quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
DIÁRIO DA ÁFRICA, O LIVRO (?)
Nas últimas semanas, vários amigos têm sugerido que o diário vire livro.
Tenho cá minhas dúvidas.
Cheguei até a criar uma enquete, aí do lado direito da tela, para saber o que acham os leitores.
O que vocês acham?
NO BRASIL
Muitas coisas para resolver.
Nas próximas semanas haverá poucas atualizações.
O diário entra na reta final.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
A PESCA ARTESANAL EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
E a iniciativa de peixeiras que se uniram numa cooperativa e agora transformam em pratos sofisticados as partes do peixe que antes eram jogadas fora.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
OS PREPARATIVOS PARA AS ELEIÇÕES DE 2009 EM MOÇAMBIQUE
A reportagem foi exibida no dia 27 de outubro de 2009.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O BATUQUE DE CABO VERDE
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
CIDADE VELHA, A PRIMEIRA CAPITAL DE CABO VERDE
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
AS RABIDANTES DE CABO VERDE
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
UM DIA DEPOIS DAS ELEIÇÕES EM MOÇAMBIQUE
Um jurista e o escritor Mia Couto falam sobre corrupcão e a necessidade de se construir uma oposição no país.
ENQUANTO ISSO, NO MPLA...
O MPLA aposta na construção do país em todos os sentidos
O período que vai entre a entrada em vigor da Constituição da República e as próximas eleições gerais representa um lapso de tempo de adaptação colectiva, com enormes responsabilidades para o partido governante, no caso, o MPLA. É este o mote da entrevista a Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, secretário-geral do MPLA, na qual reafirma a inalterabilidade das metas do seu partido relativamente ao programa caucionado pelo eleitorado em Setembro de 2008 e a linha política definida no VI Congresso, em Dezembro de 2009. Dino Matrosse fala, ainda, de como o MPLA, apesar da longevidade, mantém a capacidade de surpreender.
Jornal de Angola - Com o advento da III República impõe-se a um partido como o MPLA novas e acrescidas responsabilidades. Como político experiente o que se espera do partido nessa fase de transição?
Dino Matrosse - Primeiro, não me considero um político experiente. Sou como qualquer outro que vai dando o contributo para o engrandecimento do país. Agora, o que esperar do MPLA? Espera-se o melhor. É o partido que ganhou as eleições, realizou recentemente o VI Congresso e tem uma linha política que os angolanos conhecem. O MPLA quer para Angola o desenvolvimento, a reconstrução e a construção da Nação em todos os sentidos. As nossas atenções estão viradas para a resolução dos problemas que afectam a população, problemas sociais, como a miséria herdada do colonialismo. Queremos despontar para um país novo, em que os angolanos se sintam bem e que não se arrependam da luta que fizeram para tornar Angola independente. Estamos a trabalhar para ter um país onde, de facto, as pessoas possam dizer que valeu a pena termos lutado e sacrificado.
JA - Nos seus discursos durante o VI Congresso, o Presidente José Eduardo dos Santos referiu questões que o MPLA precisa de melhorar para continuar a merecer a confiança do povo, expressa nas urnas nas legislativas de 2008. Quais as reais probabilidades de êxito nesta empreitada?
DM - O Presidente José Eduardo dos Santos, como líder incontestável do partido, com uma visão de Estado que todos reconhecem não só em Angola, mas a nível internacional, sempre aponta o melhor caminho a seguir em função do conhecimento que tem sobre as debilidades e os factores mais fortes do partido. O projecto do partido passa por renovar-se, cada vez mais, e projectar-se para melhor. Temos de procurar combater as fraquezas, tornarmo-nos cada vez mais fortes e dirigir, como temos estado a dirigir, a sociedade da melhor forma possível. O partido procura acabar com as falhas que, provavelmente, terá cometido ao longo do seu percurso, porque só não erra quem não trabalha. Todos nós, funcionários, dirigentes, militantes do partido, devemos seguir a linha política traçada pelos congressos. Tivemos o VI Congresso e é na base da linha política definida no Congresso que devemos trabalhar. Temos de ir acertando o passo porque a sociedade exige do partido no poder a melhor prestação possível para o bem deste povo.
