sábado, 26 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A MULHER MAIS PODEROSA DE PORTUGAL É ANGOLANA
O texto é de Pedro Santos Guerreiro:
"Portugal tem muitas mulheres importantes, algumas são ricas, poucas são poderosas. Uma é as três coisas. Tem 36 anos e não é portuguesa. É a angolana Isabel dos Santos.
Dizem que detesta ser tratada como "a filha de José Eduardo dos Santos". Pela maneira como está a afirmar-se em Portugal, um dia trataremos o Presidente de Angola como "o pai de Isabel dos Santos". É a nova accionista da Zon. E de muitas outras empresas. Uma atrás da outra, todas lhe estendem tapetes. Tapetes verdes, da cor do dinheiro.
A mulher mais rica de Portugal, segundo a "Exame", é Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva, com uma fortuna de 731 milhões de euros. Não tem metade do poder de Isabel dos Santos. E tem apenas uma fracção do seu dinheiro: só na Galp, BPI, Zon e BESA, a empresária angolana tem quase dois mil milhões de euros. Fora o resto.
A lista dos dez mais ricos de Portugal está aliás cheia de pessoas que fazem negócios com a família dos Santos. Américo Amorim é sócio de Isabel na Galp e no Banco BIC. Belmiro de Azevedo, segundo foi noticiado, quer ser parceiro de distribuição em Angola. O Grupo Espírito Santo tem interesses imobiliários, nos diamantes, na banca. Salvador Caetano tem concessões. O Coronel Luís Silva acaba de fechar negócio para vender acções da Zon a Isabel dos Santos. Zon onde João Pereira Coutinho e Joe Berardo são accionistas.
Da lista dos mais ricos, só a família Mello e Soares dos Santos estão "fora" da geografia. O "dinheiro dos angolanos" pesa sobre muitas consciências. Soares dos Santos foi o único a assumir publicamente o desdém pelos níveis de corrupção de Angola.
Isabel dos Santos é accionista da Zon e sócia da PT. É accionista do BPI e sócia do BES. É accionista da Galp e a Sonangol é parceira da EDP. A empresária garante que não tem relações com as actividades do seu pai e da estatal Sonangol. Identificando todos os interesses em causa, as relações de sociedades portuguesas alargam-se ainda à Caixa, Totta, BPN e Mota-Engil. Dá um índice bolsista.
O que faz com que tantas empresas portuguesas implorem para fazer negócios com Isabel dos Santos? E que Isabel "jogue" em equipas rivais, concorrentes confessos em Portugal, sem um pestanejo? Só uma coisa consegue tanto unanimismo: o dinheiro. A liquidez angolana, que desapareceu de Portugal. A contrapartida de acesso ao crescente mercado angolano. Os portugueses não abrem os braços a Isabel dos Santos, abrem-lhe as carteiras - estão vazias.
O casamento entre angolanos e portugueses tem as prioridades do das famílias feudais: o interesse está primeiro, o amor virá depois, se vier. E o interesse é recíproco: os angolanos são entronizados em Portugal e na Europa; os portugueses são-no em Angola e em África. Não há equívocos, há dinheiro.
Os últimos dois grandes negócios de Isabel dos Santos em Portugal, no BPI em 2008 e na Zon em 2009, tiveram uma curiosidade cabalística: ambos foram fechados na terceira semana de Dezembro, ambos de 10%, ambos por 164 milhões. Na Zon, pagou um prémio de 26% sobre a cotação. Comprou caro? Comprou mais barato que os accionistas que estão na empresa. Comprou bem.
Isabel e José Eduardo construíram um poder tão ramificado em empresas portuguesas que só o Estado e Grupo Espírito Santo os ultrapassarão. Tanta concentração de poder é mais ameaçadora do que uma nacionalidade. Em Portugal, Isabel e José Eduardo não são Santos da casa mas fazem milagres."
O COMÉRCIO INFORMAL NA GUINÉ-BISSAU
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
ZÉ MANEL
Zé Manel é um músico da Guiné-Bissau radicado nos Estados Unidos.
Conheci por acaso.
Durante visita a Bissau, escutei suas músicas no carro que havia alugado.
Nelson, o motorista, me deixou copiar o CD.
Não havia o nome de nenhuma música e o Nelson tampouco sabia.
