segunda-feira, 26 de abril de 2010

MADRINHA, NÃO TEM NADA PRA DEIXAR?

No sábado, fomos jantar no restaurante que fica na mesma rua da Fortaleza de Luanda.

Como a rua é a mesma que dá acesso ao palácio presidencial e a alguns prédios do governo, há sempre soldados armados controlando a área.

Um cone no meio da rua impede a passagem.

Os motoristas são obrigados a parar o carro, baixar o vidro, dizer ao soldado onde vão e esperar que ele autorize a passagem.

Se for alguém apenas interessado em subir a ladeira para ver a vista de Luanda lá de cima (uma bela vista, por sinal), há grande possibilidade de o soldado não autorizar a passagem alegando segurança nacional, dizendo que é necessário uma autorização, uma carta do alto comando do exército etc., etc.

A descida é mais tranquila.

Em geral o soldado apenas retira o cone da rua e permite a passagem.

Pois no sábado, pela primeira vez em dois anos, o soldado não tirou o cone do meio da rua.

Esperou que parássemos e caminhou em direção ao carro.

Baixamos o vidro.

NÓS - Queremos passar.

SOLDADO - Querem passar?

NÓS - Sim. O senhor pode retirar o cone?

SOLDADO (com aquele risinho nos lábios) - Madrinha, não tem nada pra deixar pra mim?

EU - Não, não temos.

O soldado caminha lentamente, retira o cone e seguimos.

3 comentários:

Anônimo disse...

EU - Sim, tenho algo para deixar. Um post no Diário da África. Não há achaque que não possa virar anedota.

Vivi disse...

Afora a corrupação, pessoalmente isso cansa né! Eu já cansei. Inclusive cansei de tentar ser simpatica. Um dia um policial me parou so pra pedir uma boleia e eu já estava começando a ser grosseira com ele, porque já imaginava esse tipo de assédio.

Lara Maria disse...

Que reiva!