JA - Um militante, dirigente do MPLA apontou a organização e a liderança como alguns dos principais factores que ditaram a vitória do MPLA nas legislativas de 2008. Terá sido apenas isso que faltou aos demais partidos?
DM - Devem estar a referir-se ao camarada Pitra Neto que, como qualquer militante e qualquer cidadão, tem a sua opinião, que temos de respeitar. Cada um de nós tem a sua opinião sobre o que aconteceu e as pessoas são livres de exprimir as suas opiniões.
JA - Mas qual é a sua visão sobre essa vitória?
DM - A minha visão sobre o MPLA e a vitória que obtivemos é que ela resulta da prestação que o partido tem desde a luta de libertação nacional. O partido sempre esteve ao lado do povo, no período que antecedeu a independência e, desde então, o MPLA tem tomado iniciativas para mudar o estado de coisas que herdamos do colonialismo. Conquistamos a paz, o MPLA teve o seu papel. Aliás, o seu líder José Eduardo dos Santos foi sempre apontando e orientando o partido nos seus múltiplos aspectos. E o partido foi seguindo essa linha. Tivemos a paz, depois a reconstrução da Nação. Vejam que durante a guerra houve destruição do património em várias áreas do país, em várias províncias. O Governo teve que reconstruir o que havia sido destruído. Foram pontes, estradas, hospitais, escolas, etc. Todo esse trabalho quem orientou e dirigiu foi o MPLA, que além disso teve que reconciliar a nação. Os que foram antes inimigos são hoje nossos compatriotas e convivem connosco, ajudando a reconstruir o país. Entre outros, estes factores aliados ao trabalho da própria organização do partido, ao enraizar-se no seio da população, motivar os seus membros e promover o crescimento, determinaram, quanto a mim, a vitória do MPLA.
JA - O partido teve alguma orientação específica na abordagem do período da campanha?
DM - Penso que nada em especial. Mas vocês puderam perceber que, durante a campanha, o MPLA quase nada falou sobre os seus adversários políticos. Falou sobre o papel que desempenhou no passado e que tem desempenhado nos dias de hoje e o que esperava de Angola para depois das eleições. A questão foi o que é que o MPLA pensava sobre Angola. As pessoas esperavam de nós uma resposta. E é isso que estamos a fazer. Portanto, estes e outros factores contribuíram para a grande vitória do partido nas eleições de 2008.
JA - Como explica o facto de apesar de certa longevidade consiga manter a capacidade de surpreender?
DM - É porque o MPLA é um partido que em diversas fases da sua trajectória faz a leitura das situações e não hesita em alterar aquilo que sente que é preciso alterar. O MPLA é um partido que não fica preso ao passado, preso àquilo que fez. É um partido inovador, com iniciativa, que inova e dirige a sociedade de modo a transmitir a consciência de que a sociedade está sujeita a mutações que levam ao seu desenvolvimento. Impõe-se a mudança de mentalidade e não ficar agarrado às coisas do passado. O MPLA é um partido que acompanha, de forma prudente, as mudanças que vão sucedendo no mundo. Quer dizer que o MPLA vale-se também disso, da sua capacidade de se adaptar. Tem iniciativa e não é arrastado pelas situações.
JA - Qual o grande objectivo do partido com esta última rotação de quadros no Governo e no Parlamento?
DM - Temos hoje uma nova Constituição, com conceitos novos. Um documento moderno, como bem frisou o camarada Presidente. E se fizerem a leitura pausada e criteriosa desta nova Constituição vão encontrar preceitos que ditam as inovações que foram feitas. E foi com base nisso que se fez essa movimentação, vendo quais eram os quadros cujo perfil melhor se coadunava e que podiam dar o seu contributo com base na nova Constituição. Mas o MPLA tem muitos quadros, e, mesmo que quisesse, não podia colocar no Governo todos os quadros que tem. Se calhar há uns que podiam estar e não estão. Os que ficaram e os que entraram foram nomeados pelo partido para essa fase. Quem sabe se no futuro vêm outros, mas por agora os que estão, estão muito bem. Até porque a composição do Governo é limitada, e não cabem lá todos (risos).
