar'.

COMENTÁRIO
Não deveria existir bandido que não recebesse sua pena...
Mas...'se der energia e combustível, ele vai andar'.
Damos essa energia, esse combustível...
Pense nisso...

UM ALERTA.. PRESTE MUITA ATENÇÃO!
Algumas medidas que devem se incorporadas no dia-a-dia:
Não anotar telefone residencial no verso de cheques, especialmente em postos de gasolina. No caso de assalto ao posto, as informações pessoais podem ser usadas para ameaças, especialmente contra mulheres. Anote sempre o telefone comercial.

Não exibir currículo no carro, como: adesivo de faculdade, do condomínio onde reside (adesivos como: Eu amo Ubatuba), da academia de ginástica, etc. Um extorsionário deduz desses sinais a vida de pessoa e os usa para fazer ameaças.

Evitar compras por telefone ou Internet fornecendo o número do cartão de crédito, peça boleto bancário..

O ladrão prefere pessoas desatentas, aproveita-se do elemento surpresa.

O objetivo do ladrão é patrimonial e não pessoal,
escolhe as vitimas pelo fator comportamental.

Jamais reagir, só em filmes dá certo.

O elemento surpresa é favorável ao bandido, que nunca está sozinho
e não tem nada a perder.

Manter distância segura do carro da frente, para poder sair numa só manobra,
sem bater. Distância segura é poder enxergar
pelo menos parte do pneu do carro da frente.

O risco de morrer em roubo de farol é absurdamente maior do que num seqüestro. Nessa situação mantenha as mãos no volante e tente comunicar-se, indicando claramente o que vai fazer:

• Se for tirar o cinto - Vou tirar o cinto com esta mão, posso?
• Se pedir a carteira - A carteira está no bolso de trás (ou dentro da bolsa), posso pegar?

À noite, calcule tempo e velocidade para evitar parar num farol vermelho.

Não há registro de assalto com carro em movimento...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

UM ANO LONGE DE CASA

Este mês completo um ano e quatro meses de África.

Doze países visitados no continente.

Um ano sem ir ao Brasil.

Um ano sem ver meus pais.

Um ano desde que Eunyce se foi, poucos dias antes do nosso reencontro.

Quase dois anos sem ver os sobrinhos.

Estão todos crescidos.

A distância nos roubou a convivência.

A provável cumplicidade.

Não teremos as histórias de travessuras para relembrar no futuro.

Sou aquele tio distante de quem tanto ouvem falar e cuja imagem será a de uma foto desbotada no álbum de fotografias da avó.

Um ano sem encontrar os amigos.

Um ano longe da rotina da qual fui refém durante boa parte dos 13 anos passados em Brasília antes de cruzar o Atlântico rumo a outro continente.

Do lado de cá, vi coisas incríveis.

Conheci gentes maravilhosas.

Vi tragédias de perto.

As grandes, que engolem povos inteiros.

E as pequenas, que mastigam as almas.

Nos dois casos, um soco no meio da cara.

Vi as gentes que querem apenas chegar ao fim do dia.

Da mão para a boca.

No Congo, um jovem me disse que aquilo não era vida.

As crianças me chamavam de muzungu e sorriam o tempo todo.

E vi dois sorrisos incríveis.

Vi africanos analfabetos capazes de falar cinco, seis línguas.

A do colonizador e a deles.

Calçar os sapatos de outrem é difícil.

São diferentes os vícios da pisada.

Mas é preciso seguir adiante.

Rastrear as pegadas antes que elas sumam nas areias do tempo.

sábado, 5 de setembro de 2009

UM ANÔNIMO FURIOSO

Recebi ontem o seguinte comentário de um leitor anônimo.

Ele não gostou do post No aeroporto 4 de fevereiro, publicado aqui no diário em 15 de setembro do ano passado.

Segue o texto (com os erros de digitação com que foram escritos):


"Oh palhaço em quantos aeroportos do mundo estiveste? Pq em Londres, Novai Iorque e outro nao e´mt diferente em termos de fila pra nao dizer pior. Em relacao aos esquemas e aos fura fila isto ocorre por causa dos estrangeiros que julgam ser mais importantes que os outros e nao podem ficar na fila a espera como se fossem descolar e aterrar antes dos restante passageiros. Nao sei se ja estiveste noa aeroporto de Lisboa mas tb nao e´permitido passar para a zona de check-in aos nao passageiros. Porque nao escreves sobre isso? Palhaco racista. Podes blokear o meu comentario. A mim so interessa q tu leias o meu email e´ panco@sapo.pt"

O curioso é que, além das ofensas, o Anônimo furioso não questiona qualquer dos fatos relatados no post.

Deixo a palavra com os eventuais usuários dos aeroportos de Luanda, Lisboa, Londres, Nova York e outros, mencionados na irada mensagem pelo Anônimo furioso.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

AS DUNAS DE SOSSUSVLEI

Como nunca estive no Saara, não tenho como comparar.

Mas ousaria dizer que Sossusvlei é mais do que um deserto.

É uma experiência.

A visão de qualquer uma das dunas protegidas dentro do Parque Nacional é algo de impactante.

O melhor horário para se chegar lá, é claro, é antes de o sol nascer.

Só assim será possível ver a sombra que o raiar do dia lança sobre as dunas.

Com sol alto, fica tudo da mesma cor, sem contraste, sem contorno.

De longe, parece uma serpente do deserto que avança sobre a montanha.

As dunas são montanhas de areia.

A foto não mostra, mas de perto é possível ver uma fina camada de areia que passa de um lado para o outro, dependendo da direção em que sopra o vento.

Os grãos de areia são lançados para um lado pela manhã.

À tarde, quando o vento muda de direção, os grãos retornam para o lado em que estavam mais cedo.

Uma duna nunca é a mesma.

Essas de Sossusvlei não mudam de lugar por causa dessa mudança de direção do vento.

Mas mudam ligeiramente de formato.

Se o vento estiver mais forte, é possível ver a velocidade com que as pegadas deixadas na areia são apagadas.

Uma duna é uma montanha de areia pronta a ser escalada.

E todo mundo escala.

O contraste do céu azul com a areia meio cor de ferrugem lança dúvidas sobre a veracidade da foto.

Terá sido manipulada num photoshop?

Pois não.

As cores são essas mesmas.

E todos parecem caminhar sobre as costas da serpente de areia.

Algumas dunas chegam aos 200, 300 metros.

A sensação é a de quem caminha no fio da navalha.

O ponto em que as areias passam de um lado para o outro lembra uma lâmina.

É preciso equilíbrio para avançar.

O esforço é recompensado por uma breve pausa para admirar um oceano de grãos de areia.

Também há vida por ali.

Camuflada no próprio deserto.


Os mais ousados descem por caminhos menos tradicionais.


Abaixo das dunas, Deadvlei.

Árvores secas centenárias.

Rodeadas de areia.

Um dia estarão petrificadas.

Sossusvlei é o coração do deserto do Namibe.

Com alguma sorte, é possível avistar alguns antílopes na região, como o Orix.

Desta vez não conseguimos.

Mas vimos um outro visitante solitário.