sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PARA LUCIANA E WOLTONY

Luciana e Woltony,

Tenho me informado sobre tudo o que acontece com vocês por intermédio da Fabiana.

Estou há mais de um mês viajando.

Passei 25 dias entre São Tomé, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Depois de uma breve escala de uma semana em Luanda, estou agora em Maputo, cobrindo as eleições presidenciais de Moçambique.

Estou para escrever há bastante tempo, mas não queria fazer nada de maneira apressada, na correria das matérias e nem no fim de um dia cansativo.

Preferi esperar por um momento mais tranquilo.

Aqui do quarto do hotel em que trabalho me chega o som de caixas de som instaladas num enorme palco na Praça da Independência, bem aqui ao lado.

Daqui a pouco vai acontecer um show reunindo artistas de vários países da África.

Fico pensando em como o mundo é estranho.

Aqui, do outro lado do Atlântico, do outro lado do continente africano, numa Maputo banhada pelas águas do oceano Índico, uma grande festa vai celebrar o resultado das eleições presidenciais.

E aí, do outro lado do continente africano, do outro lado do Atlântico, no planalto central, estão vocês, amigos que aprendi a admirar e a respeitar pela postura de correção diante da vida.

Li emocionado os posts do blog.

Difícil conter as lágrimas.

Mesmo agora, escrevendo essas linhas, volto a me emocionar.

Meu desejo era estar aí para lhes um abraço.

Rever as fotos daquele Carnaval.

Escutar um pouco do Sidney Magal.

Saborear um pedacinho (tipo a metade) daquela lasanha preparada pelo Woltony.

Essas viagens por terras africanas me fazem refletir.

Tenho encontrado gentes incríveis.

Tenho visto coisas incríveis, improváveis.

Ousaria dizer que tenho até presenciado pequenos milagres.

Pequenos mesmos, daqueles que passam despercebidos.

Milagres que exigem treino para se notar.

Talvez não faça nenhum sentido, mas talvez faça todo o sentido.

Uma visita que fiz a um bairro pobre na periferia de Bissau me marcou bastante.

Em Bissau não há geração de energia.

Só tem luz em casa quem tem gerador.

Quem não tem usa vela.

Não há escolas.

Em alguns bairros, a própria comunidade se reúne para dar aulas às crianças.

São imagens espalhadas que, quando se juntam, fazem todo o sentido.

Por alguma razão que desconheço minha mente teima em associar essa passagem por Bissau a vocês.

De certa forma, explica um pouco o que vocês são.

Lá em Bissau, em vez de reclamar da escuridão, as pessoas acenderam velas.

A iniciativa do blog é também uma vela que se acende.

Uma luz que ajuda a encontrar o caminho, a organizar as idéias, a dividir as emoções.

Alguém já disse que o caminho se faz caminhando.

É o que vocês estão fazendo.

Saibam que estou nesse caminho com vocês.

A partir de hoje, blog Luciana e Woltony entra na relação de sítios que valem a pena.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

UMA CONVERSA COM MIA COUTO


Foi hoje à tarde, no escritório dele.

Uma sala simples com duas estantes pequenas cheias de livros.

Falamos bastante de política, eleições, Frelimo, democracia, os mitos em torno da África.

Meu amigo António Cascais, jornalista português que vive entre a Alemanha e a África, também participou da entrevista.

Mia Couto autografou meu exemplar de Terra Sonâmbula.

Comentou que o último livro, Jesusalém, teve outro título no Brasil por causa da editora.

Alegaram que a palavra Jesus está muito batida e usada pelas igrejas.

O trabalho aqui tem sido intenso.

Só poderei detalhar a conversa com o Mia Couto outro dia.

O trabalho aqui ainda vai longe.

Agora há pouco saiu o primeiro resultado parcial das eleições.

Frelimo com 74%.

MDM com 17%.

Renamo com 9%.

Até.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A REVOLTA DAS MÁQUINAS, A INCOMPATIBILIDADE DOS SISTEMAS E O MIA COUTO

Aconteceu de tudo um pouco hoje.

Os servidores do hotel em Maputo não conversavam com os do Brasil.

Os programas de computador pararam de funcionar.

Deixaram de fazer o que deveriam.

Muito retrabalho e muito cansaço.

Quase uma da madrugada.

Ainda estou aqui, gerando imagens que não sei se um dia serão usadas.

Às cinco tenho que levantar para ver o Armando Guebuza.

Para não dizer que o dia foi de todo perdido, falei por telefone com o Mia Couto.

Conversa muito rápida, mas ele foi bastante simpático.