JA - O MPLA não se pode, é claro, queixar quanto a quadros…
DM - Não tem por que se queixar porque mesmo no tempo do movimento de libertação nacional preocupou-se sempre com a formação de quadros. O MPLA entendeu sempre que construir um país sem quadros, não se chega a lado nenhum. São os quadros que transformam o país. Por isso, temos quadros, formámo-los e vamos continuar a ter bons quadros. O país precisa de quadros, não só para o Governo ou para o partido. São quadros para a sociedade, nas empresas, nas organizações não-governamentais, enfim. É preciso que estes quadros existam e tenham qualidade para ajudarem naquilo que Angola necessita.
JA - Que comentário pode fazer sobre a capacidade de reconciliação interna do MPLA?
DM - O MPLA sempre teve a capacidade de se reconciliar com os seus próprios quadros, aqueles que, em dado tempo, e por qualquer razão, deixaram de se rever no MPLA. Sabem que nas diversas fases do desenvolvimento do nosso partido tivemos problemas internos. A primeira crise foi a 7 de Julho de 1963, com Viriato da Cruz, depois em 1972/3 a Revolta Activa e a Revolta do Leste, depois tivemos o fraccionismo. E muitos destes camaradas hoje estão no partido, uns na direcção, outros não, mas poucos são os que ficaram de fora. A verdade é essa, o MPLA tem demonstrado capacidade de reconciliação com todos aqueles que são seus membros que no passado estiveram desavindos por não concordarem com certos critérios ou certas políticas do partido, mas muitos reconciliaram-se e voltaram. Em 1990, tivemos um Congresso da reconciliação da família MPLA, com Daniel Chipenda e outros. Portanto, mostramos que temos essa capacidade de fazermos autocrítica e de nos reconciliarmos, de modos a caminharmos para um mesmo fim.
JA - No último Congresso, o MPLA procedeu a algumas modificações nos estatutos e programa do partido procurando tornar-se mais dinâmico e aberto. Como é que tem estado a reagir a essas inovações?
DM - Nós somos um partido aberto, onde estão todos os angolanos de vários matizes e pensamento político. O MPLA é um partido que tem esse mosaico de militantes, que se revêem nos estatutos e no seu programa. Esforçamo-nos para cada vez mais tornarmos o nosso partido mais democrático. E se olharmos para os estatutos que temos agora, percebe-se que está claramente melhor e mais bem aperfeiçoado. Introduziram-se documentos também muito importantes, como o regulamento eleitoral interno onde em diversos escalões, para certos cargos, concorrem através de voto secreto até à instância máxima do partido. É, digamos, uma abertura maior que fazemos para tornarmos o partido mais democrático. Basta ver que agora para um cargo electivo podem concorrer dois ou três camaradas. Apresentam os seus programas e aquele que tiver o melhor programa e que os militantes aceitarem é o que fica, naturalmente. Podem fazer a sua campanha, mas sem ofender ninguém porque somos todos camaradas (risos).
JA - Que apelo deixa aos militantes mais novos do MPLA?
DM - Gostaria de dirigir uma mensagem não apenas aos jovens militantes, mas a todos os dirigentes, não dirigentes, responsáveis a vários níveis, para que continuem na mesma senda para tornar mais forte o nosso partido. A unidade é fundamental. Sem unidade e sem coesão o partido torna-se fraco. Felizmente, não temos esse problema. Continuamos, cada vez mais, unidos, com o propósito de proporcionar melhores dias ao povo angolano, tornando-o mais alegre. Temos consciência de que ainda temos muita gente a viver na pobreza. Esse é o nosso trabalho do dia-a-dia. O Governo está a tomar medidas para acabar com a pobreza, mas esse combate é quotidiano porque não se faz num único dia. Vamos combater todos os dias para acabarmos com a pobreza.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
ANTIGOS COMANDOS REIVINDICAM INTEGRAÇÃO ÀS FORÇAS ARMADAS ANGOLANAS
Antigos comandos reivindicam salário e reintegração nas Forças Armadas Angolanas
São 153 efectivos que faziam parte da 23ª companhia das FAA, destacada na província da Lunda-Norte.
