segunda-feira, 26 de abril de 2010

MADRINHA, NÃO TEM NADA PRA DEIXAR?

No sábado, fomos jantar no restaurante que fica na mesma rua da Fortaleza de Luanda.

Como a rua é a mesma que dá acesso ao palácio presidencial e a alguns prédios do governo, há sempre soldados armados controlando a área.

Um cone no meio da rua impede a passagem.

Os motoristas são obrigados a parar o carro, baixar o vidro, dizer ao soldado onde vão e esperar que ele autorize a passagem.

Se for alguém apenas interessado em subir a ladeira para ver a vista de Luanda lá de cima (uma bela vista, por sinal), há grande possibilidade de o soldado não autorizar a passagem alegando segurança nacional, dizendo que é necessário uma autorização, uma carta do alto comando do exército etc., etc.

A descida é mais tranquila.

Em geral o soldado apenas retira o cone da rua e permite a passagem.

Pois no sábado, pela primeira vez em dois anos, o soldado não tirou o cone do meio da rua.

Esperou que parássemos e caminhou em direção ao carro.

Baixamos o vidro.

NÓS - Queremos passar.

SOLDADO - Querem passar?

NÓS - Sim. O senhor pode retirar o cone?

SOLDADO (com aquele risinho nos lábios) - Madrinha, não tem nada pra deixar pra mim?

EU - Não, não temos.

O soldado caminha lentamente, retira o cone e seguimos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A PLAYBOY ANGOLANA

A informação foi divulgada hoje.

O grupo Frestacom, detentor dos direitos da Playboy em Portugal, estuda o lançamento de uma edição em Angola ainda este ano.

Em seguida, viria a edição de Moçambique.

Clique aqui para ler a notícia e os ótimos comentários dos leitores sobre a polêmica chegada da Playboy a Angola.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUASE NO FIM

Estamos no meio da mudança.

Daqui a nove dias termina mais uma etapa.

O diário também chegará ao fim.

Vai continuar aqui na blogosfera para ajudar quem estiver chegando, no meio do caminho ou partindo.

Sempre sugiro que, quem chega, deve começar do começo e ler desde o primeiro post.

Mas é apenas uma sugestão.

Também peço para não acreditarem em nada.

É apenas uma opinião, um olhar.

Cada um se relaciona de um jeito, enxerga de um jeito, reage de um jeito.

Depois de quase dois anos, não vai ser fácil olhar as coisas com os olhos de antes.

A aventura africana foi um salto no desconhecido.

A prova de que somos sempre capazes de nos superar.

E também de falhar.

Falhar de forma vergonhosa.

Talvez nunca seja possível explicar.

Lembra daquela tarefa do jardim de infância, de encaixar uma peça redonda no buraco redondo, a peça quadrada no buraco quadrado?

Agora imagine uma criança que tenta encaixar a peça redonda no buraco quadrado.

Agora imagine que aquela criança é um adulto.

Hoje passei por uma situação parecida.

E lembro de historiadores, cientistas políticos, analistas e especialistas tentando explicar o que se passa.

Fico com a impressão de que ninguém entendeu coisa alguma.

E saio mais perdido do que nunca.

Não entendeu nada desse post?

Bem-vindo ao clube!

terça-feira, 20 de abril de 2010

ONDA DE PRISÕES EM CABINDA

Desde janeiro, quando rebeldes metralharam o ônibus que levava a seleção do Togo para Cabinda, enclave de Angola vizinho à República Democrática do Congo, dezenas de pessoas foram presas pelo exército angolano por suspeita de envolvimento com as Forças de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC).

A seleção do Togo estava no grupo que disputaria a Copa da África, sediada este ano em Angola.

O ataque surpreendeu as autoridades angolanas, que nos últimos anos vinham divulgando que as FLEC haviam sido desbaratadas.

Clique aqui e leia a notícia mais recente sobre a nova onda de prisões em Cabinda, divulgada pelo sítio Angonotícias.

Leia também os comentários dos leitores sobre o assunto.

MARIA FRÔ

Para quem se interessa por África, Maria Frô.

HOMENS ARMADOS ASSALTAM NUNCIATURA EM LUANDA

Segundo a imprensa local, três homens armados, trajando ternos, foram à sede da Nunciatura ontem à tarde e se apresentaram como representantes do bispo da província de Malanje.

