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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

AS DUNAS DE SOSSUSVLEI

Como nunca estive no Saara, não tenho como comparar.

Mas ousaria dizer que Sossusvlei é mais do que um deserto.

É uma experiência.

A visão de qualquer uma das dunas protegidas dentro do Parque Nacional é algo de impactante.

O melhor horário para se chegar lá, é claro, é antes de o sol nascer.

Só assim será possível ver a sombra que o raiar do dia lança sobre as dunas.

Com sol alto, fica tudo da mesma cor, sem contraste, sem contorno.

De longe, parece uma serpente do deserto que avança sobre a montanha.

As dunas são montanhas de areia.

A foto não mostra, mas de perto é possível ver uma fina camada de areia que passa de um lado para o outro, dependendo da direção em que sopra o vento.

Os grãos de areia são lançados para um lado pela manhã.

À tarde, quando o vento muda de direção, os grãos retornam para o lado em que estavam mais cedo.

Uma duna nunca é a mesma.

Essas de Sossusvlei não mudam de lugar por causa dessa mudança de direção do vento.

Mas mudam ligeiramente de formato.

Se o vento estiver mais forte, é possível ver a velocidade com que as pegadas deixadas na areia são apagadas.

Uma duna é uma montanha de areia pronta a ser escalada.

E todo mundo escala.

O contraste do céu azul com a areia meio cor de ferrugem lança dúvidas sobre a veracidade da foto.

Terá sido manipulada num photoshop?

Pois não.

As cores são essas mesmas.

E todos parecem caminhar sobre as costas da serpente de areia.

Algumas dunas chegam aos 200, 300 metros.

A sensação é a de quem caminha no fio da navalha.

O ponto em que as areias passam de um lado para o outro lembra uma lâmina.

É preciso equilíbrio para avançar.

O esforço é recompensado por uma breve pausa para admirar um oceano de grãos de areia.

Também há vida por ali.

Camuflada no próprio deserto.


Os mais ousados descem por caminhos menos tradicionais.


Abaixo das dunas, Deadvlei.

Árvores secas centenárias.

Rodeadas de areia.

Um dia estarão petrificadas.

Sossusvlei é o coração do deserto do Namibe.

Com alguma sorte, é possível avistar alguns antílopes na região, como o Orix.

Desta vez não conseguimos.

Mas vimos um outro visitante solitário.

domingo, 30 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

UM ORIX NO DESERTO


Havia acabado de passar.

BREVE RELATO SOBRE UMA MEDIDA EDUCATIVA

Há alguns dias, o avião pousa no aeroporto internacional de Windhoek.

Na Namíbia, tudo é diferente.

O desembarque é tranquilo.

As filas são respeitadas.

Precisamos trocar dinheiro.

Entro na fila da casa de câmbio.

Há uma angolana na minha frente.

Em Luanda, ela já havia furado a fila da imigração.

Ela está prestes a concluir a operação.

Sou o próximo a ser atendido.

Chega outra angolana.

As duas usam óculos escuros gigantes.

A OUTRA ANGOLANA - Pois. Acho que vou trocar só US$ 700.

ANGOLANA NA MINHA FRENTE - Não. Troca mais.

A OUTRA ANGOLANA - Não. Se precisar depois eu troco mais na cidade.

A outra angolana entrega o passaporte com os US$ 700 dentro para a amiga fazer o câmbio.

O funcionário da casa de câmbio faz um sinal negativo e aponta para o fim da fila.

ANGOLANA NA MINHA FRENTE - My friend.

FUNCIONÁRIO DA CASA DE CÂMBIO - No. She has to take the line.

ANGOLANA NA MINHA FRENTE - My friend.

FUNCIONÁRIO DA CASA DE CÂMBIO - No. Next.

No caso, o next sou eu.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DEADVLEI

Fica em Sossousvlei, no deserto da Namíbia.

Imperdível!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A NAMÍBIA VISTA DE UM BALÃO

O passeio começa cedo.

Já é dia claro, mas o sol ainda não apareceu.

Antes da decolagem, ar quente.