Dizem terem sido desviados para missões de empresas privadas dirigidas pelos generais angolanos na província diamantífera de Angola.
Depois de terem ameaçado sair a rua esta Sexta-feira em manifestação, foram recebidos no ministério da defesa, mas o líder do grupo o Tenente Trindade Pedro diz que as suas reivindicações não são bem-vindas aos olhos dos responsáveis da pasta da defesa.
LIVROS DE REPORTAGEM
Reúne as obras do jornalista polonês Ryszard Kapúscinski.
Kapuscinski morreu em 2007 e cobriu a África durante décadas para a agência de notícias estatal.
Ele era o único correspondente da Agência de Notícias Polonesa e, entre 1964 e 1974, foi responsável pela cobertura de 50 países na África, Ásia, Europa e América Latina.
Vários de seus livros estão traduzidos para o português.
Kapúscinski tem um excelente livro sobre Angola.
Chama-se Another Day of Life e foi escrito entre julho e outubro de 1975.
A narrativa da saída dos portugueses de Angola, as cenas no porto, a cidade ficando abandonada, os negros tomando consciência de que o país agora era deles é espetacular.
Um livro do Kapúscinski vale por vários curso de história.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
REPORTAGENS DA TV BRASIL SOBRE O CONTINENTE AFRICANO
É só clicar e (re)ver.
A BIGGER SPLASH
Leia abaixo ou clique aqui para ler no sítio do The Guardian.
A bigger splash
Brazil's cultural climate has bred Portuguese into a language that has warmth, creativity and an endearing fondness for embellishment
America is often blamed for the deterioration of the English language. Such a claim is never levelled at its Latin American neighbours Brazil, which has only improved its mother tongue, Portuguese.
First, there is how it sounds. Brazil gave the world bossa nova, a lilting, sensual musical style that could only have been invented in a language as correspondingly lilting and sensual. The consonants are all softened, to sound like waves crashing on the beach; the intonation is syncopated and seductive. Brazilian Portuguese has been described as sounding like "Sean Connery speaking Italian"; this is true, but only when he is wearing swimming trunks.
Brazilian culture reshaped Portuguese in its own image, introducing an informality, warmth and inclusiveness that I am not aware exists in any other major language. Everyone is known by their first names, even the president. Actually, he is known by his nickname, Lula. As are many other Brazilians, like Pelé, Robinho and Kaká, too. Speaking Portuguese makes you feel instantly among friends.
Brazil is one of the world's great melting pots, consisting mainly of Europeans, Africans and indigenous Indians, as well as a fair amount of Japanese. Brazilian Portuguese isn't fussy about taking words from other languages and making them its own. It's a very international, non-judgemental tongue. Yet no attempt is made to pronounce foreign words correctly; the local rules for softening consonants always applies. So "rush hour" is hora do rush, pronounced "hush", which I think is particularly appropriate, and the word for billboard is "outdoor", pronounced ouch-door.
At first Portuguese seems difficult, but this is almost entirely because of the unexpected pronunciation and intonation. Yet there are very clear rules and once these are mastered the language is no harder to learn than Spanish or French. True, the grammar and spelling is more complicated than French or Spanish (newspapers have columns on grammar every week, and new spelling rules were announced last year), but most people make lots of mistakes and it doesn't matter. What I loved about learning Brazilian Portuguese is that the spoken language is more fundamental than the written language, partly since a large number of people are effectively illiterate, and, as such, is tailored to oral communication and old-fashioned story-telling. (If something is written down, this does not make it more true or reliable, as we tend to think in Europe). What is true and what is not true is very fluid.