Uma vez dentro da casa, anunciaram o assalto e levaram quatro aparelhos de telefone celular e dinheiro.

Os assaltantes fugiram quando as madres começaram a gritar.

O papa Bento XVI ficou hospedado na casa quando visitou Angola, no ano passado.

Para ver reportagem da TV Brasil sobre os preparativos para a chegada do papa a Angola, clique aqui.

E para ver a chegada do papa a Angola, clique aqui.

Para ler a notícia completa sobre o assalto e os comentários dos leitores, clique aqui.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A BOLSA DE VALORES DE ANGOLA

A Bolsa de Valores de Angola deve começar a funcionar até o fim do ano.

Os responsáveis pelo empreendimento dizem que, com a crise financeira internacional superada, a bolsa angolana tem potencial para se confirmar como a terceira da África, atrás apenas da África do Sul e da Nigéria.

Clique aqui para ler a notícia e os sempre edificantes comentários dos leitores.

EQUIPE DO PROGRAMA NOVA ÁFRICA ASSALTADA EM GANA

Nota publicada no sítio da revista Veja. O assalto aconteceu na quinta-feira passada.


"Governo
Equipe da TV Brasil é assaltada na África

Uma equipe de jornalistas da TV Brasil foi assaltada ontem à noite quando se deslocava de Acra, capital de Gana, para a cidade de Tema, na Costa do Marfim, uma perigosa região do continente africano onde iriam fazer uma reportagem.

Dois bandidos, armados com pedaços de ferro, abordaram o carro alugado pelos três jornalistas da emissora estatal no momento em que o motorista havia parado para consertar uma lanterna. Levaram uma filmadora profissional (avaliada em 13 000 reais), cartões de memória e parte da matéria já feita.

Um dos jornalistas da equipe, Lucas Mello, foi agredido pelos assaltantes. Após o episódio, a equipe cancelou a ida à Costa do Marfim e ficou com um prejuízo de 10 000 dólares. O encarregado de Negócios da Embaixada de Gana, Márcio Catunda, cuida do regresso deles ao Brasil.

Por Lauro Jardim"


A notícia da Veja tem uma incorreção. A equipe de jornalistas não é da TV Brasil.

Apenas realizam o programa veiculado pela emissora.

domingo, 18 de abril de 2010

CABO VERDE, ESCRAVIDÃO, ROTAS COMERCIAIS E O CRIOLO

Hamilton Jair Fernandes é historiador cabo verdiano especializado em arqueologia e mestre em Gestão de Patrimônio.

Na entrevista a seguir, ele fala sobre escravidão e o idioma criolo.

PERGUNTA – Qual a importância deste lugar em que estamos para Cabo Verde?
Hamilton Jair Fernandes - Exatamente. Estou basicamente onde toda a história de Cabo Verde, tanto como país mas sobretudo como nação, surgiu, que é a rua da Banana, a rua que fica justamente à entrada da cidade para quem fazia na altura, mais concretamente a partir de 1460, 1462, a entrada ou reabastecimento na cidade da ribeira grande de santiago.

PERGUNTA – Essa foi a primeira rua construída pelos europeus na África?
Hamilton Jair Fernandes – Exatamente. Segundo as crônicas e algumas prospecções arqueológicas que fizemos pontualmente aqui nessas duas ruas, os fatos falam por si. Que é a primeira rua urbanizada, construída pelos europeus nos trópicos, particularmente aqui na cidade da ribeira grande. E de uma forma geral pode-se considerar como sendo a primeira rua urbanizada de cabo verde.