Fiquei de ligar de novo na quinta-feira para marcarmos local e horário do nosso encontro.

Alguém gostaria de perguntar algo ao Mia Couto?

POLICIAIS DESPREPARADOS EM MAPUTO

As eleições em Moçambique são amanhã, mas nas ruas de Maputo nem parece que há uma campanha em curso.

A campanha terminou oficialmente no domingo.

Há poucos cartazes nas ruas.

Um ou outro outdoor com o rosto dos candidatos.

Ontem, policiais detiveram o cinegrafista que estava fazendo imagens na rua.

Queriam saber quem era, o que fazia, por que filmava um dos cartões postais de Maputo etc.

Levaram-no para a sala em que trabalham nas dependências de um clube naval.

A dois dias das eleições, as autoridades precisam orientar melhor os policiais.

Um policial despreparado para o exercício da função pode causar muitos danos à imagem de Moçambique ao deter jornalistas estrangeiros.

A ação da polícia em Moçambique merecerá outro post em breve.

Tantos são os relatos de achaques dos policiais, principalmente em relação a estrangeiros.

Já pude observar, principalmente à noite, diversas barreiras policiais que criam dificuldades para conseguir uma propina de motoristas incautos.

Nos poucos dias aqui, já ouvi dezenas de relatos de pessoas achacadas pela polícia.

Combate à corrupção.

O velho desafio para o novo governo de Moçambique.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MIA COUTO

Mandei um e-mail pra ele ontem pedindo uma entrevista.

Ele respondeu hoje.

Passou o número do celular e pediu para eu ligar amanhã.

Vamos ver o que rola.

domingo, 25 de outubro de 2009

EM MAPUTO

Cheguei na hora do almoço.

Um ano depois, reencontrei o Salimo, que passará a semana trabalhando conosco.

Reencontrei o Zé Maia, que eu havia visto uma única vez em Luanda e deu aquela sensação de velhos amigos que se cruzam em lugares improváveis.

Hoje começa a pauleira.

sábado, 24 de outubro de 2009

TERRA SONÂMBULA

Cheguei a Joanesburgo.

Amanhã sigo para Maputo, atrás das histórias de Moçambique.

No vôo, comecei a ler Terra Sonâmbula, do Mia Couto.

Talvez eu encontre com ele.

Vamos ver.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DE VOLTA AO TRÂNSITO DE LUANDA

Fazia tempo que eu não saía de carro em Luanda.

Hoje cedo, levei uma hora para percorrer dois quilômetros.

Pedestres não respeitam as leis de trânsito e contribuem para piorar os congestionamentos.

Motoqueiros não respeitam as leis de trânsito, não param em sinais, trafegam pela contramão e cometem infrações na frente dos policiais que nada fazem.

Mas com frequência há blitzen de policiais parando motoqueiros.

Em geral perto de um caixa automático.

E lá se vê a fila de motoqueiros sem documentação sacando um dinheirinho com o cartão multicaixa para aumentar a renda dos policiais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

MOÇAMBIQUE VAI ÀS URNAS

Começo a ler sobre Moçambique e a comparação com Angola é inevitável.

Apesar de injusta.

Mesmo com o passado colonial português em comum, é impossível comparar os dois países.

A guerra em Moçambique acabou em 1992, 10 anos antes do que em Angola.

Desde então, há eleições periódicas.

Os moçambicanos escolhem presidente, prefeitos, parlamentares e governadores a cada cinco anos.

Aos poucos, vão aprendendo a exercitar a democracia.

Aprendem que os recursos do país pertencem ao povo, e não ao governo de plantão.

Na quarta-feira da próxima semana, os eleitores moçambicanos vão novamente às urnas para eleições gerais.

No domingo, às 20h30, a emissora de televisão TIM vai exibir um quase-debate entre os candidatos a presidente.

Quase-debate pelo fato de não ser ao vivo.

Na verdade, não será nem gravado.

O presidente Armando Guebuza, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), recusou-se a participar de um debate ao vivo.

A solução foi gravar depoimentos dos principais candidatos sobre vários temas e exibi-los ao público na noite de domingo.

A Frelimo deve vencer as eleições com facilidade.

A Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), principal partido de oposição, chega às eleições dividido e enfraquecido, com risco de encolher no Parlamento.

Há alguns meses, uma dissidência liderada pelo prefeito de Beira, Daviz Simango, levou à criação de um novo partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

O MDM deve tirar muitos votos da Renamo, mas ainda é muito recente e não tem capilaridade no país.

Com a oposição ainda mais dividida, a Frelimo se fortalece.