Uma pena, mas o material é de excelente qualidade.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
OS PREPARATIVOS PARA O CAN
Os preparativos seguem a todo vapor.
Na semana passada, um jornalista francês foi preso em Cabinda porque tirou fotos do estádio.
Na África do Sul, o consulado angolano está em recesso.
Vistos para Angola, só depois do dia cinco de janeiro.
Considerando a dificuldade que é obter um visto para Angola em condições ideais de temperatura e pressão, a única certeza é que apenas as seleções terão entrada garantida no país.
Está cada vez mais difícil subir na área da fortaleza, de onde se tem uma bela vista de Luanda.
Para jornalistas, os soldados que montam guarda no início da ladeira avisam que é preciso uma autorização por escrito do comando do exército.
Parece que o mar que banha Angola e o céu sobre a cabeça dos que estão em Luanda também são segredo de Estado.
Angola quer aparecer para o mundo como país moderno.
Até publicidade na CNN fizeram.
Mas qualquer empolgação é desfeita ao primeiro contato com a realidade.
domingo, 20 de dezembro de 2009
O QUE COMPRAM OS ANGOLANOS RICOS
sábado, 19 de dezembro de 2009
OS ANGOLANOS RICOS EM PORTUGAL
A revista portuguesa Visão publicou longa reportagem este mês sobre como vivem – e gastam – os angolanos ricos em Portugal.
Será que alguém conseguiria enviar uma cópia do texto para diariodaafrica@gmail.com?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
EDUCAÇÃO NA ÁFRICA
As reportagens da TV Brasil sobre educação na Guiné-Bissau, em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe, que podem ser vistas nos três posts imediatamente anteriores a este, mostram como opções erradas e processos históricos semelhantes mas conduzidos de maneira errática no período pós-independência foram determinantes para as ex-colônias portuguesas.
A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo.
Não tem indústrias, não tem energia elétrica, não tem emprego, não tem escola.
Mais de 80% do orçamento do governo vem de doações e empréstimos internacionais.
Quase 90% das exportações são de castanha de caju.
A castanha é exportada para a Índia e a Nigéria.
Lá, são beneficiadas e vendidas para a Europa e os Estados Unidos.
Ou seja, junto com a castanha de caju a Guiné-Bissau também exporta empregos.
No começo do ano, os funcionários públicos estavam sem receber salários há quatro meses.
A população sobrevive do comércio informal.
Vendem um porco e uma galinha aqui. Compram um quilo de arroz. Compram peixe no cais, vendem nas ruas da cidade e compram um pouco de açúcar.
O país é apontado como rota de passagem da droga contrabandeada da América do Sul para a Europa.
O arquipélago dos Bijagós, um conjunto de 88 ilhas desabitadas, é um paraíso para os narcotraficantes.
O Estado não tem como proteger o próprio território.
Dinheiro do narcotráfico está sendo usado para financiar partidos políticos e corromper funcionários públicos e agentes policiais.
A escola com a parede quebrada em que os próprios alunos levam os banquinhos de casa é o retrato do futuro.
Uma criança que precisa apoiar o caderno nas pernas, não tem alimentação, livros didáticas, carteiras não vai longe.
É louvável o esforço das crianças e da comunidade que se organizou para manter a escola em funcionamento.
Mesmo sem nada, os pais mandam as crianças para a escola.
Melhor do que passarem o dia à toa.
Os professores são os próprios moradores do bairro.
Não são funcionários do governo.
O dinheiro que recebem é o que os pais podem dar.
Em geral, nada.
Em Cabo Verde, percebe-se o abismo que separa o país da Guiné-Bissau.
Desde 2004 o governo tem oferecido internet de graça nas praças públicas.
O número de usuários só aumenta.
Durante todo o dia é possível ver dezenas de pessoas, a maioria jovens, com seus laptops nas praças.
Consultam e-mail, lêem notícias, fazem pesquisa escolar.
O sinal da internet grátis já está disponível em algumas escolas.
Um projeto piloto vai colocar computadores nas salas de aula.
O objetivo é que haja um computador por aluno.
Alguns projetos estão sendo preparados para que estudantes possam comprar computadores mais baratos financiados pelos bancos com taxas de juros mais baixas.
Em São Tomé, a situação também é complicada.
O país é um dos mais pobres do mundo.
Não há emprego.