PERGUNTA – Quando os portugueses navegavam em busca de novas rotas comerciais, o que representou a chegada a Cabo Verde?
Hamilton Jair Fernandes –
O fato curioso é que, segundo a própria história de Portugal e a de Cabo Verde, como é óbvio não deixa de ser uma história desassociada, há uma questão que é importante, que é o fato de que os portugueses, na altura, não saíram propositadamente para descobrir aqui as ilhas de Cabo Verde. Como se sabe, o primeiro objetivo foi a descoberta das índias e, na altura, pela incapacidade limitada por algumas insuficiências ao nível científico e de navegabilidade, facilitou de uma certa forma a navegação costeira. Cabo Verde está a 500 km da costa ocidental africana, mais concretamente do Senegal, e isso facilitou muito a vinda aqui dos portugueses. Estamos a falar num período em que o mundo ocidental saiu à procura de novos mercados, quer para extração dos novos materiais, das matérias-primas, quer para a colocação dos seus produtos, dos seus derivados. E Cabo Verde, nesse particular, acabou por desempenhar um papel importante. Enquanto não estava muito longe de Portugal, também não estava muito perto de Portugal, o que facilitava por sua vez, enquanto sítio de armazenagem do produto que vinha da África com destino à Europa, facilitava e muito. E também na comunicação entre o poder administrativo aqui residente e o poder administrativo na metrópole. Estamos num período onde havia uma certa dificuldade por causa do tempo de viagem que demorava entre 2 e 3 meses. Isso facilitavade um lado mas dificultava de outro. Enquanto antiga Ribeira Grande, cidade velha atual, enquanto entreposto desse comércio e dessa comunicação entre a Europa e África num primeiro momento. Posteriormente viria entrar o continente americano, mais concretamente o Brasil e a zona sul dos Estados Unidos.

PERGUNTA – O que representou Cabo Verde depois de iniciada a colonização relacionado a entreposto. Era ponto de parada para quem partia para as américas e mais tarde também em relação ao tráfico de escravos?
HAMILTON JAIR FERNANDES –
Exatamente. Nesse particular então é mais curioso ainda. O fato de Cabo Verde funcionar como um entreposto não só para o reabastecimento dos navios que vinham aqui à procura de víveres para abastecerem durante as suas navegações não só com a costa africana, mas também com o caminho das índias...estamos a falar de grandes navegadores que aqui passaram, pela necessidade que tiveram de chegar a Cabo Verde. Caso de Vasco da Gama, do Pedro Álvares Cabral. Tiveram mesmo essa necessidade de se ancorarem aqui para se reabastecerem. Mas também há um outro fato importante de sublinhar, que é a questão de Cabo Verde, da Ribeira Grande, funcionar durante três séculos como entreposto do comércio de escravos. Ou seja, o escravo que parava aqui na Ribeira Grande tinha um preço diferente do escravo que saía diretamente da África para as outras paragens. Por causa da ladinização, um termo utilizado pelos historiadores para diferenciar o tratamento ou a domesticação da pessoa, nesse caso do escravo, que passava aqui por Cabo Verde, era batizado, era-lhe ensinado as atividades ou os afazeres domésticos. Não era o simples escravo que trabalhava no campo ou que trabalhava na produção agrícola aqui na cidade. Mas tambem tinham esse saber fazer domestico. Ou seja, trabalhavam no interior das casas. Muitas vezes muitas mulheres enquanto amas, que amamentavam os miúdos.

PERGUNTA - Era um escravo com valor agregado.
HAMILTON –
Exatamente. Pelo fato de a eles ser ensinado algo de rudimentar, não só desse saber fazer doméstico, mas também um outro aspecto importante, que era o aspecto religioso. Que também não estava disassociado de todo esse fenômeno do descobrimento europeu.

REPÓRTER - Isso que o senhor acabou de falar, o fato de os escravos estarem dentro das casas dos europeus que vinham para cá, de alguma forma facilitou a miscigenação? Quando se observa Cabo Verde em relação a outros países africanos, o tom da pele é diferente em relação a Angola, São Tomé e Moçambique. Isso também aconteceu?
HAMILTON –
Sim. Se calhar essa poderia ser entendida numa leitura mais otimista como a porta de entrada para essa miscigenação. Sobretudo a nível, como acabou de dizer e bem, da fisionomia do cabo verdiano face às outras colônias que estão sediadas no continente. Porque o próprio cabo verdiano de hoje, se formos reparar bem, a diferença de uma ilha em relação à outra, vê-se que os aspectos físicos diferem e muito. Por quê? Podemos encontrar ilhas em que a tonalidade da pele do cabo verdiano é mais clara face às outras ilhas. E isso precisamente por causa dessa mistura biológica e genética. Daí que tudo originou daqui, da Cidade Velha.