But my favourite aspect of Brazilian Portuguese, and an important breakthrough in becoming fluent, was to grasp the fundamental role of the suffixes -inho, and -ão, meaning 'little' and 'big'. Never knowingly underuse one of these suffixes. The diminutive -inho can also indicate love, intimacy, beauty, irrelevance and affection and the augmentative -ão can indicate fear, ugliness or wonder. A true Brazilian will find it difficult to say a sentence without incorporating an -inho or an -ão, which means that conversations tend to be full of passion and exaggeration, humour and colour. The country is a land of extremes in so many ways (in terms of geography and wealth, for instance) — and the language encourages its inhabitants to talk in extremes.
Rather than requiring an extensive vocabulary, Brazilian Portuguese is richly idiomatic and also versatile because of the creativity it allows. After all, this is the language whose greatest contribution to international vernacular is the exclamation: "goooooooooooooaaaaaaaaaal."
--------------------------------------------------------------------------------
Alex Bellos was the Guardian's Rio correspondent from 1998-2003. He is the author of Futebol: The Brazilian Way of Life
domingo, 14 de fevereiro de 2010
O CUSTO DE VIDA EM LUANDA
Recebi uma mensagem do Rui perguntando qual seria o valor adequado para ajuda de custo referente à moradia e alimentação em Luanda.
Rui recebeu uma proposta de trabalho em Angola e diz que a empresa ofereceu, além do salário, US$ 50 mil por ano para moradia e alimentação.
É pouco.
Dificilmente alguém encontra uma casa de dois quartos numa região razoável por menos de US$ 10 mil.
Só por este valor já se pode fazer o cálculo de quanto é necessário para viver por aqui.
Em relação à alimentação, depende do tipo de vida que se quer levar.
O preço médio de um almoço num restaurante básico não sai por menos de US$ 30.
Um jantar num lugar um pouco melhor, uns US$ 50 por pessoa. Sem bebida.
Recentemente fomos ao PIM's, considerado um dos bons restaurantes em Luanda.
Três pessoas: pedimos dois filés ao molho de pimenta e um prato de lula.
Com um vinho.
A conta saiu US$ 100.
Por pessoa.
Resumindo: Luanda não é um lugar para se comer fora.
Os preços dos alimentos aumentaram em Angola nos últimos meses por causa da desvalorização do Kwanza em relação ao dólar.
Há um ano e meio, US$ 1 era igual a 75 kwanzas.
Hoje, US$ 1 varia entre 93 e 95 kwanzas.
Como praticamente tudo é importado, qualquer variação no dólar tem impacto nos preços daqui.
O JEITO LEVE LEVE DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
sábado, 13 de fevereiro de 2010
DIREITOS HUMANOS EM ANGOLA
Apesar de vários países terem reconhecido os esforços do país no sentido de respeitar os Direitos Humanos, a situação em Angola ainda é muito complicada.
Há três anos, o governo angolano deu 48 horas para a agência de Direitos Humanos da ONU deixar o país pelo fato de não ter gostado de um relatório com críticas ao país.
E a agência foi embora, expulsa de Angola.
No fim do ano passado, um caso de desrespeito aos Direitos Humanos teve bastante repercussão.
Um funcionário da agência de migração do governo angolano foi detido em casa, acusado de ter roubado uma moto e um telefone celular.
Os policiais que o prenderam, segundo relatos da família, o espancaram na frente dos pais, da mulher e dos filhos.
Havia outra pessoa presa, também acusada de cumplicidade no crime.
Segundo a família, os policiais obrigaram os dois a se beijarem na boca na frente de todos.
O homem acabou morrendo dias depois na cadeia, em consequência das torturas recebidas dos policiais.
Recentemente, policiais angolanos deram entrevistas a um jornal local, sob anonimato, dizendo que, por causa dos baixos salários, seriam obrigados a extorquir dinheiro da população.
Algo que muitos policiais de trânsito fazem diariamente para engordar o salário.
É interessante observar o ritual: mandam o motorista parar o carro, pedem documentos, inventam normas, dizem que falta um papel etc.
Afastam-se do carro, o motorista desce e começa a negociação.