Boa parte dos santomenses que conheci gostaria de vir para Angola trabalhar.
Criou-se o mito de que a solução está em Luanda, onde o dinheiro, para eles, corre fácil e é possível fazer fortunas em poucos meses.
Conheci alguns santomenses que já trabalharam em Luanda.
Todos querem voltar.
Apesar de, em Luanda, viverem muito pior do que em São Tomé, em ruas imundas e casas sem nenhuma condição de higiene e segurança, querem vir para cá.
Na reportagem da TV Brasil sobre alfabetização de adultos, senhoras e jovens mães, algumas com pouco mais de 20 anos, esforçam-se para aprender a ler e a escrever.
Quando perguntadas por que não estudaram quando crianças, responderam que os pais não as colocaram na escola porque não achavam importante.
Várias eram filhas de cabo verdianos que se haviam mudado para São Tomé.
Naquela turma, havia apenas dois homens matriculados. Mas só um estava na sala de aula.
As mulheres são mesmo incríveis.
Cuidam da casa, dos filhos, do marido, trabalham e ainda estudam.
E à noite constinuam a rotina de trabalho.
No caminho para casa, depois da escola, grupos de homens conversavam e bebiam.
Na Guiné-Bissau, para cada grupo de 10 pessoas, oito não sabem ler nem escrever.
Em São Tomé e Príncipe a situação é menos pior. Entre 60% e 70% de analfabetos. É difícil conseguir números precisos.
Em Cabo Verde, a situação é inversa: entre 80% e 90% são alfabetizados.
Ainda há muito mais a dizer.
Apenas citar números é injusto demais com os países.
É preciso contar que a Guiné-Bissau declarou independência unilateral de Portugal em 1973. Teve guerra civil, dois golpes de Estado.
No começo do ano, o presidente Nino Vieira, que governou o país como quis durante décadas, foi assassinado a tiros e golpes de facão dentro de casa.
Dizem que os soldados que o mataram queriam comer suas vísceras num ritual tribal.
Cabo Verde e São Tomé e Príncipe tiveram mais sorte.
Não tiveram guerra civil.
Conquistaram a independência depois da Revolução dos Cravos.
Mas a saída dos portugueses em São Tomé deixou o país sem quadros.
Os santomenses não estavam preparados para tocar o país.
Ainda lutam por isso.
Um Estado frágil alvo de disputas de outros países.
Há petróleo na região, mas Angola e Nigéria brigam para assumir o controle da área.
Generais angolanos estão investindo muito dinheiro em restaurantes, hotéis e resorts em São Tomé.
Cabo Verde parece um país europeu.
Boa parte das ruas é asfaltada.
As ruas são limpas.
Três países lusófonos, três ex-colônias portuguesas, três realidades completamente diferentes.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
EDUCAÇÃO DE ADULTOS EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Para assistir a reportagem, clique aqui.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
INTERNET DE GRAÇA AJUDA ESTUDANTES EM CABO VERDE
Para assistir, clique aqui.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
DIPLOMATA CANADENSE COSPE EM POLICIAL E JORNALISTA NA TANZÂNIA
A notícia está na BBC.
O diplomata canadense cuspiu num policial durante uma discussão de trânsito no distrito de Banana, em Dar-es-Salam.
Foi preso e, na delegacia, também cuspiu no jornalista Jerry Muro, da Tanzanian Broadcasting Corporation (TBC).
O diplomata será chamado de volta ao Canadá.
O ministro das Relações Exteriores da Tanzânia disse que o incidente foi uma humilhação não apenas ao policial e ao jornalista, mas ao país inteiro.
Fico imaginando o que não deve ter acontecido naquele distrito da capital da Tanzânia...
Clique aqui e leia a notícia na BBC.
O REI DA MACONHA?
Textos sempre de excelente qualidade.
O título deste post é "emprestado" de um relato recente do Bernardino.
Clique aqui para saber mais sobre o rei da maconha.
TIMOR LESTE, ALÉM DA INDEPENDÊNCIA
sábado, 12 de dezembro de 2009
A VIOLÊNCIA EM ANGOLA É CULPA DO BRASIL
Acham que as notícias de assaltos e crimes no Brasil que chegam a Angola pela Globo e pela Record funcionam mais como manual para os bandidos.
Clique aqui e leia a notícia e os sempre interessantes comentários.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
QUANTO CUSTA UM VISTO DE TRABALHO
Depende.