REPÓRTER – E isso de alguma forma provocou preconceito de outros países africanos por ter se miscigenado mais?
HAMILTON -
Se calhar, antes de responder a essa questão, queria também fazer uma pequena ressalva que é a questão do estatuto que o escravo que passava aqui por Cabo Verde tinha em relação a outro. Que é essa questão ladinização. Padre Antônio Vieira, por exemplo, numa das crônicas que ele fez na passagem aqui à ilha de Santiago, mais concretamente aqui à Ribeira Grande de Santiago, num certo momento fala sobre a evangelização que era feita pelos frades ou pelos padres negros que eram formados aqui na ilha. Para facilitar a comunicação entre o colono e o colonizado. E muitos deles pregavam, não só aqui na cidade mas também faziam missões religiosas no interior da ilha. Daí pode-se ver o valor acrescentado que o escravo daqui, que passava aqui por Ribeira Grande, não necessariamente ser natural da Ribeira Grande, mas que passava aqui por Ribeira Grande. Em relação à sua pergunta: a questão da emancipação no período antes da independência não sou partidário dessa afirmação, que isso dificultou o cabo verdiano na sua integração em relação a outros países que passaram no mesmo trajetória histórica. Mas muito pelo contrário. Vejamos uma coisa: após a abolição da escravatura e assunção de cabo verdiano da questão identitária, do homem cabo verdiano, independentemente de ser o homem cabo verdiano é produto de uma miscigenação ou não, o fato é que a partir do momento da abolição da escravatura, o cabo verdiano se assumiu como tal. Desde aspectos etnográficos, antropológicos e sociais, sobretudo, mas um outro aspecto também que está intimamente ligado é a questão cultural, que é a questão de pertença à África. Porque todo o processo da luta colonial, da luta contra o opressor nasceu dessa tomada de consciência do cabo verdiano. Temos que nos unir aos outros povos que também passaram ou que também na altura estavam no mesmo processo de colonização. E isso é um fato que cada vez mais nos faz unir a África continente.

REPÓRTER – Em relação ao criolo: o início foi aqui na Cidade Velha?
HAMILTON –
Em relação ao criolo que se fala aqui em Cabo Verde há uma questão simples, que é vermos a história e todos os aspectos sociais, culturais e antropológicos a ela relacionados. O criolo que se fala aqui em Cabo Verde surgiu da necessidade de comunicação entre os europeus e os africanos. Mas sobretudo entre os africanos. Porque se formos ver as origens, geograficamente, do povo cabo verdiano face ao continente africano, há uma mistura de vários povos e várias etnias africanas. E claro, daí surgiu o “pidim”que é a primeira forma de comunicação rudimentar surgida aqui em Cabo Verde, tambem considerada como o protocriolo. Mas acima de tudo o importante é vermos que, com essa necessidade, haveria de comunicar-se de alguma forma. Nasceu esse criolo cabo verdiano. Que justamente aqui onde estamos na Ribeira Grande de Santiago é que esse criolosurgiu. Pelas necessidades que eu acabei de mencionar. Mas, claro, a questão das variantes que ainda hoje mais do que nunca está-se a discutir aqui em Cabo Verde. A variante do barlavento, a variante do sotavento, qual delas é que se deve ser assumida ou veiculada nos meios, sobretudo nos meios acadêmicos? É essa a questão de fundo. Qual o criolo deve-se lecionar nas universidades? Qual o criolo cabo verdiano deve ser introduzida na questão administrativa e legal aqui em Cabo Verde.

PERGUNTA - Qual o futuro do criolo? Ele substituirá o português em algum momento? Será paralelo? O que se imagina?
HAMILTON –
Não (substituirá). Neste momento, infelizmente quanto a mim, temos duas correntes em relação à oficialização ou à materialização do criolo nos circuitos formais. Como é óbvio, como toda língua, é necessário a sua normalização. E para a sua normalização, terá que se fazer obrigatoriamente pelos materiais didáticos ou pedagógicos. Ou seja: temos já gramáticas em criolo. Publicações científicas e não só em criolo. Ou seja, essa normalização já iniciou a partir do Alupec, que é o alfabeto unificado do criolo. Desde 1998 começou-se a sua introdução de uma forma experimental nas escolas. Mas claro: qual é o criolo que se vai falar, qual o criolo que se vai adotar? Quanto a mim, isto é um aspecto irrisório porque como todas as outras línguas, para assumir-se ou oficializar-se uma língua como tal, há que ter em conta o aspecto cultural e histórico. Onde nasceu o criolo aqui em Cabo Verde? Como é óbvio, e não sendo bairrista, tem que ser o criolo que surgiu aqui na Ribeira Grande de Santiago. Independentemente da variante porque nenhuma das ilhas ou pessoas de nenhuma dessas ilhas está obrigada a falar. Assim como o criolo em nenhuma circunstância virá a substituir o português, como é óbvio. São duas línguas que, a exemplo de outros países, tem que se conjugar e tem que se assumir como sendo o caráter bilinguístico que o cabo verdiano tem de levar as duas línguas ao mesmo tempo. Como é óbvio, estamos num processo de normalização e materialização do criolo a nível acadêmico. E vai ter o seu momento que tem que ser assumido como tal e que deverá ser metido na praça pública para sua discussão aberta e descomplexada. Porque, como sabemos, já existem diplomas legais sobre a oficialização do criolo. A questão está acima de tudo na questão regional. É a opinião que tenho sobre a questão. Se há que se assumir um criolo ou uma variante do criolo cabo verdiano, há questões sociais. A ilha de Santiago, por exemplo, é a maior ilha de Cabo Verde. O que em termos demográficos, justifica, como é óbvio, a assunção do criolo de sotavento, por exemplo. Temos a questão cultural como eu havia dito anteriormente. A questão histórica. Por ser o berço da nação cabo verdiana. E a língua, como sendo um aspecto cultural e disassociada da questão da nação, acho que é momento de sentarmos e assumirmos as coisas assim como são.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

