No sábado, fomos jantar no restaurante que fica na mesma rua da Fortaleza de Luanda.
Como a rua é a mesma que dá acesso ao palácio presidencial e a alguns prédios do governo, há sempre soldados armados controlando a área.
Um cone no meio da rua impede a passagem.
Os motoristas são obrigados a parar o carro, baixar o vidro, dizer ao soldado onde vão e esperar que ele autorize a passagem.
Se for alguém apenas interessado em subir a ladeira para ver a vista de Luanda lá de cima (uma bela vista, por sinal), há grande possibilidade de o soldado não autorizar a passagem alegando segurança nacional, dizendo que é necessário uma autorização, uma carta do alto comando do exército etc., etc.
A descida é mais tranquila.
Em geral o soldado apenas retira o cone da rua e permite a passagem.
Pois no sábado, pela primeira vez em dois anos, o soldado não tirou o cone do meio da rua.
Esperou que parássemos e caminhou em direção ao carro.
Baixamos o vidro.
NÓS - Queremos passar.
SOLDADO - Querem passar?
NÓS - Sim. O senhor pode retirar o cone?
SOLDADO (com aquele risinho nos lábios) - Madrinha, não tem nada pra deixar pra mim?
EU - Não, não temos.
O soldado caminha lentamente, retira o cone e seguimos.
Rés-do-chão
2 horas atrás


3 comentários:
EU - Sim, tenho algo para deixar. Um post no Diário da África. Não há achaque que não possa virar anedota.
Afora a corrupação, pessoalmente isso cansa né! Eu já cansei. Inclusive cansei de tentar ser simpatica. Um dia um policial me parou so pra pedir uma boleia e eu já estava começando a ser grosseira com ele, porque já imaginava esse tipo de assédio.
Que reiva!
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