Depende do setor.
Depende da empresa.
Depende dos contatos.
Dizem que por US$ 5 mil resolve-se em uma semana.
ZÉDU REELEITO PRESIDENTE DO MPLA POR VOTO SECRETO
Teve 1.964 votos (98,7%) dos 1.990 delegados que votaram.
Segundo Edeltrudes Costa, coordenador da Comissão Eleitoral do VI Congresso do MPLA, de acordo com relatos da imprensa angolana, apenas "o militante José Eduardo dos Santos" se candidatou para o cargo.
Edeltrudes explicou que, no processo eleitoral, não existem abstenções.
Vota-se contra ou a favor do candidato.
Também foram eleitos 311 membros do Comitê Central.
Igualmente havia apenas uma chapa concorrendo.
A chapa A era encabeçada por José Eduardo dos Santos.
Do total de votos, 76 foram contra.
Seis boletins foram invalidados, mas não houve informação sobre o motivo.
O MPLA tem 4,5 milhões de militantes registrados.
Para ler a reportagem do Jornal de Angola e os sempre educativos comentários dos angolanos, no final do texto, clique aqui.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
PÉ NA ÁFRICA, A ENTREVISTA
Abaixo, a entrevista que ele concedeu à rádio CBN sobre o livro.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
US$ 100 MIL POR UM CARRO BATIDO
As autoridades de trânsito de Angola querem cobrar US$ 100 mil dos proprietários de veículos que tiverem o carro envolvido em acidente e quiserem ter o automóvel de volta.
A medida entrará em vigor, segundo notícia publicada na imprensa local, no dia 11 de fevereiro de 2010.
A taxa será cobrada dos proprietários de veículos que não tiverem o seguro obrigatório.
Começo a fazer algumas especulações sobre o que estaria por trás de tal decisão.
Em geral, as multas têm valores elevados para desestimular a prática de irregularidades.
Mas US$ 100 mil para reaver um veículo que, com raras exceções, não terá custado mais de US$ 20 mil é certamente um convite à corrupção.
Imagem o que vai acontecer a partir do dia 11 de fevereiro.
Sim, exatamente.
Policiais e agentes de trânsito corruptos terão recebido um salvo-conduto para extorquir mais dinheiro do cidadão.
Essa decisão lembra a velha história do sujeito que chega em casa e encontra a mulher com o amante no sofá da sala.
Para resolver o problema, ele decide vender o sofá.
Num país em que raras pessoas respeitam leis de trânsito, em que pedestres não esperam o sinal fechar para atravessarem a rua, em que as leis de trânsito não valem para motociclistas, em que um monte de gente estaciona na porta da garagem dos outros, tal iniciativa é risível.
Já escutei análises mirabolantes sobre como resolver os congestionamentos em Luanda.
Todas mirabolantes.
Nunca ninguém sugeriu que as autoridades começassem a seguir as leis já existentes.
Mas tudo isso é bobagem.
O importante é que o CAN está chegando.
Clique aqui, onde vi a notícia pela primeira vez, vá até o fim da página e leia os sempre interessantes comentários do público.
O QUE PENSAM OS ANGOLANOS
Corrupção é um dos temas.
Mas interessante mesmo é ler a opinião dos angolanos sobre o assunto.
Clique aqui e leia a notícia e os comentários.
MISTÉRIOS DO CAN
Reportagem publicada no jornal O País sobre os preparativos para a Copa Africana de Nações, a ser realizada em Angola em janeiro.
HOTÉIS NO SEGREDO DOS DEUSES
Entre as muitas coisas que se encontram atrasadas na preparação do Campeonato Africano das Nações Orange Angola 2010, está a informação de como está a ser preparada a recepção das selecções que irão competir por parte das unidades hoteleiras do país.
Numa altura em que já se sabe quem vai jogar aonde, é mais do que natural que se queira também saber em que hotéis estarão hospedadas as estrelas do futebol africano em cada uma das quatro províncias sedes do CAN.
A reportagem do jornal O PAÍS apurou, junto de fontes fidedignas, que todos os hotéis indicados para acolher as várias delegações envolvidas na competição estão avisados e preparados. Por exemplo, para Luanda, onde joga o grupo A, foram seleccionados os hotéis Continental (para acolher a selecção da Argélia), Meridien (para a selecção do Malawi) e Alvalade (para o Mali).