Durante todo o passeio, a altitude é controlada pela quantidade de ar quente que será liberada no interior do balão.

Cheio, é esse o visual.

O balão abaixo estava a algumas centenas de metros distante do nosso.

Um futuro baloeiro estava sendo avaliado naquele momento, fazendo exercícios de decolagem e pouso diante da banca de examinadores.

Durante o passeio, subimos a pouco mais de dois mil metros.

A foto abaixo é de um pedaço do deserto da Namíbia e um finzinho de savana.

A Namíbia é um país deslumbrante.

Do alto, é ainda mais surpreendente.

A cadeia de montanhas surge entre uma vegetação verde-clara.

Um pouco mais adiante, a vegetação dá lugar ao deserto de Sossousvlei e suas dunas coloridas.

Lá embaixo, o futuro baloeiro continua na série de exercícios para conseguir o brevê.

O vôo de balão é de uma tranquilidade e suavidade surpreendentes.

O piloto não controla a direção que o balão irá tomar.

Fica à mercê do vento.

Quando não há vento, pode-se optar por liberar mais ar quente.

O balão sobe um pouco.

De vez em quando sopra uma brisa.

Depois de uma hora ao sabor dos ventos, é hora de preparar a aterrissagem.

O chão volta a ficar próximo.
Chega a equipe de resgate.

Força para segurar o cesto em que vão os passageiros.


Missão cumprida.


Clique nas fotos para ver que espetáculo!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

NO DESERTO DA NAMÍBIA

Vários dias sem internet.

Acima, um pedaço de Sossusvlei.

Agora não posso dar detalhes.

Estamos no aeroporto de Joanesburgo, a caminho da segunda parte da viagem.

Voltamos no fim do mês.

Talvez eu consiga postar algo antes disso.

Talvez não.

Veremos.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

AS FOCAS E OS CHACAIS

A Namíbia tem uma das maiores colônias de focas do mundo.

Fica na Costa do Esqueleto, a caminho de Swakopmund.

Cerca de 200 mil animais vivem e se reproduzem na região.

A visão é impressionante.

O cheiro não é dos mais agradáveis.

As focas fazem um barulho enorme.

Lembra o balido de ovelhas.

Mas a vida de foca não é só moleza.

Veja abaixo.

O chacal parte para mais uma refeição.

A colônia de focas é praticamente um supermercado.

A preferência é pelos filhotes.

Os chacais caminham tranquilamente entre as focas.

Não são ameaçados por ninguém.

Escolhem a presa e se esbaldam.

Não cheguei a registrar nenhum ataque.

Na foto abaixo (é melhor clicar na foto para vê-la ampliada), podem identificar o chacal lá na frente, em meio aos animais.

Vida de foca não é fácil.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

AS QUEDAS DE EPUPA

Na fronteira da Namíbia com Angola.
Os governos dos dois países estudam a construção de uma hidrelétrica na área.
Se o plano for adiante, toda a região será alagada, com a expulsão de diversas comunidades Himbas e a destruição de sítios arqueológicos.
Clique na foto para ver em tamanho gigante e com detalhes.
Vale a pena.
É uma belezura só!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

UM ENCONTRO INTERPLANETÁRIO?

A foto foi feita em Epupa Falls, às margens do Rio Cunene.

De um lado da margem, a Namíbia.

Do outro, Angola.

No meio, um encontro improvável.

Quem você acha que destoa da paisagem?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

BUSHMEN

Encontrei o grupo perto do lugarejo de Kanovlei, região de Grootfontein, oeste da Namíbia.

Segundo os livros, não há outro grupo social ou linguístico que tenho sido mais estudado, filmado, pesquisado e escrito do que o povo San. Ou Bushmen. Ou Kalahari.

Os bushmen representam apenas 3% da população da Namíbia.

Ficaram mundialmente (no sentido de popular) famosos com o filme “Os deuses devem estar loucos”.

Na Namíbia, há três grupos importantes: os Haixom, no norte das regiões de Otavi, Tsumeb e Grootfontein; os !Kung, em Bushmanland; e os Mbarankwengo, no oeste da faixa de Caprivi.