UNITEL, O PRÓXIMO MAIS DISTANTE

Uma das missões no processo de mudança é cancelar a linha do telefone celular.

Cancelar a linha é até fácil.

Fomos à loja da Unitel, entregamos a carta com os motivos da solicitação de cancelamento.

E pronto, certo?

Errado.

Queríamos pagar as últimas ligações feitas.

Impossível.

Segundo o funcionário, devido à mudança no sistema da Unitel, a empresa não emite faturas há quatro meses.

Desde o mês de dezembro.

NÓS - Tudo bem, mas o senhor não pode emitir agora e pagamos aqui?

FUNCIONÁRIO - É impossível.

NÓS - E como fazemos para pagar? Vamos embora daqui a alguns dias.

FUNCIONÁRIO - Se até lá as faturas forem emitidas, cobramos. Caso contrário, a empresa terá que arranjar alguma solução interna...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

TEM JAPONÊS NO FADO

O que fado e jazz têm em comum?

E o que um japonês tem a ver com fado?

Não é África, mas é lusofonia.

Veja na reportagem da TV Brasil.



Se você se interessou em conhecer a Tasca do Chico, o endereço é rua Diário de Notícias, 39, Bairro Alto.

Em Lisboa, claro!

O fado vadio, esse em que o Tako se apresenta, acontece todas segundas e quartas a partir das 21h.

NÃO HÁ ANGOLANOS BILIONÁRIOS?

Reportagem reproduzida pelo sítio Angonotícias informa que não há angolanos entre os oito bilionários africanos listados pela revista Forbes.

Há quatro egípicios, três sul-africanos e um nigeriano.

Para ler a notícia e os sempre deliciosos comentários dos leitores, clique aqui.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ELEIÇÕES EM ANGOLA

A TV Brasil foi a primeira emissora de televisão brasileira a enviar um correspondente para a África, em maio de 2008.

E foi a única a fazer a cobertura da histórica eleição legislativa de Angola, em 2008.

A série de cinco reportagens abaixo mostra os dois dias da eleição (problemas na organização obrigaram a Comissão Nacional Eleitoral a ampliar o prazo de votação em mais um dia) e as expectativas de políticos, economistas, cientistas políticos e cidadãos.














sexta-feira, 2 de abril de 2010

VER TV ÁFRICA, O PROGRAMA

O programa Ver TV, parceria da TV Brasil e da TV Câmara, exibido esta semana, tratou da cobertura que as televisões brasileiras fazem do continente africano.


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Veja o texto de divulgação do programa no sítio da TV Câmara:

"A Copa do Mundo na África do Sul despertou o interesse das emissoras brasileiras por um continente esquecido. Já são três as empresas com correspondentes na África e várias produções independentes são exibidas nos canais por assinatura. Por que no Brasil, com uma população majoritariamente negra, cuja origem é no continente africano, é tão difícil mostrar na televisão a África que pouca gente conhece?
Na roda do debate, o Ver TV reúne Carlos Alberto Jr, correspondente Internacional da TV Brasil; Beluce Bellucci, diretor do Centro de Estudos Afro-asiáticos e doutor em História; e Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília."