Já escrevi antes que o grande problema das multas de trânsito nem chega a ser o alto valor a ser pago. Multa tem que ser alta mesmo para desestimular as infrações.
O problema é que, ao contrário de qualquer país, em que o cidadão autuado recebe a multa em casa, aqui o policial confisca a carteira de motorista.
Coloca no bolso e vai embora.
O motorista que recebeu a multa tem que fazer o pagamento e, com o comprovante na mão, ir à esquadra policial reaver a carteira.
O que acontece é que essa carteira muitas vezes nunca chega à esquadra.
Quando chega, o cidadão é obrigado a enfrentar uma jornada para conseguir encontrar a carteira de motorista.
É tanta confusão que as pessoas preferem pagar propina.
O a gasosa, como se chama aqui.
O policial fica com 10% ou 20% do valor da multa que deveria aplicar e o motorista é liberado.
Não que os motoristas sejam inocentes.
Em geral, estão sem a documentação, dirigem sem habilitação, os carros não têm condições de trafegar e por aí vai.
A gasosa é algo institucionalizado em Angola.
Não ouso mais dizer que é errado.
Da última vez, várias pessoas defenderam os pobres policiais e me pediram para eu me colocar no lugar deles, que não têm dinheiro para alimentar a família.
Perguntaram se eu não faria o mesmo.
Provavelmente não.
Mas cada povo encontra o seu caminho.
A gasosa é o atalho que os angolanos encontraram para lidar com a falta de estrutura, de leis e a impunidade no país.
Mas, como alguém já disse antes, nem sempre o atalho é o caminho mais curto.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
HÁ 20 ANOS, NELSON MANDELA DEIXAVA A PRISÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
UNCLE SAM
Tradicionalmente, não passam de 1%.
Será que devo me preocupar?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
UM PROJETO DE SUCESSO NO QUÊNIA
Um projeto com a participação da ONG Ação Comunitária do Brasil.
Clique aqui e conheça.
O DISCURSO E A PRÁTICA
O ranking tem 180 países.
Nas últimas semanas, o governo angolano parece ter sido tomado por uma fúria contra a corrupção.
O presidente José Eduardo dos Santos, há 30 anos no poder e com possibilidade de permanecer no cargo até 2022, não perde uma oportunidade para falar do problema.
Reunião do MPLA? Lá vem um discurso contra a corrupção.
Reunião do conselho de ministros? Outro discurso contra os desvios de conduta dos servidores públicos.
Festa de criança? Mais uma pregação contra desvio de dinheiro público e um alerta de que o estado não mais vai tolerar esse tipo de situação.
Cadeia para todos eles.
Os sites angolanos dão sempre destaque ao que diz o presidente.
Como sempre, o interessante é ler os comentários dos leitores.
Em geral, 90% dos comentários são de pessoas dizendo que a faxina deveria começar pelo governo, com acusações de desvios de dinheiro que teriam sido feitas pelo presidente, filhos, filhas, ministros, amigos etc.
A nova postura do governo angolano faz parte da estratégia de mudar a imagem do país.
Na CNN pode-se ver anúncios feitos com o objetivo de atrair investimentos.
Imagens de belas praias desertas, cachoeiras, deserto, mar, jovens jogando basquete, sorrisos e de longe, bem de longe, uma imagem noturna de Luanda.
Quem nunca esteve em Luanda fica bem impressionado.
O visual noturno da cidade realmente chama a atenção pela beleza.
Mas a realidade é diferente.
É louvável o esforço do governo para tentar mudar a imagem do país.
O problema é que o país precisa de mais do que discursos.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM TIMOR LESTE
Mais de 60% dos casos registrados pela polícia são de agressões e abusos sexuais contra mulheres e crianças.
Só no ano passado a violência contra a mulher e o estupro passaram a ser considerados crimes no país.
Adolescentes vítimas de violência sexual são discriminadas e tratadas como prostitutas.
A palavra que usam para as adolescentes estupradas é: estragada.
NINGUÉM PEDIU DINHEIRO
Devo ter tido contato com quase 100 pessoas nos 12 dias em que fiquei em Timor Leste.
