segunda-feira, 7 de março de 2011

KADAFI AMEAÇA EUROPA COM "ONDA DE CLANDESTINOS"

Reportagem publicada no jornal português Público.


KADAFI AMEAÇA EUROPA COM NOVA VAGA DE CLANDESTINOS
 O líder líbio, Muammar Khadafi, agitou o fantasma de uma nova crise de imigração ilegal na Europa, ameaçando libertar uma onda de clandestinos no território europeu se os países ocidentais não o ajudarem a combater a revolta contra o seu regime. “Milhares de pessoas da Líbia vão invadir a Europa e não haverá ninguém para as impedir”, avisou Khadafi.
Numa entrevista ao francês “Journal du Dimanche”, Khadafi voltou a responsabilizar a Al-Qaeda pela insurreição no seu país, mas acrescentou um novo detalhe dirigido aos leitores ocidentais: “Vocês têm uma jihad islâmica à vossa porta no Mediterrâneo. Osama Bin Laden está a instalar-se no Norte de África. Vocês vão ter Bin Laden à perna”, alertou, reclamando maior apoio para esmagar as forças terroristas.

“Eles vão atacar a 6ª Frota dos Estados Unidos. Vocês vão começar a ver actos de pirataria a 50 quilómetros das vossas fronteiras. Os homens de Bin Laden vão poder exigir resgates por terra e por mar, estamos a caminhar para uma crise internacional”, alegou, confessando a sua “surpresa” pelo facto de ninguém na Europa ter ainda percebido que “o que está a acontecer na Líbia é uma guerra contra o terrorismo”. “Como é possível que ninguém nos ajude”, interrogou-se.

O dirigente líbio – que recebeu a publicação francesa na sua tenda, no sábado – concedeu que a actual violência no país é o mais duro desafio à sua liderança de mais de 40 anos na Líbia, e garantiu estar totalmente disponível para colaborar com uma investigação independente aos acontecimentos. “Antes de mais nada deixe-me dizer que nós gostaríamos muito de ter uma comissão de investigação das Nações Unidas ou da União Africana a trabalhar na Líbia”, frisou, garantindo que o seu regime não imporia nenhuns limites à actuação deste painel.

“E digo-lhe até que veria com bons olhos que fosse a França a liderar e coordenar esse inquérito”, acrescentou Khadafi, lembrando a sua tradição de colaboração com o Governo gaulês e as suas relações de amizade com o Presidente Nicolas Sarkozy.

No Cairo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Alain Juppé, ignorou as referências do ditador líbio à sua alegada proximidade com Sarkozy e usou palavras duras para falar do regime de Khadafi, sublinhando que o líder líbio “está totalmente desacreditado e deve partir” e que a França considera a sua “folia criminosa totalmente intolerável”.

“A França, assim como muitos dos seus parceiros internacionais, não é favorável a uma intervenção militar ocidental na Líbia que teria efeitos muito negativos”, precisou Juppé. Mas, notou, “na hipótese dos combates se tornarem ainda mais sangrentos temos de estar preparados para reagir. Essa é a razão por que aceitamos que seja estabelecida uma zona de exclusão aérea na Líbia, sob o mandato das Nações Unidas e com a participação da Liga 
Árabe e da União Africana”, acrescentou.

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