Os bushmen são caçadores e coletores de alimentos.

A expansão agrícola e a ocupação de terras pelos brancos reduziram sensivelmente as áreas em que os bushmen vivem.

Muitos ainda preferem viver nas aldeias, cujas áreas são protegidas por leis federais na Namíbia.

Há ONGs e fundações que captam recursos para manter a terra e garantir alimento, roupas e remédio para os bushmen.

Apesar de as fotos retratarem os bushmen como eles viviam, todos eles moram em casebres pobres na área da reserva perto de Grootfontein.

Recebem turistas e encenam o estilo de vida que levavam.

Alguns falam inglês.
São os que conseguiram ir à escola e são a ponte entre os mais velhos, os que não conseguiram estudar, e o resto do mundo.

Uma tabela de preços mostra quanto custa a simulação completa.

Pode-se contratar apenas a simulação de caça, de dança, de preparação de comida. Ou um pacote completo, com tudo incluído.

Assim que o acerto é feito, as pessoas são encaminhadas ao local onde entrarão na mata com os bushmen.

Em poucos minutos, eles aparecem caracterizados com as roupas tradicionais.
Aos poucos chegam mulheres e jovens que colocam à mostra artesanatos que vendem aos turistas.

Pode-se comprar antes ou depois da encenação.

Quando o ritual acaba, eles voltam para suas casas e vestem as roupas ocidentais.

Poderiam estar em qualquer lugarejo pobre em qualquer lugar do mundo.

Quando estavam na mata, com as vestes tradicionais, pareciam em completa harmonia com a natureza.

Ocidentalizados, provocaram estranhas sensações.

São um museu vivo.

Os bushmen estão entre os homens mais antigos do planeta.
Os primeiros registros de fósseis de ancestrais humanos foram encontrados há cerca de 60 mil anos no leste da África.

Na região do Kalahari, que engloba parte da Namíbia e Botswana, há registros de seres humanos há 40 mil anos.
Segundo os antropólogos, esses seres seriam os ancestrais dos atuais povos Khoi e Bushmen.

Os linguistas agruparam todas as línguas faladas no mundo em cerca de 20 famílias.
Desse total, quatro são muito diferentes das demais e fazem parte das famílias africanas, que incluem as línguas Khoisan e Niger-Congo, também conhecidas como Bantu.

As línguas khoisan se distinguem pelo vasto repertório de estalidos durante a fala.
Apesar de estranho, são consideradas línguas bastante sofisticadas. Do ponto de vista fonético, são as línguas mais complexas do mundo. Falar um delas fluentemente significa explorar completamente a habilidade fonética do ser humano.
Os bushmen são baixos.
Atribiu-se o fato à ausência de carne na dieta.


Os bushmen não caçam mais.
Os animais são protegidos por lei. Os alimentos agora são comprados nos mercados de beira de estrada e nas cidades próximas, com o dinheiro que recebem dos turistas, das ONGs e do governo.

Apesar de não viverem mais nas cabanas, os bushmen ainda se reúnem como na foto abaixo para as encenações turísticas e para mostrar aos mais jovens como era a vida dos antepassados.
Os mais velhos da aldeia não falam inglês.
Alguns dos mais jovens falam inglês, mas ainda são poucos os que conseguem autorização dos pais para estudar na cidade.
Muitos preferem que os filhos fiquem na aldeia (ou no vilarejo) na tentativa de preservar a cultura.
Este abaixo fala inglês e também trabalha como guia.
Para a maioria, não faz sentido ir para a cidade. Não há emprego.
Abaixo, a simulação de uma dança da chuva.
Homens e mulheres dançam com as pernas entrelaçadas.
Um dos guias da aldeia.

A venda de artesanato é contabilizada em detalhes.
Cada bushman produz suas peças, que possuem uma etiqueta com o nome do autor e o preço.
Depois, tudo é anotado no caderno e o dinheiro entregue ao dono.

Bushman volta para casa depois da encenação.

Na aldeia, os bushmen nas roupas ocidentais.

Meninas bushmen brincam.

Crianças bushmen no quintal de casa.