Moçambique é um país pobre.

As estimativas apontam para um crescimento de 4,8% do PIB este ano, graças ao bom desempenho do setor agrícola, doações internacionais e investimentos diretos estrangeiros.

São as doações internacionais que mantêm o país em funcionamento.

Cerca de 55% do orçamento de Moçambique é composto de dinheiro do FMI, Banco Mundial e cooperações com diversos países.

A comunidade internacional pressiona o governo moçambicano para privatizar setores em que o Estado já se mostrou ineficiente.

Querem que o país melhore a governança, palavra da moda que se presta a permitir sanções internacionais.
Entre as recomendações dos economistas dos organismos multilaterais estão o aumento da base de cobrança de impostos, de forma que o Estado possa cobrar melhor e aplicar melhor o dinheiro dos contribuintes.

Em junho, o parlamento moçambicano aprovou uma lei exigindo que os deputados declarem seus potenciais conflitos de interesses antes de votações importantes.

A medida faz parte do pacote de medidas para combater a corrupção.

O objetivo é que parlamentares-empresários ou ligados a determinados setores abstenham-se de votar caso seus interesses pessoais entrem em conflito com a lei em discussão.

Para o ano que vem, espera-se uma boa entrada de recursos em Moçambique.

Devem aumentar a exploração de carvão e duplicar as exportações de gás para a África do Sul, além da construção de um segundo gasoduto para aquele país.

Moçambique tem 799 mil quilômetros quadrados e 23 milhões de habitantes.

Domingo estarei por lá para ver o que acontece.

TALVEZ EU VOLTE...UM DIA EU VOLTO

Meu computador pifou.

Nele, informações importantes e necessárias ao trabalho.

É o pesadelo que se torna realidade.

Estar em Luanda e precisar encontrar um profissional que saiba fazer o serviço.

Tudo cansa.

Numa troca de e-mails com a Mari, que parece ter abandonado temporariamente a blogosfera, sugeri que ela desse uma satisfação aos leitores e publicasse um trecho da música "Vapor Barato" para explicar a breve (?) ausência.

Acabou que eu mesmo fiquei cansado e, como ela ainda não usou a música, uso eu aqui.

"Oh, sim
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu estou indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto."

Afinal, não vim de tão longe para sentir medo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

UM POUCO DA ALMA BRASILEIRA

Vi no blog da Helga e roubei descaradamente.

Um pouco do que somos.

- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

- Estaciona nas calçadas, até mesmo debaixo das próprias placas de proibição.

- Suborna, ou tenta subornar, quando é pego cometendo infração.

- Troca voto por qualquer coisa: cesta básica, areia, cimento, tijolo, dentadura.

- Fala ao celular enquanto dirige.

-Trafega pela direita nos acostamentos durante um congestionamento.

- Pára em filas duplas, triplas, em frente às escolas.

- Viola a lei do silêncio.

- Dirige após consumir bebida alcoólica.

- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

- Espalha mesas, churrasqueira, banca de camelô nas calçadas.

- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.

- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda, também para pagar menos imposto.

- Escreve que a cor da pele é mais morena, para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou R$10, pede nota pra R$20.

- Comercializa os objetos doados em campanhas pós-catástrofes.

- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

- Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

- Substitui o catalisador do carro por um que de catalisador só tem a casca.

- Mente a idade do filho para que passe por baixo da roleta do ônibus sem pagar passagem.

- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

- Freqüenta caça-níqueis e faz fezinha no jogo do bicho.

- Leva das empresas onde trabalha pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis, etc., como se isso não fosse roubo.

- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

- Falsifica tudo, tudo mesmo. Só não falsifica o que ainda não foi inventado.

- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando o policial pergunta o que traz na bagagem.

- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

- Quando recebe troco errado reclama se for a menos e fica quieto se for a mais.

UM POUCO DA TV BRASIL

Informações divulgadas recentemente no sítio da TV Brasil.

Com menos de dois anos de existência, a TV Brasil já é conhecida por um terço da população brasileira, ou 34%, dos quais 15% já assistiram ao canal e 10% o assistem regulamente. A programação é considerada ótima por 22% dos telespectadores e boa por 58%, totalizando 80% de aprovação. Entre os que costumam assistir a TV Brasil em casa, 42% sintonizam o canal por antena parabólica. Os resultados são de pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Datafolha a pedido da Empresa Brasil de Comunicação – EBC.

Foram realizadas 5.192 entrevistas em todo o Brasil, com abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional, distribuídas em 146 municípios em todas as regiões, entre brasileiros de todas as classes econômicas, com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de agosto de 2009. Antes, portanto, do lançamento da nova programação da emissora, na segunda quinzena de Setembro.