FRACASSA TENTATIVA DE GOLPE NA GUINÉ-BISSAU

Reportagem da TV Brasil sobre a tentativa de golpe fracassada na Guiné-Bissau.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

NELY - REVISITADA

O post sobre a Nely foi originalmente publicado no dia 13 de julho de 2008.

Para ler na página da época e os comentários dos leitores, clique aqui.



NELY


Nely tem 20 anos e nasceu na ilha de São Tomé. Está em Angola há dois anos e sete meses. Veio com um namorado, também de São Tomé, que já morava em Luanda. Separado da primeira mulher, o namorado insistia há tempos para que ela viesse morar com ele. Carpinteiro, ele dizia ganhar o suficiente para sustentar os dois.

Nely veio, engravidou, separou e hoje mora com a filha num anexo alugado (como os angolanos chamam os cômodos construídos nos quintais) em uma casa de família.

O drama de Nely começou poucos meses depois do desembarque em Luanda. O namorado, promovido a marido/senhor manteve as viagens para São Tomé mesmo depois de tê-la trazido para Angola. Lá, reatou com a primeira mulher. Durante alguns meses, administrou a relação de bigamia internacional.

A primeira mulher descobriu e passou a ligar para Nely. Discutiam ao telefone. Nely foi tomar satisfações com o marido e acabou submetida a uma rotina de espancamentos. Cada vez que a primeira mulher ligava, Nely reclamava e apanhava. As vizinhas diziam para ela ir à polícia. Nely não ia.

Um dia, toda machucada, saiu de casa com a roupa do corpo e a filha de nove meses. O marido reteve todos os documentos dela. Rasgou o passaporte e o cartão de estrangeiro. Nely hospedou-se na casa de um primo por alguns dias, até alugar o quarto onde vive com a filha há três meses.

Nely tem quatro irmãos mais novos, que vivem com a avó em São Tomé. A mãe morreu e o pai desapareceu em Portugal há muitos anos. Nunca mais deu notícias. Ela soube há pouco tempo que a irmã de 16 anos saiu de casa e não quer nada com estudo. O sonho de Nely é juntar dinheiro, voltar para São Tomé, comprar um terreno e construir uma casa para a família.

Nely trabalha como doméstica. Ganha US$ 450 por mês. Prefere receber o salário em dólares. Quando faz o câmbio para kwanzas, o dinheiro vai embora. Como não tem documentos, não pode abrir conta em banco. A embaixada de São Tomé em Angola só emite passaporte provisório, com validade de um ano. Os bancos angolanos não aceitam esse tipo de documento. Conta nova só com o passaporte tradicional, emitido no país de origem. Nely deixa parte do salário com uma amiga que gosta de economizar dinheiro. A amiga economiza para as duas.

Na casa em que trabalha, ainda não há muito o que fazer. A mudança dos patrões ainda não chegou. Sua rotina restringe-se a limpar a casa, lavar a louça e passar a roupa.
Nely gosta de novelas brasileiras e filmes de terror.”Não sinto medo”, costuma dizer. Antes de ir embora, senta-se na poltrona da sala e passa pelo menos uma hora zapeando pelos canais. Há uma coisa que Nely gosta mais do que as novelas brasileiras. Filmes indianos e novelas de canais árabes transmitidos pela TV a cabo.

Quando alguém pergunta por que ela assiste a esses programas se não entende a língua falada pelos atores, ela responde: “Mas eu gosto”.

Nely ainda encontra o ex-marido. Ele visita a filha com freqüência. Alega que tem direito e insiste para ela voltar. Ela diz que não quer, mas admite que ainda se relacionam.

Tomara que Nely não fique grávida de novo.


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A Nely continuou a ser espancada pelo ex-marido.

Uma vez, levou uma surra com um pedaço de madeira.

Teve a rótula de um dos joelhos deslocada por causa da paulada.

Ficou dias sem trabalhar.

Foi à polícia, mas de nada adiantou. Os policiais não registraram a queixa e ainda a pressionaram para que aceitasse o marido de volta.

Nely já não trabalha conosco.

Começou a faltar.

Decidimos que ela só viria alguns dias por semana.

Nely veio duas vezes e um dia não apareceu.

Nunca mais tivemos notícias dela.

Para ler mais sobre a Nely, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Há outros posts em que a Nely aparece.

Inclusive o do glorioso ataque das baratas.