Segundo a mesma fonte, a selecção de Angola que está a estagiar em Portugal e que só chega ao país cinco dias antes do início da competição deverá estar hospedada numa unidade hoteleira denominada Calor Tropical, situada algures no município da Samba e que ainda não foi inaugurada. Entretanto, Ilídio Cândido, responsável pela hotelaria no COCAN (Comité Organizador do Campeonato), informou apenas que os Palancas Negras estarão num hotel também já seleccionado, mas referiu que não convém para já dizer qual é porque as partes ainda estão em negociação.
Pegamos nesta e nas outras informações e fomos bater a porta dos hotéis de que tínhamos a confirmação dada por aquele responsável do COCAN. O que aconteceu é que todos negaram ter qualquer conhecimento sobre que delegação irá se hospedar nas referidas unidades por altura do CAN.
A nossa ronda começou pelo hotel Meridien, onde supostamente estará a selecção do Malawi. Lá fomos recebidos muito simpaticamente pelo director de vendas, Luís Fausto. Segundo ele, até à data da visita feita por O PAÍS, terça-feira última, ninguém havia-lhes informado sobre que selecção ou delegação ficaria naquele hotel localizado na Avenida 4 de Fevereiro, à Marginal de Luanda.
"Tudo quanto nos foi pedido até agora é que reservássemos 60 lugares para o período do CAN; não sabemos ainda para quem serão estas reservas", disse, referindo que, a princípio, seriam para pessoas ligadas à imprensa.
Luís Fausto disse, contudo, que aquela unidade hoteleira está a se preparar devidamente para o evento, referindo que haverá algumas alterações no seu cenário, quer na decoração do hotel como na culinária, optando mais por sugestões bem africanas.
No hotel Continental, Amélia Lafaety, directora interina, também foi peremptória em afirmar que desconhece quais serão os hóspedes daquela unidade localizada na Rua Rainha Ginga, junto ao Baleizão, por ocasião do CAN. Por outro lado, a responsável negou-se a falar dos preparativos levados a cabo pelo Continental para o evento, considerando que se trata de "segredos do ofício".
"Acredito que nenhum responsável de hotel irá lhe dizer isso uma vez que o Ministério da Hotelaria e Turismo lançou um concurso que vai premiar o hotel que melhores serviços oferecer durante o CAN", justificou.
Alvalade nem se fala
No hotel Alvalade, a directora de serviço em funcionamento quartafeira desta semana e que atendia pelo nome de Solange mandou dizer-nos que aquela unidade hoteleira não dá entrevistas sem que seja enviado previamente um pedido por escrito que deverá ser analisado pela direcção geral do empreendimento que, por sua vez, e se convir, indica alguém para falar do assunto em causa. Mas como o jornalismo moderno não se compadece com tais atrasos burocráticos…
COCAN faz a sua parte
O COCAN (Comité Organizador do Campeonato) diz ter feito a sua parte no que se refere ao assunto em causa. Segundo Ilídio Cândido, responsável pela hotelaria logo a seguir ao sorteio realizado no Centro de Convenções do Talatona para definir o emparceiramento dos quatro grupos, isto é, um dia depois, o COCAN informou aos responsáveis máximos de todos os hotéis indicados para acolher as várias delegações durante a competição, tanto em Luanda como nas restantes cidades sedes do CAN.
"Talvez exista uma deficiência na comunicação interna no seio destes hotéis", tentou explicar.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
PRÊMIO THE BOBs
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THE UNFINISHED STRUGGLE
Um livro básico para entender o que aconteceu em Timor Leste: East Timor's Unfinished Struggle – Inside the Timorese Resistance, de Constâncio Pinto e Matthew Jardine.
Constâncio Pinto é o atual embaixador de Timor Leste em Washington.
TAMBÉM VOU PRA LÁ
Precisei ir ao aeroporto.
Na dúvida sobre a entrada correta do desembarque internacional, pedi informação a um policial que estava na porta do estacionamento do desembarque nacional.
POLICIAL – É ali. Também vou para lá. Vamos juntos.
EU – LÁ NA FRENTE?
POLICIAL – Sim, sim. Também vou para lá. Pode encostar aqui.
Acelerei e segui meu caminho.