Em consulta espontânea sobre os canais mais frequentemente assistidos, a TV Brasil foi mencionada por 1% dos entrevistados, juntamente com outros canais abertos e fechados menos conhecidos. Na consulta estimulada (pesquisador menciona o nome do canal), 15% dos entrevistados disseram já ter assistido ao canal alguma vez e 10% declararam assisti-lo atualmente.

Aprovação da Programação
Entre os telespectadores que costumam ver a TV Brasil, a programação foi considerada ótima por 22%, boa por 58%, regular por 20% e ruim ou péssima por 1% . A aprovação de 80% (soma de ótimo e bom) corresponde à nota 4, numa escala variável de 1 a 5.

Três programas destacaram-se na preferência destes telespectadores: Programa de Cinema (filmes), com 34% , o telejornal Repórter Brasil-Noite, com 31% e o programa Leda Nagle-Sem Censura, com 26%. São preferidos ainda os Documentários (24%), Repórter Brasil-Manhã (20%), Programas Musicais (19%) e os Programas Infantis (17%). A programação infantil apresenta as maiores medidas de audiência e Share da TV Brasil, segundo medida do IBOPE. A pesquisa Datafolha, entretanto, ouviu brasileiros com 16 anos e mais, o que sem duvida se reflete na avaliação dos programas infantis.

A Força da Parabólica
Entre os 10% de telespectadores que disseram assistir à TV Brasil atualmente, 85% sintonizam o canal em casa. Destes, 42% recebem o sinal através de antena parabólica, 36% através da TV aberta ( antena VHF ou UHF) e 22% através de TV por assinatura. Ou seja, tal a maior audiência da TV Brasil está nas cidades do interior, entre os que vêm TV pela chamada Banda C.

Os que não costumam assistir à TV Brasil apontaram como causa principal as dificuldades de sintonização (42%), seguida do desconhecimento (27%), do desinteresse (23%) e da falta de tempo (19%).

Perfil dos Telespectadores
A maioria dos telespectadores que assistem à TV Brasil, 79%, pertence às classes econômicas B (32%) e C (47%), é do sexo masculino (57%), tem idade média de 39 anos, grau de escolaridade médio (46%), aos quais se somam 17% com nível superior. Este telespectador, em termos de renda e escolaridade, ainda é elitizado em relação à população brasileira.

Mais da metade dos que assistem à TV Pública vive em cidades do interior (58%), onde é forte a penetração da parabólica, e 45% vivem na região Sudeste. A Região Sul apresenta o menor índice de conhecimento sobre a existência da emissora (17%) e nela o hábito de assisti-la é indicativamente menor, de 6%, inferior à média nacional de 10%. O hábito é indicativamente maior nas regiões Norte/Centro-Oeste, onde 12% declaram assistir à TV Brasil regularmente, e é de 11% nas regiões Sudeste e Nordeste.

A diretoria da Empresa Brasil de Comunicação considerou os resultados altamente satisfatórios, considerando-se o fato de a criação da emissora ainda ser recente, o desconhecimento, que ainda é grande, sobre sua existência, e o fato de dispor de apenas quatro canais abertos (Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão), o que se agrava com o fato de o canal de São Paulo ser o 69, na banda UHF.

domingo, 18 de outubro de 2009

DE BISSAU A LUANDA

Por razões que não vem ao caso explicar, levei dois dias para chegar de Bissau a Luanda.

No aeroporto de Bissau não se faz câmbio.

E não se aceita outra moeda que não o franco para pagar o excesso de bagagem.

Por sorte, consigo alguém para fazer câmbio na cidade.

O calor é intenso e suamos como se numa sauna estivéssemos.

O ar-condicionado não funciona.

Na Guiné-Bissau não há geração de energia elétrica.

Quem não tem gerador fica no sufoco.

Na sala de embarque, uma mulher me pede para levar um saco com limões para alguém em Praia.

Digo que sou proibido pela empresa.

Aqui na África é bastante comum sermos abordados por pessoas no check-in e mesmo nas salas de embarque com pedidos para levarmos parte da bagagem para que não paguem excesso de peso.

Também saio de Bissau com uma boa impressão.

Achei o povo bem simpático, com exceção dos momentos de filmagem nas ruas e mercados.

Em todos os lugares havia gente reclamando e pedindo dinheiro para serem filmadas.

Algumas coisas que me contaram sobre a Guiné-Bissau.

No ano passado, o salário dos funcionários públicos estava seis meses atrasado.