Em nenhum momento me pediram dinheiro.
Em nenhum momento fui incomodado na rua.
Dos 15 países africanos em que já estive, os únicos lugares em que as pessoas não me pediram dinheiro foram Ruanda, África do Sul, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos.
Há outros problemas, claro, mas em nenhum deles as pessoas que trabalhavam comigo me pediram dinheiro ou apresentaram alguma história triste para justificar um pedido de dinheiro.
Em nenhum deles fui abordado por estranhos na rua me pedindo dinheiro pelo fato de eu ser branco e/ou estrangeiro.
De todos os 15 países africanos, Angola me parece ser o mais agressivo.
Talvez pelo fato de viver e estar há mais tempo aqui.
Se estivesse morando no Congo ou na África do Sul, talvez ficasse com a mesma impressão que tenho de Luanda.
Em Joanesburgo conheci gente que estava de partida do país por causa da violência.
Havia sido agredido num assalto a uma discoteca.
Mas em todos esses países, também trabalha-se com mais tranquilidade.
Em Luanda, fazer uma filmagem na rua exige uma logística surreal.
Sempre com o risco de agressões e de autoridades que ainda hoje acham um absurdo tirar uma foto de um prédio público.
Algumas pessoas me dão a impressão de querer os benefícios da modernidade sem ter soltado os grilhões.
Lembro-me de uma apresentação sobre economia em que um general angolano começou a exposição sobre infra-estrutura com um discurso sobre a ocupação portuguesa e os abusos cometidos no período da colônia.
Concordo que só é possível construir o futuro tendo consciência do passado.
Mas o passado precisa ser usado como ferramenta para construir.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
HÁ 20 ANOS, A ÁFRICA DO SUL DECIDIA LIBERTAR MANDELA
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
NOVAS ESPERANÇAS E VELHOS DESAFIOS PARA A ECONOMIA ANGOLANA
Segundo relatório assinado pelo economista-chefe do Bird em Angola, Ricardo Gazel, o PIB do país deverá crescer entre 6,5% e 7,5% este ano, dependendo do desempenho do setor não-petrolífero.
O setor petrolífero deverá crescer 6,5%; e a produção de petróleo de 1,79 milhão de barris/dia no ano passado para 1,9 milhão de barris/dia em 2010.
O crescimento do setor não-petrolífero será afetado positivamente pela expansão do setor petrolífero, aumento de gastos pelo setor público e alguns investimentos privados nos setores agrícola e de manufaturas.
O setor bancário também manterá sua expansão.
Por outro lado, políticas fiscais e monetárias apertadas manterão o crescimento abaixo de dois dígitos.
Se o setor não-petrolífero se mantiver entre 6,5% e 8%, o crescimento real do PIB vai variar entre 6,5% e 7,5%, respectivamente.
A inflação deve manter a taxa registrada no ano passado, em torno de 14%, assim como uma política monetária apertada vai equilibrar os efeitos da desvalorização do kwanza em relação ao dólar.
À medida que a economia mundial vá melhorando, a demanda por petróleo vai aumentar ligeiramente em 2010 e os preços devem se manter nos níveis atuais, correspondente a um preço em torno de US$ 70 para o petróleo de Angola.
Essas duas altas (preço do petróleo em Angola e inflação) resultarão num crescimento nominal do PIB entre 21% e 24%.
Em termos de dólar, espera-se que o PIB cresça de US$ 70 bilhões em 2009 para US$ 86 bilhões em 2010.
O cenário econômico melhorou muito desde 2009, mas os velhos desafios permanecem.
Primeiro, a alta dependência do petróleo continuará uma realidade pelos próximos anos.
Segundo, as políticas fiscal e monetária apertadas propostas para 2010 não serão facilmente implementadas se houver pressões crescentes para aumentar o gasto público e expandir o crédito se o preço do petróleo ficar no nível atual.
Por outro lado, há sempre a possibilidade de que o ritmo da recuperação econômica global diminua e, com isso, o preço do petróleo caia.