Pelo retrovisor vi que o policial voltou para o local onde estava.
Posto estar errado e cometendo uma injustiça, mas aposto dez contra um que ele não estava a caminho do desembarque internacional e só queria uma carona para ter a chance de pedir dinheiro.
domingo, 6 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
TERRORISMO NA SOMÁLIA
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A INFORMAÇÃO QUE "DEVEMOS" TRANSMITIR
"Boa tarde,
Desde já os meus parabéns pelo blog.
Sou sincero quando digo que é muito bem escrito e muitíssimo interessante.
Depois de ter estado 2 anos em Angola a trabalhar voltei ao meu país (Portugal) há cerca de 3 meses.
Ao ler as suas crónicas revivo memórias de tempos que não esquecerei.
Li 3 meses de crónicas em 2 dias e este comentário segue na sequência do seu último post.
Apesar de seguir o blog, sinto que por vezes a descrição de alguns contextos (que de facto se verificam) pode ferir algumas susceptibilidades.
O meu objectivo não é, de nenhuma forma, censurar o que escreve pois acho que esses casos devem ser relatados e combatidos.
No entanto, e conhecendo o País e o Povo, sinto que a imagem actual de Angola na cena internacional não lhe faz justiça pelo que devemos, nós que lá estivemos, vincar o que de melhor existe referindo os aspectos negativos numa perspectiva construtiva de um país “em reconstrução”.
Por certo já se confrontou, assim como eu, com contextos ainda mais inacreditáveis em Luanda…
Não pretendo ser moralista nem sou saudosista.
Esta é a minha perspectiva sobre a conteúdo de informação que “devemos” transmitir.
Gostaria de conhecer a sua opinião sobre este assunto já que na sua profissão lida com esta questão.
Cumprimentos,
David Lopes Pereira”
David,
Em primeiro lugar, obrigado pelo comentário.
Recebo muitas críticas e ofensas pelos relatos que faço de Luanda.
Recebo também elogios de quem vive aqui e enfrenta dificuldades semelhantes.
A sua observação sobre “o conteúdo da informação que ‘devemos’ transmitir”é interessante.
Acho que a informação a ser transmitida é a da realidade em que vivemos.
Os relatos que faço são exatamente isso: relatos.
Por acaso, no último ano e meio a sucessão de experiências que pouco contribuem para melhorar a imagem de Angola tem sido a regra.
Alguns podem achar que o blog foi feito para falar mal de Angola.
Não é verdade.
O objetivo inicial, que permanece, é o de relatar o que vejo e o que acontece.
Percebo grande dificuldade de algumas pessoas em ler as críticas ao próprio país.
É natural.
Pouca gente gosta de receber críticas.
Mas o que atrai a atenção das pessoas, em geral, é o que está fora de esquadro.
O que deveria ser e não é.
Se todos os dias eu saísse ou chegasse de casa e não houvesse um 4x4 de um novo rico angolano bloqueando a entrada da minha garagem, isso não seria objeto de um post.
Não seria por uma razão simples: não se estaciona na porta da garagem dos outros.
Se os agentes policiais não pedissem gasosa nas ruas, isso tampouco seria motivo de um post.
Isso não é notícia nem motivo de surpresa, celebração ou o que seja.
É a obrigação deles.
Chegamos a um ponto em que a honestidade de servidores públicos, políticos e policiais virou virtude, e não dever.
Os agentes policiais estão na rua para proteger a população, e não para achacar as pessoas.
Os que fazem isso são piores do que os criminosos que deveriam estar combatendo.
Digo piores porque eles estão investidos do poder do Estado.
Possuem um uniforme, um distintivo, luvas brancas e manipulam, torcem e distorcem a lei para obter benefícios próprios.
Outro dia postei aqui a reportagem de um jornal em que policiais diziam que o salário era tão baixo que eles seriam obrigados a achacar a população na rua.
Algumas pessoas podem ter ficado com pena do policial.
Coitado, ganha tão pouco que é preciso fazer o que faz.
Errado.
O comando da polícia deveria identificar esse sujeito e demiti-lo.
Ele não merece a farda que usa.
É um criminoso travestido de policial.
Este argumento de que a guerra, o que a colonização fez ou deixou de fazer tem valor até determinado ponto.
Há um limite que não se pode ultrapassar.