Cooperações estrangeiras doaram 1 milhão de euros para que a situação fosse regularizada.

O governo do então presidente Nino Vieira pagou o primeiro mês.

O resto do dinheiro desapareceu.

Antes do embarque, vejo na tela de TV de plasma no aeroporto (não há energia elétrica, mas há televisões de plasma) notícias do canal France 24h, a CNN francesa, sobre a ação dos militares que deram um golpe de Estado há alguns meses.

Por causa do barulho, não consigo entender direito as informações, mas vejo imagens de soldados tirando a roupa de mulheres em plena rua.

Prováveis casos de estupros e abusos sexuais.

Em Bissau, assim como em outros aeroportos africanos, todo mundo precisa abrir a bagagem antes de fazer o check-in.

E depois do aparelho de raios-x, mais funcionários da segurança querem saber o que o passageiro leva nas malas.

Não sei se existe – e nem se é possível fazer – um indicador que estabeleça uma relação entre o nível de desenvolvimento/corrupção nos países e a qualidade dos serviços nos aeroportos.

Percebo que, quanto mais atrasado é um país, maior é o aparato policial-militar nos aeroportos, maiores são as restrições de acesso, maior é o número de vezes em que somos solicitados a apresentar o passaporte aos agentes e funcionários do aeroporto, mais vezes somos revistados e sujeitos a pequenos achaques e pedidos de ajuda.

Dos 15 países em que já estive na África, passei por essas situações em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Gana, República Democrática do Congo (não foi no aeroporto, mas na fronteira, e dá no mesmo), São Tomé e Príncipe.

Nos aeroportos da África do Sul, Ruanda, Tunísia, Argélia, Líbia, Marrocos e Cabo Verde a situação é mais tranquila. Em Cabo Verde, a exigência maior é no desembarque. O acesso ao canal verde, de nada a declarar, é bloqueada pela polícia, que encaminha todos os passageiros para um local de revista.

De longe, o aeroporto pior e mais desorganizado é o de Luanda.

Apesar das reformas em andamento, que melhoraram bastante a área de desembarque e retirou do local os malandros que tentavam achacar os passageiros, os funcionários da imigração são mal-preparados.

Muitos não conseguem identificar um passaporte diplomático quando têm um em mãos.

Quase sempre preenchem todos os campos na tela do computador para só depois perguntarem pelo visto e serem informados que, pelo fato de ser diplomático e pelos acordos entre Brasil e Angola, não há necessidade de visto.

Fazem uma cara de irritação e são obrigados a digitar tudo de novo.

Depois de passar por tantos países, muitos em situação bem pior que a de Angola, questiono-me por que as coisas em Angola são tão difíceis.

Por que o esforço para se conseguir algo que em qualquer outro lugar se resolveria rapidamente aqui leva vários dias.

Estava em Bissau e precisei receber dinheiro para pagar algumas depesas.

A forma mais rápida era uma transferência via Western Union, criada para facilitar a vida de quem precisa de dinheiro rápido no exterior.

Pois a Western Union em Angola é a ante-sala do inferno.

Os funcionários daqui conseguiram complicar o descomplicado.

Para aceitar fazer a transferência, exigiram cópia do meu passaporte e uma declaração da embaixada do Brasil para que a transferência fosse feita.

É o surrealismo ao cubo, pois o trabalho da Westen Union é facilitar as coisas.

Em qualquer país do mundo, a pessoa entrega o dinheiro, dá o nome de quem vai receber os recursos e recebe um código numérico.

E pronto.

A pessoa que vai receber o dinheiro dirige-se à agência da Westen Union onde quer que esteja, apresenta um documento de identificação, o código e retira o dinheiro.

Quando perguntei à funcionária da Westen Union em Bissau se era realmente necessário apresentar cópia do passaporte da pessoa que receberia o dinheiro no momento da remessa, ela disse que não. O único documento necessário é o de identificação do destinatário dos recursos, no ato do recebimento.

Quando comentei que em Angola a Western Union estava fazendo tal exigência e tive que enviar cópia do meu passaporte para Luanda, a funcionária da Western Union disse:

FUNCIONÁRIA DA WESTERN UNION – Os angolanos acham-se...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

40 ANOS EM PRAIA

Deixei Bissau.

Estou em Praia, depois de uma escala em Dacar.

Sopra uma brisa agradável.

Embarco à noite para Lisboa.

E amanhã à noite para Luanda.

Comemoro meu aniversário de 40 anos sozinho tomando um expresso no Cybercafé Sophia, na capital de Cabo Verde.

