Muito bom Junior, tenho aprendido muito sobre a África por você, já que aqui ninguém dá bola pra esse continente, ninguém cobre. Além disso você está muito bem na TV, invista nisso, vai super bem..
O comentário abaixo foi enviado pela ministra da Economia da Guiné-Bissau, Helena Embaló.
“A reportagem poderia ser mais objectiva e dar a conhecer os esforços enormes que têm sido feitos para reconstruir o país. Fica a ideia de um país semeado pela violência e droga, ora não é bem assim e você teve oportunidade de o confirmar. O facto de haverem imoveis destroçados não significa que a guerra prevaleça.
Há uma visão de desenvolvimento para o país, existem reformas que estão a ser feitas. há uma nova esperança .... se a reportagem tivesse traduzido essa realidade ajudaria o país. Pense nas crianças e na população que precisam de ajuda e não de "análises ou percepções" destrutivas.
Helena Embalo”
Agora, o meu comentário: a reportagem retrata a situação do país, que enfrenta grandes desafios e é um dos mais pobres do mundo. Discordo da declaração da ministra de que, após a reportagem, “fica a ideia de um país semeado pela violência e droga”. Isso não foi dito em nenhum momento. As referências à violência estão relacionadas aos períodos dos golpes de estado, à guerra civil e ao assassinato do presidente Nino Vieira. Há uma frase bem clara no texto informando que o novo governo tenta recuperar o país. A declaração do reitor Fafali de que o narcotráfico tende a irrigar os partidos políticos é grave, mas é um fato. E no momento seguinte à declaração do reitor, a própria ministra afirma, com bastante clareza, que a Guiné-Bissau não é produtor nem consumidor de drogas. E que o narcotráfico se aproveita das fragilidades do Estado para operar na região, que se tornou rota para o tráfico de drogas da América do Sul para a Europa. Deste modo, fica registrada a posição do governo guineense em relação ao problema. Os esforços para combater o crime e o pedido de ajuda internacional para solucionar a questão. Quando a ministra afirma que o fato de “haver imóveis destroçados não significa que a guerra prevaleça”, é preciso esclarecer: em nenhum momento a reportagem informa que o país está em guerra. As informações são bem claras de que houve dois golpes de estado (1980 e 1998) e uma guerra civil em 1998. A reportagem também relata o fato de que o presidente Nino Vieira foi assassinado em março de 2009. Por mais que sejam desagradáveis, são a realidade da Guiné-Bissau e qualquer reportagem sobre o país não pode ignorá-la. A reportagem não teve o objetivo de denegrir a imagem do país, e sim mostrar a realidade da população, que não tem trabalho, escola e nem saúde adequada. Tampouco faz análises ou contém percepções destrutivas. São, sim, relatos de fatos conferidos pessoalmente em Bissau.
Carlos Alberto Jr. é jornalista. Mora em São Paulo desde julho de 2012. Trabalhou em jornais, revista e agência de notícias em Campos dos Goytacazes (RJ), São Paulo e Brasília.
Trabalhou como correspondente na África por dois anos e fez reportagens em 15 países do continente e no Timor Leste.
Contato: carlosjr153@hotmail.com
3 comentários:
Muito bom Junior, tenho aprendido muito sobre a África por você, já que aqui ninguém dá bola pra esse continente, ninguém cobre. Além disso você está muito bem na TV, invista nisso, vai super bem..
Ainda estás vivo? Há quanto tempo, pá.
O comentário abaixo foi enviado pela ministra da Economia da Guiné-Bissau, Helena Embaló.
“A reportagem poderia ser mais objectiva e dar a conhecer os esforços enormes que têm sido feitos para reconstruir o país. Fica a ideia de um país semeado pela violência e droga, ora não é bem assim e você teve oportunidade de o confirmar. O facto de haverem imoveis destroçados não significa que a guerra prevaleça.
Há uma visão de desenvolvimento para o país, existem reformas que estão a ser feitas. há uma nova esperança .... se a reportagem tivesse traduzido essa realidade ajudaria o país. Pense nas crianças e na população que precisam de ajuda e não de "análises ou percepções" destrutivas.
Helena Embalo”
Agora, o meu comentário: a reportagem retrata a situação do país, que enfrenta grandes desafios e é um dos mais pobres do mundo.
Discordo da declaração da ministra de que, após a reportagem, “fica a ideia de um país semeado pela violência e droga”.
Isso não foi dito em nenhum momento.
As referências à violência estão relacionadas aos períodos dos golpes de estado, à guerra civil e ao assassinato do presidente Nino Vieira.
Há uma frase bem clara no texto informando que o novo governo tenta recuperar o país.
A declaração do reitor Fafali de que o narcotráfico tende a irrigar os partidos políticos é grave, mas é um fato.
E no momento seguinte à declaração do reitor, a própria ministra afirma, com bastante clareza, que a Guiné-Bissau não é produtor nem consumidor de drogas. E que o narcotráfico se aproveita das fragilidades do Estado para operar na região, que se tornou rota para o tráfico de drogas da América do Sul para a Europa.
Deste modo, fica registrada a posição do governo guineense em relação ao problema. Os esforços para combater o crime e o pedido de ajuda internacional para solucionar a questão.
Quando a ministra afirma que o fato de “haver imóveis destroçados não significa que a guerra prevaleça”, é preciso esclarecer: em nenhum momento a reportagem informa que o país está em guerra.
As informações são bem claras de que houve dois golpes de estado (1980 e 1998) e uma guerra civil em 1998.
A reportagem também relata o fato de que o presidente Nino Vieira foi assassinado em março de 2009.
Por mais que sejam desagradáveis, são a realidade da Guiné-Bissau e qualquer reportagem sobre o país não pode ignorá-la.
A reportagem não teve o objetivo de denegrir a imagem do país, e sim mostrar a realidade da população, que não tem trabalho, escola e nem saúde adequada.
Tampouco faz análises ou contém percepções destrutivas.
São, sim, relatos de fatos conferidos pessoalmente em Bissau.
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