Conheço (e você também deve conhecer) um monte de gente que vive na miséria e nem por isso entra na criminalidade, desvia dinheiro público ou achaca as pessoas.
É gente que faz o que deve ser feito.
Levanta de manhã e tenta construir um futuro melhor, tenta criar as condições para que amanhã seja melhor do que hoje e que hoje seja melhor do que ontem.
Salário baixo não é argumento para pilantragem.
E contra fatos não há argumentos.
E um erro não justifica o outro.
Todo mundo sabe o que é certo e o que é errado.
O policial sabe que é errado achacar a população.
O funcionário do aeroporto sabe que é errado achacar a população.
Você e eu sabemos o que é errado.
É aquela velha história: ética é aquilo que a gente faz quando ninguém está olhando.
Se não tem ninguém olhando, então vamos quebrar tudo.
Não é assim.
A proposta deste diário é relatar algumas experiências.
Com seus erros e acertos.
E há muito dos dois aqui.
Porém, é a minha visão.
Não sei se está certa ou errada, mas é um ponto-de-vista.
Vez por outra recebo um comentário furioso de alguém que não gostou do que leu.
O curioso é que o comentário vem apenas com ofensas.
Não se questiona o conteúdo da informação.
Geralmente sou acusado de branco, racista e estrangeiro incompetente que veio para Angola porque não consegui trabalho no meu país.
O que é uma contradição, pois seria imaginar que Angola está importando trabalhadores incompetentes.
Ou seja: é imaginar que os estrangeiros incompetentes são mais competentes do que os angolanos competentes.
Não faz sentido e não é verdade.
É um insulto a Angola que só pode ser concebido por uma mente medíocre.
As razões são outras e todos sabemos quais são.
Não me incomodo com críticas.
São sempre bem-vindas.
Ajudam a pensar, a rever algumas coisas.
Mas não esperem que o diário vá ficar tecendo loas a Angola.
Vai relatar o que se passa.
Para quem se irrita com o que lê, sugiro que não leia.
Para quem gostaria de ler posts sobre as belezas, a força, a glória, o orgulho e a potência de Angola, sugiro que criem um blog assim.
Sejam bem-vindos à blogosfera.
Depois de ler a mensagem do David, tive a idéia de propor a todos, angolanos e estrangeiros, que escrevam sobre suas boas experiências em Angola.
Está feito o convite: escrevam que o diário publica.
ASSASSINATO DE ALBINOS NA TANZÂNIA
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
DA FORTALEZA, UMA BELA VISTA DE LUANDA
A baía, o contorno da Avenida 4 de Fevereiro, o Banco Nacional de Angola e sua arquitetura colonial.
Com frequência, fazemos algumas filmagens lá em cima para ilustrar alguma reportagem.
A subida que dá acesso à fortaleza é a mesma que dá acesso ao serviço de estrangeiros de Angola.
É vigiada pelo exército angolano, que ali mantém uma barreira permanente.
Supostamente, por ali só passam os moradores da área, clientes de um restaurante que funciona lá em cima, funcionários dos órgãos do governo situados na região e operários das obras em andamento na fortaleza.
O acesso a um dos mais belos cartões postais de Luanda está fechado ao público.
No último ano, estive lá em cima várias vezes para algumas filmagens.
Na barreira do exército, bastava apresentar a credencial e subir.
Hoje o acesso foi impedido.
Os militares afirmaram que é necessário uma carta do comando do exército autorizando o acesso.
Apenas a credencial do centro de imprensa já não é mais suficiente.
Ante o argumento de que filmagens estão a ser feitas ali há mais de um ano, o sargento de serviço retrucou que recebeu a ordem hoje.
O episódio também me lembra que não há nada pior do que pessoas despreparadas com autoridade.
É bom ver como Angola se prepara para receber a enxurrada de jornalistas estrangeiros que chegarão para cobrir o CAN.
Mas provavelmente nada acontecerá.
Assim como aconteceu nas eleições legislativas do ano passado, haverá ordens expressas para não incomodar os jornalistas que levam a imagem do país para o exterior.
Fomos filmar em outro lugar.
Enquanto o equipamento era ajustado, um angolano que passou de carro e viu a parafernália gritou:
ANGOLANO - Ei, Angola tá fudida. Fudida. Você tem que dizer isso. Fudida.
Pois.
Está dito!