Não deixa de ter lá o seu charme.

UMA ESCOLA NO BANDIM

O futuro parece nebuloso como o da foto acima.

A imagem está embaçada por causa do calor na lente da câmera.

Quando saio do carro com ar-condicionado e entro nos caminhos estreitos e tortuosos do bairro de Bandim, na periferia de Bissau, sou imediatamente engolfado pela umidade.

Ao entrar em contato com o ar quente do lado de fora do carro, a lente da camera, gelada pelo ar-condicionado do carro, condensa e leva alguns minutos para enxergar as coisas como são.

As crianças da foto moram no bairro de Bandim.

Estudam numa escola organizada pelos próprios moradores, que são também os professores.

Não há mesas nem cadeiras.

Cada criança, entre 6 e 10 anos, leva o próprio banquinho de casa.

Não há livros didáticos.

Os cadernos são apoiados sobre as pernas.

A iluminação é inadequada.

As costas das crianças doem.

O que será dessa geração ainda é um mistério.

Mesmo sem qualquer estrutura, pode-se dizer que estão em situação melhor do que a maioria da população.

Na Guiné-Bissau, cerca de 80% das pessoas não sabem ler nem escrever.

Por conta das diversas crises, golpes de Estado e problemas diversos, a educação foi deixada de lado.

As escolas foram se deteriorando.

Os professores não recebiam salários.

No ano passado, os funcionários públicos – muitos professores entre eles – chegaram a ficar seis meses sem receber o salário.

Nessas salas de aula do Bandim, os professores recebem o que os pais podem pagar.

Muitos não pagam.

Muitas das crianças vão para a escola sem comer nada.

Os professores, quando podem, compram algo para eles.

Na sala de chão de terra, a poeria cobre os pés da garotada.

No quadro, os alunos se revezam na leitura de frases em voz alta, acompanhados pelos colegas.

E assim segue a vida no bairro de Bandim.





A criançada que aparece na foto nevoenta do início do post é essa aí de baixo: alegre e cheia de energia.

Como deve ser o futuro da Guiné-Bissau.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

NETOS DE BANDIM

Netos de Bandim é um grupo da Guiné-Bissau.

Da cidade de Bissau.

Do bairro do Bandim, periferia da capital.

Bandim era o nome de um reino situado na região central da Guiné-Bissau.

No bairro do Bandim não há coleta de lixo.

Não há luz.

Mas sobra energia.

As crianças levam as próprias cadeiras para a sala de aula.

Escrevem nos cadernos sobre as pernas.

Não há mesas.

No ano 2000, Ector Diógenes Cassama começou a organizar moradores da região.

O objetivo era unir crianças, jovens e adultos num trabalho social para diminuir a delinquência juvenil e a exclusão na Guiné-Bissau.

O grupo tem hoje 90 integrantes entre quatro e 45 anos.

Apresentam danças típias das várias etnias do país, entre elas a Balanta (com as danças Nhaê e Ksundé), Felepe (dança da “rapaziada”) e Bijagós (danças kampuné e kabaró).

Apresentam-se em qualquer lugar.

Qualquer espaço é suficiente.

A apresentação de hoje foi num terreiro entre casas no próprio bairro do Bandim.

Tudo começa com o som dos tambores.




As batidas atraem a vizinhança.

As fotos a seguir foram feitas antes, durante e depois da apresentação.

Completamente sem critério.





De costas...


De frente...










Acima, o Ector com uma das filhas nas costas.






























Os Netos de Bandim tem um sítio na internet.

É o www.netosdebandim.org.

Ali estão os contatos e um pouco da história do grupo.

No final da apresentação, demos carona para quatro integrantes.

Passaram o dia sem comer e não tinham dinheiro para o transporte.

Uma das moças disse que os piores dias são os que têm apresentação à noite.

É difícil voltar para casa.

Não há transporte.

Da última vez, o táxi cobrou 1.000 francos de cada uma.

O equivalente a US$ 21.

Na Guiné-Bissau, é dinheiro demais.

domingo, 11 de outubro de 2009

NA GUINÉ-BISSAU

A vista da foto acima foi feita a partir do porto de Pindjiguiti, o principal da Guiné-Bissau (clique nas fotos para vê-las ampliadas. Vale a pena).

O porto é famoso pelo episódio que ficou conhecido como o Massacre de Pindjiguiti.

No dia 3 de agosto de 1959, marinheiros e estivadores do porto fizeram uma manifestação contra as autoridades coloniais portuguesas e exigiram salários maiores.

Houve confronto e a polícia portuguesa atirou contra os manifestantes. Cinquenta e duas pessoas morreram.

Ao fundo, prédios decadentes do período colonial tentam sobreviver ao tempo na cidade velha de Bissau.

Na região do porto, igualmente decadente e suja, mora muita gente.

Também funcionam alguns restaurantes que atraem a população estrangeira do país, única com dinheiro disponível para pagar os preços cobrados.

Em Guiné-Bissau não há energia elétrica.

Soa estranho, mas é isso mesmo.

Por causa das guerras, dos conflitos, dos desmandos, dos desgovernos e da corrupção que enterraram o país na miséria, não há geração de energia no país.

À noite, as ruas ficam às escuras.

Dentro das casas, velas e candeeiros lançam alguma luz na noite dos guineenses.

Quem tem dinheiro compra ou aluga pequenos geradores.

Sem energia, pouca gente tem televisão.

Quem pode paga ingresso para assistir um capítulo de novela, um filme ou uma partida de futebol num dos vários salões desse tipo no país.

Um capítulo de novela custa 50 francos locais. Cerca de US$ 1.

O ingresso para um filme sobe para 100 francos.

Um jogo já custa 200 francos.

Em alguns salões, há dois, três ou mais aparelhos de televisão funcionando ao mesmo tempo.

Lembro um pouco aqueles bares no Brasil, com várias tvs sintonizadas nos diversos jogos do sábado e do domingo para atrair a clientela.

Geladeira, só quem tem gerador.

Não vale a pena.

Os produtos estragam.

Hotéis, restaurantes, embaixadas funcionam com gerador 24 horas por dia.

Uma fortuna.

O povo mesmo vive às escuras.

A chegada ao aeroporto foi tranquila.

Saímos de Praia cedo. Uma escala em Dakar antes de aterrar em Bissau.

Na saída do aeroporto, o rapaz que conferia os tíquetes das bagagens me pediu dinheiro.

Antes de entrar no carro, fui abordado por mais duas ou três pessoas oferecendo produtos ou pedindo dinheiro.

Bissau tem um quê de Luanda.

Sujeira nas ruas.

Esgoto.

Muita gente a pé.

Apesar do trânsito lento em alguns momentos, não se compara a Luanda.

Fluimos pelos lugares. Devagar, mas seguimos.

Candongas também há.

Aqui são chamadas de Toca-Toca.

O transporte público é um problema na África em geral.

Mesmo na África do Sul, em Botsuana e na Namíbia, alguns dos países mais desenvolvidos do continente.

As lotações vão estufadas de gente.

Algumas informações soltas que recolhi aqui e ali sobre Guiné-Bissau.

É um dos cinco países mais pobres do mundo. Mas é rico em peixe, madeira, fosfato, bauxita, argila, granito, calcário e petróleo (ainda inexplorado).

Sofre com deflorestamento acelerado, erosão do solo e pesca descontrolada. Dizem que os chineses têm feito pesca industrial no mar territorial da Guiné em níveis assustadores. Pesca em grande escala para alimentar todos os chineses do mundo. Contam-me que o novo prédio da Assembléia Nacional, uma construção que se destaca e destoa do estilo colonial de Bissau, teria sido construída pelos chineses em troca do direito de pesca por muitas gerações. A base da alimentação das pessoas é peixe, pescado de maneira artesanal.

Guiné-Bissau tem cerca de 1,5 milhão de habitantes. Em Bissau vivem 438 mil. 70% da população vive na zona rural. Os guineenses são divididos nos seguintes grupos étnicos: balanta (30%), fula (20%), manjaca (14%), mandinga (13%), papel (7%). Metade da população é muçulmana. 50% seguem crenças locais, como o animismo, que acredita num espírito superior, o iran, que vive na copa das árvores. Os cristãos são 10%. É curioso para um país de colonização portuguesa. O islamismo foi imposto por um dos reis ou líderes que controlou parte do país há alguns séculos.

No ranking da corrupção da Transparência Internacional, Guiné-Bissau aparece na posição 158 numa lista de 180 países. É o sexto mais corrupto da África.

Há cajueiros por todo o país.

Guiné-Bissau é o quinto maior produtor de castanha de caju do mundo. O produto representa 90% das exportações do país. Foram 110 mil toneladas vendidas no ano passado, que renderam US$ 81,4 milhões ao país. A produção é vendida basicamente para a Índia (75%) e Nigéria (20%). Na Índia, a castanha é processada e vendida muito mais caro para a Europa e Estados Unidos. Um dia alguém terá a idéia de permitir que os guineenses processem eles mesmos a castanha e vendam mais caro para o resto do mundo.

A distribuição de renda em Guiné-Bissau é uma das piores do mundo.

A ajuda internacional dada pelo FMI e pelo Banco Mundial representam mais de 80% do orçamento do país, que tem um PIB de US$ 479 milhões.

Guiné-Bissau é apontada por várias entidades internacionais como fonte de crianças que são levadas para outros países para prostituição, mendicância e trabalhos forçados na agricultura. O país tem sido punido por não conseguir implementar medidas capazes de diminuir essa atividade criminosa.

Nos últimos anos, Guiné-Bissau também tem se consolidado como uma das principais rotas para o tráfico da cocaína trazida da América do Sul para a Europa.

Com um arquipélago composto por 88 ilhas, Guiné-Bissau é esconderijo para os traficantes, que usam o país para lavar dinheiro. O país já é apontado como um verdadeiro narco-estado.

Ao longo dos dias vou contando mais coisas.

Mas antes é preciso registrar algo que poucas vezes encontrei nas andanças por aí.

Guiné-Bissau não é só pobreza.

Os guineenses são de uma simpatia enorme.

Puxam conversa na rua.

Respondem aos acenos de mão quando passamos por eles dentro do carro.

Em geral somos confundidos com portugueses.

Mas quando dizemos que somos brasileiros, abrem um sorriso ainda maior.

Um deles me disse hoje cedo, no porto de Pindjiguiti:

GUINEENSE – Ah, brasileiro. Então é aliado. Também foi colônia.

Gostam de um aperto de mão, que logo avança para uma conversa sobre a vida, sobre o que estamos fazendo.

E os outros, quando vêem que há um guineense conversando com um branco, logo se juntam para escutar e fazer perguntas.

Dizem que têm uma vontade enorme de conhecer o Brasil.

Um Brasil que vêem pela tela da televisão.

Ao contrário de outros países africanos que mergulham na cultura brasileira pela Globo, aqui em Bissau só passa a Record.

E os guineenses vêem de tudo. Programas de variedades, os religosos, de música e, claro, as novelas.

A mulherada reserva 50 francos todo dia para assistir, às 19h30, a mais um capítulo da novela da vez nos salões de televisão.

Uma quantidade enorme de pessoas usa camisas da seleção brasileira.

Nos dias de jogo do Brasil, os salões que vendem ingresso para se assistir ao jogo pela televisão enchem. Segundo me falou o funcionário de um desses lugares, não importa o horário do jogo. Duas da manhã? Lá estão os guineenses torcendo pelo Brasil. A seleção de Portugal também tem muitos torcedores. E o campeonato que acompanham é o de Portugal. Sabem os nomes dos times, dos jogadores.

Outra coisa que chama a atenção aqui é o calor.

Achei que Gana fosse quente.

Depois, pensei que Cabo Verde fosse quente.

Até chegar a Guiné-Bissau.

Aqui em Bissau, o calor e a umidade se unem de maneira quase letal.

Assim como se usa um facão para abrir uma picada na selva, quase precisamos de um facão para cortar o ar e avançar em direção a uma sombra.

Em direção a qualquer sombra.

Num lugar quente assim, a mente funciona de maneira diferente.

Depois de lançar um rápido olhar sobre o ambiente, o cérebro passa a identificar pontos de sombra e imediatamente começa a enviar a enviar sinais elétricos para que nossas pernas nos levem a um ponto protegido do sol.

Suamos todos, brasileiros e guineenses.

As fotos a seguir foram feitas hoje.

A maior parte foi no porto de Pindjiguiti.

Os pescadores que chegaram com a maré cheia no início da manhã com os barcos cheios de peixe.

Agora, esperam até o meio da tarde, quando a maré enche, para voltar ao mar.

Um zoom no visual decadente dos prédios na rua em frente ao porto.

Pescadores, peixeiras e compradores no cais do porto.

Um olhar qualquer em direção ao branco.

A sequência a seguir foi feita quando eu caminhava da ponta do cais até o carro.
Coloquei a câmera na altura da cintura e fui clicando.
Não queria chamar a atenção.
Aqui, muita gente não gosta de ser filmado nem fotografada.
Uns fazem sinal de dinheiro.
Mas em geral deixam fazer a foto depois que nos apresentamos e pedimos autorização.
Só que, na pressa, fiz mesmo uma série completamente roubada.
Sem foco, sem rumo.









Esta abaixo já foi feita em Quinhamel, a 40 minutos de carro de Bissau.
Um grande mangue.
As pessoas vão pegar carangueijo para vender na maré baixa.